Era uma vez um conto de Nonna

2 Os ventos do norte...


Notas iniciais
Continuação do conto

Numa tarde ensolarada de verão, quando as brisas traziam os cheiros do mar para o centro de Kon’oha, o jovem príncipe Sasuke passeava pela Praça das Árvores em companhia de sua noiva, a princesa Sakura. Mesmo conhecendo várias e várias garotas diferentes, ele crescera ouvindo de sua boa mãe que a princesa do reino dos campos era sua noiva. Não achava ruim a companhia dela, mas ao mesmo tempo não se sentia bem perto dela.

Sakura era uma feiticeira semelhante a ele, no entanto suas habilidades mágicas envolviam as flores e as plantas, sendo muitas vezes apelidada de Ninja das Rosas, por causa de seus cabelos cor de rosa. Ela sentia-se muito feliz e realizada porque iria se casar com o mais cobiçado dos príncipes, mas qual não seria? Dizia-se sortuda.

Mas naquela tarde, algo que há muitos anos não acontecia aconteceu. O som alto, chiado, de um apito atraiu não só uma parte da população, como também o príncipe Sasuke, para o antigo porto de Kon’oha. Quem diria que depois daquela horrível tragédia, há quase dez anos, que um navio cargueiro comercial aportaria em Kon’oha? Que evento foi aquele gigante de metal flutuante parando lentamente ao lado da antiga estrutura do píer, que emoção fora ouvir o grasnar das gaivotas.

Mesmo que Sakura odiasse o mar, ela acompanhou seu noivo. Não gostava da ideia de tantas moças estarem perto de um príncipe tão cobiçado como o jovem Sasuke, mas ele pouco se importava com isso, queria ver o navio: fazia anos que vira algo daquele tipo. Recordara-se bem do último navio que vira, chamava-se Relâmpago Amarelo e diziam ser o mais rápido de todos os mares, mas afundara em uma tragédia. Seus olhos enchiam-se de deslumbre com o S.S. Sopro do Norte por causa de sua imponência.

Realmente era uma bela embarcação. Assim que sua âncora desceu, os marinheiros mais ousados começaram a saltar de dentro dele de todas as formas possíveis, impacientes demais para esperar pela ponte. Mas nenhum deles se equiparou ao Voador. Sim, esse era o seu apelido, pois do ponto mais alto do mais alto mastro ele saltou para as cordas, e usando um aparelho que Sasuke nunca tinha visto, ele voou sobre todas as cabeças até pousar no píer, bem atrás da multidão que se aglomerava.

Aquela manobra encantou Sasuke, que fez questão de sumir das vistas de Sakura, para conhecer aquele marinheiro que sabia voar.

Encontrou no lugar de um homem queimado pelo sol e pela maresia, como Sasuke esperava, uma moça de cabelos curtos loiros, usando um vestido laranja com um suéter preto por cima, além de botas pretas, e um curioso cinto com apetrechos mecânicos. Mesmo que nunca tivesse se interessado por nenhuma garota, curiosamente estava interessado em saber quem era aquela tão ousada marinheira. Decidiu se aproximar, mas sentiu-se interrompido quando um homem bem alto, moreno, usando óculos escuros e de cabelos loiros se aproximou dela.

–Oe! – ele chamou e a moça se virou correndo para ele. – Naruto! Aquele foi seu melhor salto!

A moça riu e bateu o punho fechado contra o dele, num sinal curioso de amizade. Então o nome dela é Naruto? Que diferente. A pele bronzeada, olhos azuis, cabelos dourados, bem encorpada, sorridente e visualmente muito simpática, ela parecia ser de longe, de muito longe.

–Obrigado Bee! Eu estava muito ansioso para sair do navio! – qual foi o susto de Sasuke ao ouvir a voz masculina daquela moça. Não conseguia acreditar em seus ouvidos.

–Hei garoto! – gritou outro homem parecido com o de óculos escuros, porém mais velho e sem um dos braços – Não faça mais isso, ouviu?! Você poderia ter se machucado! Minha obrigação era lhe trazer inteiro, não só os pedaços, moleque voador!

Naruto riu coçando seus cabelos e deu de ombros, acenando de volta para o capitão e disparando rua acima, para o centro da cidade. Um rapaz de vestido? Era sério isso o que acabara de ver?! Sasuke foi até o tal de Bee.

–Diga-me, marinheiro, de onde vem? – indagou com sua costumeira altivez real.

O homem se virou bruscamente e no ato fez uma reverência.

–Venho de longe, muito além dos mares do Norte. Venho da Terra das Tempestades. – Sasuke assentiu e cruzou os braços sorrindo. Uma vez viajara para lá com seu pai e conhecera aquele povo incrivelmente forte e feroz. – Vossa alteza fez alguma encomenda?

–Não, na verdade não. Eu só estava curioso com algo.

–Se eu puder lhe ajudar, vossa alteza.

Sasuke o fitou seriamente.

–Por que chamou aquela moça de garoto? – apontou para Naruto parado por um vendedor ambulante que vendia miçangas. – É mulher, não é?

Bee sentiu-se desconcertado. Como poderia explicar ao príncipe a condição diferente daquele garoto? Teria que contar uma longa história para que suas palavras fizessem sentido, no entanto era péssimo com explicações. Respirou fundo e recordou-se que fizera a mesma pergunta quando se encontrara pela primeira vez com Naruto, há três anos. Podia usar a mesma resposta que o viajante que o acompanhava lhe dera.

–Naruto é de um estrangeiro de um país que não existe mais, destruído pela guerra. É o último de sua estirpe, por assim dizer, e por isso é tão exótico. Ele vem de uma terra onde homens usam vestidos e mulheres usam calças. – Sasuke piscou, sem acreditar. Como podia existir um lugar assim em pleno século XX? Aliás, poderia existir um lugar assim? – Ele ficou órfão muito cedo, então foi criado por ciganos de sua terra até que um dia ele foi vendido ao meu irmão mais velho por um velho cartomante.

–Vendido?

–Sim, vossa alteza.

–Por que ele foi vendido? Não é um objeto, nem um animal, para ser vend...

–Ele é um filho do sol, vossa alteza. – Bee o interrompeu, retirando seus óculos – Ele consegue interpretar os sinais dos deuses e pode ouvir a voz da Natureza. – Sasuke sorriu, surpreso por conhecer um verdadeiro filho do sol – Viemos para cá para deixar que ele viva por conta própria, pois é injusto que alguém como ele viva preso.

–Pode provar que ele é um filho do sol?

–Claro! Naruto!!! – ele chamou.

O garoto veio correndo, fazendo seu vestido praticamente tremular em torno do seu corpo e parou entre Bee e Sasuke. Fez uma rápida reverência segurando a barra do vestido para o príncipe e sorriu para Bee, esperando pelo pedido de seu amigo.

–Esse é o Príncipe Sasuke.

–Eu sei. – interrompeu Naruto.

–Mesmo sem nunca ter visto ele? – indagou o moreno, visualmente surpreso.

Ele assentiu e deu de ombros, se virando lentamente para fitá-lo.

Naruto dedicou um pouco mais de atenção para o alto rapaz de pele tão branca quanto leite, que em seus pulsos podia ver algumas veias azuladas, cabelos tão negros quanto à noite e as asas de um corvo, olhos negros de ébano e um semblante muito sério. Sasuke corou ao ver aqueles enormes olhos brilhantes lhe fitando com tanta atenção. Naruto tocou com a ponta dos dedos as costas da mão direita de Sasuke e no ato se afastou, como se tivesse levado um breve choque nos dedos. Fitou-o com alguma preocupação.

–Vossa alteza nasceu na noite mais iluminada e é regido pelo fogo mágico do mais antigo deus-dragão, mas... – Naruto cruzou os braços, sorrindo com alguma dor – Seu coração é tão frio quanto gelo e tão escuro quanto o céu noturno sem lua.

–Como sabe disso? – ele perguntou apressadamente.

O rosto do garoto se alumiou e ele riu.

–Os deuses me disseram. – falou com naturalidade. Naruto piscou e apontou para as costas do príncipe – Vossa alteza.

–Sim?

–Sua noiva furiosa vem aí.

Sasuke se virou e deparou-se com o rosto vermelho de irritação de Sakura, quase soltando fogo pelas narinas. Ele girou o corpo para perguntar como ele sabia de seu noivado, mas Naruto começara a se afastar saltitando para o centro da cidade.

–Por que vocês o trouxeram especificamente para cá? – Sasuke indagou antes de ir, sentindo seu braço ser violentamente puxado por Sakura.

–Naruto nos disse que os deuses lhe mandaram vir para cá encontrar seu destino. – o homem deu de ombros – O mistério está em que destino é esse, vossa alteza.

Sasuke assentiu e deu adeus aos marinheiros, rumando para sua casa. Durante o jantar, como era de seu costume, o príncipe ficara quieto ante a longa conversa que Sakura tinha com sua mãe, a Rainha Mikoto, sobre o navio, os marinheiros, a multidão e sobre a “estranha garota voadora”. Sasuke esboçou um sorriso mínimo ao perceber o engano. Que curioso um rapaz usando vestido e ainda ser capaz de interpretar os sinais do mundo. Sentiu vontade de saber mais sobre esse Naruto e decidiu fazer isso no dia seguinte.

Depois que o sol se colocou em seu posto e quando todo o comércio já fervilhava, o príncipe partiu para sua expedição solitária em busca do novo morador de sua cidade. Da praça ele podia ver que o navio ainda estava aportado. Julgou que ele poderia estar lá e assim Sasuke rumou para o píer de Kon’oha.

Como dissera sua intuição, a primeira pessoa que seus olhos negros viram fora a figura sorridente de Naruto divertindo por estar balançando-se num cesto suspenso por uma corda grossa, usado para subir mantimentos para a proa do navio.

Sasuke sorriu ao perceber que o garoto brilhava: seu sorriso emanava a luz da lua, seus olhos cintilavam as cores do mar, seus cabelos eram pedaços de sol e sua pele era pura terra fértil, nunca imaginara que alguém tão belo podia existir. Naruto era exótico, como disse Bee, e isso atraia inexplicavelmente a mente do nosso príncipe. O garoto foi descido com gentileza pelos seus companheiros de viagem e agradeceu por permitirem que ele brincasse um pouco, enquanto todos os outros trabalhavam.

Naruto se virou e se deparou com o príncipe de ébano sorrindo para si. Sentiu suas bochechas corarem e sua pele esquentar com aquele sorriso tão belo. Nenhum dos relatos mentia: o príncipe mais novo de Kon’oha era o mais belo rapaz de todo o reino e nenhum homem se equiparava a ele. Naruto devolveu a gentileza com um sorriso e um aceno, aumentando visivelmente a felicidade do outro por causa do gesto. Mas o garoto interrompeu seu contato ao perceber que homens estranhos se aproximavam de si com olhares ainda mais estranhos. Esses o tocaram com alguma curiosidade e depois com tentação.

–Que garotinha tão linda. – comentou um – Está sozinha? – indagou o outro, encurralando Naruto na borda do píer, quase caindo na água. – Por que não vem conosco? Seremos gentis, pequena. – sugeriu o terceiro, agarrando seu braço.

Ele fechou os olhos e prendeu a respiração, como sempre fazia quando sentia medo, porém durou muito pouco, pois sentiu uma presença quente se aproximar. Era o príncipe, tinha certeza, e ele parecia bastante incomodado com os homens tocando o pequeno Naruto, tão incomodado que os expulsou dali ameaçando-os com chamas que saíam de sua mão.

–Obrigado, vossa alteza. – Naruto curvou-se.

–Não foi nada. – Sasuke ofereceu seu braço, convidando-o para um passeio – Eram pessoas rudes tratando muito mal alguém tão bonito.

Naruto sorriu sem graça e transpassou o braço pelo de Sasuke, começando a caminhar ao lado de seu “salvador”. Com aquele toque algo aconteceu entre os dois. Algo que mente humana nenhuma poderia explicar, mas eu, como boa contadora que sou, posso.

Os dois ao sentirem aquela troca gentil de calores e energias entenderam, cada, uma coisa: não restou dúvidas a Sasuke que ele se apaixonara por aquele rapaz e Naruto teve a certeza de ter encontrado o seu destino. Deve estar se perguntando por que fora tão rápido. Ora, nunca percebeu que em contos de fadas, o amor nasce a partir das sutilezas e é sentido de forma rápida e certeira. Em contos de fadas, o amor acontece como mágica. Não poderia ser diferente no meu conto, principalmente entre esses dois.

Sasuke e Naruto concordaram em almoçar juntos no centro de Kon’oha, para conversarem e entenderem melhor o que se passara entre os dois. Era um casal que fazia todo o sentido estar junto, assim constatou Kakashi, que tudo acompanhava de longe para não interferir na magia do amor. Por incrível que pareça, nosso príncipe sentia-se a vontade ao lado do nosso voador, entrelaçando seus dedos sempre que podia e sorrindo como nunca fizera antes. Sasuke sentia que seu coração batia livremente em seu peito a cada novo sorriso que Naruto lhe presenteava. Naruto era tão brilhante que dissipou as trevas do coração de Sasuke.

Caminharam juntos até quando o sol estava perto de se pôr. Foram em várias partes, conheceram vários pontos diferentes de Kon’oha, inclusive aquela torre. Por falar nela, era ao sopé dela que o casal se encontrava, pois Naruto gostava de ficar ali no alto, vigiando seu novo lar e os mares, observando tudo com um estranho sentimento de nostalgia.

–Eu estou destinado a jamais amar, Naruto, mas sinto que algo mudou em mim com a sua chegada. – comentou Sasuke dando as mãos com o outro.

–Eu sinto o mesmo, Vossa alteza, sinto que de alguma forma eu sempre estive navegando e vivendo para esse momento. Os deuses estavam certos em me dizerem para vir para cá. – Naruto soltou as mãos de Sasuke e aconchegou-se em seu peito – Mas eu sinto energias malignas, Vossa alteza, energias que o acompanham desde o seu nascimento.

–Não se preocupe. – Sasuke levantou delicadamente o rosto de Naruto com o indicador – Eu te protegerei de todo o mal. Não permitirei que coisas ruins aconteçam a ti. – os dois sorriram e num ato impulsivo, trocaram um suave e delicado beijo, selando aquele compromisso mágico estabelecido através do olhar. Sasuke afagou os cabelos de Naruto com carinho – Eu sinto que já não poderei seguir adiante sem ti, Naruto, eu sinto que te amo.

O loiro sorriu imensamente e saltou no pescoço de Sasuke, num abraço emocionado.

–Eu também te amo!

Que lindo, minha gente, que lindo. Esse dois se apaixonando sob a luz do luar. Só tem um problema, que nem Naruto e nem Sasuke se recordaram e eu também não me recordaria se estivesse num momento tão lindo como esse. Nosso príncipe é comprometido.

Isso mesmo, lembram-se? A princesa Sakura? Ela fará toda a diferença. Nosso jovem casal de apaixonados firmara o compromisso de ficarem juntos para sempre, como toda boa história pode permitir, mas Sasuke não pode dizer nada aos seus pais, pois Naruto, apesar de ser um ser mágico, isto é, um filho do sol, era um plebeu.

O que será que vai acontecer?

Notas finais
O que será que vai acontecer?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.