Era uma vez...
1 Era uma vez...
Notas iniciais
“Contos de fadas não dizem às crianças que monstros existem, isso as crianças já sabem. Contos de fadas dizem às crianças que os dragões podem ser derrotados.”
Era uma vez um garoto, que tinha um irmãozinho muito ingênuo e certinho. Certo dia, apaixonaram-se pela donzela mais linda do condado, mas havia um problema dos grandes. Essa donzela, na verdade, era uma bruxa com a alma mais sombria da face da terra. Ela gostava de manipular e mentir para conseguir o que queria. E ela desejava os dois irmãos para si. Ela era egoísta, fria e manipuladora.
Os dois irmãos brigaram, se desentenderam e morreram por causa dessa bruxa, porém, renasceram das cinzas como se fossem fênix e se tornaram seres, que não suportavam a luz solar e viviam de beber sangue humano. Desnorteados e feridos por terem perdido aquela, que consideravam o amor de suas vidas, os dois irmãos tomaram caminhos diferentes.
O mais velho saiu mundo afora, sobrevivendo ao seu próprio modo, conhecendo pessoas de todos os tipos e fazendo “amizades” duvidosas. Mesmo longe, sempre soube de todos os passos do irmão mais novo. Poderia fingir que o odiava, que o queria verdadeiramente morto, todavia, seu irmãozinho tolo era a única família, que possuía e se sentia mal ao vê-lo tão perdido e fazendo coisas, que o machucava tanto física, quanto psicologicamente.
Tinha saudades da época em que eram inseparáveis e visto como o herói de armadura brilhante do irmãozinho caçula; então, resolveu, depois de décadas sem vê-lo, voltar a aproximar-se. Só que nada mais era como antes. Seu irmãozinho tinha uma nova família, a qual, esperava a chegada do mais novo membro. Tentou fazer parte daquela vida, todavia, não conseguiu. Tinha ciúmes daqueles que estavam “tirando” o irmão dele, por isso, quando percebeu, mais uma vez destruiu os sonhos do irmãozinho tolo e sujou suas mãos de carmesim inocente.
Voltou a fugir pelo mundo, tentando escapar do peso da culpa e das lembranças, que atormentavam seus sonhos. Ele nem conseguia salvar a si mesmo e se afundou incontáveis vezes, quando era derrotado por seus próprios demônios interiores.
Então certo dia, quando soube que seu irmãozinho havia voltado para o reino, a curiosidade o impulsionou a ver com os próprios olhos, o que ele estava aprontando. E qual foi a surpresa ou nem tanto assim, quando se viu frente a frente com uma jovem idêntica àquela, que um dia foi sua grande paixão. E mais uma vez, a donzela se viu apaixonada pelo irmão caçula. Os dois se completavam estranhamente. Ele a quis imediatamente para si. Não poderia negar que no começo era apenas a vontade de provar aos outros e a si mesmo, que era melhor que o irmão. Porém, caiu em sua própria armadilha e se viu, amando-a como jamais pensou ser possível. E por milagre — ou nem tanto, porque ele é o cara mais lindo do universo – ela correspondeu seus sentimentos e o escolheu.
Ele soube que a partir daquele momento não haveria mais volta e a relação com o irmão talvez se perdesse para sempre. Todavia, era egoísta demais para abrir mão daquela, que iluminava sua vida apenas com um sorriso.
O amor da vida dele tinha uma melhor amiga, que o odiava e não poderia culpá-la, afinal, causou a morte das pessoas que ela tanto amava. Os dois viviam brigando, trocando farpas e apelidos nada carinhosos, mas não poderia negar, que ela era aquela que mantinha a todos vivos, mesmo que para isso tivesse que sacrificar a própria vida.
A Pequena Judge, como gostava de chamá-la por sempre dar lições de moral, era como uma verdadeira fênix. Sempre ressuscitava das cinzas e cada vez que isso acontecia, não poderia negar que o impressionava cada vez mais. Ela não tinha medo da morte e nem de ninguém.
Somente da solidão. E ele a entendia melhor que ninguém.
A história começou a mudar quando os dois ficaram presos em um mundo de pesadelos, um inferno no qual somente os dois viviam. Pelo menos eles achavam isso. Brigavam muito, descordavam mais ainda, só que não conseguiam ficar muito tempo longe um do outro, principalmente ele, que só não enlouquecia, porque passava as noites escutando os sons dos batimentos cardíacos e os seus monólogos, enquanto ela dormia. E até hoje ela insiste em dizer que não fala enquanto dorme, apesar das gravações.... Bom, voltando a nossa história, foram mais de quatro meses tendo somente um ao outro, até que um novo vilão, vestido em pele de cordeiro, apareceu e começou um jogo de gato e rato, enquanto tentava seduzir a Pequena Judge. O vilão era tão falso, psicopata e manipulador quanto o Anti-herói, que não gostava nenhum pouco da aproximação do vilão com a Judge. Houve traições, sangue derramado e desespero, então a pequena bruxinha sacrificou-se mais uma vez, para que seu amigo voltasse para casa e para os braços daquela que tanto amava.
Ele não pode negar que ficou feliz em rever seu irmãozinho tolo, seus amigos e principalmente sua Amada, porém, faltava sua melhor amiga. Era difícil não tê-la ao seu lado, ouvir sua voz e seus resmungos e ainda mais saber, que ela estava sozinha naquele inferno.
Então veio outro choque, um vídeo no qual ela deixava clara a sua desistência. E ele a viu quebrar e perder a esperança de uma vez por todas. Pela primeira vez, ela procurou a morte desesperadamente, enquanto ele sentia uma aflição inexplicável o consumir pouco a pouco. Ele não queria perder sua melhor amiga.
Quando pensou que nada mais tinha solução, entrou na cozinha de sua casa e, simples detalhes chamaram sua atenção. Farinha de trigo, ovos, leite e... Ela. Sua bruxinha preferida havia encontrado o caminho de casa. Não pode evitar o sorriso que se espalhou por seu rosto, enquanto abria os braços e a via correr em sua direção, abraçando-o como se sua vida dependesse disso e ele correspondeu a altura. Era uma felicidade genuína que os embalava naquele momento. Algo que ele não sabia e nem gostaria de entender. O importante era vê-la viva, ouvir sua voz e seus batimentos cardíacos.
Quando pensavam que tudo estava bem, veio a queda final, o vilão em pele de cordeiro, mostrou sua verdadeira face e movido pelo ódio e vingança, trouxe somente destruição e desgraça por onde passou. Ele fez um terrível feitiço, se tornando o Kailévola da história, ligando as vidas das melhores amigas e fazendo com que o Anti-herói tivesse que fazer a decisão mais difícil de sua existência. Deveria escolher entre a vida de sua Amada e da Pequena Judge. Para uma viver, a outra deveria morrer.
E ele se viu perdido em uma difícil encruzilhada.
Sabia que a amada não o perdoaria se matasse sua melhor amiga, entretanto, ele teve a chance de deixar que a pequena bruxinha morresse; deveria apenas dizer que chegou tarde demais e não pode fazer mais nada por ela. Contudo, havia um porém, quando ele a viu machucada, a decepção e o medo naqueles olhos verdes, soube que jamais a deixaria morrer. Não foi uma decisão fácil, sabia que as consequências de suas escolhas seriam irreparáveis, mesmo assim, escolheu salvá-la e abrir mão de seu grande amor.
Depois disso ele mudou. Voltou a afundar-se na escuridão e a ser o cara mal, principalmente com a Pequena Judge. Machucou-a através de palavras, fazendo-a ficar com raiva, triste, decepcionada e mesmo que não fizesse em sua frente, tinha plena consciência, que ela chorava todos os dias por sua causa e pelo peso da carga por ser a culpada, mesmo que indiretamente, por sua melhor amiga está em um sono profundo. E quanto mais tentava afastá-la, para não cometer a burrice de destruí-la, acabava trazendo-a para mais perto ainda. Eram como imãs, atraídos por um magnetismo natural, que nenhum deles entendia.
A Pequena Judge era tão especial, que se tornou a melhor amiga do cavalheiro Ric, – que por ironia do destino, também era o melhor amigo do Anti-herói — um jovem viúvo, que havia perdido a noiva e os filhos e estava mergulhando em um abismo negro. Essa amizade fez o Anti-herói sentir ciúmes da Pequena Judge, afinal, não gostava de dividir nada e nem ninguém com outras pessoas. Sim, muito egoísmo da parte dele, porém, esse sempre foi o seu jeito de ser.
Mal sabia ele, que o pior ainda estava por vim.
Novos perigos e vilões trouxeram consigo rastros de destruição e morte por onde passavam. Buscavam poder através da soberania e vingança e estavam atrás da Pequena Judge, para assim concluírem seus planos ambiciosos. E com eles veio o terrível ogro Malcolm, que se viu fascinado pela jovem bruxinha de olhos verdes e desejou tê-la somente para si. Escondendo sua verdadeira identidade, ele a seduziu ao ponto de afastá-la daqueles que a amavam; entretanto, o Anti-herói, movido por sentimentos, que até então não compreendia e também pelo desejo de protegê-la e tirá-la das garras do terrível ogro, procurou a Pequena Judge em uma noite chuvosa, e no meio de brigas e discussões, beijaram-se pela primeira vez.
Eles tentaram ferozmente lutar contra aquilo que surgiu entre os dois a partir daquele beijo, contudo, não conseguiram ficar longe um do outro por muito tempo. Se beijavam e logo depois diziam que era apenas resultado da solidão, que sentiam.
Ela sentia culpa e o Anti-herói sabia que ela chorava todas as noites, culpando-se por “trair” a melhor amiga. Para tentar apagar a paixão, que crescia em seu coração, a Pequena Judge, voltou a aproximar-se do ogro Malcolm, sem suspeitar, da terrível vingança, que este tramava contra ela e o Anti-herói. Sem perceber, dia após dia, o ogro sugava um pouco da energia da bruxinha, tornando-a cada vez mais fraca e indefesa. Então, prendeu-a em uma masmorra, longe dos olhos do mundo. Seu novo objetivo era governar o universo e tê-la ao seu lado como a rainha dos ogros.
Quando a Pequena Judge sumiu, o Anti-herói, praticamente enlouqueceu. Ela era sua melhor amiga, aquela que o tinha salvo da morte várias vezes e não poderia decepcioná-la. Tinha que salvá-la. Ela merecia ter uma vida. Então parou para se perguntar, o porquê de querê-la viva, se ela morresse, teria sua Amada de volta. Não soube responder. Na verdade, naquele momento não gostaria de saber.
Depois de tanto procurá-la, finalmente a encontrou. Ela estava fraca, machucada tanto física quanto psicologicamente. Vê-la daquela forma fez surgir o monstro adormecido, que vivia dentro dele. Quando o ogro Malcolm apareceu, os dois lutaram ferozmente e o Anti-herói, mesmo muito ferido e com um horrível ferimento no pescoço, conseguiu derrubar o ogro e fazê-lo implorar por misericórdia, contudo, o Anti-herói, que não era tão bonzinho e nem nada, lançou uma... flecha, atingindo o coração do ogro, que fechou os olhos para sempre. Jamais voltaria a fazer mal para ninguém.
O Anti-herói não esperava, mas para sua surpresa, sentiu um corpo pequeno e quente de encontro ao seu. O coração dela batia rapidamente, a respiração e o choro eram audíveis e mesmo sabendo que ela não estava totalmente bem, ele se sentia feliz em tê-la viva em seus braços.
A Pequena Judge chegou como quem não quer nada, enxergando muito além do ar orgulhoso e mesquinho dele. Acreditou nele, mesmo quando ele havia desistido de tudo e todos. Sem perceber, ela se tornou sua melhor amiga e inexplicavelmente a dona de seu coração. E quando finalmente entendeu isso, não a deixou se afastar de novo. A cada passo que ela dava para longe, ele a seguia, lembrando-a, que não voltariam a se separar. Até que um dia, no escuro da noite, libertando-se do medo, a Pequena Judge, disse as três palavrinhas mágicas.
— Eu amo você.
E nove meses depois, contrariando todas as leis da natureza, nascia a mais bela princesa de todo o mundo. Uma pequena garotinha de pele chocolate, cabelos cacheados e lindos olhos azuis, capazes de iluminar todos ao seu redor.
— Fui eu num é papai? A 'pincesa' Mell. E 'vivelam' felizes 'pala' sempe'... – A pequena bocejou, enquanto fechava os olhos, entregando-se ao mundo dos sonhos.
Ela era tão pequena e exercia um grande poder sobre ele, exatamente como a mãe. Jamais se imaginou sendo pai, contudo, quando pegou o pequeno embrulho e olhou naqueles olhos azuis pela primeira vez, soube que mataria e morreria por ela. Sua filha com o verdadeiro amor de sua vida. Por horas a vigiava dormir, tentando ter certeza que era real e que ninguém a roubaria de si. Cobriu-a com o edredom e deixou apenas a luz do abajur acesa. Olhou para a porta, encontrando a outra metade de seu coração, mirando-o com amor.
Segurou a mão dela e fechou com cuidado a porta atrás deles. Apertou-a de encontro ao seu corpo e adentraram o quarto ao lado. Bonnie suspirou, descansando o rosto no peito dele, quando já estavam deitados na grande cama de casal..
— Até quando ela gostará de ouvir nossa história? — Sussurrou, observando-o com curiosidade.
— Espero que por muitas e muitas décadas. — Deu de ombros.
— Enquanto ela gostar apenas de contos de fadas não teremos com que nos preocupar. — Bonnie riu, ao ver a cara de desgosto de Damon.
— Mellody Bennett Salvatore será uma freira, querida. — Resmungou, deitando-se por cima da morena, que segurava o riso. Se Damon já tinha ciúmes pelo fato da filha adorar Stefan e Ric, não queria nem pensar quando ela arrumasse um namorado. — E só para garantir que nenhum babaca se aproximará dela, podemos fazer outro bebê. Eu não me importo de tentar quantas vezes forem necessárias.
Beijou o pescoço feminino, enquanto suas mãos acariciavam as curvas do corpo que tanto amava... Estava indo tudo conforme ele desejava, isso até escutar suaves batidas na porta, que se abriu logo em seguida. Respirou fundo, enquanto ligava o abajur, a tempo de ver sua pequena subindo na cama.
— Posso 'dumi' aqui? 'Tô com medo do 'ogo'. — Ela segurava Mr. Cuddles e já se deitava entre os dois.
— Claro que pode meu amorzinho. — Bonnie beijou a testa da filha, embrulhando-a. — E ninguém nunca te fará mal. Papai e mamãe jamais deixarão.
— Sua mãe tem razão. — Fitou os olhos sonolentos da filha, sentindo orgulho de si mesmo por ter sido capaz de contribuir para o nascimento de alguém tão especial. — Ninguém é maluco o suficiente para chegar perto da filha do Anti-herói, afinal, ele vira uma Fera para proteger sua princesa.
Abraçou as duas mulheres de sua vida. Ele sabe que não há um “felizes para sempre”, entretanto, ao lado delas, Damon compreendeu, que a felicidade se constrói com lágrimas de sangue e apesar do medo e de todos os percalços e provações, por elas e somente por elas, toda dor valia a pena.
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