Eremita

1 único


Uma libélula pousa sobre a superfície de um lago sem peixes, observo com a mente longe. Meu sensei me pede foco, senão não serei capaz de salvar os mais fracos. Eu medito com as águas geladas da cachoeira batendo forte sobre os meus ombros, luto contra o urso cinzento rei das montanhas e piso em brasas com pés descalços.

A semiescuridão da alvorada e o incenso preenchendo a sala com o seu cheiro perfumado, me mostravam os poucos momentos que ficava em paz de espírito. Meu sensei me servia uma tigela de arroz e eu fazia questão de comer civilizadamente, esse lugar era o único de todos em que eu não enfrentava os meus monstros e me deixava a impressão de ser como os demais.

Mas na floresta, eu mergulhava a cabeça no rio e bebia a água de quatro feito um animal. Meu corpo despido era sujo de fuligem e barro, coberto de machucados e eu já não sabia se estava ficando mais forte ou mais magro. Boiava no lago sem peixes e minha mente ia longe de novo. Foco era o que sensei me pedia, mas todas as vezes que meditava, sentia vontade de morrer. Já não sei se sou capaz de salvar alguém, mas eu preciso de ajuda.

De noite sonhava com vaga-lumes, eles suspendiam um cobertor e me cobriam do frio, exatamente como minha mãe faria. Eu chorava com o calor e sentia gratidão, talvez minha mãe estivesse me olhando lá do céu.

Mas de repente surgiam moscas varejeiras, que apareciam em bando como ladrões prontos para atacar uma vila. Eu não havia contratado os meus 7 samurais e elas voavam em volta até não poder ver mais nada, até entrarem no meu corpo e comerem minhas entranhas.

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