Era uma vez Habsburgo
10 A Torre da Princesa Aprisionada
Notas iniciais
O baile não é nem de longe o lugar onde Derek gostaria de estar. Ele ainda conseguia lembrar de Stiles ferido e cansado ao seu lado na cama, fingindo não sentir nada apenas para não preocupá-lo e mais ainda, o guerreiro lembrava lentamente das palavras do garoto.
– Você sabe, Derek. — Stiles traçou circulos no peito do guerreiro, brincando com os pelos lentamente. — Se eu não passar dessa noite, eu quero que se lembre que o admiro. — Derek segurou sua mão e o encarou assustado.
– Eu me recuso a me despedir. — Stiles sorriu e deitou o rosto no peito do mais velho.
– Se eu passar dessa noite, se meu corpo quiser continuar, eu quero você, quero lutar pelo que temos, pelo que sentimos. — Derek o calou com um beijo.
– Não seja tolo de partir, não faça isso. — Stiles voltou a beijá-lo. — Olhe para mim e prometa. — Derek segurou seu rosto. — Prometa que não vai morrer. — seus olhos verdes e amendoados brilhando em expectativa.
– Eu prometo que vou me lembrar do seu gosto. — Stiles o calou com um beijo calmo antes de se aconchegar e adormecer, Derek não poderia dormir.
Agora, durante uma festa infundada no território da responsável por tudo o que deu de errado em sua vida, Derek precisava sorrir, beber e acenar para o povo, para o Consorte da Rainha Kali e fingir que o Stiles ainda debilitado que voltou para casa alguns dias antes, não o preocupava e que a ausência de Allison era sua responsabilidade, fingir que era isso que o afligia.
Deucalion por sua vez parecia atento ao pavor da população, assim como a preocupação aparente dos Argents e a ausência de qualquer sentimento vindo do Rei Peter, que só parecia ter olhos para sua recém desperta e atual Lady Hale. Mulher adorável e bela, na opinião do poderoso Consorte.
– Lady Hale. — Deucalion se apresentou na primeira oportunidade que Peter deu e a ruiva sorridente não parecia tão ingênua quanto diziam.
– Lorde Deucalion. — ela aceitou a reverência do homem e sorriu. — Espero que esteja satisfeito com a festa, confesso que seria muito melhor no palácio do Rei, mas os Argents insistiram. — o lobisomem sentiu as intenções ali, assim como todo o teatro daquela recepção.
– Você não precisa atuar, querida. Ser um lobisomem tem suas vantagens. — ele sorriu enquanto Lydia gargalhou e bebericou sua taça de vinho.
– Não pense que vai me assustar com seus poderes de alfa, eu divido a cama com o Peter. — ela piscou enquanto Deucalion abriu um largo sorriso.
– Vejo que Peter não pecou em esperá-la.
– Não seja tão gentil, um Peter celibatário é bastante utópico.
– O que você pode me dizer sobre as coisas que tem ocorrido em Habsburgo?
– Kate atentou contra a vida dos Hale, — Lydia deixou a taça em uma bandeja servida por um dos escravos adornados e tomou a mão do lobisomem, levando-a ao seu seio esquerdo, posicionando bem acima de seu coração. — ela quer matar a todos e manipulou duas crianças, arranjando um casamento imbecil, tudo pela rejeição sofrida por Derek Hale, que todos sabem ser um guerreiro solitário e muito eficiente. — Deucalion se concentrou nas batidas calmas e verdadeiras da ruiva e focou seus olhos nos lábios vermelhos e convidativos da Consorte.
– Princesa Argent, onde está? — Lydia sorriu e o encarou nos olhos com convicção.
– Allison? Acabou de chegar. — a ruiva deixou a mão do lobisomem livre e se virou para a entrada principal, onde Allison acabava de ser anunciada, sendo acompanhada por Scott.
– Sua colaboração será lembrada Lady Hale. — a mulher sorriu e se aproximou do lobisomem, encostando seu nariz em seu ouvido.
– Espero que sim, Lorde Deuc. — ela se afastou e piscou, o lobisomem não percebeu, mas Peter observava tudo de longe, com orgulho de sua amada.
Stiles chegou um pouco mais tarde e contra a vontade de seu pai, na verdade, todos o queriam em casa se recuperando mas ele pensava diferente e tinha um pressentimento de que seria útil ali.
– Principe Guerreiro. — Kate correu as mãos nos ombros de Derek que se afastou em um ato de asco completo. — Não seja tão arisco, lembre-se de como fomos felizes na cama juntos. — Derek a encarou por meio segundo antes de ranger os dentes.
– Saia do meu caminho. — Kate sorriu.
– Claro, mas eu tenho uma pequena condição. — Derek suspirou irritado.
– Não me teste. — ela riu.
– Todos vão saber sobre seu caso com o filho inútil do Guardião. Você sabe, eu passei tempo o suficiente para fazer amigos no palácio. — Derek engoliu em seco.
– Você não tem provas, não venha me chantagear.
– Chantagem? Deucalion é um alfa, você sabe, um interrogatório bem feito ao menino Stilinski e tudo isso se torna real, querido. — as unhas cumpridas da loira caramelo correram a nuca do guerreiro que se empertigou.
– O que você quer? — Derek sabia que não poderia passar pelo dector de mentiras de Deucalion e ele nunca prejudicaria Stiles, não por causa de suas péssimas escolhas amorosas.
– Um drink e uma conversa particular. — Derek concordou. — Não aqui, na casa de caça. — o guerreiro deu de ombros e a seguiu.
Derek não se importava se Kate o queria ou se ela o obrigaria a passar a eternidade ao seu lado, não se Stiles saísse ileso disso. A cabana parecia silenciosa como toda a caminhada até lá, Kate tomou um tempo servindo vinho e jogando uma e outra piada sobre Derek no ar.
– Eu me pergunto como você desperdiça toda sua nobreza, todo o seu potencial com uma criança estúpida como Stilinski. — a mulher montou no colo de Derek, o fazendo desconfortável. — Será que ele descobriu finalmente o que tira deu maldito mau humor, Der-Urso? — o guerreiro engoliu em seco e manteve suas mãos longe de qualquer contato. — Será que ele o fez tocá-lo? — ela tonou os pulsos do homem e os colocou em seus quadris. — Será que Stiles tem algo de surpreendente nele, — a mulher aproximou os lábios do ouvido de Derek — que o faça gritar?- ela mordeu a ponta da orelha do homem que se retraiu.
– Um drink e conversa, não me toque. — ele a empurrou de seu colo com violência.
– Ficou irritadinho com a verdade, Hale? Não gosta de admitir que depois de tantos anos se enganando, repetindo que gostava de me ver com outros, era apenas uma desculpa para observá-los fazerem comigo o que você queria sentir? Que decepção, Der. Eu esperava mais de você. — Kate entregou uma das taças para ele. — Beba. — ele hesitou.
– Acho melhor voltarmos. — Derek se levantou e a mulher estalou a língua.
– Um drink e conversa, temos um trato. — Derek apertou os olhos e pegou a taça virando de uma só vez o vinho amargo e espeço.
– Agora nós devemos... — tudo rodou num primeiro momento, a risada de Kate no fundo o fez querer se virar, mas tudo o que ele sentiu foi o baque de seu corpo contra o chão de madeira firme e suja.
– Não dessa vez Derek Hale, não dessa vez.
Stiles queria ver Derek e ele deveria estar ali, mas algo o fez ir embora mais cedo. O príncipe Stilinski já estava cansado de esperar, por isso, resolveu ir embora e cuidar de si mesmo, como deveria ter feito desde o início, exceto por ter visto fumaça enquanto caminhava pelo terreno dos Argent, muita fumaça.
Derek estava inconsciente, amarrado ao pilar de sustentação da cabana, o fogo parecia envolver tudo e Stiles paralisou por um momento, ele não queria ver Derek morrer, mas não sabia como tirá-lo de lá sem ambos perderem suas chances de sobrevivência.
– Respire Stiles, respire. — ele apertou o manto em seu corpo e chutou a porta de madeira, sua costela reclamou e ele engoliu um grito dolorido enquanto tentava respirar, enxergar Derek em meio a fumaça e não se queimar. — Derek! — ele gritou e tossiu ao mesmo tempo enquanto tentava partir as cordas firmes que envolviam o corpo do mais velho. — Porra! — ele gritou enquanto a irritação e o medo o consumiam. — Aguente firme, Derek. Nós vamos sair daqui. — ele pedia aos deuses que realmente conseguisse.
O fogo continuava a lamber cada parede de madeira, quebrar cada vidro e se alastrar pelos estofados, Stiles se esforçou para se concentrar até que Derek estava livre e ele finalmente conseguiu arrastar o guerreiro para longe do pilar e se esforçar para colocar a pilha musculosa e desacordada sobre os ombros e sair de lá, o mais rápido que conseguiu.
Ninguém fazia ideia de onde eles foram parar. Kate cheirava a fuligem e deucalion não deixou o incêndio passar, ele nem ao menos deixou de observar o esforço do filho do Rei Guardião. Deucalion escolheu seu lado ali e os Argent estavam longe de se safar dessa.
– Majestade. — Erica entrou nos aposentos do rei e o viu limpar a garganta.
– Alguma notícia de Derek? — Erica entregou uma correspondência a ele e pediu licença. — Quem entregou isso a você? — ele pediu quando a loira estava na porta.
– Stiles. — ela sibilou e Peter se apressou em abrir a carta.
"Tudo o que você precisa saber é que Derek está seguro e ferido. Não seja tolo em divulgar isso, nem mesmo para Lady Hale, seria perigoso para ela, assim como seria perigoso para meu pai se alguém descobrisse que seu filho se arriscou para salvar um Hale em meio a guerra, por motivo nenhum, senão sentimentos proibidos por lei. Faça com que Deucalion acredite na morte de Derek, que ele acredite que foi causado por Kate, que nossa guerra vale a pena, explore o máximo do que ele tem a oferecer de apoio e esqueça que te tranquilizei. Derek ainda pode estar ferrado por toda a vida, mas se ele não sobreviver, ninguém nunca mais ouvirá falar de mim ou encontrará nossos corpos. Esse é nosso segredinho sujo Majestade, eu salvo seu sobrinho e você salva seu ouro, antes que seja tarde demais e o poder caia nas mãos erradas."
Peter encarou a carta por alguns minutos, a releu e entendeu de uma vez por todas que Stiles daria sua vida pelo Hale mais jovem, mas nunca, em toda sua vida seria tolo de voltar sabendo que suas intenções eram contra lei, conhecendo o rei como fazia, sabendo de tudo o que Peter foi capaz.
– Você será recompensado por isso, Stiles. Sua lealdade me é vista com muito apreço. — o rei sussurrou antes de destruir a carta com fogo e traçar em sua mente um novo plano.
Derek estava ferido, tinha delirado boa parte da viagem, delirado o suficiente para deixar Stiles ciente de um lugar seguro, como a torre na divisa de terras não mapeadas, onde Cora era mantida escondida.
Não era a forma como Stiles queria conhecer a Hale caçula, mas ele estava feliz que a garota podia ajudá-lo a tratar das feridas, que ela sabia o que estava fazendo com as ervas e que ele podia respirar aliviado quando a febre de Derek se tornou quase remota.
– St...Sti... — Derek murmurou frágil em seu sono pela segunda vez naquela noite.
– Hey, estou aqui. — Stiles acariciou a cabeça do homem com cuidado, o cabelo desigual o deixava estranho, mas cresceria e com sorte todas as cicatrizes se esconderiam nos fios negros e brilhantes de Derek.
– Stiles. — a voz quebrada não fazia o mais novo lembrar do guerreiro como o conheceu, mas o levava a querer abraçá-lo.
– Tudo bem, você não deve se esforçar. — Derek piscou os olhos sonolento. — Você está na Torre, Cora me ajudou a salvá-lo. — o homem assentiu e voltou a fechar os olhos, Stiles não tinha certeza se com todo o silêncio, Derek tinha voltado a dormir.
– E-Eu... Kate... — o mais novo pressionou os lábios contra testa do mais velho.
– Peter vai cuidar dela, agora nós precisamos dar um jeito de mantê-lo saudável. Descanse mais um pouco. — Derek concordou e se entregou ao cansaço.
Cora observou Stiles atentamente desde o primeiro minuto em que o garoto cruzou a porta com Derek em seus braços. O príncipe alto, esguio e visivelmente abalado física e psicologicamente, chamava atenção por sua concentração, dedicação e paixão em manter Derek salvo e seguro. A Hale caçula não tinha conhecido muitas pessoas desde sua infância, mas seu pressentimento em relação ao Stilinski mais novo era bom, muito bom.
– Você tem que cuidar dos seus ferimentos agora, eu sei que Derek está bem. — Cora sentou ao seu lado.
– Eu não me feri. — Stiles voltou a alisar o rosto pálido de Derek quando sentiu algo doer em seu pulso e ele gritou. — Mas que porra!
– Acho que você está ferido. — ela arqueou as sobrancelhas e Stiles se levantou com dificuldade.
– Minha costela foi recentemente trincada, eu tive hemorragia interna e agora tenho uma queimadura de segundo grau no pulso. Onde exatamente eu quero chegar assim? — ele resmungou enquanto Cora desfazia os curativos em volta de seu torso e o guiava até uma tina.
– Você deve se lavar, eu vou preparar um chá para sua dor e um pouco mais de pasta de ervas para as queimaduras. — o garoto assentiu e obedeceu.
Limpo, vestido em um novo manto e acomodado em uma cama, Stiles a avaliou melhor suas possibilidades e enxergou que sua carta ao rei, poderia ser mal interpretada e talvez até chegar em mãos erradas. Agora, infelizmente ele não poderia se arrepender, o que estava feito, não tinha como ser consertado, tudo seria uma questão de sorte.
– Como é lá fora? — Cora perguntou no dia seguinte, enquanto tomavam café.
– Perigoso, cruel. — Stiles deu de ombros e olhou a jovem menina ajeitar o cabelo castanho atrás da orelha. Cora tinha o mesmo olhar selvagem de Derek, mesmo que fisicamente eles não se pareciam em nada.
– Você o ama, não é? Estão juntos. — Stiles assentiu, ele não tinha por quê negar isso para ninguém.
– Ele conseguiu mudar muitas coisas dentro de mim em um espaço curto de tempo. Derek é um bom homem, apenas incompreendido.
– Ele me trancou aqui a vida inteira, mas sempre veio me visitar e trazer presentes, eu nunca fiquei muito tempo sozinha e quando algo acontecia, ele sempre mandava Boyd ou Erica. Você os conhece? — Stiles sorriu.
– Claro, eles são ótimos. — Cora sorriu e pegou a mão de Stiles com firmeza.
– Derek sempre teve medo que voltasse para me matar, mas ele precisa saber que isso tudo é culpa daquela mulher, dela e do pai dela. — Stiles franziu o cenho.
– O que você está falando, Cora? — a garota se afastou e encarou o irmão inerte na cama, a pele brilhando de suor e os curativos precisando ser trocados.
– Eu era muito pequena quando aconteceu, mas eu me lembro daquela garota, ela andava por todos os lugares, ela armou para o Derek, ela fingiu que o amava, ela obedecia ao pai, ele era mal e tinha um sotaque francês, eu não sei o nome, mas eles faziam parte do clã dos Argent. — Stiles engoliu em seco.
– O que eles fizeram?
– Era tarde da noite, o baile tinha acabado, Derek estava um pouco bêbado de vinho e tinha dormido antes de mim, mamãe tinha pedido para ele me colocar na cama, mas eu ouvi algo cair e acabei encontrando ele e a filha loira, ela era namorada do Derek ou queria ser, eles estava molhando as cortinas com algo que fedia, eu ouvi minha mãe gritar e corri, acordei Derek e nós fugimos, ele voltou para o palácio e tudo estava quente e em chamas, meus pais morreram. — Cora chorava e Stiles não teve nenhum outro reflexo, senão abraçá-la e mantê-la próxima ao peito, tentando acalmar seu choro e confortar sua dor.
– Kate queimou minha família? — a voz de Derek os afastou e Cora chorosa pulou para longe, sem saber se deveria ou não abraçar o irmão, o moreno abriu os braços e a menina se arrastou até a cama, se aninhando com cuidado e mesmo com alguma dor, Derek não queria sair dali, não depois do que descobriu.
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