Notas iniciais
GENTE, A CRAZYSHADOWS SUMIU! Alguém sabe onde ela foi? :/ Enfim, ia postar só segunda, mas como o número de reviews foi bom, postei hoje.
Bjsbjs bixas. :*

Then you look at me
You're not shouting anymore
You're silently broken

Depois que o furacão Anabelle saiu do quarto, pude respirar e tentar entender o que estava acontecendo. Sentei na cama de Matt e prendi a respiração quando ele deitou ao meu lado. Pude sentir minhas bochechas ficarem vermelhas, então virei o rosto e olhei para a janela, que dava para o quintal da casa ao lado.

- Mad... – chamou Matt.

- Hm? – murmurei sem coragem nem de olhar para seu rosto, eu havia dormido no colo dele porra!

- Faz mais cafuné em mim... – pediu de olhos fechados e agarrado a uma ponta do edredom. Olhei para o céu e rezei por ajuda, eu corria sérios riscos de ter um derrame cerebral com a pressão que meu coração estava nesse momento.

Escorreguei na cama até deitar ao seu lado e me virei para Matt, coloquei a mão devagar em sua cabeça e comecei a fazer o cafuné que ele havia pedido...

Mas então as imagens dele e Val se comendo nessa mesma cama vieram a minha mente, e sem pestanejar, puxei seu cabelo com força.

- Seu maldito! – rosnei enquanto pulava da cama – não acredito que eu dormi nessa cama, agora devo estar contaminada com o teu esperma e com o suor daquela vadiazinha! – continuei ao mesmo tempo em que passava a mão pelos meus braços e fazia cara de nojo.

- Que foi? – perguntou Matt enquanto se sentava na cama e passava a mão no lugar onde eu tinha puxado seu cabelo. – você é bipolar ou o que Madson? Ontem disse que estava com saudades de mim e dormiu agarrada comigo, fazendo cafuné na minha cabeça e hoje acorda me xingando e falando sobre esperma e vadi... – parou de falar e olhou para mim. – entendi agora... – fechou a expressão de vez e cruzou os braços. — senta aqui Madson. — mordi o lábio inferior e franzi as sobrancelhas, é garota, agora fodeu.

Relutante, sentei na sua frente e estampei no rosto a minha melhor cara de cachorro sem dono. Acredito que o cabelo bagunçado e o fato de eu estar com sua camiseta ajudaram no quesito meiguice.

- No dia que você fez isso, — começou pegando meus pulsos e virando os para cima, as marcas ainda estavam levemente avermelhadas – a sua irmã disse que a culpa era minha, e até hoje ninguém me disse o porquê de você ter feito o que fez. Os caras falaram que eu era um idiota por não perceber o que estava na minha frente e sinceramente, depois desse seu ataque eu faço alguma ideia. – terminou olhando fundo nos meus olhos, que já estavam com lágrimas ameaçando a transbordarem. – mas eu quero ouvir de você, por que você se cortou Madson?

Mordi mais forte meus lábios e desviei de seu olhar. Uma parte de mim me mandava gritar com ele, mandá-lo a merda e sair andando, outra queria apenas se aconchegar em seus braços e voltar a dormir ao seu lado. Respirei fundo e decidi ir pelo caminho alternativo entre as duas opções. Indiretas.

- Digamos que alguém – falei olhando de esguelha para ele, libertando uma de minhas mãos e limpando meus olhos – estava fazendo coisas em uma cama qualquer... e eu vi isso, e isso me machucou, porque talvez, eu não saiba o que sentia por esse alguém. – completei – e isso é tudo que eu digo Matt. – disse enquanto me levantava e colocava meus shorts. – eu preciso ir pra casa, depois te devolvo a camiseta.

Sai em disparada de seu quarto, passando feito uma bala pela sala e estancando na frente da minha casa. Eu não podia ir pra casa, minha mãe não ia trabalhar hoje. Já seria um milagre se ela acreditasse que eu acordei muito cedo e fui sozinha pra escola, chegar a essa hora não seria fácil de justificar.

Resolvi caminhar pelo bairro, talvez chegasse até a praia. Perdida em pensamentos fui vagando pelas ruas familiares...

Agora Matthew tinha entendido tudo, agora ele sabia dos meus sentimentos por ele... O que eu faria? Continuaria com o planejado – crescer com o foda-se ligado, me divertir com todos sem preocupações – ou voltaria um pouco a velha Madson? Voltaria a me aproximar deles? Deixaria tudo como estava?

Sentei em um banco na praça do bairro, onde o playground ainda estava vazio... Continuei divagando sobre o que faria agora que Matt sabia a causa dos meus problemas, quando um par de mãos quentes se apoiou em meus ombros, e eu conhecia aquelas mãos, elas estavam nos meus pensamentos...

Matthew se sentou ao meu lado com o braço nos meus ombros, me puxou para seu peito e suspirou.

- Eu não sei o que você esta pensando, nem o que vai acontecer daqui pra frente — murmurou com a cabeça encostada na minha –, mas eu quero que você saiba, eu sinto muito pelo que você viu... A Val é minha melhor amiga e só, aquilo lá foi meio que uma válvula de escape sabe? Não tinha mais ninguém e eu queria curtir...

- Tinha mais alguém... Você que não viu... – murmurei de volta, tomada de alguma coragem desconhecida.

- Mad... – suspirou e segurou meu rosto com as duas mãos, enquanto limpava algumas lagrimas que desciam no meu rosto com seus polegares – eu não quero que a sua primeira vez seja com um cara bêbado e que só queria uma válvula de escape, mesmo que eu seja esse cara. Eu gosto muito mesmo de você garota, não quero te ver machucada. – sorrio para mim e eu não consegui evitar sorrir de volta – Me promete que nunca mais vai se machucar, nem por mim nem por ninguém?

Concordei com a cabeça e escondi meu rosto em seu pescoço, não aguentava mais olhar em seus olhos e ouvir aquelas palavras de amigo protetor, eu não o queria como amigo...

- Calma pequena, as coisas vão se ajeitar... – murmurou em meu ouvido, me causando inúmeros calafrios – não sei como, mas vão...

E a partir daquele dia, eu entrava em um rio turbulento com Matthew, um rio cheio de rochas, com cachoeiras e alguns lagos, mas que eu ainda não fazia ideia de como seria, nem nos meus melhores sonhos, ou pesadelos.

'Cause you were made for me
Somehow I'll make you see
How happy you make me