Por Camille.

Caramba! Minha vida amorosa parece que não flui, quando eu tinha o Scott "livre" pra mim eu não queria me comprometer porque queria estar totalmente focada para Emilly, com tudo que ela precisasse, sem nenhuma distração... agora que está tudo se encaminhando para Emilly a Bianca decidi ressurgir das cinzas, pior! além de ser a ex dele, eles meio que ficaram inacabados. Ótimo jeito pra um recomeço no relacionamento, não é assim que geralmente funciona nos livros?

Maravilha!

Entrei em casa tentando fazer o minimo barulho possível, apesar de nem ser onze horas ainda, acho que meus pais já devem estar dormindo. Subi as escadas para ir em direção a meu quarto mas encontrei a luz acesa, a porta aberta e para minha surpresa com meus pais lá dentro, estavam tão envolvidos com a conversa que nem perceberam que eu estava na porta os olhando.

—Perdemos toda a vida da nossa filha, Will.

—Ela aprendeu a se virar sozinha.-Meu pai disse pegando um cachorro de pelúcia que quando eu era criança dormia com ele todas as noites.

—Mas não precisava ser assim, ela não precisava ter que lidar com tudo sozinha, poderíamos ter sidos mais presentes.

—Estávamos trabalhando, Ellen, pra dar do bom e do melhor pra ela.

—Mesmo assim, poderíamos ter usado algumas das nossas folgas para ir ao parque, a praia ou levar ela a alguma soverteria.

—Não adianta chorar pelo leite derramado. Se erramos foi porque queríamos acertar.

—Vocês me ensinaram a me virar.-Disse finalmente chamando a atenção deles.

—À quanto tempo está ai?-Perguntou minha mãe.

—Pouco tempo, acabei de chegar.

—E que cara é essa?-Perguntou meu pai.

—Estou preocupada com a Emily.-Disse sentando em minha cama ao lado deles.

—Mas o pai dela não doou a medula?-Perguntou minha mãe.

—Doou, e ela fez a cirurgia hoje de manhã.

—Você acha que alguma coisa pode dar errado?-Perguntou mue pai.

—Não, é só preocupação boba mesmo.

Meu pai riu e beijou minha testa.

—Mas tem mais alguma coisa, não é só isso. O que houve?-Perguntou minha mãe.

Suspirei já sabendo que se eu não contasse eles iriam me encher o saco até eu contar, então pra evitar estresse decidi contar logo.

—É o Scott.

—O medrosinho?-Disse meu pai rindo.-Gosto dele.

—Finalmente falando sobre garotos com a minha filha, antes tarde do que nunca!

—Mãe!!!!

—Mas fala, o que aconteceu?-Perguntou minha mãe.

Contei pra eles exatamente o que aconteceu.

—É azar que se fala né?-Disse minha mãe rindo.

—Eu aqui na bad e você rindo?-Disse fazendo drama

Eles me abraçaram.

—Se eu disser que não gostei que ele tenha voltado com a ex vou estar mentindo.-Disse meu pai.

—Will!!!! E nem se sabe se ele voltou com ela mesmo, e nossa filha está grandinha já, está na hora de parar com esse papel de pai ciumento.

—Nunca! esse sempre será meu papel.-Disse meu pai cruzando os braços.

—Filha, se ele escolher ficar com a Bianca significa que ele não é o cara certo pra você, porque quem te merece não vai pensar duas vezes antes de te escolher.

Ficamos um tempo ali jogando conversa fora até literalmente eu cair de sono. Acordei cedo no outro dia pra ir pro hospital e finalmente ir ver como a minha pequena Emilly está. O percurso até o hospital pareceu uma eternidade, a ansiedade pra ver Emilly era tanta que eu não pensava mais em nada, então quando finalmente cheguei ao hospital já fui colocando meu jaleco na entrada do hospital mesmo, pra não precisar ir me trocar, assinei a lista de presença na recepção e literalmente corri até o quarto da Emilly. Cheguei e ela ainda estava dormindo, parecia um anjo e como se fosse possível seu rosto parecia radiar mais luz do o de costume, e como se fosse possível minha pequena estava mais linda que o normal. Observei o quarto que agora não era comum como os outros, mas estava cheio de ursinhos de pelúcia, balões de personagens -Fiquei morrendo de vontade de pegar o do Olaf- tinha algumas-muitas- balas também em uma mesinha que tinha lá. Os lençóis também não eram azuis como de costume, eram rosas.

Mordomias de quem está se despedindo dos hospitais.

Me sentei na poltrona esperando Emilly acordar, mas me assustei quando a porta se abriu, olhei e era Jake.

—Bom dia.-Ele disse sentando em outra poltrona que tinha ao meu lado.

—Bom dia.

—Feliz por literalmente jogar na cara do chatão que ele estava totalmente errado sobre o caso da Emilly?-Ele disse sorrindo abertamente pra mim.

—Lindamente feliz. Mas não exatamente por ter conseguido, mas feliz porque ela está bem. Mas e você, porque está aqui? geralmente quando precisar falar comigo pede pra me chamar.

—É que minha sala está ocupada.-O olhei sem entender.-Scott e Bianca. Não estou afim de ficar de vela.

Um tapa na minha cara! é oficial, eles voltaram.

—Que tenso.-Disse tentando parecer normal, como se não tivesse acabado de levar um soco no estomago.

—Café?-Ele perguntou se levantando.

—Duplo por favor.-Ele assentiu e saiu.

...Dois dias depois...

Era a última noite da Emilly no hospital e prometi a ela que a levaria pro lado de fora para ver as estrelas comigo. Ansiosa, ela passou o dia perguntando se iria demorar pra chegar a hora de ver as estelas. Durante esses dias pensei bastante sobre o que vou fazer da minha vida, agora que a Emilly está bem e vai sair do hospital não vejo nada me prendendo aqui, então decidi que amanhã mesmo vou pedir minha demissão e ir pros USA finalmente aceitar aquela proposta que havia ganhado na minha formatura, está tudo decidido, já contei pro meus pais que não gostaram muito da ideia de ter a filha deles longe de novo, mas sabem que é o melhor pra mim. Alice está na lua de mel e não quero perturba-la com meus problemas, mas por outro lago Harry e Olivia estão animadissímos, eles disseram que tem uma casa pra alugar do lado da deles e já estão falando com o dono pra resolver todas as papeladas pra alugar, só faltava o mais difícil: me despedir da Emilly.

Era umas nove horas da noite quando eu bati na porta dela que quando me viu já sorriu animada dizendo:

—Tá na hora das estelas, tia Mille?-Assenti e ela deu uns pulinhos de alegria fazendo uma dancinha doida que havia aprendido comigo.

Tal medica, tal paciente.

A ajudei a descer da cama e de mãos dadas fomos em direção ao estacionamento do hospital que a essa hora estava quase vazia. Quando chegamos lá fomos pra um cantinho onde eu havia preparado tipo um piquenique noturno, sentamos no lençol que eu havia forrado no chão e começamos a comer todas as guloseimas que eu havia trago.

—Tia Mille, o que é isso?-Ela perguntou apontando pra uma pote.

—Isso é danoninho caseiro, uma delicia!

—Posso provar?

—Deve!-Lhe entreguei o pote e uma colher.

—Hmmm, que gostoso, você que fez, tia?

Assenti.

—Foi, minha mãe que me ensinou. E é gostoso mesmo não é?-Perguntei pegando uma colher cheia de danoninho.

—É, mais o que eu mais gostei foi essa bala cumprida aqui, como é o nome mesmo?

—Fini.-Disse sorrindo.

—Fini, porque colocaram o nome da bala de Fini?

—Não faço a menor ideia, Em.-Disse rindo.-Mas se eu encontrar dono da Fini qualquer dia desses eu pergunto pra ele.-Disse e ela riu.

Deitamos e ficamos olhando para as estrelas durante um tempo caladas.

—Tia Mille, uma vez uma moça disse as estrelas são pessoas que já morreram e que eu ia ser uma delas.-Olhei pra ela com todo carinho que tenho.

—Não minha pequena, estrelas não são pessoas que morreram, e você já é uma estrela.-Disse mexendo no nariz dela.

—Eu sou uma estrela? o que as estrelas são?

—É tipo uma bola que tem muita, mas muita luz que fica andando no espaço, a luz delas são tão fortes que a gente consegue ainda ver um pouco do brilho.

—E porque eu sou uma estrela?

—Porque você é uma menininha cheia de luz que mesmo que eu esteja longe sempre vou conseguir enxergar seu brilho.

Ela sorriu e voltamos a olhar para as estrelas.

—Tia Mille.

—Oi, amor.

—Amanhã eu vou pra casa.

—Vai.

—Você vai lá em casa me ver?

Meus olhos encheram de lágrimas e meu peito se apertou.

—A tia vai se mudar, Em.

—Pra onde?

—Pra longe.

—Isso quer dizer que a gente não vai mais se ver?-Ela perguntou com uma voz de choro e eu me virei pra ela já quase chorando também.

—A gente não vai se ver todo dia.-Disse fazendo carinho no rosto dela.- Mas eu prometo sempre que puder vim te visitar, mas só se você me prometer uma coisa.

—O que?

—Ligar pra mim todos os dias, contar como foi a escola, me contar tudo!

—Prometo de dedinho.-Disse estendendo o dedo mendinho.

—Essa é a minha garota!-Disse enlaçando meu dedo mendinho no dela e voltamos a olhar as estrelas em silêncio novamente.

—Tia Mille, e o que é aquela estrela piscando ali?

—Onde?

Ela apontou pro lugar e quando eu vi comecei a rir.

—Aquilo não é uma estrela-Ri mais um pouco.-É um avião!

—Ah.-Ela disse e começou a rir também.

E assim terminou nossa noite, nossa despedida não despedida, pra que se despedir? eu sempre a terei em meu coração.

...

Hoje é o dia de ir embora. Que Deus me ajude e minha vida seja boa lá. Terminei de colocar minhas malas no táxi junto com meu pai.

—Não entendo porque não posso levar minha própria filha no aeroporto.-Disse meu pai indignado ao lado da minha mãe.

—É sempre assim, os filhos crescem e não querem nem que vamos nos despedir deles.-Disse minha mãe toda dramática.

—Ah, parem. Eu já disse milhões de vezes pra vocês que eu não quero vocês lá porque não quer chorar.Vai ser mais fácil ir embora se não tiver ninguém me olhando ir da sala de espera.

—Que Deus te abençoe minha filha-Disse minha mãe me abraçando. Quando finalmente soltou foi a vez de meu pai.

—Não se esqueça de ligar pro seu velho aqui.-Disse me abraçando mais forte que minha mãe.

—Não vou esquecer. Vou ligar todo dia cobrando vocês de irem me visitar e conhecer onde vou morar.

—Nós te amamos.- Ele disseram enquanto eu entrava no carro. Fechei a porta e dei tchau pra eles pela janela.

—Também amo vocês.-Disse e o táxi deu partida.

Cheguei no aeroporto e fui fazer meu check-in, quando o fiz me sentei em um banco esperando meu voo ser anunciado. Enquanto esperava fiquei pensando no tempo que eu havia passado aqui, foram poucos meses mas achei que não voltaria a sair daqui. É como meu avô dizia: "a vida é cheia de revira voltas". E mais uma vez meu avô estava certo, mais uma vez estava me vendo indo embora da minha cidadezinha e dessa vez indo com mais gente querida no meu coração. Emilly está cumprindo a promessa e me ligando todos os dias, amanhã ela vai começar a escola e está toda animada e eu estou extremamente feliz por poder ver ela assim. Emilly não foi só uma paciente, ela me fez acreditar em algo maior, acreditar em milagre e a ter fé, é como o senhor Libert mesmo disse "fé é o firme fundamento do que não se vê, mas se acredita" o pai da Emilly voltou pra prisão mas pelo que a Emilly disse continua falando com o tio que ajudou ela com a medula.

Meu voo foi anunciado e já fui pegando minhas malas pra já embarcar, estava indo em direção ao portão do meu voo quando ouvi uma voz ao longe me chamando, olhei para trás e encontrei quem eu menos esperava.

Scott.

Fiquei tão assustada que nem consegui dar mais nenhum passo. Ele chegou até a mim um pouco cansado, imagino que deve ter corrido bastante até aqui.

Mas pra que?

—Scott? o que você está fazendo aqui?

—Vim saber porque não se despediu de mim. Achei que essas semanas sem falar comigo fosse por causa de estar ocupada com a alta da Emilly... mas ir embora?

—Achei que sua namorada não ia gostar.

—Namorada?-Ele perguntou confuso.-Está falando da Bianca? porque você acha que ela é minha namorada?

—No dia seguinte do casamento da Alice Jake foi até o quarto da Emilly e disse que a sala dele estava ocupada com você e a Bianca e que ele não queria ficar de leva. E se isso não foi um recado de que vocês estavam se pegando lá no consultório dele eu não sei o que é.-Disse um pouco rápido demais.

—Eu vou matar o Jake.-Ele disse respirando fundo.-Olha, o idiota do Jake fez você entender tudo errado. Eu e a Bianca estávamos conversando mesmo lá no consultório dele, mas só conversando, porque na noite anterior quando eu vi que você não estava mais lá do meu lado não quis saber de Bianca, deixei ela lá e fui atrás de você pra te levar pra casa. Mas quando cheguei no ponto de ônibus você já tinha ido embora.

—O que?-Perguntei meio que sem voz.

—E no outro dia ela foi lá no hospital pra gente conversar e eu disse pra ela que havia reencontrado uma mulher maravilhosa que tomou conta do meu coração.

—O que?-Perguntei meio sem voz de novo.

—E é você, Camille.-Ele disse chegando mais perto.-Meu coração é todo seu, e quando Jake me contou que você estava indo embora não pensei duas vezes pra ir atrás do amor da minha vida.-Ele se afastou um pouco me mostrando uma passagem nas mãos e pela primeira vez reparei que ele estava com malas também.-Posso?-Ele perguntou e em resposta eu beijei, beijei com toda minha vontade.-Camille, quer ser minha namorada?

Assenti.

—Quero!-E nos beijamos de novo.

O nosso voo foi chamado novamente.

—Vamos?-Perguntei e ele assentiu.

—Rumo ao nosso felizes para sempre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.