Notas iniciais
Oi gente, então primeiro gostaria de pedir desculpas pela demora, sério... Desculpa mesmo D: a Gates tá uma fera e vocês devem estar também... sorry.
Boa Leitura!

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Acordei de meu breve cochilo sendo esmagada pelo peso de Mad, após o pesadelo não tinha conseguido mais dormir e quando havia acabado de pegar no sono minha irmã apareceu para me acordar.

- O que você quer Mad? – perguntei quase que resmungando.

- Hoje você vai me ajudar a cozinhar! – exclamou animada indo abrir as janelas de meu quarto.

- Não vou não Mad... – choraminguei enfiando um travesseiro no rosto e ela puxou minhas cobertas.

- VAI SIM! – gritou sacodindo o edredom e me chutando para fora da cama.

- Que saco! – reclamei indo ao banheiro fazer minha higiene.

- Não vai tirar o pijama? – perguntou curiosa olhando para minha camiseta enorme que era de Sam, neguei com a cabeça. – Ok, você quem sabe... Vamos! – exclamou puxando-me escada a baixo.

- Bom dia Belle. – disse Matt bagunçando meus cabelos e eu dei de ombros observando o que Mad me pedia para fazer.

- ...depois você pega essa panela e enche de água ok?- assenti e fui preparar minha parte.

Nem sabia o que estava fazendo deixava que minhas mãos fizessem o trabalho, minha mente estava desconectada e eu mal ouvia a conversa do casal ao meu lado, pegava às vezes minha irmã gritando meu nome exclamando para eu me concentrar, mas nada que adiantasse muito.

Ao final enchia panela de água deixando-a sobre a bancada da pia e já estava pronta para me livrar da diaba quando ouvi vozes conhecidas invadindo a casa.

- Eles chegaram! – exclamou ela e Matt saiu para atender os garotos, joguei o pano de prato com força sobre a mesa fazendo a morena me encarar.

- Que porra você está fazendo querendo me incluir na sua merda de vida novamente? – exclamei brava comprimindo os olhos de raiva.

- Desculpa se eu estou tentando te salvar da depressão. – rebateu erguendo as mãos em sinal de rendição.

- Vá se ferrar Madson você fez isso de propósito!

- Oi Jimmy! – exclamou ela num gritinho mimado e eu virei olhando o grandão atrás de mim.

- Kimono Rev? Você só deve estar brincando... – suspirei olhando para seu traje esquisito e ele depositou um beijo em minha bochecha seguindo para as panelas onde Mad o bloqueava para que não roubasse a comida.

- Resolveu sair da toca Belle? – comentou se sentando à mesa enquanto Jojo me cumprimentava radiante.

- Mais ou menos... – fuzilei Mad que sorria.

Mas meus problemas só se agravaram quando eu vi o conhecido moreno adentrar na cozinha estampando um sorriso nos lábios, sorriso que morreu ao me ver escorada a bancada de granito. O encarei demoradamente sentindo uma náusea me atingir e tendo as lembranças da noite passada me invadindo, instantaneamente meus olhos lacrimejaram e eu corri para a porta que dava ao quintal dos fundos.

A luz do Sol que irradiava incomodou meus olhos e engoli em seco não me permitindo chorar mais uma vez... Meu autocontrole estava dando certo, se não fosse por Mad que num ato protetor tentou me envolver num meio abraço e eu acabei derramando poucas lágrimas em seu ombro.

- Foi ele Mad... Ele me tirou do Sam. – sussurrei perto de sua nuca obviamente deixando-a confusa.

- Como assim Belle? Não estou entendendo...

- No pesadelo... Foi o Brian. – funguei sentindo uma pressão intensa em minha garganta, engolindo o resto do choro.

- Vem cá, me conte melhor isso. – pediu nos sentando num dos degraus.

- O sonho começou comigo e com o Sam, observávamos uma foto nossa e eu me virei para beijá-lo, de repente eu vi o buraco em sua testa... Assustei-me e esquivei e de repente Brian estava lá, ele disse que ia me salvar, algo do tipo, mas na verdade começou a me tirar de Sam que se desfez em cinzas em minhas mãos. Depois eu comecei a cair numa escuridão, e bem, mamãe me acordou. – narrei o sonho todo encarando a grama curta que enfeitava o solo.

- Só foi um pesadelo Belle, não quer dizer nada. – concordei com ela. – Ande, vamos voltar que o almoço já está pronto. – ela me estendeu a mão e eu aceitei sendo guiada para dentro onde todos já estavam sentados esperando o almoço

Sentei no canto no lugar vago ao lado de Mad, em frente ao de Jimmy, antes que eu pudesse pensar já tinha um prato em minha frente e o resto dos marmanjos resmungando sobre minha irmã não fazer o prato deles também.

Enquanto recebiam a comida Johnny resolveu quebrar o silêncio.

- Gente, eu sempre quis saber ao certo onde fica o clitóris... – os garotos suspiraram e Matt com um sorriso travesso disse risonho:

- Devia ter perguntado isso ontem à noite, eu teria a resposta na ponta da língua... – Jimmy pôs-se a rir compulsivamente assim como os outros garotos, ruborizei com seu comentário e Mad o presenteou com um tapa na cabeça.

Zacky que estava ao lado do baixinho começou a explicar para ele sua dúvida, não dei atenção as suas palavras voltando aos meus pensamentos solitários que não me provocavam nenhum tipo de rubor.

Ignorei os vegetais empurrando-os para um canto e iniciei pela massa, podia sentir um bolo descer por minha garganta e aquilo estava me provocando ânsia. Não que a comida estivesse ruim, para falar a verdade estava ótima, mas após alguns dias sem comer direito o estômago começa a desacostumar com comidas pesadas. Ainda faltava mais da metade do prato para eu acabar quando decidi parar.

- Eu vou subir, preciso dormir um pouco. – falei no ouvido dela ao meu lado.

- Quando você terminar de comer você sobe. – decretou sorrindo e eu empurrei o prato longe.

- Não estou com fome, vou dormir! – sem esperar sua aprovação sai batendo o pé.

- ANABELLE VOLTE AQUI! – gritou quando eu já ia sair da cozinha, lhe mostrei o dedo médio. – GUARDE ESSE DEDO E VÁ SE TROCAR NÓS VAMOS SAIR. – disse por fim quando eu já subia as escadas.

Ignorei seu pedido sobre eu me trocar e tranquei a porta do quarto enfiando-me debaixo das cobertas. Procurei pelo livro em minha cama e ao acha-lo abri na página marcada.

Leitura definitivamente era uma terapia, afastava meus próprios pensamentos e fazia- me encarnar a Julieta que existia em mim. Estava ocupada lendo mais uma cena entre ela e o Romeu quando bateram na porta.

- O que foi agora? – perguntei irritada desejando um minuto de paz.

- Já está pronta? – era a voz de Mad me incomodando.

- Não vou a nenhum lugar Mad, que saco! – exclamei brava.

- Vai sim! E é melhor você sair desse quarto em dez minutos ou eu juro que mando um dos meninos arrombar essa porta. – bufei levando em conta sua ameaça e seguindo ao armário.

Minhas roupas estavam aposentadas praticamente, já que eu só usava camisetas largas e pantufas. Acrescentei a camiseta que vestia de Sam uma calça jeans escura e uma jaqueta preta que deixava a camiseta aparecer por baixo. Calcei meus tênis surrados e sai tendo como meu acompanhante ao lado da porta Jojo.

- Você que ia arrombar a porta se eu não saísse? – perguntei amarrando os cabelos num coque frouxo.

- Na verdade eu ia gritar pro Matt subir. – ri fraco de seu comentário e seguimos para baixo.

- Ainda bem que não precisamos estragar sua porta irmãzinha! – comemorou Mad enquanto eu continuava a encarar com olhos homicidas.

O bando seguia na frente enquanto eu andava lentamente há uns dez passos de distância deles, era incrível que mesmo rodeada de pessoas nenhuma delas fosse capaz de me distrair e ainda sim eu pensava em Sam. Era como se o verde das árvores remetessem ao contraste de seu cabelo laranja, e o céu azul lembra-se da calmaria do mar de chocolate que eu tanto gostava em seus olhos.

Os garotos pararam exclamando algo indiferente aos meus ouvidos e aproveitei essa deixa para descansar as pernas sentando na guia da calçada. Apoiei meu corpo com as mãos para trás e joguei a cabeça observando as nuvens desconexas no céu.

Um nó formou-se em minha garganta e por minutos eu pude sentir o braço de Sam me rodeando e apontando as formas estranhas das nuvens brancas, nomeando objetos e alguns animais. Era estranho como se de quase uma forma meio psicopata eu podia ouvir sua voz sussurrando em meu ouvido frases como “Olha aquela lá parece um escorpião!” ou algo mais intenso “Aquela parece um motoqueiro...”. Um arrepio percorreu minha espinha e logo eu tinha lágrimas quentes em meu rosto que parecia petrificado de tão gelado.

Uma mão pousou sobre a minha e desviei meu olhar para o lado na esperança de que fosse o espírito de Sam me confortando, mas ao contrário era apenas Madson transportando-me seu carinho.

Encarei o outro lado da rua e vi uma mulher, não desconhecida aos meus olhos, tirar o lixo para fora, perdi-me em seus cabelos de cor estranha presos num coque e parei na ponta de seu nariz tendo como um súbito de lembrança uma pedra azul que apareceu em minhas memórias. Logo interliguei os fatos, mulher da loja estranha, dia do acidente com Sam, pedra azul... Eu precisava da pedra.

- Mad, onde estão minhas roupas do acidente? – perguntei rapidamente tendo a esperança de não terem sido jogadas fora.

- Devem estar jogadas num saco pela lavanderia da casa por quê? — saltei de onde estava sentada e pus-me a correr. – ONDE VOCÊ ESTÁ INDO ANA? – perguntou gritando.

- PARA CASA! – gritei de volta e pus-me a correr mais rápido do que minhas pernas pudessem aguentar.

A verdade é que estávamos mais distantes de casa do que eu pensava assim o caminho demoraria um pouco mais, mesmo com as forças que eu transpunha em minhas pernas ele demoraria. Resolvi que uma longa caminhada seria menos cansativa.

Notas finais
E então? Gostaram? Espero que sim, vejo vocês nos comentários! Beeeijos