Notas iniciais
Oi!!! segue mais um capítulo =) Espero que gostem e boa leitura

Capítulo 13 — Delírio

– O que aconteceu princesa? – Sr. Nagy perguntou preocupado. O sol estava lindo essa manhã, depois da tempestade o céu ficou limpo e o ar leve e livre de poeira.

Estávamos há uma hora na estrada e o senhor ao meu lado percebeu meu mau humor. Eu ignorei o Dimitri da melhor forma que eu pude, mesmo que ele ficasse me olhando como se quisesse dizer algo.

– Nada. – eu me lembrei de como falar.

– Você é o kaluanã brigaram?

– Ele é um idiota. – Sr. Nagy soltou um suspiro.

– O que ele fez dessa vez?

– Me beijou. – Sr. Nagy quase parou a carroça para me olhar.

– Isso é algo ruim?

– Quando ele jogou na minha cara que eu era apenas mais uma foi ruim o suficiente. – Sr. Nagy disse algo que se parecia com um palavrão.

– Esse menino está merecendo uma boa surra.

– Nisso eu posso concordar com você. O que acha de cobrirmos seu corpo com mel e o jogarmos em um formigueiro?

– Se Kaluanã fosse um homem inteligente não irritaria você. – ele riu.

– Tarde demais. – eu murmurei.

– Eu não sei qual dos dois é mais burro.

– Desculpe?

– Você realmente acha que é apenas mais uma na lista dele? Ele está fugindo dos seus sentimentos.

– Ele foi grosso. – eu tentei ignorar a voz na minha cabeça dizendo que ele tinha razão.

– Agora eu entendo. – ele me olhou. – Vocês dois são tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes, são feitos um para o outro porque se completam.

– Sr. Nagy eu gosto muito do senhor, não estrague isso. – eu disso com os dentes trincados. Que ideia absurda. – Nós não nos completamos.

– Talvez. – ele me olhava de canto.

– Como chegamos mesmo nesse assunto?

– Use a cabeça. – ele disse sabiamente. – Ou melhor, o coração.

– Esse não é o tipo de conselho que eu daria a alguém. Usar o coração não é algo racional.

– Não precisa ser racional, apenas certo. – ele disse.

– A ideia do formigueiro ainda está de pé?

...

Quando a tarde chegou e sem sinal de tempestade, montamos o acampamento e eu finalmente pude falar com o Adrian.

Eu o chamei para dar uma volta longe de todos os ouvidos e vi seus olhos se iluminando em expectativa. Dimitri também pegou nossos movimentos, mas seu rosto estava sem emoção. Ele estava concentrado nos cavalos.

Eu e Adrian andávamos a cavalo sem rumo. O sol estava descendo no horizonte.

– Eu queria ficar a sós com você desde aquele dia, pequena Rose.

– Adrian. – comecei. – Sobre aquele dia...

– Eu sei o que você vai dizer. – ele me cortou. – eu não sou bobo e nem burro. Depois de ontem quando o Tiro Certeiro me deu o recado eu...

– Recado? – do que ele estava falando?

– É, recado. Tiro Certeiro veio me dizer para ficar longe de você. Ele não quer nenhum dos seus cowboys se aproximando da filha do Sr. Mazur. Foi o que ele disse. Mas cumprir isso vai ser difícil, você precisa parar de me levar para lugares solitários, pequena Rose. Eu estou correndo risco de vida nesse exato momento. – eu estava com raiva, Dimitri acha que pode me ofender e tentar me defender ao mesmo tempo? Ele me confundia tanto com essa sua bipolaridade.

– Ele não manda em mim para dizer quem eu devo beijar.

– Eu disse exatamente isso para ele. – ele se lembrou. – Não foi uma boa ideia, eu achei que sairia de lá com um olho roxo. Eu nunca o vi com tanta raiva.

– Eu não deveria ter beijado você Adrian. – eu fui direta.

– Eu não sou tão ruim assim pequena Rose.

– Eu não quis dizer isso. Você é um cara legal e eu adoraria ser sua amiga e...

– Eu já sei onde isso vai dar pequena Rose. – ele coçou a nuca. – Você também caiu por ele não foi?

–Adrian...

– Está tudo bem. Não é a primeira vez que isso acontece. Mas eu vou esperar por você, eu nunca conheci alguém como você Rose. Cheia de vida e paixão. – ele suspirou. – Aquele desgraçado é um maldito bastardo sortudo.

– Eu só quero fazer o que eu vim fazer e voltar para El Passo.

– Eu quero te ajudar. – ele sorriu.

– Eu preciso encontrar alguém, o nome dele é Billy Back. – eu resolvi confiar no Adrian. Afinal, eu precisaria de alguém para me ajudar quando chegasse à cidade grande.

– Eu já ouvi falar desse nome, mas eu não conheço o cara. Podemos tirar informação assim que chegarmos a Santa Helena. – eu o abraçaria se não estivesse em cima de um cavalo.

– Obrigada Adrian e eu realmente sinto muito.

– Pequena Rose, eu não me aborreço facilmente. Isso causa envelhecimento precoce. – eu sabia que estava tudo bem entre nós dois e sorri.

– Vamos voltar, está começando a escurecer. – eu disse.

Adrian liderava o caminho, porque para mim qualquer direção era a certa.

– Você precisa prometer que vai me deixar limpo com o seu pai, pequena Rose, eu não gostaria de ser acusado de sequestrar a filha do Sr. Mazur.

– Fique tranquilo, eu não vou deixar que... – um assovio seguido de um grito de guerra cantado voou através do vento.

Eu parei o cavalo, olhando os arredores.

– Você ouviu isso? – eu perguntei. O barulho foi ouvido novamente, dessa vez, mais próximo.

– Rose! – Adrian gritou alarmado. – Corre, são índios selvagens. – Assim que Adrian acabou de falar seis índios apareceram montados em seus cavalos selvagens e malhados. Eles usavam poucas roupas de couro e colares de penas. Eu não os achava ofensivos até que eles atiraram uma flecha que passou de raspão no meu braço, me fazendo gritar de dor.

– Rose! – eu corria atrás do Adrian, ele estava alarmado.

– Estou bem. – eu gritei.

Os índios usavam a língua para gritar e continuavam a nos perseguir. Eu sempre ouvia historias sobre como esses índios eram ofensivos aos homens brancos, que era como eles nos chamavam. Mas eu nunca tinha visto um pessoalmente.

Em certo ponto uma corda foi jogada, acertando a cabeça do meu cavalo que parou abruptamente, me jogando no chão.

Eu caí sobre a terra cheia de pedras, ralando os braços. Meu cavalo relinchava loucamente enquanto era capturado. Os índios me alcançaram e me cercaram com seus altos cavalos. Apontando suas flechas mortais na minha direção e dizendo algo em uma língua desconhecido e rápida.

Adrian estava apontando a arma a distancia para um dos índios. Eu percebi que esse era o motivo para eles não me matarem ainda.

Eu levantei minhas mãos em rendição e me levantei devagar. Um dos índios fez um gesto brusco e disse algo, me fazendo parar onde estava. Adrian deu um tiro para o alto o fazendo se afastar.

Eu olhei para ele tentando pensar em algo, meu coração estava acelerado.

– Nós não vamos fazer mal. – eu disse para um dos índios, que parecia ser o chefe. Ele não parecia entender o que eu falava, então eu fiz gestos. – Nós. – apontei para mim e Adrian. – estamos aqui em paz. – fiz o sinal de rendição com a mão novamente. Então me virei para o Adrian.

– Abaixe a arma. – ele me olhou como se eu fosse louca.

– Faça o que eu digo se quiser sair daqui com vida. – ele jogou a arma longe e assim como eu fez o sinal de rendição.

Isso chamou a atenção dos índios, eles nos olharam por um longo tempo e conversavam entre si. Então do nada se viraram e voltaram de onde tinham vindo, levando meu cavalo com eles, para minha decepção.

– Rose. – Adrian pulou do seu cavalo, recuperando sua pistola e examinando meu braço sangrando.

– É só um arranhão. – na verdade saia muito sangue e estava ardendo como o inferno.

– Isso vai precisar de pontos e não sabemos se havia veneno na flecha. Esses índios selvagens costumam usar venenos terríveis nas suas armas.

O som de cavalos foi ouvido novamente, Adrian e eu olhamos atentos para o horizonte. Mas era apenas Dimitri e mais alguns cowboys.

Ele tinha o semblante preocupado e nem se esforçava em esconder.

– Roza. – ele disse assim que parou ao nosso lado e pulou do cavalo correndo até onde eu estava. – Você está bem? – ele viu meu braço sangrando e imediatamente tirou um lenço, o pressionando ali e me olhando, procurando por mais alguma coisa fora do lugar. – Você é idiota? Eu disse para não se afastar demais. O que eu diria ao seu pai se algo acontecesse com você? – essa era a preocupação dele.

– Estou bem. – eu disse bruscamente, me afastando dele.

– O que aconteceu aqui? Eu ouvi um tiro. – ele olhou com raiva para o Adrian, como se o culpasse também.

– Índios selvagens. – Adrian disse.

– Eu não sei qual dos dois é mais estúpido, vocês poderiam estar mortos agora. Onde estão os índios? – Dimitri olhou ao redor, seus olhos formavam uma fenda furiosa.

– Rose conseguiu convencer os índios de que não éramos uma ameaça.

Dimitri me olhou surpreso e sua raiva dissolveu por um instante, um muito curto.

– Precisamos levar você para o Sr. Nagy. – ele disse olhando para o meu braço, mas seu tom ainda era severo. – Como conseguiu isso? – ele olhou com preocupação pela primeira vez.

– Uma flecha. – eu disse relutante. Eu não sei para que tanto alarde com um algo tão insignificante, era apenas um corte.

– Essas flechas podem estar envenenadas. Temos que voltar agora mesmo. — Então ele olhou ao redor. – Onde está seu cavalo?

– Os índios o levaram. – eu disse com os dentes apertados. Meu pai me mataria por perdeu seu cavalo premiado. Pensando bem, essa era a menor das minhas preocupações com o meu pai.

– Vamos. – ele me elevou pela cintura. A surpresa fez as palavras morrerem na minha boca. Em seguida eu fui colocada confortavelmente na sua sela de couro. Ele montou logo depois e começou a cavalgar em disparada.

– Você não está sentindo nada de anormal? – Dimitrii perguntou enquanto me segurava pela cintura. Adrian vinha ao nosso lado, atento aos meus movimentos e lançando olhares para Tiro Certeiro como se ele fosse me machucar, eu sabia que isso nunca aconteceria. Ele podia ser um idiota com as mulheres, mas jamais faria algo assim.

– Meu braço está formigando um pouco. – eu disse, era verdade. Eu estava sentindo um leve desconforto agora.

Ele acelerou a velocidade do cavalo. Poucos minutos depois chegamos ao acampamento e fomos recebidos por um Sr. Nagy aflito.

– Querida, o que houve?

– Flecha de índios. – Dimitri disse me ajudando a descer. Assim que os meus pés tocaram no chão eu me senti como uma geleia e me agarrei aos seus braços para não cair.

– Isso não é bom não é camarada? – eu perguntei e percebi que minha voz soava fraca. Meu corpo de repente estava quente e minha cabeça pesada.

Dimitri me pegou no colo e me levou até a tenda dele, me m deitou sobre o seu saco de dormir e ficou ao meu lado, conversando comigo.

– Rose, você não pode dormir ainda. – ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto. – Sr. Nagy vai cuidar de você, mas eu preciso de você acordada agora. – era difícil prestar atenção às suas palavras. Eu só queria fechar os olhos e descansar, eles estavam pesados. – Você pode fazer isso?

– O que o meu pai diria se algo acontecesse comigo não é camarada? – minha voz estava sonolenta e ele apenas me olhou, mas não disse nada. Depois disso as coisas ficaram um pouco estranhas e minha cabeça ficou ainda mais pesada.

– O veneno já está na corrente sanguínea dela. – Sr. Nagy também estava ali dentro agora e mexia no meu braço. O tempo parecia voar, ou eu estava apenas delirando. As coisas pareciam acontecer rápido demais para eu acompanhar.

– Faça o que for preciso, não podemos perdê-la. – eu estava ouvindo direito ou fazia parte dos meus delírios. Eu já tinha visto cavalos voadores, então não acreditava em mais nada agora. Nem mesmo quando eu senti um beijo sendo colocado na minha testa suada.

– Dimitri, você precisa dizer a ela. – Sr. Nagy estava dizendo enquanto trabalhava no meu braço. Eu sentia uma ardência ali e um cheiro de álcool me invadiu. Espere... ele acabou de chamar o Dimitri de Dimitri? Como ele sabia seu verdadeiro nome?

– Eu não iria suportar perder mais alguém. Não ela. Estou fazendo isso para protegê-la.

– Ela não é o Ivan. E se você não fizer algo em breve ai sim vai perdê-la.

– Eu não posso arriscar. – eu queria ter ouvido mais. Mas isso não aconteceu, porque no segundo seguinte eu apaguei de vez.

Notas finais
Então? Comentem e eu vou tentar postar mais cedo =) hahahaha olha os subornos!!! beijos e até o próximo