Era uma vez : O Livro da Vida
5 Um pirata bêbado dá novas pistas
Notas iniciais
–Não -não sei do que diabos estão falando... — A voz gaga do pirata indicava que o desespero havia tomado conta de seu ser. — Sou só um pi- pi- rata que vive de saques para sustentar sua po -pobre tripulação. — Ele a encarou como se a deixasse nua, como ele fazia quando estavam em seus encontros no presente e que a deixou constrangida — A senhorita daria uma ótima imediata em meu navio...
– Não tente mudar de assunto : Nós queremos o Livro da Vida. O livro mais poderoso de todos, está com você... — Emma irritou -se quase que instantaneamente e falou entredentes ( Era bom poder vê -lo desesperado apesar de isso ser mal) .
– Hmmmm certo... — A ficha do pirata havia caído dando um sorriso torto diabólico. Emma sabia todos as suas facetas e aquela era de ele havia entendido a mensagem .
–Vai... fala... Ou meu amigo vai fazer favor de deixar o líquido vermelho tão precioso que corre em seu corpo vazar... — Graham apertou um pouco o punhal no pescoço fazendo -o paralisar. A expressão de maníaco em seu rosto era medonha – Acho que trabalhar com isso, talvez deixe as coisas muito mais interessante... — Graham deu um sorriso sarcastico.
– Não está comigo, querida... Se puder abaixar a faca, ficará mais fácil para dizer onde ele está... – Emma olhou para Graham e ele obedeceu. A moça continuou apontando o florete para o pedaço do peito do pirata que estava à mostra, por precaução. Os pingentes em seu peito cintilavam. — Muito obrigado,meu amigo. Fui para Nárnia para encontrar um velho amigo. Quando retornei, pensei que seria uma boa noticia espalhar esse boato pra que alguns engraçadinhos ficarem longe de mim... É melhor ser odiado do que amado, apesar de que as garotas gostarem de homens perigosos, não é minha querida? -Ele passou o polegar sobre os lábios flertando. O caçador parecia furioso voltou a segurar o punhal.
–Entendo… -Disse Emma olhando para baixo fazendo com que Graham se aproximasse dela ainda com o punhal em mãos. Ela sabia como ele se sentia. — Mas sei que deve saber do paradeiro e quero que nos conte...
–Tenho um contato que me dá uma mãozinha com favores e acredito que mais um nunca é demais... Eu posso pedir para ajudar, amor... Em troca, quero que me devolva o meu florete.- Ele estendeu a mão funcional e a fez obedecer a ordem – Vou avisar minha tripulação que... — o pirata tentou se afastar usando mais um velho truque.
– Infelizmente não... — Disse Graham voltando a sacar o punhal e colocando a ponta afiada em seu pescoço que gelou — Irá conosco... Se estou certo sua tripulação é leal o suficiente para não zarpará sem seu capitão … — O pirata bufou e aceitou.
– Quero algo em troca... Uma garantia de que posso ser recompensado e que estarei são e salvo … — O pirata que havia cruzado os braços, estendeu de sua mão o indicador e esfregou o polegar, queria dinheiro como qualquer um.
–Te dou um tonel de rum da melhor qualidade ... — Negociou Emma. Ele com certeza, não cederia àquela proposta — Ok?!
– Aye... -Concordou o pirata um tanto feliz com o pagamento. Ela já estava com saudade do jeito que ele dizia aquela palavra com empolgação.
Aliviado, o dono do Jolly Roger respirou fundo e tirou seu cantil prateado de um bolso interno do sobretudo de couro. Tomou um longo gole e ofereceu convidativo aos novos amigos que apenas a loira aceitou, já que o caçador encarava o pirata flertar com a moça de quem estava gostando.
Pegaram o cavalo que dormia a alguns metros dali e foram. Para Graham ter a certeza que o Capitão Gancho não escaparia, ele forjou uma algema feita com nós e pedaços de cordas. As vezes, Emma olhava para o pirata como se pedisse desculpas por aquela humilhação que estava passando. Era como vê -lo nas mãos de Rumple.
Eles deram voltas e mais voltas na cidadela tendo como guia o pirata que estava muito alto, demorou um pouco mais do que acharam. O mais esquisito era que o homem de rímel abriu matraca e não parou de falar um segundo se quer durante a trilha. A loira estava acostumada com o falatório, exagerado depois de uma bebedeira , mas o fio de paciência do caçador estava por um triz.
Deram graças quando Gancho ( que já estava bem sóbrio e com uma enxaqueca de ressaca começando latejar em seu cérebro) disse que haviam chegado. Era uma casa grande para um camponês, com dois andares de altura. As paredes eram feitas de pedras sobrepostas e grudadas com o quê parecia ser cimento. O telhado era feito de telhas de barro, novinhas em folha. No geral, confortável apesar de rústica.
O trio se aproximou da linda varanda envidraçada com vitrais amarelos e verdes. Gancho bateu na velha porta de sequoia onde havia por algum motivo palavras entalhas com letras runas assim como a moldura do porta-retratos do quarto de seu Gancho no Granny's. Passos abafados do outro lado, eram sentidos e pela vibração dos tacos sabiam que o dono estava chegando para recepcioná -los.
A porta se abriu num minusculo espaço, viu August, um tanto carrancudo. Suas mãos, suas roupas e sua face estavam mesclavam manchas secas e frescas de nanquim o evidenciava que ele estava escrevendo ou pesquisando. Talvez estivesse bravo por ter sido interrompido e ter que parar para atender Gancho era a pior coisa do mundo.
–O que quer aqui a essa hora, seu pirata infernal? Por que não me avisou que viria a essa hora? — Disse Pinócchio encarando por uma fresta, furioso com Gancho e não se dando conta que Emma e Graham acompanhando -o . O pirata tossiu fazendo -o ver os estranhos e o acompanhava – Quem são eles?
–São minha nova tripulação, amigo... — Falou entredentes sem qualquer entusiasmo. Com os braços cruzados, batia o pé de modo impaciente fazendo os tacos lustrosos liberassem um barulho irritante– Nos deixe entrar e eles vão te explicar tudo.
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