Por Camille.

Vai ficar tudo bem, foram só uns arranhões, no máximo um desmaio pelo susto.

Era o que eu dizia a mim mesmo enquanto estava sentada no banco do avião.

Eles estão bem, foram pro hospital só pra precaução.

Aquele voo parecia não ter fim, minutos parecia horas e essas horas pareciam eternidades.

—Senhores passageiros estaremos pulsando dentro de 3 minutos coloquem os cintos de segurança e verifiquem as crianças, obrigado.

Finalmente.

Assim que peguei minhas malas fui correndo até um ponto de táxi. Graças a Deus já tinha um lá prontinho pra sair. Entrei no mesmo enquanto o taxista colocava minhas malas no porta-mala e seguimos rumo ao hospital, mas antes deu uma passada na casa dos meus pais pra poder deixar as malas e finalmente sim fui rumo ao hospital.

Quando finalmente entrei no hospital logo nos bancos de espera avistei Alice. Fui até ela e a abracei forte.

—Como eles estão?-Perguntei exasparada.

Ela baixou a cabeça e receiou um pouco em responder.

—Senhor Will está consciente, entubado, mas consciente.

—Graças a Deus! E minha mãe?

—Bom.... agora dona Ellen teve um traumatismo craniano e....-Ela receou em me dizer.

Mas eu sou médica, sei muito bem o que um traumatismo craniano pode causar.

—...Ela está em coma? -Perguntei meia desacreditada com tudo o que estava acontecendo.

Não é possível! Minha vida estava em uma sintonia maravilhosa, tudo indo muito bem e do nada isso acontece?

Me sentei em um dos bancos onde Alice estava e fiquei por algum tempo olhando pro nada, sem saber direito o que fazer.

—Obrigada por estar aqui, Alice.

—Amiga é pra essas coisas.-Ela disse me abraçando.-Aposto que Olivia nem aquele tal de Harry não fariam alguma coisa dessa tipo! Porque sua amiga de verdade sou eu.

E eu ri com as palavras da Alice.

—Pra sua informação, a Olivia e o Harry ja fizeram algo parecido.

Ela levantou uma das sobrancelhas.

—Aé? Tipo o que?

—Sério mesmo que você quer saber?

Ela riu.

—Obrigada por estar aqui, obrigada mesmo, mas agora pode ir pra casa.

—Você está me expulsando? Que eu saiba isso aqui é um local público.-Ela disse fingindo estar indignada.

Ela negou.

—Não, não vou te deixar sozinha aqui.

—Eu vou ficar bem,tá? Você precisa descansar e tem um mega casamento pra organizar.

Ela sorriu.

—É só daqui a 3 meses, dá pra esperar só por hoje.

—Não! Vai pra casa, vou estar menos preocupada se estiver em casa, com o Matias.

Ela ficou comigo mais alguns minutos e depois se despediu e foi embora. Fui até o balcão das recepcionista e disse o nome dos meus pais.

—Senhor Wilson está no quarto 334 e a senhora Wilson está na UTI.

Sem visitas...então a situação da minha mãe era pior do que eu imaginava.

—Obrigada.

Então eu fui em direção o quarto onde meu pai estava, pedindo a Deus que ajudasse minha mãe, que por tudo que é mais sagrado não a deixasse morrer.

Abri a porta e vi meu pai todo entubado.

Foi realmente um choque, essa sem dúvidas era uma das cenas que eu jamais queria presenciar.

Mas estou presenciando agora.

Não consigo controlar minhas lágrimas que saem dos meus olhos mais rápido do que eu imaginava. Eu pensava que seria forte, que aguentaria e não seria fraca, por eles, precisava ser forte por eles.

Mas fui incapaz de fazer isso.

Fiquei ao lado dele o observando dormir. A Alice disse que ele estava consciente, então ele deveria estar acordado, então porque não está?.

Fico o observando por um pouco mais de tempo até que uma infermeita entra no quarto.

—Boa tarde.-Ela me cumprimenta e analisa a ficha do meu pai e aplica algo no soro que está ligado a veia dele.-Seu pai está cedado por conta dos remédios para amenizar as fortes dores que ele sentia.

Eu simplesmente assenti e ela saiu sem dizer mais nada.

Continuei ali o observando.

Flashback on:

Era meu aniversário de 8 anos, não íamos fazer festa.

Sempre odiei festas, ainda mais uma pra mim.

Não tinha amigos também, então, fazer uma festa não tinha o menor sentido. A única coisa que me importava era que eu e meus pais ficassem juntos, pelo menos hoje, pelo menos durante um dia.

Eles haviam me prometido que passaríamos o dia todo juntos e isso era o principal motivo pra mim ter acordado simplesmente feliz.

Eles haviam prometido. Papai sempre diz que promessa é divida.

Acordei e fui logo em seguida para o quarto dos meus pais, queria abraçar eles.

Estaríamos juntos hoje.

Abri a porta do quarto deles e me deparei com a cama deles vazia.

...Eles podem estar na cozinha.

Fui pra cozinha e nada deles. Pensei que eles poderiam estar na sala, tambem não estavam. Então voltei pra cozinha pra tomar café da manhã e em cima da mesa vi um bilhete.

Bom dia,filha. Feliz aniversário, infelizmente eu e seu pai tivemos que vim pra empresa. Fica quietinha, tá? Seu almoço está no prato, dentro do micro-ondas, qualquer coisa liga pra mamãe ou chama a dona Amélia.

...Eles haviam prometido.

Arrumei a casa e passei o resto do dia assistindo televisão. O dia passou tão rápido só percebi que já era a noite quando meus pais chegaram e se sentaram ao meu lado no sofá.

Eu estava chateada com eles por terem me deixado sozinha aqui no meu aniversário mas quando eu os eu os vi aqui toda a mini mágoa passou e só pude me sentir feliz por finalmente estarmos juntos.

—Feliz aniversario, meu amor.-Disse minha mãe me dando um beijo na bochecha.

—Feliz aniversário, princesinha.-Ele disse bagunçando meu cabelo.

Eu sorri.

—Princesinha não tem cabelo bagunçado.

—Nem é desastrada.-Ele disse rindo também.

—Então eu não sou princesa, papai.

—Você é sim! É a princesinha do papai.

Flashback off

Essas lembranças vinham na minha mente enquanto as lágrimas caíam repetitivamente. Mas quando vi meu pai abri os olhos devagar logo limpei as lágrimas e sorri.

Ele precisava de mim forte.

—Olá, princesinha do papai.-Ele disse sorrindo com os olhos meio fechados ainda.

Eu sorri.

—Que susto você me deu,pai.

Ele sorriu.

—Era só pra você voltar pra casa.

Ficamos um tempo conversando, só paramos quando fomos o interrompidos com meu celular tocando. São do quarto para atender.

Ligação on:

—Alô?.

—Senhorita Wilson?

—Sim...

—Somos do hospital GlinderHinks. Gostaríamos de saber se a senhorita ainda tem interesse em nossa residência.

—...Eu adoraria, mas meus pais sofreram um acidente de avião, estou em outro país, então por mais que eu quisesse não será possível.-Disse tentando me manter forte.

—Lamentamos... Mas de qualquer forma iremos enviar uma carta de recomendação para os hospitais, se der sorte consegue uma residência ai por perto.

Obrigada Deus.

—Obrigada, obrigada mesmo.

—Por nada, senhorita. Até em breve, manteremos contato.

Ligação off.

Voltei pro quarto do meu pai e ficamos conversando mais um pouco. Demorou algumas horas e alguém bateu na porta.

—Entra.-Disse.

Um homem apareceu no quarto.

—Boa noite, senhorita.

—Boa noite.

—Sou Hanter Clarck, médico chefe.-Ele disse estendo a mão. -Poderíamos conversar no meu escritório.

—Claro.

Ele começou a andar e eu apenas o segui. Quando chegamos lá ele sentiu em uma cadeira e apontou para outra indicando para eu me sentar também.

—Não vou enrolar, recebemos um e-mail com uma indicação sua, e gostaríamos de saber se tem interesse de cumprir sua residência aqui.

Uooou.

—Nossa... bem direto.-Sussurrei. Mas pelo visto ele ouviu porque sorriu.

Eu preciso de um emprego, não tem como deixar meus pais aqui assim, é um presente de Deus essa residência.

—Claro! Será um prazer.

Ele imprimiu uns papéis que eu tive que assinar.

—Seja bem-vida, doutora Wilson.

—Obrigada, doutor.....

Putz, esqueci o nome dele.

—Pode me chamar de Hanter. -Nos cumprimentamos com um aperto de mão.

—Eu residência começa daqui a 2 semanas, como está escrito no contrato.-Eu assenti e sorri.

Voltei para o quarto do meu pai e o contei o que aconteceu.

—Então minha filha-Tossiu- é uma medica empregada?.

Sorri.

—Sim,pai. Espero que tudo volte ao seu lugar.

Eu realmete espero.

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Feliz ano novo, meus amores! Tudo de bom pra vocês, e como presente, mais um capítulo quentinho pra se deliciarem.
Até o próximo.