Eric, o melhor amigo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Mark acordou aquela manhã com a sensação de que tinha algo errado. Ele tinha adormecido de roupas, a cama estava arrumada e o quarto estava da mesma forma que deixou da última vez, o que era estranho. Luz do sol da manhã entrava pela janela e iluminavam o cômodo, o que também era muito estranho. Significava que não tinha ido a aula aquele dia.
Não tinha noção de horas, então levantou e seguiu em direção a porta. Parou e se encarou no espelho do guarda-roupas. Tinha um belo roxo abaixo dos olhos e sangue seco envolta da boca e nariz. Tinha algo que bloqueava tudo o que acontecou na noite passada.
Depois de fazer sua higiene matinal, seguiu em direção a cozinha. Sua mãe estava sentada a mesa com uma xícara entre as mãos, tinha o olhar fixo na mesa.
— Oi. — o filho disse baixinho como se a mãe fosse algum animal que iria se assustar.
— Bom dia. — ela sussurou. Tinha olhos tristes e os braços estavam roxos. — Olha, a noite passada, eu... Eu sinto muito, mas você sabe como seu pai é. Ele nunca vai aceitar isso, entende? Acho melhor você se afastar... Eu não quero isso... Tente não se encontrar com ele, sair mais cedo de casa, chegar mais cedo... Passe um tempo na casa de um amigo. — as palavas saiam em uma enchurada dos lábios dela. Muita informação para alguém que não lembrava de bolhufas nenhuma.
Mark passou a encarar a mesa também e aos poucos, fleches de luzes da noite passada vieram a sua frente. Lembrou do seu pai o chamando de vergonha e dizendo que ele devia estar morto, que ele não era pai de uma "bicha gay". Todas aquelas palavras doíam. Então, lembrou da mãe tentando defendê-lo e do tapa que o pai deu nela, logo depois indo para cima do filho.
Parecia que tinha acontecido a séculos, mas foram apenas em algumas horas.
Ele seguiu para a rua, com a intenção de que algum bom amigo o aceitasse em casa. Mark era bonito, jogava no time de futebol americano da escola, era inteligente e simpático, quem não era amigo dele?
Pegou o celular e discou o número de Eric Foster, talvez, um dos melhores amigos dele. Ficou um bom tempo esperando até que ouviu a voz saudosa do outro.
— Acho bom que tenha um ótimo motivo para me ligar no meio da aula da Sra.Clifton — a Sra.Clifton ensinava química e era a mais odiada professora do Campus. Talvez por ela ser uma senhora de idade muito chata.
— Fui expulso de casa. — do outro lado da linha podia se ouvir apenas a respiração de Eric. — Preciso de um lugar para dormir, passar uma semana, apenas. — o tom era quase desesperado.
— Sim... — Eric pareceu confuso, sem reação mas logo voltou ao normal — Claro, mano, aparece lá em casa. Eu pulo o muro da escola e já tô aí.
Mark agradeceu abrindo um largo sorriso, desejou que o amigo pudesse ver.
Ele entrou no quarto as pressas. Além dos livros da escola na mochila, agora tinha mais um dúzia de roupas e alguns pertences pessoais. Na porta da geladeira da cozinha deixou um bilhete.
"Mãe, estou bem. Não irei causar mais problemas, arrumei um lugar para dormir. Quando quiser, me ligue."
Mas ela não ligou, nunca ligou. Nem ao menos o procurou, mas Mark já sabia disso. Ela fazia tudo o que o marido mandava, era uma atitude tão... boba. O tal marido atual não era pai de Mark, o verdadeiro pai do jovem morreu quando ele tinha apenas três meses de idade. O homem que vivia com sua mãe agora era quem tinha criado e visto Mark crescer, era como um pai.
Quando ele chegou a casa do amigo, Eric já estava lá. Sentado na varanda vasculhando a mochila, procurava as chaves. Diferente de Mark que tinha cabelos castanhos brilhosos e olhos escuros, Eric era tão loiro quanto o sol. É, o garoto era realmente bonito com aqueles fios claros e pele bronzeada.
Abriu um largo sorriso quando viu o amigo e fez sinal para que se aproximasse. Mark notou que ele tinha emagrecido, provavelmente por causa da pó — Eric era viciado em cocaína, festas e bebedeira.
— Você está péssimo, Mark. O que fez ontem a noite? Bebeu até perder o juízo e apanhar de um grandalhão? — Eric riu da própria piada.
— Acho que você descreveu a sua noite. — o outro olhou com desgosto.
Eric Foster resmungou alto e disse algo sobre não estar achando as chaves e ter que entrar pela porta dos fundos. O amigo o seguiu, é claro. A casa estava impecávelmente arrumada, contudo, o quarto do jovem parecia uma zona de guerra.
— Agora me conta a merda que você fez dessa vez. — Foster se jogou na cama, esperando as palavras do outro.
— Eu nunca fiz nenhuma...
— CLARO QUE NÃO, IMAGINA! — enfatizou — Só teve aquela vez que tranzou no banheiro da festa de quinze anos da Laura, e quando fomos acampanhar e você estava tão bêbado e se jogou no lago.
Mark suspirou e sentou no chão, começando a contar.
— Tive uma briga com meu pai ontem a noite... — pausou — Minha mãe me expulsou hoje de manhã. — não contou a parte sobre ser gay, ninguém sabia e não pretendia contar, sabia que iria acontecer o mesmo se falasse para os seus amigos.
Eric o olhou com compaixão. Eles se conheciam desde a segunda série, eram melhores amigos. Tudo começou quando Mark, uma criança desengonçada caiu sobre o castelo de blocos de Eric, sentindo-se envergonhado e sem saber o que fazer, ele correu para o banheiro e passou a manhã toda chorando. No dia seguinte, Eric o abraçou e disse que podiam ser amigos.
Quando tinham dez anos de idade, Mark quebrou o braço em uma briga de rua ao defender Eric. Aos treze, eles estavam fumando escondidos. Aos quinze, tinham ido a uma festa escondidos. Agora com dezessete, Eric o acolhia.
Eram quase irmãos.
Já começava a escurecer quando os pais e a irmã do jovem Foster chegaram em casa. A Sra.Foster, simpática como sempre cumprimentou Mark. Não parecia surpresa ao vê-lo ali.
— Como estão seus pais, Mark? — ela perguntou educadamente, sorrindo.
Eric arregalou com os olhos e puxou a mãe com sutileza pela cotovelo, carregando ela até um canto da sala. Os dois gesticuvalam com as mãos e suas faces demonstravam diferentes emoções. Ele ignorou, olhando para o outro lado.
— Mark, olha o unicórnio que eu fiz. — a irmã de Eric mostrou o desenho feito em uma folha branca que tampava todo o rosto da pequena. Ele tinha traços bem infantis e mais parecia um cachorro com uma vassoura na cabeça.
Ele riu baixinho e apertou as bochechas da pequena, quando a soltou, a Sra.Foster o encarava.
— Vai ser ótimo você passar essa semana com nós, Markus. — ela quase nunca o chamava pelo nome, e quando o disse, estava confiando nele.
Ele sorriu e agradeceu.
— Cara, vamos dar uma volta. — Eric já parecia entediado e talvez, um pouco irritado pela irmã estar desenhando no braço dele.
Eles desceram a longa rua que levava a um condomínio de prédios conhecido da região, viraram a primeira rua e seguiram até a praça. Eric adorava aquela praça, e era conhecida como "A praça das escadarias", um nome bem convincente. Tinha longas escadarias por toda a parte, cercada por área verde. O loiro se sentou em um banco de madeira, apoiando-se para a frente com os cotovelos nos joelhos, as mãos cruzadas. Mark passou a observar os braços do amigo. Tinha cicatrizes bem aparentes, e ele sabia o porquê. Lembrava de quando a depressão atacou o garoto.
"E eu estou cansado disso tudo! Eu não quero mais viver!", berrou enquanto as lágrimas desciam livremente. Já fazia quase duas semanas que estava trancado no quarto, recusava a comida. Quando Mark entrou no quarto, a primeira coisa que notou foi o amigo chorando em um cantinho, os braços sangrando e sujando o chão. A primeira reação que teve foi de enrolar uma camiseta nos ferimentos com a inteção de estancar o sangramento, logo depois, berrou por ajuda. E foi aí que a cocaína entrou na vida de Eric, após sair do hospital, tudo o que ele queria era algo que o fizesse esquecer a dura realidade. Em uma festa dos alunos do time de futebol, ofereceram diversas drogas para ele.
Quando Mark voltou a si, o garoto ao lado dele falava algo sobre o novo treinador do time ser um idiota e como as líderes de torcida davam em cima dele. Então, parou e encarou o outro.
— Tá tudo na paz, M? — Eric era o único que chamava Mark de M, e ele gostava. Gostava da sonoridade do apelido, a forma que o amigo pronunciava. "Emm", tinha um sotâque britânico.
— Aham. — respondeu o outro — Você vai na festa da Hanna?
— Aquela loirinha do primeiro ano? — o melhor amigo assentiu — Ah... sim. Julie quer que eu vá com ela. — Julie era a namorada de Eric, era uma menina mais nova que usava brincos coloridos.
Então Eric puxou uma carteira de cigarros do bolso. Cigarros mentolados, o que ele mais gostava. Acendeu e deixou a nicotina invadir o corpo dele, dava uma sensação de calma. Mark notou como o amigo parecia mais triste daquela forma, as olheiras ressaltando e os olhos procurando algo ao longe.
— Acho que Julie tem me traído. Ela não é mais a mesma. Trata-me mal, quando nos encontramos nos corredores da escola, ela desvia. — suspirou e com isso a fumaça branca subiu, ele fechou os olhos.
Eles ficaram em silêncio por um tempo.
— Por que você brigou com o seu pai? — a curiosidade falou mais alto.
Eric tinha uma boa visão do pai do amigo. Um homem alto e musculoso como uma porta, cabelos loiros bem aparados e uma risada grossa. Tinha a certeza de que ele era de outro país — Alemana, Rússia, Brasil? — Não conseguia lembrar.
— Ele... não me aceita. — respondeu.
— Como assim? — o outro perguntou mas dessa vez não obteve respostas.
Quando chegaram em casa, o jantar estava sendo servido. A Sra.Foster era uma ótima cozinheira. Sabia cozinhar qualquer comida e de qualquer lugar. Naquela noite foi comida tailândesa. Após o jantar a família se reuniu na sala para comer sorvete e assistir algum programa de humor, a irmã de Eric — que tinha o nome de Kassie — ficou a encher a paciência do melhor amigo do irmão.
Quando todos já iam se deitar, Eric e Mark entravam para o banho. Quando Eric saiu, Mark estava na porta segurando uma toalha. Ele notou os traços do amigo: estava molhado, alguns gotas escorriam do pescoço e desciam pelo peitoral, a toalha amarrada abaixo do umbigo e a tatuagem no ventre, "Passado de cinzas". Sinceramente, ele nunca entendeu o significado daquela tatuagem. Então enrubesceu ao perceber que estava encarando o amigo.
— Ahn... — as palavras não saíam.
— Já terminei, pode ir. — Eric falou normalmente como se não tivesse notado os olhares do colega.
Mark deixou que a água quente caísse sobre seu corpo. Pensou em seu pai e a forma que ele tinha agido, na mãe chorando e na barriga de Eric. Socou a parede ao perceber que estava pensando novamente no amigo, mas ele não podia negar que o achava atraente. Quando terminou de se banhar, ele seguiu para o quarto do amigo.
Iria dormir em um colchão no chão. Aquilo já estava ótimo. Deitou e tentou dormir, sem sucesso. Ficou a observar o amigo que estava iluminado pela luz da noite, também estava acordado.
— Lembra quando tinhamos onze anos e fugimos de casa com a esperança que chegaríamos a Disney? — Eric abafou o riso. — O máximo que chegamos foi até o mercadinho.
— É... — Mark respondeu baixinho.
Ouviram o som de um carro de policia na rua, os cachorros latiando e logo depois o silêncio.
Mark abriu a boca para falar, abafou um gemido e confusão e disse rápido:
— Você é lindo. — logo ao perceber o que disse, arregalou os olhos e mordeu os lábios com força.
— Que? — o outro parecia mais confuso ainda — Eu não tava prestando atenção, eu... eu tava dormindo. Desculpa.
Mark sentiu um grande alívio descer pela garganta, mas ao mesmo tempo, dor. Não entendeu o porquê de estar sentindo tudo aquilo, apenas concordou e virou para o lado, dormiu.
Dez minutos antes das sete horas, ele levantou. Eric ainda dormia, calmo. Aproveitou e fez sua higiene, vestiu-se para a escola e seguiu para a cozinha. O café estava posto, não quis tocar na comida enquanto o outro não acordasse.
— O que quer dizer quando se sonha com um gato falante? — Eric perguntou aparecendo do nada. — Cara, um gato falante com sombrancelhas, dá pra acreditar?
Mark o encarou com as sombrancelhas arqueadas.
— Você tem que parar de tomar esses remédios antes que o deixem maluco. — o moreno disse sério e ele riu.
Eric encarou a mesa do café com desagrado. Sentou e tomou um gole de chá, encarando a xícara com desgosto, infeliz. Tinha olheiras fundas abaixo dos olhos e as mãos pareciam tremer.
— Não quero ir a aula hoje, M. — suspirou e passou o dedo sobre a xícara.
Mark o encarou. Ele continuava a olhar para a porcelana com olhos caídos. Em silêncio ele levantou e seguiu para o quarto, quando voltou, tinha duas mochilas em mão. Jogou a do amigo aos pés dele e disse com um sorriso:
— Tenho que passar em um lugar antes. Não quero me atrasar.
Seguiram pela primeira rua a esquerda após a ponte do bairro. Era uma casa normal de dois andares, azul claro com janelas brancas. Eric tocou a campainha e um rosto surgiu em uma pequena brecha que a porta abriu.
— Quem é? O que você quer? — a voz perguntou com olhos arregalados e voz baixa.
— Josh, sou eu. — Eric o encarou com cara de tédio.
Josh soltou uma exclamação e abriu a porta. Mark o conhecia, é claro, ele era do primeiro ano da escola. Um garoto acima do peso que vendia maconha.
— O que vai querer hoje? Maconha? Bebida? Cigarros? — perguntou se atirando no sofá e tragando o cigarro, logo após borifou perfume no ar.
— Cocaína. — Eric estava confiante.
— Ahh... — o vendedor pareceu desconcertado — Tudo bem. — e seguiu em direção ao corredor. Os outros dois o seguiram.
Ele abriu uma gaveta do guarda-roupas e tirou várias roupas de dentro, quando já estava vazio ele puxou uma caixa de sapatos. Abriu, revelando vários pacotinhos com pó e outras coisas.
— Aqui. — disse entregando um pacote com pó branco — Vinte reais.
Eric puxou o dinhero do bolso, assim, trocando-o pela droga.
Quando saímos da casa, ele estava radiante.
Mark se sentou em uma das últimas mesas da sala de aula com Eric ao seu lado. Os dois colocaram os livros sobre a mesa e relaxaram sem se importar com o ambiente.
Súbitamente, um múrmurio começou a se espalhar pela sala a medida que os alunos chegavam. E como o esperado, chegou ao ouvido dos jogadores de futebol. Os dois se curvaram sobre a mesa e as gêmeas a frente começaram:
— A fofoca é das boas...
— Mas não sei se você, Eric, vai querer saber. — a outra completou.
— Agora que começaram, terminem. — o garoto desafiou.
— Hoje de manhã, recebemos isso na rede social. — ela mostrou o celular bem a frente dos rostos dos garotos.
Eric puxou o celular com cuidado e colocou sobre a mesa, Mark se aproximou. Eric Foster segurou o choro na garganta ao ver aquilo: era um vídeo de sua namorada, Julie, tendo relações sexuais com outro garoto.
O momento não podia estar pior, mas ficou. Julie entrou na sala no momento que o vídeo tinha acabado, atrás dela, o garoto que estava no mesmo. Eric se levantou abruptmente, empurrando a mesa a sua frente. Ele seguiu até a frente de Julie que sorriu sem perceber o comportamento do namorado.
— Você é uma grande vadia arrogante! — o garoto berrou — Eu sempre confiei e você faz isso? Não era mais fácil terminar? Não. MAS OBRIGADA POR ME ENROLAR, ME TRAIR E SER ESSA ÓTIMA NAMORADA QUE VOCÊ É, HEIN. — com isso, ele se voltou para o garoto e socou o rosto dele. O ferido o pegou pelas roupas e o jogou sobre as mesas, Eric pareceu não se importar e levantou, saindo da sala.
Mark levantou confuso e seguiu até Julie que, parecia confusa.
— Como você pode ser tão estúpida? — e se retirou, seguindo o amigo.
Mark abriu a porta do banheiro e não encontrou ninguém, apenas um leve choramingo vindo de uma box ao fundo. Ele bateu na porta e disse baixo:
— Eric, me deixa entrar...
O garoto o fez, fechando a porta novamente. Ele tinha os olhos vermelhos e fungava mas em vez de agir de forma violenta da mesma forma que fez na sala, ele abraçou o amigo. Mark era mais baixo e mais magro, encaixava-se perfeitamente no corpo do outro. Mark se sentiu atraído pelo amigo, e sentiu pena e tristeza. Não queria vê-lo sofrer. Eric pressionou o corpo de Mark na porta do box, os dois corpos juntos, a cabeça dele sobre o peitoral do outro.
— Desculpa, eu... eu não... ah. — rapidamente, ele se afastou. Mas da mesma forma, eles estavam tão perto que podiam sentir a respiração um do outro.
Mark se encolheu envergonhado e rezou silenciosamente para que o amigo não notasse a atração.
— Vou embora, M. — disse — Te encontro na hora da saída, leve minha mochila.
— Vou com você.
— Nem pensar, você ficará aqui. E não venha atrás de mim. — Eric ralhou.
A aula foi tediosamente chata. Ao final da manhã, ele já tinha dormido em três dos cinco períodos. Carregou as duas mochilas sem vontade pelos corredores da escola até perceber que uma garota o seguia. Parou e esperou que ela passasse, mas plantou a sua frente. Era Hanna, a garota da festa. Era pequena e magra, muito magra, mas bonita.
— Olá, Mark. — ela sorriu e as bochechas coraram. — Eu só queria dizer que você está convidado para a minha festa. — então, se aproximou e depositou as mãos sobre as bochechas do menino, levantando na ponta dos pés e beijando-o.
Mark ficou parado após disso. Os olhos arregalados e a boca escancarada, não sentiu nada. Ela era uma garota e ele gay.
Quando chegou na casa, Eric estava sentado no chão do banheiro e o pacote de drogas ao seu lado. Estava vazio. Ele levantou o olhar e encarou Mark.
— Você acredita, eu liguei trinta e sete vezes, e todas as trinta e sete vezes, ela me ignorou. — ele disse com voz de choro, mas não chorou.
— Ah, Eric. — a dor era vísivel na voz do amigo — Vamos, levanta, vai tomar um banho.
— Não, eu não quero. Eu quero definhar. — Eric se atirou no chão, tampando o rosto com os braços.
Mark se abaixou até ele e o arrastou até o box, ligando o chuveiro sobre os dois. Eric pareceu não notar nada, ficou parado enquanto Mark o despia. Ele hesitou em fazer aquilo, mas estava ajudando o amigo. Quando Eric Foster estava apenas de cueca, o melhor amigo se afastou. A respiração acelerada, o sangue correndo quente por suas veias. Então, deu um tapa no rosto do amigo que berrou assustado.
— Mas que m... — Eric murmurou mas parou ao perceber o olhar do amigo, um olhar de tristeza mas, amigável. Suspirou. — Obrigada, M.
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