Erased

1 O sacrifício


Epilogo de um futuro

Violet D’arc em pé, ferida, segurava sua varinha e olhava a frente a capsula que acabará de destruir. Apesar do rosto coberto de sangue, possuía um sorriso de alívio, pois tudo que passou agora terminaria. Não só ela, mas os outros membros dos promissores haviam concluído a missão de acabar com a anomalia que afetava Prière. Com dores no corpo em consequência da grande batalha que acabará saindo vencedora, ela caminhou pelos becos subterrâneos de Prière que mais se assemelhavam a de um grande formigueiro.

Não havia tempo para comemoração pois Prière emitia gases tóxicos capazes de bloquear a luz do sol e poderia a qualquer momento passar pelas defesas da capa de proteção podendo causar envenenamento.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA—

Um ensurdecedor grito eclodiu vindo de alguém familiar, de seu companheiro que estava junto com ela na missão. Apesar das dificuldades, acelerou os passos, sentido o peso do próprio corpo atrapalhar. A dor era enorme, mas não importava. Seja o que estivesse acontecendo, algo a dizia que era melhor se apressar.

A varinha de sua mão caiu, seus olhos se arregalaram, pois algo não estava certo. Era para ser uma missão concluída, um final feliz, mas...

— Ainda não acabou! Ainda não acabou! — A voz repetia.

A voz era como flechas afiadas que penetravam sua carne. Um aviso de morte. Ela estava sem mana para uma nova batalha, principalmente contra aquilo que estava preste a surgir. Ela não entendia o que estava acontecendo, mas a capsula emanava uma fumaça roxa e densa, mas tão densa que sequer se misturava com os gases tóxicos do local.

Seu instinto de sobrevivência alertava que corria perigo. Seu cérebro gritava para que ela fugisse. Seu corpo queria congelar, mas lutou consigo mesmo para agir. Apesar das dores, apesar das dificuldades, ela correu para onde seu companheiro estava.

O garoto estava com o corpo entre as pedras com ferimentos graves exposto e impossibilitado de lutar. Alguma força havia o jogado longe, era sorte está consciente. Apesar das expressões de dores, John Lock entendia que permanecer ali era um suicídio. Algo estava despertando.

— P-precisamos sair d-daqui! — Disse reforçando seus pensamentos.

A garganta de Violet fechou, pois desacreditou que poderiam ir longe. Os gases tóxicos de Prière envenenava qualquer um que adentrasse no local, além de que, misteriosamente a mana era sugada e a fadiga com o tempo se tornava insuportável. O motivo de estarem vivos era por causa da capa de proteção que receberam da escola afim de ajudá-los na missão. No entanto, aquilo estava fora de cogitação e com a capa desgastadas, eles podiam sentir as toxinas percorrerem suas veias.

— Aurora... Aoko... — Ela sussurrou.

Os nomes de seus amigos vieram à tona. Ela teria que fugir, mas não sabia onde encontrar os restos dos integrantes dos promissores. Não queria deixar ninguém para trás, mas sequer tinha forças, ou melhor, coragem.

— Não se preocupe... Irei tirá-lo daqui. —

Ela começou a mover seu corpo indo além do limite comum, tirando as pedras de cima da parte inferior de John Lock. Com o que podia, ele tentava ajudá-la.

A perna do mago estava quebrada e mesmo que ele saísse dali poderia morrer no trajeto para escapar de Prière. Ele sabia que aquilo poderia ser inútil, mas lutaria com todas as forças para sobreviver.

Ele tinha determinação suficiente para se agarrar a vida.

Mesmo estando de costas para a capsula, Violet sentiu quando aquilo saiu. O silencio desconfortável era o pressagio para o fim. A energia que sentiu não havia comparações e estava muito além do que sonhara em alcançar. A ciência que aquilo não era humano e era mais assustador que qualquer criatura vista em Prière.

Apesar da figura ter características que se assemelham a humanos, estava além. Contudo, sua presença majestosa não emitia desejos assassinos, porém era certo o perigo.

— Aurora... — Ela sussurrou vindo a cair lagrimas como um suplico de socorro.

O silencio foi quebrado por John Lock que gritava para Violet D’arc palavras que não chegavam em seus ouvidos. Sua mente estava branca e ela agia por impulso para salvá-lo. Ela tentava tirar as pedras de cima de seu companheiro que apesar de estar gritando, tudo que ela ouvia era passos daquilo que se aproximava. Era suave, mas ao mesmo tempo dono de uma imponência.

Violet parou.

Ela parou não porque queria, mas sim porque seu corpo congelou.

O medo era grande.

Não havia mais escapatória, então ao sentir a figura próxima, ela ficou em pé, de costas, com o intuito de enfrentá-lo. Seu corpo negava-se a olhá-lo de frente.

Não se sabe por quanto tempo permaneceram imóveis, talvez por segundo, minutos, ou segundos que parecia horas.

A figura humanoide com um longo cabelo dourado e olhos azuis estava apenas observando. Mesmo sua fisionomia ser igual de um humano, ele possuía 2 metros de alturas e uma afeição estranha que era de homem e de mulher.

Ele fechou seus olhos azuis e empinou um pouco o nariz vindo a sentir a energia do local. Estranhamente parecia que estava recebendo informações perante o ar!? E era certo isso, pois, de alguma forma, as informações dos acontecimentos de Prière e de muitas outras coisas bombardeou seu cérebro.

Ele não os via como ameaças, mas sim como insetos que mereciam ser pisoteados e esmagados.

Violet entendeu isso, mas estava à mercê da sorte e mesmo se tivesse a varinha em mãos, não poderia fazer nada contra ele.

A maga de Valor se virou para ele vindo a perceber o agir de seu oponente.

A lenda contada dizia que os magos puros foram os responsáveis a ensinar os humanos os caminhos da magia.

Ele fechou o punho e então...

Violet queria enfrentá-lo, mas não conseguia sequer mover um musculo, pois, todo seu corpo estava travado. A lagrima nos cantos dos olhos escorreram vindo a aceitar seu fim.

Mesmo estando travada, o mago puro não conseguiu acertar, ou melhor, algo fez com o que ele errado. Seu murro acertou o chão causando uma grande cratera no local do impacto. A criatura não errou. De fato, não errou. Algo forcou seu erro.

A poeira misturada com gases tóxicos diminuiu a visibilidade, mas o mago puro percebeu que seu alvo foi locomovido a metros de distância antes do impacto.

Não foi John Lock.

Com as dores ele perdeu a consciência assim que seu inimigo se aproximou.

O milagre retardou o fim.

Talvez um milagre tivesse acontecido. Talvez o milagre tivesse nome...

Apesar da pouca visibilidade, o mago se aproximou. Ele possuía cabelos prateados e olhos verdes vestindo um uniforme blazer duplo azul claro e uma capa preta com chapéu de bruxo.

— Aurora... —

O mago de cabelos prateados caminhou pelos destroços da câmera no subsolo. Em seus braços carregava Aoko que estava desacordada e com poucos ferimentos aparentes. Ele sabia que era questão de tempo até ela acordar. Ele se aproximou de Violet e então colocou a sua companheira ao lado de sua amiga.

Apesar de parecer apático, estava aliviado de ter conseguido chegar a tempo de salvá-la.

Ele tinha consciência que Prière não era o que pensavam que fossem. Prière estava crescendo, pois precisava de mais energia para a recuperação do mago puro que estavam escondido em seu interior.

As criaturas criadas eram mecanismo de defesa para impedir invasores.

— Não importa o que aconteça, fujam. Não olhem para trás e nem pense em retornar! seja o que aquilo for, é mais poderoso do que vocês três juntos. —

— Você planeja lutar contra aquela coisa? Nem em seus olhos você será capaz de vencer! Ele é... ele é... —

O medo era compreensível. No entanto, alguém tinha que permanecer para que eles pudessem fugir, ou melhor, torcer para que conseguissem fugir.

— Eles são magos puro. Eu sei... —

— Eles!? — Violet arregalou os olhos.

Teve um mal pressentimento.

— As capsulas que causavam anomalias eram na verdade capsulas de recuperação. Ao destrui-las, despertamos precocemente os magos puros. —

Eram quatro capsulas e, em outras palavras, em Prière havia mais três magos puros que estavam preste a emergir.

Estranhamente, o mago puro olhou de forma hostil para Aurora como se desprezasse toda a existência. Aurora percebeu, mas era notável que isso aconteceria, pois ele acabara de atrapalhar seus planos. Talvez ele o estivesse considerando uma ameaça maior.

Diz a lenda que os magos puros desceram do céu e ensinaram os humanos a usarem magias. Eram como deuses e, infelizmente, nesse exato momento, havia um em sua frente.

— Violet, fuja! — Disse Aurora sem tirar os olhos de seu inimigo.

Ele sentia mais figura como aquela se aproximando em alta velocidade.

— Vamos! Nós damos um jeito de fugir! — Ela suplicava.

A pele branca de seu rosto estava suja de areia e seus olhos verdes estava repleto de lagrimas. Violet D’arc o amava e não queria perdê-lo, mas estava impotente para ajudá-lo. Ela o segurou pela capa com o intuito de não o deixar ficar.

Em algum momento, ela percebeu que na câmera havia quatros magos puros, no qual a fez sentir uma grande angústia. Era tarde para qualquer tentativa de fuga, mas...

Existia uma diferença social entre Violet e Aurora, por isso eles nunca poderiam ter uma relação amorosa, mas naquele momento aquilo para Aurora não importava. Como uma despedida, ele se virou para Violet e se abaixou. Ela não entendeu o que estava acontecendo, mas Aurora a abraçou fortemente. O mago que tinha dificuldade de demonstrar emoções e sentimento, dessa vez era coberto por um sentimento.

Ele amava Violet D’arc e isso ele tinha certeza.

Era a despedida.

Ele encostou a testa na dela e olhou em seus olhos ao tempo que enxugava o rosto da amada. Ele não disse nenhuma palavra, mas transmitia o que queria dizer.

— Por favor... — Ela sussurrou.

Ele sorriu verdadeiramente como nunca sorriu antes.

Havia motivos para Aurora ter entrado nos promissores e motivos para ele ter aceitado a missão. Violet D’arc. Ele sabia que, graças as palavras de Ruby, Violet D’arc estaria em perigo em Prière e ela precisaria dele para ter uma esperança de sobrevivência. Era tudo por ela. Ele disse a si mesmo que permaneceria ao seu lado e era isso que faria. Até o fim.

Seus lábios se moveram lentamente enquanto se afastava de sua amada.

Ele não disse um “eu te amo.”

Não disse um “está tudo bem.”

Não disse um “eu voltarei.”

— Adeus... —

Ele não queria dar esperança que sobreviveria.

Ele não seria cruel ao ponto de dizer que voltaria.

A verdade que Prière seria seu cemitério em um enterro sem caixão.

Não havia mais nada a ser dito. Era a despedida.

O mago do reino de Valor com aperto em seu coração voltou a atenção para seus inimigos que demonstravam grande desprezo perante ele, mas que permaneceram imóveis sem proclamar nenhuma palavra.

Não houve nenhum movimento brusco, mas a fragmentação magica havia sido usada fazendo com o que a terra abrisse fazendo de si um berço para proteger os magos promissores e tirá-lo da câmera.

Apesar das desvantagens, ele permaneceu apático na situação, pois não se entregaria facilmente. Enquanto pudesse lutar, ele lutaria.

Os gases tóxicos que emergiam de Prière se fundiam com as partículas de magiculas e em consequência disso, Aurora possuía grandes problemas, pois não poderia usar com frequência a fragmentação mágica para estender a luta.

Os magos puros se alinharam perante Aurora. Nem um passo a mais, nem um passo a menos, estavam perfeitamente alinhados um com outro como se aquele tipo de situação já estivesse se tornado monótono para eles.

Eles possuíam característica incomum, pois com seus cabelos longos dourados e uma afeição que lembrava de homem e de uma mulher demonstrava que vinha das mesmas linhagens. Aurora compreendeu que no meio deles, o da ponta da esquerda era uma mulher, ele apenas sentia que era, mas ao mesmo tempo percebeu que não existia um líder.

Parecia que Prière respeitava o momento, pois ela não ousou quebrar o silencio entre os magos.

Aurora suavemente estendeu um dos braços e com um sorriso de canto de boca, gesticulou os chamando para a luta.

Vindo em um ataque frontal, a mulher foi a primeira a mover-se.

Ela fechou seus punhos e com o intuito de acabar tudo naquele movimento, partiu em velocidade para matá-lo.

Aurora mal conseguia prever os golpes de tão rápidos que eram, porém conseguia esquivar ao tempo que não abaixava a guarda tentava criar espaços entre eles. Ao tempo que esquivava, ele usava a fragmentação mágica para manipular o solo e criar estalactite que vinham do chão para perfurar a criatura denominada de mago puro. Ele compreendeu que por um momento a velocidade do ataque diminuiu, mas não pelos próprios méritos, pois sentiu uma grande ameaça vindo de suas costas. Um grande feixe de energia surgiu causando um grande clarão em Prière.

Não houve uma explosão, pois aquilo se quer deveria causar danos em Aurora, mas sim impedir sua visibilidade. No entanto, a luz foi forte o suficiente para despertar atenção daqueles que tentavam fugir.

Estranhamente não se sabe o que ocorreu depois, pois os cadáveres das criaturas de Prière estavam sendo consumidas por uma chama verde.

Aurora estava bem. Ele havia criado uma grande pirâmide de terra para se proteger do que quer que fosse.

A grande cortina de gases tóxicos e fumaças causadas encobriam o local impossibilitando qualquer visibilidade, mas apesar disso o mago puro olhou para os céus. Uma energia misteriosa poderia ser sentida. Não era para menos, pois com sua expressão apática viu descer uma borboleta enorme de fogo.

Aurora estava usando os resquícios de manas de seus aliados para tirar proveito da fragmentação mágica.

Não havia uma só palavras, apenas magia contra magia, punho contra punho.

Ao tempo que a defesa de Aurora estava se deteriorando, pequenas borboletas de fogo surgiram na câmera. Os resquícios da magia de Violet D’arc estavam sendo usada pela fragmentação mágica. Entretanto, Aurora não poderia usar com tantas frequências, pois havia poucas magiculas de Violet D’arc na câmera.

Saindo dos gases densos, o mago puro saltou o mais alto que pôde fixando no ponto mais alto da câmera podendo ver todos os movimentos de seu inimigo.

O mago de Valor entendeu que aquilo não foi aleatório, ele estava analisando alguma coisa, estava preste a fazer um novo ataque. Ele precisaria se defender dos 3 que atacavam diretamente ao tempo que não podia perder de vista aquele que estava analisando o campo de batalha.

Aurora mal tinha para respirar, ao tempo que escapa da magia de luz de um, outro vinha em sequência no combate corpo a corpo. Ele sentiu o chão tremer vindo em sequência abrir uma fissura.

Pequenas explosões estranhas aconteciam nas borboletas de fogo. Era magia de algum dos magos puro, mas havia tantas informações para processar que era difícil se concentrar em uma só.

Aurora via as explosões estranhas e tentava compreender com os resquícios de mana como aquilo funciona, mas possuíam tão poucas manas das explosões estranhas que demoraria tempo para processá-las.

Ele estava encurralado, pois tudo que estava fazendo parecia não surgir efeito, pois a dominância no combate dos magos puros era superiores. Era difícil de imaginar que Aleister Crowley havia lutado em par de igualdade contra 6 ao mesmo tempo.

O veneno de Prière já podia sentir circulando nas suas veias, mesmo havendo dores, nenhuma expressão do mago era perceptível. Todos os resquícios de mana de seus aliados desapareceram, a fragmentação magica seria muito mais difícil de acontecer.

Cada mago puro tinha sua própria especialidade, sendo a mulher o combate corpo a corpo, mas apesar disso, ele sentia que havia algo mais neles. Talvez se a luta fosse em um local diferente, ele teria vantagem nesse 4 contra 1, mas ao mesmo tempo agradeceria por eles terem despertado precocemente. Eles não estavam com a força total.

Um dos magos puros correu em direção oposta ao de Aurora, o deixando com uma pulga atrás da orelha, mas a maga não o deixava respirar com as sequencias de golpes e chutes. No entanto, ele deu um passo para trás repentinamente, então...

Pequenas esferas de luz surgiram ao redor do mago de Valor, mas não só isso, pois não havia onde pisar.

O chão havia desaparecido.

Não havia mais chão.

Não havia aquela fissura antes, o solo foi tirado de lá por uma magia poderosa. Aurora não entendeu o que aconteceu, mas viu as pequenas esferas de luz dá início a explosões ao tempo que estava caindo na fissura.

Ao tempo que estava indefeso, a mulher juntou as duas mãos e em seguida fez surgir uma lâmina de energia pura.

O corpo de Aurora havia sido transportado de um ponto a outro, em outras palavras, ele havia sido vítima de um teletransporte. Ele não tinha tempo para se preocupar com o quando ou como, pois havia magias que eram difíceis de ver na era atual.

Aurora deglutiu, pois não via escapatória daquela situação, ele tinha que pensar em algo para escapar, senão ele seria morto por aquele combo dos magos puros. A fragmentação magia estava fora de cogitação, não havia mais resquícios de magias, nem magiculas de seus aliados.

Explosões estranhas começaram a acontecer ao tempo que a maga pura saltou para fatiar seu corpo.

E então...

E no fim...

Aurora sorriu...


Notas finais
Caso os nomes estejam familiarizado, não é engano. Voltei a postar. A mudança do site me deu uma grande dor de cabeça que me fez parar com o progresso da historia, mas não se engane, voltei a postar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.