Erase This
40 Make Me Wanna Die
Notas iniciais
You make me wanna die
I'll never be good enough
– Ana, telefone para você! – chamou mamãe na sala e eu resmunguei deixando Sam sozinho no quintal dos fundos.
– Alô. – atendi com uma voz nada amigável.
– Ana… – a voz do outro lado da linha chamava meu nome.
– Oi Mad. – respondi sem emoção.
– Está tendo um churrasco aqui na casa do Matt, estava pesando… Você podia vir e trazer o Sam. – congelei por um minuto, ela realmente estava convidando Sam?
– Éér… ok, vou pensar. – desliguei e de volta para o ruivo, sentei ao seu lado.
– Quem era? – perguntou curioso enquanto eu jogava meus cabelos para trás.
– A Mad… Ela nos convidou para irmos a um churrasco na casa do Matt…
– Espere ai quem ela convidou? – ele estranhou quando pronunciei a palavra “nos”.
– Eu e você. – sorri de canto naturalmente.
– Não sei se seria bom eu ir… – disse receoso.
– Você vem comigo Sam. – o puxei pela mão e entramos para casa.
– Hei! Para onde você está me levando? – eu nos levava para a escada, com a intenção de subir para o quarto.
– Vou passar um pouco mais de lápis nos olhos. – ele puxou minha mão para a porta de saída.
– Não precisa você já está bonita assim… – depositou um beijo em minha testa e de mãos entrelaçadas partimos.
Já fui empurrando logo o portão de madeira que dava para os fundos sem soltar a mão de Sam da minha… Não fazia aquilo para causar impacto, embora parecesse… Na verdade, eu me sentia segura com sua mão à minha.
– Bellinha! Bellinha! – Jimmy gritava feito um louco, correu em minha direção e me pegou num abraço girando-me no ar.
– Não me chame dessa porra de apelido! – pedi batendo em seus ombros e ele me pôs no chão rindo, lançando um olhar para Sam.
– Beleza?! – cumprimentou num aceno de cabeça e Sam assentiu perguntando o mesmo a ele.
– Não se esqueceu de ninguém não Ana? Você fica dias sem olhar na minha cara e agora… – não deixei o bolota terminar de falar, correndo até ele e o abraçando pela cintura.
– Eu também senti sua falta gordinho… – ele bagunçou meus cabelos.
– Isso é por você ter me chamado de gordinho! – disse mostrando a língua enquanto eu repetia gesto, Sam estava atrás de mim e cumprimentou Zacky com um aceno de cabeça.
– Obrigada por me convidar Mad… – disse dirigindo-me a ela que conversava animadamente algo com Matt, eles se entreolharam surpresos e eu sai andando levando Sam comigo – Não tem nada pra comer nesse churrasco Jimmy? – perguntei esbarrando nele.
– Não, mas tem pra beber, que tal? – ele passou duas cervejas uma para mim e outra para Sam.
– Valeu lombriga! – ele me lançou um olhar repreendedor e eu me sentei ao lado de Sam no chão.
Brian apareceu pela porta dos fundos, ele saltou para fora com uma caixa de cerveja nas mãos, como se aquilo fosse seu prêmio… Mas o sorriso que pairava em seu rosto desapareceu quando seus olhos encontraram os meus, quebrei o contato e voltei-me para Sam.
Conversava sobre qualquer assunto com o garoto ao meu lado e ainda sim podia sentir o moreno me encarando, me encarando com aqueles olhos que poderiam enxergar minha alma… E aqueles olhares já estavam me perturbando, não fosse uma ou outra vez que eu gargalhasse de alguma piada mal contada de Sam.
Começava a me acostumar com a pressão de seu olhar em cada gesto meu, apenas focando-me na conversa com Sam, quando de repente uma surpresa… Nada agradável… Michelle apareceu pelo portão de madeira e ao vê-la tinha certeza de que se tivesse algum super poder ou pelo menos a visão raio laiser do super-homem teria queimado a lambisgoia em menos de um segundo.
Ela cumprimentou todos, e por uma graça divina não se dirigiu até mim, talvez porque quando pensou em fazer eu lhe lancei meu pior olhar… Brian envolveu a cintura dela com os braços, ajeitando-a entre suas pernas, e beijou o pescoço da mesma.
Eu sabia o que ele queria, queria provocar-me usando a vaca com o intuito de que eu jogasse seu jogo e o provocasse com Sam, assim ele teria motivos para uma briga… Mas não hoje, eu estava cansada de brigas, e qualquer coisa do gênero. Além do mais, Sam não era um objeto que eu deveria usar quando bem quisesse…
O olhar que ele lançava para mim enterrando o rosto no pescoço da “Chelle” era perturbador… Desviei minha atenção de suas provocações.
– Sam vamos sair daqui? – perguntei e ele semicerrou as sobrancelhas.
– Porque Belle? Você parecia estar se divertindo…
– Não estou me sentindo muito bem, apenas vamos ok? – ele assentiu e se levantou me ajudando, precisava avisar alguém que estava indo embora – Mad… – chamei seu nome, desviando sua atenção da “queda de braço” que Zacky e Matt disputavam.
– O que foi Ana? – perguntou percebendo meu abatimento.
– Nada, só estou avisando que eu e Sam estamos indo. – num ato inesperado ela segurou minha mão e me puxou para seus braços num abraço.
– Não fique assim ok? Tente se divertir com o Sam… Sem bebidas, por favor. – ela dizia num tom calmo e protetor, apenas assenti e soltando-me de seu abraço saímos dali.
Sam passava o braço por meus ombros cautelosamente, como se tivesse medo de me machucar… Assim que atravessamos para minha calçada, percebi que devia caminhar um pouco para aliviar a tensão sobre mim.
– Vamos para algum lugar? – propus.
– Claro, mas para onde?- era incrível como ele sempre estava disposto a fazer todas as minhas vontades.
– Eu não sei, realmente não sei apenas me tire daqui… – uma ponta de desespero quase que imperceptível fazia uma sombra em minha fala, era estranho que em poucos dias Sam já conseguisse enxergar essa “sombra”.
– Vamos à minha casa? – ele perguntou com um sorriso enorme exibindo as covinhas, balancei a cabeça positivamente e seguimos para o carro parado em frente a minha casa.
– Você mora muito longe daqui?- perguntei mudando a estação de rádio.
– Não, cinco quadras…
– E ainda sim insiste em vir de carro até minha casa? Mas é um preguiçoso mesmo! – rimos e em mais alguns minutos estacionamos.
A casa era simples, na cor branca e verde erva-cidreira, tinha um aspecto acolhedor por fora… Sam praticamente me empurrou para fora do carro e corremos pelo curto jardim bem cuidado até a porta de entrada.
– Vovó, tem alguém que eu quero que a senhora conheça… – ele disse chamando a atenção de uma senhora de cabelos grisalhos e praticamente da minha altura – Essa é Anabelle.
– Olá querida! – a senhora disse se aproximando para um abraço que eu retribui – É bom conhece-la, parece ser uma boa garota! – ela piscou para mim enquanto agarrava a ponta do avental florido com uma das mãos.
– Vamos subir um pouco. – ela assentiu e Sam me guiou pelas escadas, paramos no meio do corredor e ele puxou uma escada que era um tipo de compartimento no teto, o sótão.
– Sério que seu quarto é no sótão?! – perguntei com os olhos brilhando.
– É sim. — ele respondeu rindo enquanto eu ia subindo pela escada em sua frente.
– Porra! Isso aqui é muito louco! – disse observando o quarto.
As paredes eram retas e o teto também, mas em um dos lados havia uma caída em diagonal que diminuía a última parede, nessa pequena parede estava uma janela redonda… A cama dele era direto no chão, um suporte de madeira rústica envolvia o colchão. As paredes curtas eram lotadas de pôsteres e num outro canto vi uma cômoda na cor escura e delas algumas roupas pulavam para fora da gaveta.
– Está uma bagunça, não liga para aquelas roupas. – ele disse apontando para a cômoda e se sentando na cama me sentei ao seu lado.
– Estou acostumada com quartos desarrumados… – lancei uma piscada para ele que riu.
Vencida pela vontade de deitar-me chutei os tênis para longe e me esparramei em seu colchão de casal, indo direto para os travesseiros e aspirando o perfume de Sam. Ele se deitou ao meu lado retirou os cabelos que escondiam meu rosto e com o polegar acariciou minha bochecha.
– Conta mais da sua vida para mim… – pedi me encostando a seu peito e ele passou o polegar por cima de meu nariz, para só depois voltar a minha bochecha.
– Tem certeza que você quer saber? – assenti e ele prosseguiu – Bom não tenho muito a dizer, fiquei órfão de mãe logo após meu nascimento e meu pai não aguentando a barra me entregou para minha avó… – ele deu um suspiro longo e eu me aproximei mais dele passando o braço por seu abdômen – E então entra a parte que eu não gostaria de ter que te contar… Mas todos sabem… Tornei-me traficante, não por falta de opção, mas sim por comodidade… Entenda eu tenho que sustentar essa casa por mim mesmo, pois a aposentadoria que minha avó recebe de meu avô falecido serve para pagar os remédios dela… De verdade, eu nunca quis essa vida para mim. – senti algo molhado gotejar em meu cabelo… ele chorava.
De súbito levantei e o aconcheguei em meu peito abraçando-o fortemente, por mais que parecesse estranho eu podia sentir sua dor, eu podia compartilhar de seus sentimentos, era como se de repente nos tornássemos um só em corpos distintos…
– Shhh… Eu tenho certeza de que você nunca quis fazer o que faz… Você é um bom garoto, uma boa pessoa… Estou com você Sam. – disse enquanto sentia mais algumas lágrimas dele molharem minha camiseta.
– Obrigado… Por tudo. – ele disse levantando a cabeça e me observando com os cílios dos olhos molhados.
– Não precisa dizer “obrigado” ok? – segurei seu rosto entre minhas mãos e ele colocou suas mãos sobre as minhas, nossos rostos se aproximavam em sincronia.
Um barulho alto ecoou lá embaixo nos assustando, pulei para trás e ele arregalou os olhos em desespero…
– Ah não de novo não. – disse se levantando e indo para as escadas – Escute Belle, não saia daqui em hipótese alguma, nem que o mundo esteja caindo lá embaixo você sai ok? – assenti repetidas vezes e ele desceu as escadas erguendo o compartimento por onde tínhamos entrado.
Não sabia o que estava acontecendo, os barulhos lá embaixo eram altos, era como se estivessem quebrando a casa… Pensava em descer, mas o olhar que Sam me lançou antes de descer as escadas fez com que eu ficasse.
And everytime I look inside your eyes
You make me wanna die
Notas finais
Beeeeijos!
p.s. a música é da banda The Pretty Reckless amo essa banda a Taylor é diva do baile UASHUASHAUH uma das minhas bandas preferidas, pra quem não conhece, indico!
p.s.2 a capa do capítulo quem fez foi a bru *-* créditos pra ela o
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