Por Scott.

De longe eu a reconheci. Tantos anos longe e mesmo assim reconheceria a qualquer hora e em qualquer lugar.

Estava tão linda! Aquele jaleco caiu a maravilhosamente bem. Seus cabelos estavam mais longos e com as pontas cacheadas, lembrava perfeitamente bem como além de brilhoso também era incrivelmente macio, que quando tocava no cabelo dela era como se estivesse pegando nas nuvens.

Nao que eu já tenha pegado em uma nuvem, mas é como eu imagino que seja.

Mas também era impossível não lembrar o motivo do qual não ficamos definitivamente juntos. Era tudo culpa minha!!! Tudo que eu fiz com ela passou em minha mente em questão de segundos. Me senti um idiota, de novo. Meu pensamento seguinte foi dar meia volta e a deixar em paz.

Ela merecia ficar em paz.

A olhei pela última vez antes de ir embora mas ela não estava mais de costas, estava bem na minha direção e olhando pra mim.

Merda, ela tinha me visto!!!

Ela sorriu. E foi por esse sorriso que estou agora com uma casa de bobo.

Merda!!! Aquele sorriso ainda tinha poder sobre mim.

Ela estava indo embora pelos corredores do hospital. Então tomei coragem, eu iria falar com ela!!!! Apressei meus passos e a puxei pelo braço quando a alcancei. Quando ela viu quem a havia puxado fez uma careta.

—O que você está fazendo, Scott?.

—Eu queria falar com você.-Disse ainda sem saber o que fazer.

—Tudo bem.

Nossa... tão fácil?

Eu a guiei até uma lanchonete que tinha lá no hospital. Sentamos em uma mesa no fundo da lanchonete.

—Então pode falar.-Ela disse sentando em um dos bancos da mesa.

—Então...-Disse sentando ao lado dela.

—Queria dizer que sinto muito por seus pais.

—Ah.-Ela disse olhando pra baixo.

—Boa tarde, o que desejam?-Disse a garçonete.

—Milkshake?-Perguntei a olhando. Ela assentiu e disse:

—Chocolate por favor.

—Dois milkshake de chocolate por favor.

—Como eles estão?- Perguntei.- Na verdade o que houve com eles?.

—Não estou a fim de falar sobre isso.-Ela disse seca.

—Tudo bem. Mas o que precisar pode contar comigo.-Disse pegando uma mexa do cabelo dela e colocando atrás da orelha.-Você continua linda.

—Scott....

—É sério! Eu sempre achei impossível que você pudesse ficar mais bonita, mas você sempre me surpreendendo.

Ela sorriu sem graça e eu sorri satisfeito.

—Eu senti sua falta.-Disse aproximando minha cadeira da dela, ficando exatamente do lado dela.

Ela olhou para o outro lado. Esperei ela virar pra mim novamente mas isso não aconteceu, então peguei o queixo dela com uma certa delicadeza e a fiz olhar pra mim.

—Você não sentiu a minha falta, Camille?.-Perguntei com o rosto bem próximo ao dela.

—Scott...

—Admite que você também me ama ainda.-Disse acariciando a sua bochecha.

E ela fez o que eu menos esperava. Ela me beijou, correspondi rapidamente.

—Scott!-Ouvi alguém me chamar longe.

—Scott!-A voz estava mais perto.

—Acorda bela adormecida!!!!!-Alguém gritou.

Abri meus olhos e vi que tinha dormido por cima dos exames que eu estava analisando na sala do meu primo. O olhei com raiva por ter me acordado na melhor hora do sonho.

—Pô, Jake!!!!! Bem na hora que eu estava beijando ela!!!-Disse indignado.

—Você estava babando nos exames. Estava quase pegando eles e fazendo barquinho de papel pra navegar na sua baba. -Ele disse rindo.

—Haha, você se acha o engracado, ne?.

—A Mil e uma utilidades é pra poucos meu querido.-Ele disse se achando.

—Eu só te aguento porque você é da família e paga a netflix.

Ele gargalhou.

—Mas fala ai, quem era a sortuda que você estava dando uns amassos?.

—Ninguém.

—Como assim ninguém? Você até ficou bravo quando eu te acordei.

—Já disse que não era ninguém!.

Ele fez uma cara de sinico e eu joguei a prancheta nele.

— Ai, cachorro! Isso doeu.

—Isso é pra você nunca mais me acordar. -Disse rindo.

—Lembrarei disso de manhã quando estiver vindo pro hospital.

Eu revirei os olhos.

—Vou entregar esses exames que é melhor do que ficar respirando o mesmo as que você.

Disse pegando a pilha de exames e indo entregar-Los para os médicos responsáveis.

....

Almoço!!!! Uma das horas mais felizes do meu dia! Estava passando pelos imensos corredores do hospital quando entrei em um e vi a Camille e o doutor Victor Mendes, e posso dizer que ele estava bem próximo dela. Eles não haviam percebido a minha presença, então fiquei pouco mais distante, mas ainda conseguindo ouvir o que eles diziam.

—Camille, o que acha de jantar comigo hoje?

MAS QUE PALHAÇADA É ESSA?

—Obrigada pelo convite, mas eu tenho que ficar com meu pai.

Isso, Camille!!!!

—Seu pai ainda estará lá amanhã.

Que insensível.

—Obrigada, mas eu prefiro ficar com meu pai.

—Ah, você não vai me fazer essa desfeita vai?

AH MAIS ELA VAI SIM.

—Me desculpe! Mas meus pais precisam de mim.

—Eu sou seu residente! Deve me obedecer aqui no hospital.

Que malando!

—Creio que isso é abuso de poder, doutor.

—Só Victor, por favor.

—Só Victor por favor.-O imitei baixinho com uma voz irritante e bufei.

—Victor, obrigada mesmo, mas meus pais precisam de mim.

—Outro dia então?

Não pude ouvir mais nada, sai dali já sem vontade até de comer. Me sentei na mesa que Jake estava.

—O que foi? Que bicho te mordeu?-Ele perguntou meio cauteloso.

—Aquele doutorzinbo que se acha o banbanban.-Disse bufando.

— O que ele fez?

—Deixa quieto!-Disse pegando uma batata feita do prato dele.

—Ei! Isso é meu.

O olhei e comi a batata o olhando.

—Desculpa, o que você disse?- Perguntei sinico.

—Ridículo! — Ele resmungou.

—Amanhã eu vou ajudar seu amigo na residencia.

—Que amigo?-Perguntei confuso.

—O doutor Victor.

Eu fiz uma careta e ele gargalhou.

—Ele não é meu amigo!.- Mas não é mesmo.

—Que seja, ele pediu minha ajuda amanhã pra auxiliar eles na área da pediatria.

—Tantos pediatras pelo hospital e ele tinha que escolher logo você?.

—Isso tudo é inveja!

—Antes fosse.-Disse baixo.

—E eu soube que a interna nova é da turma de internos dele.

—Que emocionante.-Disse fingindo impolgação.

—Pois é! Eu finalmente vou poder conferir se ela realmente é uma gata.

O olhei de canto de olho.

—Você não presta, Jake!

—Aproveito oportunidades.

—Engraçadinho.

Contuamos conversando coisas sobre a compra do mês que tínhamos que fazer e o nosso dia se seguiu normal. Mas aquela sensação de querer que aquele sonho tivesse sido real não saia de mim.

AH, Camille.... e eu achando que tinha te superado.