Erase This
54 Não Olhe pra Trás
Notas iniciais
Enjoy
p.s. look da belle, um dos que eu mais gosto: http://www.polyvore.com/n%C3%A3o_olhe_pra_tr%C3%A1s/set?id=40096455&lid=1386958
Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito
Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito
1 semana depois
Não podia deixar de sorrir lembrando a cena de Matt ganhando o novo carro, foi numa manhã em que ele estava de péssimo humor por termos o acordado num montinho grupal! Mad conseguiu fazer com que ele descesse e quando o ogro viu o carro quase explodiu de felicidade.
Eu e os meninos ficamos no outro lado da rua vendo-o agradecer Kim, Gary e ralhar com Mad por ela já saber que eles tinham pretensão de lhe dar um carro. Não que brigasse muito, afinal aqueles dois eram o ápice do romance, só faltavam corações estourando em volta deles...
No mesmo dia saímos para estrear o carro, não é preciso dizer que o “estrear” baseava-se em beber muito e rodar as ruas de HB certo? Acabamos todos jogados na casa de Jimmy, Johnny dormindo na grama do quintal, Brian estatelado no corredor, Jimmy abraçado ao Mr.Bungle e eu trancada no quarto com a cama para mim.
Matt desapareceu com a namorada por um dia, além de “romance” aqueles dois tinham um fogo inacabável... Eu tinha me acostumado com a relação deles, apesar de nas semanas em que a tpm ameaçava atacar os sentimentos afloravam e eu evitava o casal.
Sam passava tempo demais me entretendo, e na turma eu tinha todos os outros meninos para me distrair, com o tempo meus sentimentos pelo grandalhão adormeceram e foram guardados num lugar tão profundo que só Jimmy conseguia enxergar... Aquele ali parecia vidente.
Finalmente o final de semana do luau havia chegado, eu tinha esperado tanto por essa comemoração que minhas células do corpo pulavam enquanto eu era obrigada a me manter concentrada em terminar de passar o esmalte preto nas unhas.
- Cabelo preso ou solto? – perguntou Mad com a porta do banheiro escancarada.
A observei de cima a baixo, ela usava um short jeans preto rasgado com aplicações de taxas, e a parte de cima de um biquíni preto com detalhes em branco em cima de sua cama havia uma camiseta preta com os escritos “Too fast to live & Too Young to die” e uma rasteirinha preta, suspirei fazendo a composição do look mentalmente.
- Preso. – terminei por dizer e a vi entrar para o banheiro novamente.
Terminei a última unha e fui para a janela implorar para que o pouco vento secasse rapidamente as unhas molhadas. Ainda estava enrolada na toalha, com os cabelos pingando pelas costas e não tinha a mínima ideia de que roupa iria vestir.
- Ana você está atrasada... – disse Mad terminando de calçar suas rasteirinhas e se olhando mais uma vez no espelho.
- Tudo bem, eu vou com Sam mesmo. – dei de ombros e ela virou os olhos.
- Ok, te vejo lá então. Os meninos devem estar me esperando. – assenti e escutei a porta do quarto bater com sua saída.
Percebendo que de nada adiantaria ficar em frente à janela esperando que as unhas secassem, atirei-me na cama mais próxima e fechei os olhos lembrando-me de cada peça de roupa que havia em meu armário, excluindo a parte preta, pois eu já estava enjoada de tanto negro.
Levantei com ideias em mente e encostei a unha na boca para ver se já estava seca, confirmando minhas expectativas, segui para o armário e o revirei até achar a camisa azul esvoaçante transparente. No fundo da gaveta da cômoda peguei o biquíni branco com aplicações de conchas e na mesma gaveta completei o look com um short branco de meu agrado. Chinelos dourados e pulseira estilizada deram o toque final.
Não exagerei na maquiagem, dando leves camadas de rímel, um pouco de lápis e gloss rosa nos lábios, apesar de odiar rosa o modo como ele contrastava com a cor de meus olhos me agradava. Deixei os cabelos soltos para que secassem naturalmente, passando apenas um mousse nas pontas.
Quando a campainha tocou apressei-me em descer as escadas gritando para que mamãe deixasse que eu atendesse.
- Olá! – exclamou Sam com um sorriso brilhante nos lábios.
Ele usava uma bermuda jeans, regata branca e por cima uma camisa azul e branca com estampa de flores... Uma camisa extremamente brega, mas que por incrível que pareça havia ficado linda nele.
- Oi Sam. – fechei a porta atrás de mim sem me preocupar em despedir de mamãe.
- Você está... Hum, linda. – corei, não sabia lidar com elogios.
- Obrigada, você também. – ele riu e me puxou pela mão pegando meu rosto nas mãos.
Senti a pressão de seus lábios sobre os meus, geralmente era assim que nos cumprimentávamos um selinho intenso e demorado. Afastamo-nos e seguimos para o carro.
- Como foi hoje à tarde? – perguntei referindo-me ao seu novo emprego, finalmente ele havia arranjado um numa mercearia há dois quarteirões de sua casa.
- Um saco, como sempre... Aquele velho babão me fez ordenar o setor “enlatados” em ordem alfabética. – rimos juntos enquanto ele dirigia para a praia.
Entrei em um conflito interno com uma pergunta que me perturbava há tempos, deveria fazê-la ou não? Nunca fui uma pessoa insegura, mas digamos que Sam era um garoto bonito e podia ter a garota que quisesse...
- Sam. – o chamei receosa. – Eu, eu... Preciso te perguntar algo. – ele assentiu e segurou minha mão para que eu prosseguisse. – Às vezes eu tento entender, porque eu... Sabe Sam, você é bonito, dirige, e é um doce... Teria a garota que quisesse, mas porque logo eu? Eu apenas uma pirralha estúpida e explosiva. – indaguei vendo-o estacionar próximo a praia.
- Você não é apenas uma “pirralha, estúpida e explosiva”, você é minha pirralha. – começou dizendo e virando-se para mim. – E está enganada sobre suas conclusões precipitadas, eu não posso ter a garota que eu quiser... Muitas têm medo de mim, e as que não têm, usam-me como fetiche para fantasias sexuais, onde eu sou o “bad-boy” e elas as mocinhas indefesas que se “apaixonam” por mim. – olhei para minhas mãos entrelaçadas nas suas. – Eu não sei se você é capaz de entender isso, mas em meio a toda essa loucura que é minha vida eu encontrei uma pessoa que faz com que ela pareça normal... Encontrei você, a única que não me usa de fantasia sexual, que não tem medo de mim, e que me cuida, me cuida como nunca ninguém cuidou. Eu não sei o que estou sentindo, não se se é paixão, emoção do momento, mas é intenso. Algo como que se meus pensamentos tivessem uma linha direta ligada a você. – sorri com suas palavras.
Ele soltou uma de suas mãos e a usou para levantar meu rosto. Com ternura nossos lábios se tocaram e eu deixei que sua língua enroscasse-se na minha trazendo as ondulações perfeitas de todos os sentimentos à tona. Passei os braços por seu pescoço, debruçando-me e ele num modo de deixar-me mais confortável, puxou meu corpo para seu colo.
Fui obrigada a nos separar pela falta de ar e ouvir Sam rir baixinho na curva de meu pescoço.
- Eu já disse que você pode respirar... – murmurou mordiscando o lóbulo de minha orelha.
- Eu sei só fiquei...
- Empolgada! – ele completou minha frase e eu revirei os olhos rindo. – Ok, vamos para o luau. – virei em seu colo e abri a porta para sairmos.
Caminhamos de mãos dadas para o grande clarão da fogueira, um aglomerado de pessoas se acumulava ali, com custo achei Mad e o resto.
- Oi gente! – exclamei chamando a atenção deles.
- Bellinha! Finalmente alguém para dar cor aqui! – comemorou Jimmy devido à turma que usava preto.
- Verdade né, vocês não cansam de usar preto? – perguntei causando uma risada geral.
- Preto emagrece o bolota! – Mad lançou rindo e Zacky a repreendeu com o olhar.
- Gente cadê o Syn? – perguntei dando falta dele, após aquele dia no cemitério ele tinha aderido ao novo apelido.
- Fugiu com a Dibenedetto. – respondeu Johnny despreocupadamente recebendo um olhar zangado de minha irmã.
- Ah ta. – murmurei exibindo meu descontentamento.
- Deixa o chaminé pra lá, quer beber algo? – perguntou Jimmy chacoalhando uma cerveja no alto.
- Agora não, vou caminhar um pouco com Sam. – ouvi um suspiro longo de Mad que enfiava o rosto no peito de Matt e sai de mãos dadas com o ruivo ao meu lado.
- Por que te irrita tanto o Brian com a Michelle? – perguntou soltando minha mão da sua e passando o braço por minha cintura.
- Digamos que eu e Mad temos aversão as Dibenedetto... – respondi um tanto desanimada e ele riu depositando um beijo no topo de minha cabeça.
- Nunca gostei muito delas também. – ele disse concordando roubando-me um sorriso.
Andamos por longos minutos em silêncio, Sam apreciava a quietude assim como eu, o que era ótimo quando se quer pensar... Depois resolvi voltar para a galera, o caminho da volta demorou um pouco também, já que, tínhamos percorrido um longo trajeto.
Chegando ao local deparei-me numa cena deplorável: Mad rolava feito um bife a milanesa na areia e Matt observava tudo de braços cruzados rindo, Zacky estava de braços dados com Jimmy os dois tentavam fazer uma dança desconhecida, sem sucesso. Jojo tinha uma Heineken em uma das mãos e vodka na outra, Brian estava por ali também e ria do surto de Mad, ao lado do ogro.
- É só eu desaparecer por alguns minutos e te encontro nesse estado Mad? – murmurei agachando-me até ela que tentava se levantar da areia com os cabelos desgrenhados.
- Uns minutos? Acho que você errou na cronometragem enquanto dava pro cenoura! – exclamou rindo e arrancando a Heineken da mão de Jojo, ouvi Sam rir atrás de mim.
- É você realmente está mal. – afirmei mais para mim mesma, dando as costas para ela e indo conversar com Matt que parecia um pouco mais sóbrio.
Ele tinha os dedos sobre os alargadores recém-feitos que Mad tinha pagado de aniversário para ele, fazia uma careta para Brian que ria feito um condenado.
- Matt, você podia dar um jeito na sua namorada? Ela está parecendo uma sem teto! – ele olhou por cima do meu ombro observando ela aplaudir a dança mal feita de Jimmy e Zacky.
- Ela parece ótima! – rebateu lançando um olhar para Brian e os dois riram novamente.
- Por Deus eu sou a única sóbria aqui? – perguntei olhando para o céu e erguendo as mãos, Sam passou os braços por minha cintura e senti sua cabeça assentir na curva de meu pescoço.
- Toma Belle, junte-se a nós! – Johnny me ofereceu sua vodka que eu recusei ao ver um material suspeito dentro dela.
- Fala sério. – reclamei virando e abraçando o ruivo. – Preciso de uma bebida.
- Eu vou buscar, fique aqui controlando eles. – assenti e o vi caminhar para longe.
Sentei em uma pedra enfiando a cabeça entre os joelhos e ao levantá-la recebi Madson em meu colo, ela fora arremessada por Zacky que brincava com seu corpo como se ela fosse uma peteca. A enxotei para o lado, ela caiu rindo engolindo um pouco de areia e tossindo logo em seguida.
Levantei seguindo para o caminho que Sam tinha ido e fui abordada por uma legião de caras mal encarados, eles usavam calças jeans e camisetas escuras, além do par de tênis, obviamente não vinham para o luau.
- O que você estão fazendo aqui? – perguntou Brian atrás de mim antes de passar a mão por meus ombros protetoramente.
- Viemos atrás de Sam... – sussurrou friamente e eu senti um arrepio em minha espinha.
A voz dele era grave e assassina, o que combinava com sua aparência. Cabelos ensebados, braços expostos manchados de graxa e com algumas cicatrizes, os olhos eram escuros e profundos como a alma de um psicopata, além do nariz torto e as orelhas mutiladas... Com certeza aquela noite não acabaria bem, não com aqueles caras ali.
Se não faz sentido, discorde comigo
Não é nada demais, são águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe, não olhe prá trás
Notas finais
A música é do Capital Inicial... Dinho é muito meu, então tirem os olhos!! KKKKK
Beeeeijos e uma Feliz Páscoa!
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