Era uma Vez
1 Capítulo 1
Notas iniciais
[pretendo escrever uma Faberry ainda, por isso marquei a fic como contendo as duas :)]
Era uma vez, em um reino muito distante uma garota, loira, de olhos azuis como o céu.
Anos atrás, ela se lembrava de ser muito feliz, mas nada impedia dela sorrir ainda hoje, depois de tudo que passara. Ela tinha esperança de tempos melhores.
Anos antes, desde quando ela consegue se lembrar era apenas ela e seu pai. Alguns anos de luto se passaram, até que ele encontrou uma nova esposa a qual, também viúva, tinha duas filhas. O pai da garoa ficou feliz por ela finalmente ter uma mãe e até irmãs, gêmeas, um pouco mais velhas que ela. Mas então ele adoeceu, e ela ficou abandonada por sua família após a morte de seu pai, pois sua madrasta não a deixava pegar o dinheiro que ela antes dividia com o pai e a colocou como a empregada da casa.
Anos se passaram, e a garota continuou com a certeza de que dias melhores viriam.
Agora com 16 anos, uma jovem mulher, Brittany S. Pierce tinha como companheiro fiel, seu gato gordo, Lord Tubbington.
-“Mamãe! Mamãe” ela ouviu da cozinha uma de suas irmãs correndo sala adentro com a outra irmã em seu encalço. “MAMÃE!” Brittany fechou os olhos e riu balançando negativamente a cabeça, pois sabia o que aconteceria.
-“Não sou surda! O quê houve?” sua má-drasta disse, saindo de sua sala de música, provavelmente. Ela ouviu a porta se fechar e não ouviu mais nada da conversa, além de alguns gritinhos abafados.
-“Talvez ela esteja matando as duas... ou as torturando.” Ela comentou baixinho com seu gato que estava deitado no canto da cozinha. Ela pegou um punhado de milho e foi para o lado de fora, cantarolando e jogando o alimento para as galinhas, depois pegou uma vassoura para limpar o pátio. Parou por alguns segundos para desfrutar da visão.
De lá ela conseguia ver o reino todo e o castelo, suspirou.
-“Sabem... Não é que eu queria ser rica, morar no castelo, ter um marido poderoso...ter uma marido se quer...” ela encarou os animais que a observavam. “Eu só quero ser livre...” ela chegou perto de um grupo de passarinhos e passou o dedo indicador pela cabeça de um deles que piou em resposta. “Que nem vocês pequeninos.” Ela se apoiou na vassoura, e suspirou quando ouviu os berros de dentro da casa.
-“Brittany! BRITTANY!”
-“Estou indo” disse sem animação, deixando a vassoura do lado de fora. Ela andou rápido até a sala de música. “Sim, chamou?”
-“Algumas vezes” sua meia irmã rolou os olhos e bufou. Ela a ignorou.
-“Temos uma festa para ir.” Sua madrasta disse em tom superior, a garota apenas levantou uma sobrancelha esperando mais informações. Sua outra meia irmã continuou.
-“Todas as mulheres estão convidadas para irem ao baile de amanhã, conhecer o príncipe.” Ela sorriu, de repente poderia ir, se distrair. Ser livre por uma noite.
-“Pare de sorrir e nos traga os vestidos guardados!” sua madrasta mandou. Ela permaneceu sonhando acordada, com um leve sorriso em seu rosto. “AGORA!” ela se assustou e correu ao lugar que elas guardavam tais roupas para grandes bailes, pegou um baú pesado e o carregou até a sala onde elas estavam. “Ótimo, ótimo... Meninas vejam a roupa para vocês e o quê precisa ser consertado e entreguem para Brittany.”
A loira esticou os braços para pegar o primeiro tecido que jogaram para ela, apesar disso continuou pensando em como seria bom dançar e ser livre, nem que fosse por uma noite.
-“O que ela tem?” uma das gêmeas perguntou cutucando a outra.
-“Brittany?” a voz de sua madrasta quebrou sua linha de pensamentos e ela voltou à realidade com um suspiro. “O quê houve?”
-“Estava pensando...” as três se entreolharam “No que eu irei vestir.” As três se olharam novamente e as gêmeas caíram na gargalhada. “O quê?”
-“Brittany...” sua madrasta começou e entortou o nariz “Querida... Você não irá.”
-“Você não pode ir... Você é a empregada!” suas meias irmãs disseram maldosas, mas ela levantou o queixo.
-“Você mesmo disse. Todas as mulheres. Eu sou mulher... Eu irei.” As gêmeas começaram a protestar, mas a madrasta levantou uma mão que as calou. Elas encararam Brittany como se fossem cobras venenosas.
-“Muita calma minhas filhas.” Um pequeno silencio surgiu “Você poderá ir...” elas começaram a protestar ao mesmo tempo em que Brittany abriu um sorriso. “Se conseguir uma roupa apropriada.”
-“Muito obrigada.” Brittany começou, mas foi cortada.
-“E depois de limpar o salão, creio que minhas filhas passaram por alguma poça de lama e não limparam os pés.” Ela disse com um pequeno sorriso no final. “E além, claro, de arrumar os nossos vestidos.”
Brittany deixou o sorriso lhe escapar do rosto e seus ombros caírem um pouco, mas a esperança ainda estava lá. Ela correu para a salinha ao lado de seu quarto e se pôs a consertar o que era necessário. Começou a fazer seu próprio vestido, mas o dia já estava quase acabando e resolveu cuidar das outras tarefas da casa, antes que reclamassem.
A noite chegou e ela estava acabando a metade do salão, que estava completamente sujo. Como se suas meias irmãs tivessem largado um chiqueiro inteiro lá dentro.
Já era bem tarde quando ela terminou, subiu para seus aposentos, se limpou e foi para sua cama. F oi acordada algumas horas depois com berros das gêmeas e de sua madrasta querendo o café na cama, e correu para a cozinha para preparar isso.
-” Porque elas não tem pernas nem braços para fazer isso.” Ela disse em tom explicativo a seu gato, rindo.
Após retirar a louça do café da manhã dos três quartos, lavá-las, arrumar mais um pouco da casa, entregar e ajudar a colocar os vestidos, faltavam pouquíssimas horas para o baile, as gêmeas estavam rindo baixo quando sua madrasta a informou disso. Ela suspirou e ergueu os olhos.
-“Eu darei um jeito.” E foi para seu quarto tentar terminar o seu vestido, talvez desse tempo, mas logo que ela entrou na salinha, descobriu que muito provavelmente suas meias irmãs haviam passado por lá, pois seu vestido estava em retalhos. Algumas lágrimas vazaram por seus olhos, mas ela não se deixou abater, pelo menos seria uma noite sem as três por perto.
-“Lord Tubbs... Somos apenas nós hoje à noite...” Brittany disse entrando na cozinha a tempo de ver o gato fugindo pela porta entre aberta, ela correu para o lado de fora. “Tubbs! Volte aqui!” ele miou encarando o nada. Brittany fixou o olhar no mesmo lugar que ele e viu o luar e alguns pontos brilhantes dançantes no ar.
-“Meu Deus!” ela exclamou assim que uma mulher mais velha, mais gorda e de vestes roxo claro e um chapéu pontudo combinando, apareceu no luar. “Quem é você?”
-“Ah, olá!” a mulher disse se virando de frente para ela, suas bochechas eram grandes e seus olhos bondosos “Sou tua...” ela parecia procurar alguma coisa “Tua... Ah,lembrei...” sua voz era doce, ela colocou a mão no ar como se fosse agarrar algo, fechou seu dedo indicador com o dedão e puxou para baixo: uma varinha apareceu entre seus dedos. “Sou tua Fada-Madrinha.”
-“Eu tenho uma Fada Madrinha?” a loira disse incrédula, pegando seu gato no colo.
-“Sim... E vim realizar o que tu quiseres... Eu a vi olhando para o castelo noutro dia...”
-“Mas tu sabes que eu não desejo o castelo, não é?” Brittany a cortou rápido, a fada madrinha riu.
-“Sim... Tu desejas ser livre, mas liberdade tu conquistas... Então irei ajudar-te.”
-“Como?”
-“Simples... Levando-te ao baile! Com um pouco de mágica... Assim” ela apontou, cantarolando, para uma abóbora que brilhou e começou a quicar se aproximando das duas, ela foi não só aumentando de tamanho como perdendo a cor. Isso foi o suficiente para assustar o gato, que pulou do colo da loira e se escondeu. Parando ao seu lado muito maior que antes, a abóbora tinha um interior de tecido avermelhado e a parte de fora branca com adornos e rodas. “E assim” ela apontou para alguns ratinhos que espiavam por entre o mato, e eles cresceram para virarem cavalos. Os olhos de Brittany,assim como sua boca, abriram em choque.
-“Mas isso... Isso” a garota não conseguia falar apontando para os novos cavalos.
-“Sim, é possível.”ela apontou para o gato.
-“O quê vais fazer com ele?” Brittany correu para perto dele.
-“Ele sempre esteve contigo, sempre a ajudou... Hoje, ele irá mostrar-te o caminho.” A Fada aproveitou que ele havia se espreguiçado e entrado em seu campo de mira, logo ele se transformou num pequeno homem rechonchudo. Brittany o olhou espantada, ele tentou falar, mas não saiu nada além de um miado. “Não se pode ter tudo” a gorducha deu de ombros rindo. “Vejamos... Carruagem, valete, cavalos... Falta apenas tu.” Ela andou até a garota e começou a medí-la com sua varinha. “Tu és maior que eu pensava” ela murmurou por baixo de sua respiração. “Certo... E um, e dois e...” ela movimentou sua varinha em espiral ao lado de Brittany, que logo viu sua roupa comum,se transformar em um lindo vestido longo e branco de baile.
-“É lindo!” ela se admirou e sua Fada também, quando o Lord Tubbs movimentou seu braço para lembrar que ela deveria estar se movendo.
-“Ah certo... Certo!... Querida... Vá agora e volte antes da meia noite.”
-“Meia noite?” Brittany perguntou enquanto era empurrada por seu antigo gato, agora homem, para dentro da antes abobora,agora carruagem.
-“Sim... Tempo suficiente para tua vida mudar.” A Fada Madrinha disse enigmática, enquanto desaparecia. “Divirta-te criança!”
Brittany já estava se sentindo livre durante o caminho do castelo, chegando lá se sentiu levemente nervosa, mas animada, pois haveria música. E ela poderia dançar.
Já deveria estar atrasada, já que a entrada estava vazia, com apenas alguns soldados da guarda pessoal do Rei. Ela pôde ouvir a música ecoando pelas grandes e altas paredes do castelo, seu coração começou a bater mais forte a cada passo. Passando pela varanda de trás do castelo, ela começou a ver as luzes do salão, algumas pessoas também, pelas grandes janelas. E até o motivo de tudo isso: o príncipe. Ela parou em uma janela para apreciar a vista de dentro.
Deveria ter metade do reino lá dentro, todas as garotas com certeza, cumprimentando o príncipe, e Brittany pode dizer o por que: além dele ter o título da Realeza , ele era muito bonito. Cabelos escuros, pele levemente morena e um grande sorriso. Talvez pudessem ser amigos, mas ela não iria abrir mão da liberdade que tanto queria e estava conseguindo.
Continuou ouvindo a orquestra tocando uma música calma, apenas para entreter a todos enquanto o príncipe era apresentado a todas as garotas disponíveis. Conseguiu distinguir sua madrasta no meio da multidão e as gêmeas na fila de cumprimentos, uma empurrando a outra. A loira suspirou.
-“Eu sei... Até acontecer algo legal demora.” A voz a assustou, ela vinha detrás dela. Virou- se com o coração batendo rápido de novo. A voz pertencia a uma garota, mais ou menos de sua idade, ela usava um vestido vermelho e muito bonito.
-“É... Eu não poderia saber.” Brittany deu de ombros, a outra arregalou de leve os olhos.
-“Nunca fostes a um baile?” Brittany fez que não com a cabeça, a garota deixou escapar um sorriso no canto dos lábios. “Eles são sempre a mesma coisa.” Brittany poderia ter adivinhado isso em poucos segundos, ela parecia pertencer a alguma família de grande status, pelo seu vestido, sua postura e sua falta de paciência com bailes.
-“Deves ter ido a vários...” Brittany se afastou da janela, para a luz de dentro poder iluminar o rosto ainda nas sombras da outra. Ela viu um par de olhos grandes e boca bem moldada, perdeu uma respiração ao fazer isso. Ela era muito,muito bonita.
-“Alguns... O suficiente para saber a hora de ficar longe e a hora de entrar.” Ela completou com um sorriso. Elas se olharam por um instante “Vieste conhecer o príncipe?” algo em seu tom de voz chamou a atenção de Brittany, ela parecia meio irônica ou algo parecido.
-“Não... Vim aproveitar uma noite de liberdade... E dançar.” Ela abriu um sorriso com a última palavra. Sua companhia também sorriu.
-“Então tu gostas de dançar...” Brittany fez que sim com a cabeça e olhou rapidamente para dentro do salão, a fila estava acabando, isso a animou, pois a música deveria começar em breve. “Eu gosto de dançar também...” ela abaixou o tom de sua voz “Por isso não gosto de bailes.” Brittany olhou rápido para ela, confusa.
-“Mas eu pensei que bailes fossem para dançar...”
-“Deveriam ser, mas os bailes do príncipe sempre ficam cheios demais... Por isso, tenho esse segredo.” Ela fez sinal para que ela se aproximasse, ela o fez e sentiu um perfume hipnotizante. “Eu fico do lado de fora, e danço sozinha.” Ela deu de ombros, Brittany pensou por alguns instantes e ouviu a orquestra tocar uma música mais dedicada à dança.
-“Pois hoje, não dançarás sozinha.” Ela sorriu e ofereceu a mão para a outra.
-“Mas eu não posso dançar com estranhos...” a morena disse teatralmente. Elas seguravam o riso de maneira falha.
-“Perdoe-me... Sou Brittany S. Pierce.” Ela fez uma pequena reverência. Agora a outra aceitou sua mão e ao o mesmo tempo, disse sorrindo.
-“Santana.”
-“Pronto... Não somos mais estranhas.” Brittany disse segurando a mão direita de Santana em sua mão esquerda, e repousando delicadamente, porém firme, sua mão direita em suas costas. As mãos de Santana estavam cobertas por longas luvas de mesma cor do vestido, e o toque de sua mão esquerda em seu ombro direito, foi confortável. Elas começaram a dançar e a conversar sobre bailes.
-“Brittany... Diga-me... Onde aprendeste a dançar tão bem?” os olhos de Brittany perderam o foco por um segundo, mas logo voltaram a brilhar.
-“Meu pai... Ele me ensinou quando eu era pequena... E após sua morte, minha madrasta me fez ensinar às suas filhas. Por isso, eu acho, que aperfeiçoei.” Ela termina com um riso baixo.
-“Elas são muito difíceis?” Brittany deu de ombros.
-“Eu preferia quando éramos apenas eu e meu pai, antes dele morrer e antes dele se casar com ela.” Ela apontou o salão com a cabeça. “Mas eu sei que ele fez isso pensando no meu melhor.” Brittany notou Santana a olhar, mas assim que olhou em seus olhos, ela desviou. “E tu... Tens irmãos?” a resposta que obteve foi um riso.
-“Sim, mas não quero falar sobre ele...”
-“Um irmão então.” Brittany tentou insistir no assunto.
-“Gêmeo, mas é só isso que saberás dele por hora.” Brittany sorriu.
-“Eu atraio gêmeos.” Comentou sem perceber.
-“Tuas meias irmãs... E eu.” Brittany concordou. Elas dançaram, conversando mais sobre a vida de Brittany do que a de Santana, claro que a loira queria saber mais sobre a garota que estava escondida, dançando com ela. Mas gostava do fato de alguém se interessar por sua vida, idéias e pensamentos. Ela estava gostando de dançar com a outra garota, às vezes ficavam em um silêncio confortável, nada de estranho que force alguém a falar sobre algum assunto frívolo.
Foi quando ela viu o relógio, faltavam 10 minutos para as doze badaladas, sua boca abriu e ela ficou confusa.
-“O quê aconteceu?” Santana perguntou preocupada.
-“Eu... Eu preciso ir!” ela disse soltando as mãos e dando um passo para trás.
-“Mas ainda é cedo!”
-“Eu tenho que ir... Desculpe-me.” Ela disse se afastando rápido, e completou por cima do ombro “Foi um prazer,Santana.” A morena deu alguns passos para correr atrás dela, mas alguém a chamou.
-“ Senhorita Santana?” Ela parou e suspirou.
-“Sim?” a voz masculina tornou a falar, ela se virou para encarar um dos guardas.
-“Vossa Majestade lhe chama.” Ela segurou e ergueu um pouco vestido para conseguir andar mais agilmente.
-“O quê meu pai iria querer?” disse resmungando. O guarda esperou que ela passasse por ele e a seguiu.
*
-“O baile foi maravilhoso... Vocês foram maravilhosas” Brittany estava do lado de fora da cozinha, quando ouviu as vozes vindas do interior da casa. Provavelmente uma artimanha das três para tortura-lá por não ter ido, já que elas não a viram.
-“Ele poderá casar com nós duas, mamãe?” Brittany estava dentro da cozinha,já com suas roupas de trabalho,como se nunca tivesse saído de lá.
-“Não, ele deverá escolher uma de vocês duas.” Começou uma discussão entre as gêmeas. “Parem vocês duas... Já para a cama.”
-“Sim, mamãe. Boa noite mamãe.” Brittany ouviu passos até a cozinha.
-“Não foi dormir?” sua madrasta disse, ela nem se incomodou em se virar.
-“Não consegui... Mas logo irei para a cama.”
-“O baile foi maravilhoso!” sua madrasta disse estranhamente animada. Brittany concordou, mas não disse nada. “Irei para a cama, não se incomode em nos acordar cedo.”
-“Sim senhora.” Brittany não se moveu até ouvir a porta do quarto da madrasta fechar, voltou para o lado de fora, com seu gato a seguindo. Do pátio ela conseguia ver o castelo ainda iluminado.
-“Ah Fada Madrinha...” ela suspirou. Não sabia o quê havia mudado em sua vida, mas a sensação de liberdade havia sido ótima e poder dançar com alguém que não fossem as gêmeas a deixara mais leve. Lord Tubbington passou entre suas pernas, ela abaixou o pegando no colo e sentou- se em uma cadeira, observando o reino ir dormir aos poucos.
*
-“Preciso que faças algo para mim.” Santana disse firme ao irmão.
-“O quê é dessa vez irmãzinha?” ela revirou os olhos.
-“Noah... Preciso que tu procures uma garota para mim.” Ele levantou a sobrancelha e cruzou os braços.
-“Tens certeza disso?”
-“Sim.” Ela mudou o peso de uma perna para a outra, os dois já estavam de pijamas para irem dormir, mas Santana cruzou o corredor e bateu de leve na porta do irmão. Os dois se davam bem apesar das implicâncias, compartilhavam alguns interesses como dança, música, bebida e mulheres.
Santana havia contado para ele alguns anos antes como se sentia, e ele apenas deu de ombros. Dizendo que ele sempre quisera um irmão gêmeo e não irmã, apesar de que seria complicado por conta da coroa. Ele riu baixo e ela o socou de leve no ombro, desde então Noah a encobria seus encontros às escondidas.
-“Mas não é tu quem precisas de uma esposa, sou eu” Ele disse sentando na cama, ela caminhou até ele.
-“Eu sei que tudo é sobre ti, mas sabe quando você olha nos olhos de outra pessoa e...” ela o olhou e desviou o olhar, relembrando dos olhos azuis de Brittany “E apenas... Você tem a vontade de continuar ao lado dela, saber tudo sobre ela... Querer fazê-la sorrir e ficar esperando que ela sinta o mesmo por você?” ele apenas a encarou em silencio, piscando. “Quando uma pessoa olha para ti, e realmente enxerga tua... Alma” ela terminou num sussurro,com as mãos dadas e grudadas em sua barriga, e o encarou, esperando uma resposta.
-“Isso é um daqueles papos de garotinhas sobre amor à primeira vista?” ele finalmente disse incrédulo. Santana bufou e bateu em sua perna.
-“Oww cuidado com o príncipe.” Ele disse rindo, ela se virou e andou pelo quarto.
-“Idiota. Não é papo de garotinha... Foi só que foi tão diferente.” Ele a encarou e suspirou profundamente.
-“Então okay... Digamos que consiga achar essa garota, falo para o pai que irei me encontrar com ela e vocês se encontram enquanto eu dou em cima de outra garota... E aí?”
-“E aí o quê?” Eles se encararam.
-“E então... O quê vai fazer com ela?” Santana ficou levemente vermelha e abriu a boca algumas vezes, não sabia o que responder nem o que seu irmão perguntava realmente. “Vai casar com ela? Falar para o Rei que sua filha, única filha esta apaixonada por uma mulher?” ele passou a mão pelo rosto. “Tu sabes que eu te apoio, achei que... Não sei... Que nunca fosse acontecer isso contigo.”
-“Isso o quê? Apaixonar-me por uma garota?” Ela falou baixo, porém firme. Ele apontou para ela. “Nem eu... Mas aconteceu e não sei o que farei... Só sei que quero vê-la de novo.”
-“E tu achas que é recíproco?” ele se levantou e foi até ela, que encarava o tapete. “Tu achas que poderá ser bom, tua felicidade esta nisso?” ele a segurou delicadamente pelos ombros. Ela mordeu o lábio inferior e o encarou.
-“Por isso eu preciso vê-la de novo.” Sua voz saiu fraca, eles se olharam e Noah suspirou.
-“Okay... Diga-me quem é e mandarei procurá-la.” Santana sorriu e o abraçou.
-“Obrigada irmãozinho... O nome dela é Brittany S. Pierce.”
-“Me deve mais essa...” ela rolou os olhos, mas ainda estava sorrindo.
-“Bons sonhos.”
-“Saia logo daqui!” ele disse rindo a empurrando para fora do quarto e fechando a grande porta atrás dela.
*
-“BRITTANY!” a loira acordou assustada e dolorida, havia dormido sentada à mesa da cozinha, limpou o rosto com a mão e arrumou o cabelo. “BRITTANY!” ela ouviu novamente sua madrasta gritando.
-“Sim?” ela respondeu saindo da cozinha.
-“Não ouviste a porta? Abra!” Ela viu sua madrasta andando já com as roupas do dia. “E depois traga meu café.” Brittany andou desorientada até a porta, ao abri-la um homem vestido com roupas muito elegantes, segurava um pergaminho enrolado em sua mão, atrás dele um guarda, que ela reconheceu sendo do castelo por causa de suas vestes, e ao seu lado um homem com uma corneta, que tocou algumas notas assim que ele a viu.
-“Pois não?” O homem com o pergaminho limpou a garganta, e Brittany ouviu as gêmeas correndo escada abaixo.
-“Vim em nome de Vossa Majestade, o Príncipe Noah.” Sua madrasta fez um som de surpresa, sentada em um sofá da sala. Ele abriu o rolinho e começou a ler as palavras. “Senhorita Brittany S. Pierce, venho por meio desta singela carta pedir-te que me encontre novamente.” Brittany prestou atenção em cada palavra sem entender nada, ela nunca havia conhecido o príncipe, o homem continuou. “Peço que te arrumes e venha tão logo tenha terminado, talvez assim possamos dançar novamente. Sinceramente, Príncipe Noah” Brittany encarou os três homens sem entender.
-“Brittany? E o Príncipe?” uma das gêmeas disse rindo e sendo acompanhada pela outra, o homem as encarou e elas riram mais baixo.
-“Perdão...” a loira começou a dizer.
-“Pensei que não tivesse ido.” Sua madrasta começou irritada. “Pensei que não tivesse conhecido o príncipe.” E não conheci. Ela pensou.
-“Perdoe-me, mas esta carta esta correta?” o homem fez que sim e estendeu o pergaminho a ela que leu e releu a carta. “Mas se eu for... Como saberei aonde tenho que ir?”
-“Vossa Majestade pediu que esperássemos por ti.” Ela balançou a cabeça rapidamente.
-“Não demorarei” e apesar dos protestos de sua madrasta e meias irmãs, ela correu ao seu quarto para se limpar e trocar de roupa. Ainda sem entender. “Mas... Eu nunca conheci o Príncipe... Dançar novamente... Não pode ser.” Ela conversou sozinha, enquanto fechava seu vestido azul, simples, porém muito bonito com mangas curtas e um pequeno decote, que ela mesma fizera.
-“Tu não podes ir!” Sua madrasta disse, quando elas se encontraram nas escadas. Brittany respirou fundo.
-“Mesmo?”
-“Absolutamente não!” ela disse segurando seu braço com força, Brittany o puxou de volta com mais força.
-“Não apostaria nisso.” E desceu rapidamente os degraus que restavam, abrindo a porta e se encontrando novamente com os três homens bem vestidos, eles sorriram ao vê-la. “Estou pronta.” Eles acenaram com a cabeça e a conduziram até a carruagem, os três ficando do lado de fora dela e apenas ela entrando. A carruagem era muito bem adornada, estofada com um tecido azul, e cortinas de mesmo tom, cerradas.
Brittany tentou não pensar no preço que pagaria por ter saído assim da casa, só esperava que sua madrasta não encontrasse seu gato.
Após um longo caminho, ela resolveu abrir a cortina um pouco para ver onde estava indo. Estava numa parte mais afastada da cidade, tanto de sua casa quanto do castelo, pois o enxergava mais ao longe. Os cavalos diminuíram a velocidade e seu coração acelerou. Ela ouviu uma breve conversa do lado de fora, e então a porta se abriu.
-“O quê?” Brittany murmurou quando uma pessoa vestindo uma capa preta entrou e fechou a porta rapidamente.
-“Desculpe-me.” Santana disse, retirando o grande capuz e abrindo o único botão da capa,revelando um vestido muito bem trabalhado de tecido rosa.
-“O quê... Terias como me explicar?” Brittany disse com a testa enrugada. A carruagem começou a andar novamente.
-“Vamos começar do zero. Sou Santana, filha do Rei, irmã gêmea do príncipe Noah.” Ela disse enquanto beliscava o tecido de seu vestido, estava nervosa. Brittany permaneceu em silencio. Ficaram assim por um tempo.
-“Tu és uma princesa.” Santana fez que sim com a cabeça. “Irmã gêmea do príncipe.” Mais uma vez ela fez que sim. “E porque pediste para teu irmão mandarem me buscar? Se nós não iremos encontrá-lo?” sua cabeça se inclinou levemente para um lado, Santana sorriu sem graça.
-“Não acho que seja de bom tom, atualmente, que uma garota chame outra para um...” sua voz falhou e ela não conseguiu terminar de falar, encarou o chão entre as duas. Brittany notou que ela não iria dizer mais nada e se moveu um pouco em seu lugar, em frente a ela.
-“Encontro?” a loira disse baixo, quando a carruagem parou.
-“Chegamos senhorita.” Elas ouviram a voz abafada.
-“É um problema?” Santana finalmente falou, enquanto mordia a parte interna da bochecha.A outra suspirou pensando.
-“Ainda não sei.” Resolveu responder com um sorriso e abriu a porta, logo o homem bem arrumado estava com a mão esticada para ajudá-la a descer.
Seus pés tocaram o chão e ela olhou em volta. Estavam em um grande espaço,longe das casas do reino, flores floresciam por todos os lados e dançavam com a brisa. Ela avistou uma árvore com algumas coisas perto de seu tronco.
-“Vamos?” Santana disse tocando-lhe o ombro e andando a sua frente até a tal árvore. Brittany continuou observando tudo, era uma colina e a vista era muito bonita. Sentiu-se livre e sorriu, levantando o rosto deixando com que a brisa e o sol lhe tocassem a pele e cabelos.
A carruagem desceu a pequena colina e ficou próxima de uma pequena construção por lá. Estavam sozinhas, e foi só então que Brittany ficou nervosa. Santana sentou-se em uma toalha estendida ao lado do tronco e fez sinal para que a outra também sentasse.
-“É lindo aqui, não?” a morena comentou olhando o horizonte.
-“Não tenho palavras.” Santana sorriu e abriu uma cesta que estava atrás dela.
-“Com fome?” Foi nesse momento que a loira sentiu seu estomago vazio, fez que sim com a cabeça e recebeu um pedaço de pão que a outra havia partido com as mãos. Ao pegar o seu pedaço, seus dedos se tocaram com os dela, elas se olharam.
-“Obrigada” ela disse por fim, arrancando um pedaço menor do pão e o colocando na boca. “Porque tu não me contaste ontem... Que é filha do rei?” A pergunta escapuliu da boca de Brittany, Santana suspirou profundamente e engoliu o pedaço que comia.
-“Já tive muitas pessoas interesseiras em minha vida.” Brittany a encarou.
-“E se eu estivesse mentindo sobre não saber quem era?”
-“Tu não dirias isso... E, não sei, algo..” os olhos castanhos de Santana se encontraram com os azuis de Brittany “ Em teu olhar...”. A loira mastigou devagar o pedaço de pão que havia colocado na boca. Santana desviou o olhar para o horizonte, balançando a cabeça. “Desculpa... Isso pode ter sido uma besteira.” Brittany esticou a mão e tocou seu braço.
-“Há algo também em teu olhar” a voz de Brittany saiu rouca, ela limpou a garganta, Santana olhou para a mão dela. “Eu não consegui parar de pensar... No que havia nele.”
-“Você acredita...” Santana começou, mas não conseguiu continuar. Brittany notou, sorriu de leve.
-“Eu acredito em muitas coisas... Afinal, uma Fada Madrinha apareceu na noite do baile e me ajudou...” ela disse, Santana piscou para ela. “Por isso tive que sair antes da meia noite... Trato é trato.” A loira disse divertida.
-“Acreditas em destino?” Santana animou-se com a probabilidade dela acreditar nas mesmas coisas que ela, a brisa soprava leve e agradável.
-“Como não acreditar?” Brittany replicou, com um sorriso brincalhão. Santana sorriu mais.
-“Sonhos podem se tornar realidade?” Brittany fez que sim com a cabeça.
-“Meu sonho era a liberdade, e em dois dias tenho essa sensação.” Ela disse sorrindo, mas Santana ficou confusa
-“Liberdade?”
-“É... Minha madrasta me trata como escrava, e suas filhas também. Eu só queria continuar a vida que eu tinha com meu pai, calma e sem grandes preocupações.” Elas ficaram alguns instantes olhando a brisa brincar com a grama, flores e folhas da árvore acima delas. Santana puxou seu braço devagar, de modo que a mão da outra deslizasse por ele até tocar a parte de trás de sua própria mão, como se fosse algo corriqueiro, os dedos se entrelaçaram e as palmas se tocaram. Elas sorriram.
-“Eu me sinto livre... Aqui, agora... Contigo.” Santana disse olhando fixamente para as mãos, sentindo o olhar de Brittany nela. “Eu... Eu temia que não me sentisse assim, ou pior..” ela levantou o olhar e encarou Brittany “Que tu não se sentisse assim.”
-“Mas...” a loira começou e parou e seu sorriso desapareceu, Santana deu um leve aperto em sua mão para que ela não parasse. “Nós não podemos...”
-“Claro que” Santana começou e foi cortada.
-“Tu sabes, não tão lá no fundo, que nós não podemos.” Elas ficaram novamente em silencio, de mãos dadas. Santana desviou o olhar na direção onde elas sabiam que estava a carruagem. Brittany a observou enquanto ela se aproximava.
-“Eu não me importo.” Ela disse sentando o mais próximo possível.
-“Tu te importas e sabes disso.” Brittany disse com a voz um pouco abaixo do volume da brisa.
-“Não me diga o que eu sei ou não.” A morena disse aproximando devagar seu rosto do dela, suas testas se encostaram e elas fecharam os olhos na mesma hora.
-“Sabes que isto significa...” a loira disse e a outra ficou em silêncio. “Tu poderias perder tudo.” Os dois narizes se tocaram.
-“Não me importo.” Brittany ia se opor, mas Santana continuou. “Eu te ganharia.” Ela encerrou com seus lábios tocando os finos lábios da outra garota. Permaneceram paradas, sentindo e saboreando as ondas de energia e arrepios que percorriam seus lábios e corpos, as mãos livres logo se moveram. Brittany segurando a cintura de Santana, e a de Santana segurando o lado do pescoço de Brittany. A verdade é que nenhuma delas sabia o que estavam fazendo, era o primeiro beijo delas. As duas estavam gostando e as duas queriam mais, Brittany separou um pouco seus lábios e Santana aproveitou para capturar seu lábio inferior entre os seus próprios. Um som de aprovação escapou das duas garotas.
A viagem de volta foi quieta. As duas garotas se encaravam, uma do lado da outra, seus mindinhos entrelaçados pelo medo da volta ao mundo real.
-“Eu vou dar um jeito...” Santana começou, mas parou depois de perceber que Brittany queria falar algo.
-“Eu... Não quero ser culpada por abandonares tudo” ela começou sem jeito “Entenda... Eu quero que tu tenhas certeza do que quer...”
-“Eu tenho” Santana protestou, Brittany sorriu.
-“É fácil falarem que eu estou interessada em dinheiro... Se souberem disso.”
-“Eu sei que não esta...”
-“Santana... Eu apenas me importo em saber se tu estas certa... Antes de dar um jeito, eu proponho algo.” Santana a olhou curiosamente.
-“Não há outro jeito?” Brittany fez que não com a cabeça, ela suspirou “Continue.”
-“Alguns encontros.”
-“Três.”
-“15”
-“7”
-“10”
-“Dez contando com este, então mais nove.” Brittany abriu a boca para protestar “Chegamos. E serão nove encontros.”
-“Não há outro jeito?” Brittany a imitou e Santana sorriu, negando. “Então, até mais” as duas sorriram.
-“Nos veremos em breve.”
Dito isso Brittany saiu da carruagem, em frente ao portão de sua casa. Santana a espiou pela janela da carruagem enquanto a garota entrava no terreno.
-“Ai meu Deus...” Ela disse encostando a cabeça na parede do veículo. Borboletas em seu estômago eram pequenas demais. Pareciam pássaros voando, e ela se sentia leve. Não precisava de nove encontros para saber o quê queria e como queria.
A caminho de casa ela já havia decidido. De presente de aniversário, ganhara uma casa de campo. Teria seus serviçais e Brittany. Queira o Rei ou não.
*
-“Encontro número 7.” Santana disse sorrindo, enquanto as duas entravam em seu aposento Real no castelo principal.
“Vais realmente ficar dizendo o número deles?” Brittany riu, enquanto Santana segurava sua mão. Estavam sozinhas após fecharem as grandes portas. Era a primeira vez que Brittany entrava em um aposento Real, não conseguia não olhar para tudo com a boca um pouco aberta.
-“Eu gosto de numerar as coisas...” Santana disse dando de ombros e as conduzindo até a grande porta de vidro que estava fechada. Já estavam em meses mais frios, porém ainda claros.
Ali estava um tecido estendido no chão com almofadas sobre ele. Perto delas estava a lareira com fogo crepitando.
-“Teu quarto é...” a loira começou, mas não teve palavras para descrever. O teto era alto, a cama grande com pesadas cortinas a emoldurando em tons de vermelho escuro. A madeira tinha cor de ouro. De repente ela se sentiu deslocada, fato que não passou despercebido pela outra.
-“O que foi?” Santana sentou a puxando para sentar perto dela.
-“Nada...” ela disse desviando o olhar. Medo passou pelo corpo da morena: e se a garota de seus sonhos estivesse cansada dela?
-“Por favor... Conte-me.” Ela segurou firme a mão dela, com medo de que ela se levantasse e a deixasse. Brittany suspirou.
-“Eu devo ser louca, encontrando a filha do Rei assim...” Santana a encarou confusa. “Tu tens tudo... Absolutamente tudo...” ela tentou soltar a mão.
-“Não é verdade...”
-“Santana... Olhe em volta. Tu moras num castelo, é uma princesa... Tu... Eu sou apenas a gata borralheira.” Brittany encarou o tecido no qual estava sentada.
-“Eu não tenho você.” Santana disse apenas num sussurro firme. Ela repetiu, temendo que a outra não tivesse ouvido. “Tenho tudo que quero, mas são coisas materiais... Eu não tenho você. E é a única coisa que quero comigo.”
-“Não...” Brittany a encarou e rolou os olhos, tentando evitar suas lágrimas de escorrerem. “Tu não podes estar falando sério... Eu sou apenas uma comum...” Santana a beijou, um beijo simples, mas que durou quase um minuto inteiro.
-“Não fale assim... É uma garota maravilhosa.” Santana sorriu timidamente, Brittany sabia que ela não era assim. Sabia que a Princesa era alguém que mantinha uma aparência de pessoa forte, assim como o irmão. Em um dos encontros, foi um baile. Brittany fora chamada como convidada da princesa, e em alguns momentos do baile, elas fugiram para dançarem juntas. Mas a loira conseguiu ver a morena interagindo com pessoas de mesma classe, e era outra pessoa. Uma pessoa diferente da que estava a encarando agora tão aberta e tão sincera. “És a única pessoa que quero comigo...”
-“Tu deves estar louca...” Brittany fez graça, mas uma lágrima escapou.
-“Por ti.”
-“Estamos no sétimo encontro... Não podes estar falando sério...”
-“Machuca-me ouvir-te falando assim... Duvidando de minhas palavras...” Santana disse séria, Brittany mordeu o lábio.
-“Não duvido de tuas palavras... Mas teu coração pode estar te enganando... São apenas...”
-“Sete encontros” Santana a interrompeu “Mas não se pode medir o amor em encontros.” Elas se encararam, apenas o som da madeira no fogo estalando atrás delas preenchiam o quarto.
-“C-como?” Brittany não conseguiu evitar a pergunta.
-“Estive pensando e depois entendi que não se pensa sobre isso...” Santana disse olhando para as mãos dadas. “Apenas se sente...” ela a encarou novamente “E eu sinto em tua presença. E então eu sei. Por isso eu digo que és a única coisa que quero e a única pessoa que desejo.” Brittany ficou em silêncio “Por favor, digas algo. Antes que meu coração pare.” Ela tentou brincar.
-“... Isso é um sonho?” ela sorriu “Eu sinto também em tua companhia e apenas nela.” Santana sorriu abertamente e a beijou, dessa vez por mais tempo e com mais profundidade.
-“Ainda precisamos dos outros dois encontros?” ela perguntou baixo quando se separaram, elas riram.
-“Tu és muito apressada...”
-“Durma comigo.” Santana disse logo após a alegação de Brittany, que a encarou assustada. “Passe a noite comigo. Aqui.”
-“Não é algo... apropriado.”
-“Ninguém saberá.”
-“Dormir?” Brittany perguntou após alguns segundos. Santana fez que sim com a cabeça.
-“Sim, amanhã estarás em casa antes do almoço, se assim desejares.”
-“Não posso...” Brittany mordeu o lábio. “Meu gato... tenho tarefas em casa, na casa de meu pai...”
-“Te importas demais com a casa” a outra deu de ombros.
-“É uma das poucas coisas que meu pai deixou...”
-“Não viverias em outro lugar...” Santana afirmou com o coração batendo rápido e ao mesmo tempo perdendo as esperanças, Brittany confirmou.
-“Entenda... Não estou pronta para dar adeus a ela.”
Santana entendeu e idéias brotaram em sua mente, refazendo os planos das coisas futuras que imaginara. Rapidamente ela mudou de assunto, não gostava de ver Brittany com os olhos cheios d’água.
*
-“Brittany... A porta!” A garota loira ouviu sua madrasta berrando de algum canto da casa.
-“Sim, senhora...” Ela disse entrando na sala. Arrumou rapidamente o lenço em seu cabelo e abriu a porta. Era um homem de vestes do castelo.
-“Senhorita Pierce?” ele perguntou, sua voz era grossa.
-“Sim, pois não?”
-“Um pedido Real para uma visita ainda hoje.”
-“Uma visita Real?” ela perguntou sem entender.
-“Sim, senhorita.”
-“Hoje?”
-“Sim, senhorita.” Ele disse educadamente.
-“O quê esta acontecendo?” Sua madrasta perguntou atrás dela. Ela se virou para responder, mas não conseguiu formular palavras, o homem disse novamente.
-“Um pedido Real para uma visita ainda nesta tarde.” A mulher se assustou.
-“O que tu respondeste?” Brittany continuou a encarando sem reação. E se Santana fosse a visitar? O quê ela faria? “Mas é claro!” Sua madrasta respondeu escondendo a irritação pela lerdeza da enteada “Não iremos deixar este bom homem esperando. Diga que estaremos prontas para receber Vossa Alteza em pouco tempo.”
-“Obrigado, até mais.” Ela ouviu a porta se fechar atrás dela.
-“Rápido Brittany! Limpe a casa! Arrume nossas roupas, prepare um chá!” Brittany fez tudo sem pensar realmente no quê estava fazendo. Arrumou a sala e preparou as coisas para um chá. Subiu para se arrumar, sem se importar com as roupas das outras. Encarou-se no espelho.
-“Minha vida iria mudar...” comentou com o reflexo. E pôs-se a se lavar e a se arrumar com um bom vestido que ainda não tivesse usado na presença de alguém da família Real.
Após se arrumar, voltou à cozinha para colocar a chaleira no fogo, a tempo de ouvir alguém à porta. Antes que sua madrasta gritasse, ela já estava com a mão na maçaneta. Brittany abriu a porta e o mesmo homem de antes anunciou.
-“Vossa Alteza Príncipe Noah e Princesa Santana da Alta Corte do Reino e Conselheiro Real Sir William” Uma corneta tocou algumas notas, e antes que pudesse dar ‘boa tarde’ a carruagem estava se abrindo e o casal de irmão estava saindo dela, com um homem mais velho andando atrás deles.
-“Boa tarde senhorita Pierce.” O príncipe disse educadamente lançando uma piscadela para ela.
-“Boa tarde senhorita” Santana disse, vestindo a máscara de Realeza, mas seus lábios tremiam segurando um sorriso que Brittany havia visto oito outras vezes, embora seu olhar estivesse nervoso.
-“Muito boa tarde senhorita Pierce.” O homem disse, ele tinha cabelos enrolados, e um buraco no queixo.
-“Boa tarde Altezas e Sir” Brittany conseguiu dizer fechando a porta, deixando os guardas e homens do castelo do lado de fora.
-“Oh... A que devo tal honra?” Sua madrasta entrara na sala fazendo uma grande e complicada reverencia, Santana e Noah trocaram olhares cúmplices.
-“Gostaríamos de conversar com a Senhorita Pierce e a Senhora Pierce.” Noah começou e encarou as gêmeas que pareciam não saber o que fazer “Em particular.” A madrasta de Brittany fez sinal para as duas voltarem para dentro.
-“Mas é claro, o quê Vossa Alteza desejar. Por favor, sentem-se” ela apontou para os sofás. “Brittany e o chá?” ela disse sentando, sem nem olhar para a garota.
-“Irei ver agora. Com tua licença.” Brittany disse fazendo uma pequena reverencia e saindo rapidamente da sala. Chegou à cozinha com o coração a mil. Seu gato estava dormindo encolhido a um canto, perto do fogão a lenha. “Seu preguiçoso...” ela disse rindo, andando até ele. “O quê eles estão fazendo aqui?” ela perguntou ao gato, pegando um pedaço de pano para segurar a panela quente.
-“Oitavo.” A voz surgiu da porta e ela só não derramou o líquido quente, porque ainda não estava segurando totalmente a chaleira. “Desculpa.” Brittany olhou para Santana, que tinha a testa enrugada. E parecia mais linda do que nunca, mesmo nervosa.
-“O que estas fazendo aqui?” A pergunta saiu em um tom mais seco do que ela queria “Desculpa, não foi assim... Porque teu irmão e teu conselheiro estão aqui?”
-“Soube que o chá era bom...” Santana se aproximou sorrindo.
-“Esta nervosa.”
-“Às vezes eu fico... Antes de fazer negócios...” Brittany a encarou, mas logo voltou os olhos para a chaleira e as xícaras.
-“O que queres dizer com isso?”
-“Meu irmão e eu pensamos...” Santana olhou para a bola de pelos perto da outra garota “Isso é um gato?” ela perguntou assustada.
-“Sim... Lord Tubbs” Brittany a encarou confusa, como alguém não o identificaria como um gato? “Ele esta um pouco acima do peso, eu acho...”
-“Um pouco?... Ele poderia ser um travesseiro”
-“Não fales assim dele...” elas encararam o bichano que continuava dormindo.
-“Ele esta dormindo...” Santana disse achando graça, chegando perto de Brittany.
-“Ele continua tendo sentimentos.” Elas estavam bem próximas. “E as paredes continuam tendo ouvidos nessa casa...” Brittany comentou num sussurro. Santana acenou com a cabeça, sem perder o sorriso e se afastou novamente. “Tenho que levar o chá.”
-“Sim... Vamos aos negócios.”
-“E sobre isso...”
-“Meu irmão irá explicar e Sir William também.” Elas saíram da cozinha e chegaram com uma pequena distância entre elas à sala, parecia que ninguém havia notado a ausência de Santana, não pela maneira que a madrasta de Brittany estava concentrada na conversa com os outros dois homens.
-“Então o que Vossa Alteza está dizendo é que tens interesse por esta casa?” Brittany havia acabado de apoiar a bandeja na mesa em frente aos sofás. Santana sentou em uma poltrona na frente do sofá onde a madrasta de Brittany estava.
-“Sim, e o Príncipe está disposto a pagar pelo preço que achares justo por ela.” Sir William disse.
-“Perdoe-me, mas a casa não esta a venda.” Brittany observou sua madrasta responder, enquanto colocava açúcar nas xícaras.
-“Creio que temos um impasse.” O príncipe disse, Santana limpou educadamente a garganta,a atenção se voltou a ela.
-“Creio que esta casa tenha sido herança de John Pierce, à sua filha. Sua única filha.”
-“Sim, mas, desculpe-me Alteza, eu sou a viúva dele. Fui casada com ele, por isso a casa é minha.” Santana sorriu. Brittany pôs as xícaras com o líquido quente na mesinha, em frente de cada um dos presentes.
-“A senhora conhece meu pai, o Rei? Ele é um bom Rei, e como tal ele deixa à disposição de seu povo um pequeno grupo de trabalhadores Reais. Tais trabalhadores mantêm uma relação entre bens e seus donos” Brittany a observou falando como Princesa, era algo interessante de se observar. O chá continuava intocado à frente de cada um. “E ao procurar informar meu irmão sobre esta propriedade, descobri que o desejo de John Pierce era de deixar a casa para sua única filha” Santana desviou o olhar da madrasta para Brittany “Brittany Susan Pierce.” A mulher mais velha abriu a boca para falar alguma coisa, mas Santana continuou firme. “Portanto, cabe a ela a dizer se a casa esta a venda ou não.” Santana pegou o chá e tomou um gole, sorrindo ao final dele.
-“Bom... Eu... Temo dizer que realmente não tinha conhecimento de tais fatos.”
-“Senhorita Pierce... Algo a dizer?”
-“A casa é minha?” a garota perguntou olhando os três visitantes.
-“Sim, a casa é tua.” Noah disse segurando um sorriso.
-“É claro que ela não irá vender...” Sua madrasta começou.
-“Vossa Alteza, perdoe-me, mas esta casa significa muito para mim. Não há ouro que possa comprá-la.” Santana notou a mulher mais velha relaxar um pouco. O príncipe levantou, seguido pela irmã e conselheiro.
-“Visto isso, perdoem-me pela interrupção da tarde família. Passar bem.” Ele disse saindo, Brittany levantou rapidamente e abriu a porta.
-“Até mais ver.” Disse enquanto eles passavam. Santana parou rapidamente e disse baixo.
-“Tua liberdade.”
*
-“Obrigada irmão.”
-“Não é fácil assim, um dia tu irás me pagar de volta.”
-“Eu sei.” Santana respondeu a caminho do castelo, sorrindo ainda nervosa.
*
-“Que bom que não venderás a casa!” Brittany ouviu sua madrasta falando atrás dela.
-“Faça tuas malas.” Foi sua resposta. Todos estes anos ela sofrera na mão daquela mulher e de suas filhas que nunca a acolheram como família.
-“Como é?” Brittany se virou e falou no mesmo tom e volume.
-“Faça tuas malas, tuas e de tuas filhas inúteis.”
-“Como ousa falar assim comigo?!”
-“Não irei repetir. Tu fizeste minha vida um terror! Fez-me acreditar que morava aqui de favor, que apenas trabalhando poderia ficar na casa de meu pai. Faça tuas malas, de tuas filhas e saia desta casa antes do pôr do sol.”
-“Mas falta tão pouco!”
-“É muito mais do que me darias...” Brittany disse dando as costas para a sala e indo rumo ao seu quarto na parte mais alta da casa. “Ó meu querido pai...” disse atirando-se em sua cama.
Anos achando que era um nada, que tinha que trabalhar para ficar na casa que seu pai havia ajudado a construir. Tanta coisa aconteceu e em tão pouco tempo.
Nove encontros, se contar com o do primeiro baile. Foi o que precisou. Levantou-se e limpou seu rosto das lágrimas de cansaço que escorriam. Desceu as escadas e encontrou sua madrasta ainda na sala.
-“Acho que deverias rever”
-“Não mudarei de idéia. Quando eu voltar, não quero vê-la aqui. Nem a ti nem tuas filhas.”
Andou até seu vizinho, um homem idoso e bondoso. Dono de um cavalo e pediu que lhe emprestasse o animal, o que foi feito sem nada em troca.
Ao chegar ao castelo, foi reconhecido por um dos guardas.
-“Boa tarde senhorita.” Ele sorriu. Era alto e grande, e tinha um sorriso bondoso e meio bobo.
-“Boa tarde, poderias pedir uma conversa em particular com Vossa Alteza, a Princesa Santana?” Brittany sabia que Santana não gostava de ouvi-la a chamando assim, mas não poderia demonstrar tanta intimidade aos outros. O guarda fez uma pequena reverencia com a cabeça e apressou-se para dentro do castelo, Brittany aguardou em pé nos degraus. Alguns, não poucos momentos depois, ele voltou.
-“Acompanhe-me, por favor.” Ela o seguiu até uma sala, que logo descobriu ser a biblioteca. “Vossa Alteza logo estará aqui.” Com outra reverencia curta, ele saiu.
Brittany sentia se coração bater forte ao ouvir a voz já tão conhecida atrás dela.
-“Devo contar como o nono?” Brittany sorriu e rolou os olhos.
-“Não tenho como agradecer.” Ela disse se virando e a encarando.
-“Já agradeceste, vindo até aqui.” Santana fez um movimento com a mão, e o guarda que estava a acompanhando saiu do recinto e fechou a porta, Brittany se assustou.
-“Ele poderá contar...”
-“Não há problemas, meu pai já sabe.” Brittany a encarou mais assustada.
-“O Rei?!”
-“Sim...” Santana suspirou “Contei ao meu pai há poucos dias. Ele não gostou muito da noticia e disse coisas que uma princesa não deve repetir.”
-“Mas... E tu estás sorrindo?” a loira disse preocupada, a morena fez pouco caso.
-“Meu irmão tentou argumentar, então discuti com ele dizendo que poderia explicar e conversar com nosso pai sem a ajuda dele... E acabou que meu pai me fez uma proposta.”
-“Que proposta...”
-“Vejas bem, ele é um Rei e como já notaste, vivemos muito de aparência...” Santana se aproximou dela, Brittany nem piscava. “Disse que poderei continuar com conforto, desde que não vire fato conhecido, para tal... Deveria ir morar isolada no campo.”
-“Mas isso é...” Brittany começou, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas.
-“Lembre-te que ele continua sendo teu rei...” Santana disse rápido. ”Eu deveria... Mas convenci que não fizesse isto comigo... Principalmente por conta de meu irmão.”
-“Tu poderias viver comigo.” Santana sorriu à sugestão. “Sim... Eu entendi aquela conversa em teu quarto... Não entendi?”
-“Sim, eu queria que morássemos juntas...”
-“Fugíssemos.” Brittany se lembrou da conversa ao pé da árvore.
-“Sim... Por isso eu queria que meu pai soubesse, para que pudéssemos morar no campo, já que creio que viver dentro de meu quarto não lhe agrade.” Santana completou sorrindo, Brittany ficou levemente corada.
-“Agora que tenho a casa para mim...”
-“Temo que este fosse meu plano” Santana disse sem graça.
-“E se eu não reagisse assim?” a princesa se aproximou e pegou as duas mãos de Brittany. Ela deu de ombro.
-“Seu olhar... Se não fosse assim, não valeria viver tão perto de ti.” Elas se olharam. “Mas ainda falta um encontro.”
-“Se gostas tanto de contar... Conte o da árvore como o primeiro. E teremos dez encontros.” A loira sorriu.
-“E eu que sou a apressada...” Santana comentou tentando não rir, mas Brittany a interrompeu com um beijo.
Elas se separaram, e Brittany encarou Santana.
-“Poderia fazer apenas um pedido?”
-“Claro...”
-“Uma casa para minha madrasta?” Santana foi pega de surpresa.
-“Mas aquela mulher... Tudo que me contaste sobre ela, e o que eu ouvi... Ela não merece nada de ti.”
-“Mas não quero ser que nem ela...”
-“Irá lhe deixar tranqüila?”
-“Sim... Talvez assim ela aprenda que possa ser uma pessoa melhor.”
-“Então esta certo... Mandarei uma carruagem buscá-la e levá-la para outra cidade, para uma casa. Feliz?”
-“Pergunte-me isso dentro de alguns dias.” Brittany disse sorrindo.
*
Quase uma semana depois, após ter conhecido o Rei, como responsável pela mudança da princesa- o quê acabou sendo um encontro muito mais agradável do que o esperado, mas não deixando de ser tenso, Brittany estava terminando os últimos preparativos da casa, para a chegada de Santana.
-“É isso Lord Tubbs... Eu, você e ela. Apenas nós...” o barulho de rodas na frente da casa chamou a atenção dos dois. Ela foi até a porta e a abriu, sem conter o sorriso ao ver a garota esperada sair da carruagem, sem a sinalização da Realeza.
-“Oi.” Foi o que ela disse, sorrindo e andando em sua direção.
-“Tem certeza?” foi tudo que Brittany conseguiu dizer.
-“Mais do que nunca.” Santana olhou a parte de fora da casa e voltou a olhar a garota a sua frente “Feliz?” Brittany não conseguia sorrir mais do que já estava.
-“Mais do que nunca.” Elas se abraçaram. -“Só isso?” Brittany perguntou rindo ao ver um homem e duas mulheres carregando algumas malas. Santana deu de ombro. “Eles irão ficar também?” Elas soltaram o abraço e entraram na casa.
-“Eles nunca me deixam... Que nem sua bola de pelos.” Santana disse apontando para o gato que tentava subir no sofá, mas logo desistiu e deitou no tapete.
-“Ele tem nome... Lord Tubbington.”
-“Ainda prefiro Bola de pelos.” Santana disse sentando no sofá demãos dadas com Brittany. Elas riram.
Aos poucos o reino se acostumou com as duas garotas que moravam juntas. A princesa que deixara o castelo e a garota do maior sorriso daquelas terras. Alguns as admiravam e outros preferiam não falar sobre elas. E as duas não se importavam com isso, pois ali, naquele reinado, naquela casa, elas viviam a liberdade das duas — Dos três: Brittany, Santana e Lord Tubbington.
E viveram felizes e livres para sempre.
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