Era de Lionir - O Retorno de Amon
1 Prólogo
Notas iniciais
Reza a lenda, que um dos bruxos mais poderosos do continente de Lionir foi o condenado a morte por ter libertado todos os dragões no extremo norte de Noregar, em troca, ele receberia o dom da imortalidade para poder trilhar seu caminho de caos e escuridão sem atrapalhar os dragões… E assim foi feito…
Com a liberdade dos dragões, os reinos, vilas, florestas, animais, pessoas… Todos! Todos estavam correndo perigo. A “Guerra Vermelha”, nomeada pelo fato do grande número inestimável de perdas, tinha se tornado realidade.
Todos os reinos decidiram deixar suas diferenças de lado e juntarem forças para aniquilarem todos os dragões libertados. Uma guerra que durou longos nove anos, foram os anos em que o verde das árvores das florestas foram trocados pelo vermelho do sangue, onde as fazendas fartas foram transformadas em um campos de cinzas e ossos espalhados por todo lugar. Foram nove anos perdendo cem guerreiros para matar apenas um dragão.
Foi a época manchada pelo sangue onde os civis se suicidaram pelo fato de terem tudo tirado pelos dragões e pelo exercito da Inquisição.
Após a Guerra Vermelha, os reinos se juntaram uma última vez, para caçar, encontrar e queimar o bruxo responsável por tantas vidas perdidas nos noves anos sangrentos que se passaram. Depois de vários meses caçando o maldito bruxo por cada canto imundo do continente, o bruxo foi finalmente encontrado num casebre caindo aos pedaços, os próprios reis dos três reinos foram buscar homem responsável por esse ato cruel e frio que desencadeou um mar de sangue. Seu nome?!... Amon!...
─ Amon! Renda-se agora! — disse Draethel — um homem branco de meia idade com a altura mediana e um longo manto branco e vermelho com fios de ouro espalhados por toda a veste formando dezenas de runas e seu cabelo ruivo e longo caído pelo rosto com seus olhos mais intensos do que a cor de seu cabelo -, o rei do reino humano, com serenidade nos olhos e atitude em seu tom de voz. Draethel era o homem mais sereno de todos os três, suas emoções eram relativamente controladas, e ele sabia que teria que fazer um julgamento público para todos os seus cidadãos verem o bruxo se transformar em nada mais do que cinzas
Os outros dois reis, Leelas — o mais alto de todos os três, suas orelhas obviamente pontudas e longas, vestindo uma armadura leve digna de um rei, ou como ele prefere ser chamado, guardião, seu cabelo loiro quase dourado era longo, sendo maior do que o de Draethel — o elfo guardião da Floresta de Unda mirando seu arco e flecha na cabeça do bruxo, o mais alto de todos os três e mais ágil também, seus brilhantes olhos verdes não saíram do alcance de Amon. E do outro lado de Draethel, estava o bárbaro Da’ward — um homem baixo, porem em ótima forma e coberto por cicatrizes de batalhas, com pouca armadura, seus cortes eram muito bem visíveis, olhos negros como a noite e cabelo estranhamente cortado nos lados, deixando apenas no topo seguindo de uma longa trança que descia por suas costas quase ultrapassando sua própria altura, deixando a ponta do mesmo ficar na base de suas coxas — o rei bárbaro de Kondor, com sua espada em punhos, e sangue nos olhos, e faltava pouco para ele não avançar para matar aquele bruxo de uma vez por todas. Amon estava no outro lado do casebre — que não tinha nem 100m² -, com uma longa mesa de madeira de carvalho que dividia ele dos Três Grandes, ele estava esperando os reis, pois de alguma forma, ele sabia quando iriam chegar.
─ Ninguém nunca me deteve, e acham que os Três Grandes irão? — Amon disse com sua voz levemente rouca e num tom sarcástico e maligno alimentando cada vez mais a fúria de Da’ward, e era isso mesmo que Amon queria. Nesse momento de oportunidade em que Da’ward estava prestes a explodir e perder o controle e quebrar a coluna dele com suas próprias mãos, dava para ver a quilômetros seus olhos negros fervendo em fúria. ─ Vocês acham que são os mais poderosos pelo fato de serem… Reis?! — Continuou ele enquanto observava atentamente os três a sua frente com seu sorriso sádico, completando. ─ Vocês não passam de simples ratos na minha frente… — Isso foi a gota d’água para Da’ward.
Ele inclinou sua espada alguns graus para frente e avançou como um raio na direção de Amon, chutando aquela mesa de madeira contra ele fazendo parecer que era feita de papel, o bruxo bateu com tudo contra a parede com o impacto que acabou deixando sua visão turva e sua audição reduzida, ouvindo apenas um leve sino de fundo. Da’ward iria aplicar seu golpe de misericórdia, iria matá-lo ali mesmo, mas Draethel o impediu magicamente, paralisando o corpo do rei bárbaro
─ Da’ward. Não! — Disse Draethel com sua voz serena e digna de um líder nato. O rei bárbaro ficou paralisado, a pouco mais de dois metros de distância de Amon, sua respiração estava pesada e ofegante por tanta raiva acumulada, e aquela foi a forma que ele vira de vingar seu cidadãos e seus guerreiros mortos em vão, esse parecia ser o jeito mais fácil, o jeito mais fácil sempre foi o jeito de Da’ward.
Draethel olhou para Leelas fazendo um aceno de cabeça e o elfo arqueiro entendeu imediatamente. Leelas mencionou algumas palavras mágicas élficas e seu arco foi tomado por um brilho verde que fez a flecha criar várias vinhas por volta da mesma, o elfo não disse nada — até por que, ele nunca foi muito de falar -, apenas soltou a corda de seu arco com suavidade, deixando a flecha viajar rapidamente até acertar o peito do bruxo, ele cuspiu sangue após alguns segundos da flecha acertá-lo, seus olhos começaram a ficar pesados com o poder que aquela magica tinha fazendo-o adormecer, as vinhas da flecha começaram a caminhar pelo corpo de Amon fazendo uma espécie de amarras em volta do mesmo, prendendo seu braço fortemente, deixando apenas seus pés livres, mas ele não iria acordar tão cedo.
• • •
O grande dia! A praça de Qolahn estava lotada, quase não havia espaços para caminhar livremente sem que alguém esbarrasse em você ou roube seus sacos de moedas, os mercantes montaram suas pequenas barracas improvisadas para venderem seus itens naquele grandioso dia, gente de todo canto veio assistir a grande fogueira que Amon se transformaria, em momentos.
As portas do calabouço se levantavam lentamente fazendo um barulho relativamente incomodativo das correntes sendo puxadas e arrastadas nos blocos de pedras antigas do castelo, assim, revelando lentamente um som de correntes arrastando no chão seguido de passos pesados, e junto a isso, um homem de pele morena com idade e tamanho mediano, cabelos brancos que caiam na frente de seu rosto tampando seus olhos negros e profundos, revelando, Amon. Ele estava na companhia de dois guardas bem armados, mais precisamente, paladinos altos e fortes, pareciam monstros ao lado daquele bruxo, mas, mal eles sabiam que o verdadeiro monstro estava entre eles. Com passos lentos e leves como uma pluma tocando ao chão, Amon era escoltado até a fogueira da praça, calmamente e de cabeça baixa, assim dificultando a visão dos traços de seu rosto, passaram-se três dias após a chegada de Amon ao reino de Qolahn, foram três dias sem alimentá-lo, sem iluminação, sem comunicação, três dias preso na última cela do calabouço, a mais protegida magicamente. Mas, já era o dia dele sair para cumprir sua pena de morte.
Chegando no lado de fora do castelo, o brilho do sol bateu com tanta força na cara do bruxo que parecia que ele tinha ficado cego por um momento, mas, depois de alguns segundos se acostumando com a luz externa, ele levou seu olhar direto para a fogueira gigante montada exclusivamente para ele fazendo-o esboçar um discreto sorriso irônico enquanto ele deixava ser levado para aquele monte de galhos e palhas secas cercado por milhares de pessoas a sua volta, gritando ao mesmo tempo “assassino!”... “monstro!”... Amon estava com medo, é claro, mas, se o contrato com os dragões realmente funcionasse, essa seria a hora perfeita para isso.
Quando ele subir as escadas de madeira para o palco daquele evento, um dos soldados ficou parado ali, na descida da mesma enquanto o outro ainda o acompanhava para prepará-lo em sua execução, banhando o bruxo com um esponja encharcada de líquido inflamável deixando seu corpo brilhante e aparentemente limpo e logo depois, amarrando o mesmo com seus braços virados para trás ficando de frente para o público que esperavam ansiosamente para o momento final, para o momento de sua morte.
Após Amon ser amarrado na fogueira e sendo forçado a ficar de cabeça erguida para encarar as pessoas que perderam parte de suas famílias por “nada” até todos escutarem um som de trombetas ressoando no portão do castelo, aquele toque era para anunciar a chegada do rei no local, todos ficaram em silêncio exceto os guardas que ficaram em posição de sentido — eles batiam no lado esquerdo do peito com o braço direito deixando o punho cerrado e como se fosse com a palma da mão para cima — e que logo voltaram para suas respectivas posições de guarda quando Draethel começara a dar os primeiros passos em direção a fogueira deixando seu manto branco e vermelho cintilar pelo caminho, com seu longo casaco de pele de cordeiro branco e impecável. Draethel para batendo seu cajado — de carvalho com uma esfera com cores aleatórias que rodavam na mesma do tamanho de um melão — no chão daquele palco improvisado enquanto olhava para todas aquelas pessoas à sua volta, fazendo uma espécie de pausa dramática antes de começar a falar.
─ Hoje não será apenas mais um dia qualquer. — Draethel olhou todos em volta novamente, e continuou a falar com sua voz alta e serena de sempre, transmitindo segurança e ao mesmo tempo medo para alguns. ─ Hoje, não será apenas mais uma execução de um delinquente qualquer. — Ele ouve mais alguns passos vindos atrás dele, passos pesados seguidos do barulho de armadura, mas, era bastante conhecido. Era seu irmão mais novo. Tonadel — tinha as mesmas características físicas de seu irmão, porem, ele tinha seu cabelo muito bem cortado e era mais forte pelo fato de seu um paladino -, um homem já formado em batalhas, com a visão do mundo um pouco diferente de seu irmão mais velho e rei. Draethel cumprimenta seu irmão com um simples aceno de cabeça, para continuar a falar com seu povo, enquanto Tonadel ficava ao lado de seu irmão. ─ Hoje será o dia que iremos fechar esse capitulo obscuro de nossas historias com o sangue de Amon!
Todos foram a loucura após Draethel dizer aquelas palavras de conquista que aumentara tanto a autoestima de seus fieis aldeões quanto a de si mesmo. Agora, estava na hora de cobrir o bruxo em chamas…
Draethel e Tonadel caminharam para trás de Amon, ficando alguns poucos metros de distância do mesmo para vê-lo queimar ali mesmo. Draethel olha para um homem coberto com uma manta negra e deu o comando para terminar os preparativos. O homem assentiu com a cabeça lentamente e caminhou junto a outros dois paladinos da guarda real para terminar de jogar liquido inflamável pela palha seca que estava aos pés de Amon, para o fogo se espalhar rapidamente. Quando terminado, o homem de negro caminhou até Amon com uma tocha em punho, pronto para jogar naquela palha e acabar com todo aquele problema, todos os aldeões estavam inquietos, mas calados, os soldados não moviam um único músculo se quer. Estava na hora de acabar com tudo isso.
Quando o homem chegou atrás de Amon para queimá-lo, ele levantou a tocha até suas mãos amarradas e deixou o fogo queimar a mesma, libertando Amon de seu julgamento. Nesse momento, ele soltou um assobio que logo surgiram várias e várias lanças voando daquela multidão, de todas as direções e que estavam indo direto para… Draethel!
O mago rapidamente percebeu o ato de traição daquele homem e tentou usar alguma magia para prende-lo, mas, ele tinha que se preocupar com coisas mais importante, como sua própria vida. Draethel e Tonadel foram ages para esquivar de algumas das lanças que choviam em suas cabeças, mas, não era o suficiente. Draethel viu que uma das lanças estava indo direto para suas costas, então ele o empurrou jogando Tonadel no chão e deixando a lança acertar seu peito, atravessando seu corpo. Após alguns segundos, ele cai no chão de joelhos e olha diretamente para Seu irmão dizendo algumas palavras que não se podia ouvir por causa da multidão gritando sem controle e correndo para todos os lados, mas Tonadel tinha entendido o recado que seu irmão lhe dera claramente, dizendo. Cuide da cidade…
Quando Tonadel se levantou para ir até seu irmão era tarde de mais. Um rugido enorme ecoou pela cidade e todos olharam para o céu, inclusive Tonadel, todos, todos encarando o horizonte sabendo de quem seria aquele rugido.
Com um voo brilhante, um dragão negro surgiu por de trás dos muros de Qolahn, rugindo bravamente para todos saberem de sua chegada, depois que os aldeões viram aquele monstro colossal acima deles, todos começaram a correr sem rumo, buscando qualquer lugar bom o suficiente para se esconder, mas, Tonadel não… Ele ficou ali, parado apenas olhando a mancha negra dançando pelos céus e espalhando o caos apenas com sua presença. O dragão virou sue longo pescoço na direção de Tonadel, Draethel e Amon, e mudou seu curso para a direção dos mesmos, soltando rugido atrás de rugido, cortando o vento com suas asas negras e pontudas, e lançando chamas de sua boca enorme, fazendo um longo caminho de destruição e acertando o local onde Amon seria queimado vivo.
Nisso, Tonadel apenas teve um pensamento. Salvar seu irmão.
Ele correu com todas suas forças para pegar seu irmão e salva-lo, mas, o fogo consumiu ele em instantes, o palco começou a ter uma serie de explosões, arremessando o paladino longe dali, deixando-o inconsciente e com uma queimadura feia em seu peito.
• • •
A visão de Tonadel estava borrada, escutava vozes todas misturadas, sussurrando e especulando alguma coisa que ele não se lembrava. Mas, quando ele ficou lucido de vez, as enfermeiras gritaram uma para as outras sobre o despertar do paladino.
─ O rei acordou! O rei acordou!
Tonadel olhou confuso para a enfermeira que estava tentando avaliar suas condições, enquanto ele perguntava para a mesma se seu irmão estava bem, mas a enfermeira o olhou com um sentimento de tristeza em seus olhos e balançou a cabeça negativamente, e logo depois veio a pergunta de Amon e seu cúmplice, a enfermeira explicou que Amon tinha sumido em meio as chamas e ninguém encontrou vestígios de seu corpo em lugar algum. O que ele mais temia de acontecer, aconteceu… Ele se tornou o novo rei de Qolahn e Amon esta desaparecido, novamente. E o jeito é torcer para que ele tenha morrido mesmo, por que se ele ainda estiver vivo… Ninguém estará a salvo…
Fale com o autor