Era apenas meu meio irmão.
24 Brigas e sequestros.
– É, alguns. — Fábio sorriu. — Esse é pro preço por sermos Lynch Albuquerque.
– Ui! Fábio Lynch! Interessante — Sorri.
– Karoline Albuquerque, quero ver como você vai ficar no seu vestido de gala.
– E eu vou ver você no terno. — Ri ao imaginar a cena.
– Muito gato, como sempre. — O mesmo mordeu o lábio e piscou pra mim.
– Fábio, você conhece muitas pessoas famosas?
– Tá me achando com cara de artista? — Ele riu. — Brincadeira. — Conheço alguns, porque minha mãe sempre teve a tão famosa empresa dela de moda, que descobre as modelos. Meu pai tem uma que tem várias gravadoras espalhadas por aí. Então, digamos que ele é um caça — talentos.
– Estou vendo que esse alguns são muitos.
– Ah Karol, pra mim é normal. Eu nem ligo pra essas coisas. Eles são famosos e quando explodem fica meio difícil manter contato.
– Por que você não entra nesse ramo também? — Perguntei curiosa.
– Pelo mesmo motivo que você não quer ser médica. Ás vezes não queremos ser o que nossos pais são e você entende bem disso. — O mesmo beijou minha testa. Ainda era de manhã, mas o dia passou tão depressa. Quando vi, já estava quase de noite e eu não tinha nada pra vestir, afinal era a festa dela.
– Fábio, eu não tenho o que vestir pra essa festa. — Disse me encostando no guarda roupas.
– Vê se a Bianca tem pra te emprestar. — Fábio disse vestindo sua calça.
– Prefiro não ir a festa. — Me joguei na cama entediada.
– Mas, Karol o que custa você pedir pra ela? — O mesmo se aproximou de mim e eu, me levantei da cama.
– Custa tudo! Até parece que ainda gosta dessa garota. — Revirei os olhos.
– O que você descobriu Karol?!
– O de sempre! — Disse ao me virar pra ele. — Que você já ficou com todas as meninas do planeta. — Após isso, caminhei em direção a porta, porém senti Fábio me puxar.
– Se está falando da Bianca, eu não fico com ela faz anos! Eu larguei delas por você. Como não consegue enxergar isso? — Perguntou indignado.
– Me deixa Fábio! — O olhei. — Mas, antes me deixa em casa. — Falei com um pouco de receio de ir sozinha pra lá. Vi Fábio se sentar e cair na gargalhada. — Idiota. — Sai do quarto e sem querer esbarrei com a ex do Fábio no corredor.
– É desse jeito, que você pretende ir para a super festa da Bianca? — Ela me olhou com nojo dos pés a cabeça e segurou meu braço com força. Senti a mesma colocando um pano em meu nariz e rapidamente desmaiei. Quando acordei estava trancada em um dos comodos da casa.
– Me-e deixa em pa-az — Gaguejei ao ver que além dela tinham mais cinco.
– Me dê as respostas certas e ficará tudo bem, com você, a preciosinha do Fábio. — A mesma riu.
– Você não vai encostar um dedo em mim, sua ridícula. Ele vai ficar sabendo disso
– Karoline, acorde pra realidade, isso aqui não é um conto de fadas e o Fábio não é seu príncipe encantado. Agora mesmo ele já está pegando outra na festa, como sempre. — Ela sorriu.
– Se ele está com outra, o que raios eu estou fazendo aqui? — Gritei.
– Fala baixo, garota estúpida. — Disse a menina me dando um soco no braço. — O Fábio só me deixou por sua causa, a culpa é toda sua.
– Você precisa de um médico. Meu pai é um, quer que eu chame ele pra você? — Controlei o riso. — A primeira consulta é de graça, mas no seu caso eu faço todas serem.
– Isso aqui não é uma brincadeira Karoline, então eu acho melhor você me levar a sério. Amarrem ela! — Ouvi a ex dar a ordem e logo as garotas obedeceram.
– O que você quer comigo?
– Fazer você e ele sofrerem! Agora mesmo, vou ligar pro seu querido Fábio e dizer que você se jogou no mar aberto e sumiu por lá. Sabe por quê? Pela briga de vocês, você é tão frágil não é? Ele vai cair direitinho.. — Ela pegou o celular.
– Ele nunca, NUNCA, vai acreditar em você.
– Mas, seus pais vão, isso vai ser tão lindo de se ver. — Ela riu.
– Você não presta. Quando eu vou poder sair daqui? — Perguntei.
– Nunca. — Vi ela e mais três meninas saindo dali, ficando apenas duas para tomar conta de mim. Aquela noite demorou tanto passar, assim como os outros dias. Eu já não aguentava mais, todo dia era a mesma coisa, as mesmas meninas, a ex tirando sarro de mim. Meus pais desesperados, sem esperanças de que eu estava realmente viva e do Fábio ela não me dava notícias. Além disso, só me alimentavam uma vez no dia, isso quando me alimentavam, eu estava fraca, debilitada sem força ou esperança pra nada.
– Parece que a marrentinha perdeu toda a força não é mesmo? — A ex dele me chutou.
– Garota, você é maluca, merece ir pro hospício. — Disse respirando ofegante ao sentir a dor.
– Isso Karol, vai falando mais mesmo. A única que irá sofrer aqui será você queridinha. — A mesma cuspiu em minha face.
– Sabe menina, eu tenho um jantar importante para ir essa semana desse jeito não vai dar. Me solta logo.
– É? Minha querida será sorte sua se conseguir sair viva daqui. Sabe por quê? Porque eu estou na cama com o Fábio todos os dias, ouvindo ele gemer de prazer no meu ouvido, enquanto você caí aqui no esquecimento apodrece.
– É mentira sua, para! — Senti uma lágrima escorrer no meu rosto.
– Parar? Isso é só o começo. Aquele altar com alianças, não servem para você e o Fábio. Eu vou me casar com ele. Aproveite a escuridão queridinha. — Ela fechou a porta novamente e eu continuei chorando ali.
– Pai, mãe, Fábio eu tô viva. — Foi a única coisa que conseguiu sair da minha boca em meio as lágrimas, mesmo sabendo que eles não iriam ouvir.
Sabe, se era pra me matar, por que não logo? Por que a demora? Eu não entendia pessoas como ela. Fechei meus olhos por um segundo e desmaiei de fraqueza...
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