Era para ter sido uma vez...
2 A Câmera de Rachel
Notas iniciais
Para todo o lugar que se olhava, Rachel passava correndo com algo nas mãos. Parava campistas apressados e fazia perguntas como: "Para onde você está indo? Por que a pressa? Estou te atrapalhando? Ah, desculpe, não sabia." e continuava correndo com aquela coisa nas mãos.
Uma câmera.
Quando acordei hoje de manhã, ela já estava sobre Quíron, fazendo milhares de perguntas e pedindo para ele fazer algo engraçado, como pôr óculos com persianas, uma blusa dos pôneis de festa e balançar aquele grande traseiro. Apesar de tentador, ele não fez, mas ela não desistiu. Saiu da Casa Grande e foi atrás de alguém com bom humor.
Ninguém soube da onde ela tirou aquela câmera — se ganhou, comprou ou roubou —, mas todos desejavam quebrá-la, e isso destaca Annabeth.
Annabeth deixou todas as desavenças com Rachel para trás e tornara-se amiga dela — apesar de sempre citar seu nome aqui e ali para deixar seu namorado esperto —, mas ela descobriu que Percy se voluntariou para gravar vídeos com Rachel, e agora ela queria satisfações, e além de tudo, lascar aquela câmera.
Annabeth marchava pelo acampamento como se houvesse um grande exército a seguindo. Se a olhássemos, poderíamos imaginar facilmente ela como uma tenente, as roupas camufladas verde, marrom e amarelo, o chapéu sobre o rosto sujo de lama, com uma arma sobre os ombros. Qualquer uma. Qualquer uma já seria suficiente para apavorar qualquer um. Mas ela continuava apenas uma campistas normal, furiosa, mas normal, atravessando o acampamento em direção à Casa Grande.
O edifício estremeceu quando a porta foi aberta.
— Onde está o Jackson? — ela perguntou, o rosto calmo, mas a voz grave. Todos sabiam que Jackson significava morte na certa, dando uma grande referência a faca presa em sua cintura.
— Praia — responderam todos em uníssono. Até Dionísio pareceu abalado, ainda voltado ao seu pôquer.
— Droga — ele resmungou quando Annabeth saiu. Havia perdido o jogo de novo.
Se observássemos o caminho que tenente Chase seguiu, poderíamos imaginar um rastro de morte. Mas as árvores e a grama continuavam verdes, e o céu, azul, sem nuvens.
A praia se aproximava, e o exército de Annabeth estava amedrontado. Agora que ela avistava Rachel usando Percy como vítima, podemos imaginar seus soldados fugindo, gritando grandes "Aaah, ahh... Ahhh!" e Annabeth virando-se para chamá-los de covarde. Mas com a raiva de Annabeth, ela poderia desmanchar o exército Dare com um grande e longo cuspe.
Mas estava só eles três na praia, e o lago mexia-se calmo e lento. Não havia canoagem hoje, e a praia continuava com a areia brilhante por causa do sol. Rachel gravava Percy dançando hula-hula usando roupas havaianas: colar de flores, saia longa verde, e o biquíni de coco. Ele ria enquanto falava alguma coisa, mas logo parou quando viu Annabeth aproximar.
— Divertindo-se, Jackson? — ele ficou esperto.
— Ah, er, eh... ops...
— Podemos explicar — disse Rachel. Ela não parecia preocupada. Parecia se divertir.
— Não preciso — retrucou Annabeth. — Quero que você, Perseu, saia daqui. E Rachel... — Annabeth olhou para a câmera nas mãos de Dare e desejou jogá-la no lago.
— Veja o vídeo — interrompeu Rachel, apenas para se gabar.
— Delete — disse Annabeth, virando-se.
— Veja.
— Delete.
Continuaram a discussão por um tempo, até Annabeth dar uma volta por cima:
— Veja.
— Delet... — ia dizendo Rachel, quando parou ao perceber a situação.
— Tá bom — Annabeth pegou a câmera, mas o vídeo começara a rodar.
— Para minha sabidinha — ia dizendo Percy do vídeo, e começou a dançar Hula-Hula. — Saiba que eu amo você... você...
Rachel do vídeo rio. A voz de Percy estava incrivelmente desafinada.
— Cante uma música decente!
— Baby eu sou seu... seu... Ah, uh... Até que Apolo esgote suas poesias... Em outras palavras, até o fim dos tempos...
Eles riram e o vídeo acabou. Ela sabia que tinha mais, mas não aguentaria ver mais um. Sua testa se franziu e ela mordeu o lábio inferior, emocionada. Correu para Percy e o beijou.
— Eu sempre serei sua, Cabeça de Algas!
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