Era uma vez um garoto.

Inocente demais para conhecer o mundo, se apaixonou.

E fora uma maravilha.

Provara do doce mais doce que poderia encontrar.

...

Mas não havia um “E viveram felizes para sempre” no fim.

Seu coração foi quebrado.

Seu sorriso desfeito.

Provara o amargo mais amargo que poderia encontrar.

...

E ele passou a vagar por suas memórias.

Tentando recolher os cacos do que restou daquele sentimento.

Sem saber que nunca poderia recolher todos.

Porque eles só acabariam quando ele se permitisse viver novamente.

...

Se cortara tantas vezes com aqueles fragmentos pontiagudos...

Que talvez não lembrava mais do que era não sentir dor.

Já tinha tantos cacos em sua mochila de emoções.

Que talvez não soubesse que já tinha sido o suficiente para rasgá-la.

...

De quando em quando, recebia ajuda.

E, cada uma delas, lhe fora muito importante.

Nunca chegaria sozinho até onde estava ontem.

Mas mesmo assim, ainda não era o suficiente.

...

Se machucar com o amor é tão injusto.

Se machucar com o amor é tão repugnante.

Se machucar com o amor é tão horrível.

Se machucar com o amor é tão doloroso.

...

Porque receber amor é reconfortante.

Porque receber amor é necessário.

Porque receber amor é maravilhoso.

Porque receber amor é sublime.

...

Mas espere.

...

De repente, uma nova ajuda, de um velho nome.

De repente, uma grande expectativa, de um olhar acolhedor.

De repente, um belo sorriso, de lábios sedutores.

De repente, um envolvente beijo, de um novo recomeço.

...

Ele ainda não sabia, mas estava em dois lugares ao mesmo tempo.

Enquanto vagava pelo vazio que o seu coração se tornara.

Também estava na mente de outra pessoa, até então desconhecida.

Na mente dela, também se cansava de ficar preso.

...

Ele ainda não sabia, mas já conhecia esse alguém que o salvaria.

Será porque ele era o contrário do estereótipo de Príncipe Encantado?

Tinha piercing, tatuagem, fumava e bebia.

Mas ainda assim, como poderia ser tão perfeito?

...

Ele ainda não sabia, mas, com essa pessoa, começaria uma nova página.

Uma nova página, quase extinguindo toda aquela dor.

Uma nova página, quase esquecendo aquele rosto.

Uma nova página, quase deixando aquele amor.

...

Ah, como seria bom se fosse fácil.

Se não fossem pelas peças que nossa mente nos prega.

Pelas ilusões feitas pelos nossos olhos.

Pela resistência que nosso coração insiste em fazer.

...

Mas hoje, aquele garoto do coração quebrado se sente diferente.

Houve um sonho que fora protagonizado por ele e esse alguém.

Um sonho que fez com que algo dentro dele mudasse.

E, com um beijo, essa evolução fora selada.

...

Não deveria existir nada sério no começo.

Não deveria existir sentimento.

Não deveria existir compromisso.

Não deveria existir um “nós”.

...

Prometera a si mesmo que não se machucaria dessa vez.

...

Estava pronto para as feridas que viriam.

Mas blindara seu coração.

Estaria seguro dessa vez.

O protegeria de si mesmo.

...

Mas havia um porém.

...

Onde estavam aquelas espadas?

O que aquelas flores faziam na porta do seu coração?

Declarações numa madrugada qualquer...

Afinal, onde estava a dor?

...

Quando não estava preparado para ser abandonado...

Fora exatamente o que aconteceu.

Dessa vez, que queria prever o futuro...

Mais uma surpresa, mas dessa vez boa.

...

Em seus sonhos, não haveria mais dor.

Em seus olhos, o brilho da expectativa.

Em seus lábios, um sorriso.

Em seu coração, esperança.

...

E, ao acordar, o desejo de um “Felizes para Sempre”.

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