Era apenas meu meio irmão.
5 Longo dia.
– Karoline, filha acorda. — Disse meu pai ao abrir a porta.
– Pai, me deixa dormir. — Cobri o rosto.
– Eu preciso falar com você. — Ele tirou o cobertor de mim e do Fábio.
– Será que ninguém pode dormir sossegado nessa casa? — Fábio gritou.
– Seu pai ligou dizendo que hoje acabam as suas férias, é ora ir pra empresa. E enquanto a você Karoline, preciso da sua ajuda.
– Estou fora pai, tenho escolha. — Abri um sorriso.
– Hoje você vai faltar.
– Ah, mais eu não vou mesmo.
– Vai sim. Você duas escolhas. Empresa de moda ou hospital. — Disse meu pai sério.
– Que chato! — Reclamei. — Eu vou pro hospital com você.
– Pois é, bem vinda a nova vida irmãzinha. — Disse Fábio levantando e eu revirei os olhos.
– Enfim, se arrumem. — Falou meu pai e logo depois saiu do quarto.
– Por que meu pai tem que ter um hospital e empresa?
– Pra você falara na escola. — Fábio começou a rir.
– HAHAHA muito engraçado. — Ataquei uma almofada nele e fui direto por banheiro. Assim que sai, esperei o Fábio e antes de atravessar a rua para ir pro hospital, pedi pra ele tira um foto de mim e postei no instagram dele:
'' Indo trabalhar porque a vida não tá fácil nem pra filha de um dos mais renomeados médicos da região, né pai? HAHA @instragramdopaidakarol

''.
– Agora, vai trabalhar mocinha. — Ele disse tirando o celular da minha mão.
– Falou o responsável. — Ri.
– Hoje eu sou mesmo. — Ele aproveitou pra rir junto. Me levou até o hospital e beijou meu rosto. — Boa sorte, porque tem muitas pessoas invejosas aqui. — Complementou.
– Obrigada. — Nos despedimos e ele se foi. Fui até a recepção e perguntei onde o Roberto estava, mas não disse que era filha do mesmo. A moça chamou ele pra mim.
– Me siga. — Disse ele andando pelos corredores e me levou até a recepção do setor infantil. — Você vai ficar aqui, fazendo a ficha das pessoas e dando informações. — Completou.
– Mas eu não sei onde fica nada aqui. — Falei.
– A Kelly vai te explicar tudo, agora eu preciso ir. — Disse ele indo embora e sumindo pelos corredores.
– Olá Kelly. — Entrei no balção e sentei na cadeira ao lado ela.
– Que bom que você chegou. Eu preciso fazer o balanço das pessoas que tem o plano aqui e verificar se o pagamento da área infantil foi efetuado. Faz a ficha dessas pessoas aqui pra mim, por favor. Eu já volto. — Ela disse se levantando. Assumi o lugar dela e fiquei ali por mais ou menos uma hora. Aquilo estava realmente movimentado. Quando finalmente pararam de chegar os pacientes, veio em minha direção outra mulher do balção.
– Isso são modos de se vestir em um hospital? Onde você acha que está indo garota? — Ela gritou comigo. — Deixa só o Doutor Roberto saber disso. — Meu pai chegou na hora.
– Mas que raios você acha que está fazendo? — Meu pai se irritou. — Quem você pensa que é pra falar desse jeito com a minha filha? O hospital é MEU e ela se veste do jeito que ela quiser, então se você não quer perder o seu emprego eu acho melhor você calar a merda dessa boca e ir fazer o seu trabalho. — Completou.
– Pai calma, não foi nada demais.
– Eu espero que não tenha sido mesmo. — Ele olhou com nojo pra ela. — Vim avisar que seu horário de almoço é daqui a trinta minuto e você pode ficar fora duas horas e meia.
– Ok, pai. — Sorri pra ele. — Ah pai, você podia trazer pra mim alguma coisa daquela máquina cheia de doces gostosos?
– Claro, já já trazem pra você. — Ele sorriu de volta e e foi embora de novo. Não se passaram nem cinco minutos e me trouxeram um montanha de coisas. —
– Gente pra que tudo isso? — Fiquei abismada com tanta coisa.
– Seu pai mandou caprichar.
– Podem levar metade dessas coisas embora.
– E o que a gente faz com isso?
– Come ué. — Respondi pegando metade das coisas. A Kelly voltou e eu dividi a montanha das coisas que eu peguei com ela e com a mulher que gritou comigo. Deu a hora de almoço, então peguei a minha bolsa e sai. Assim, que ia virar a rua Fábio me agarrou e nós quase nos beijamos.
– Fábio! — Gritei.
– Surpresa. — Ele riu.
– Que surpresa menino, está ficando maluco?
– Por você? Acho que eu estou sim. — Ele começou a beijar meu pescoço rindo e eu vi que era brincadeira.
– Tá sai, se meu ver você assim vai querer te matar.
– Ah mais eu vou morrer por uma boa causa. — Ele segurando firme na minha cintura.
– Ai Fábio, você é muito engraçado mesmo.- Ri pra não admitir pra mim mesma que estava gostando daquilo. Por um segundo eu vi nos olhos do Fábio ele estava lutando consigo mesmo pra me soltar e aos poucos suas mãos foram deixando minha cintura.
– Eu trouxe um presente pra você. — Disse mudando de assunto.
– O quê? — Perguntei sorrindo e ele me deu uma caixinha com papel de presente embrulhado e um lacinho. Abri e meus olhos brilharam, era um iphone 5 novinho em folha e já estava com uma capinha da chanel rosa que tinha brilho.
– Eu achei que você merecia, sabe. Porque uma certa pessoa colocou no meu instagram coisa dela.
– Desculpa ai então. — Empinei o nariz.
– É brincadeira pirralhinha, você precisa de um celular pra falar comigo. — Ele sorriu torto. Era a primeira vez em uma semana inteira que eu estava com ele que o vi sorrir assim.
– Obrigada, pelo celular. Eu realmente não esperava — Abracei ele.
– Eu já tomei a liberdade de comprar um chip, desbloquear, colocar crédito e me adicionar no Whats App, então não liga. — Ele riu.
– Tudo bem. — Sorri. — Podemos almoçar agora?
– Claro, imagino como aquele hospital deve ter te cansado. — Ele sorriu, pegou na minha mão e me puxou pro carro. Entrei e fomos até o mc donalds mais perto comer alguma coisa. Pedimos o lanche e acabamos em trinta minutos.
– Seu pai te deu quantas hora de almoço?
– Duas e meia e o seu?
– Três.
– Falando em pais, cadê á sua mãe?
– Serve aquela ali? — Ele apontou pra porta.
– Ah não, o que raios ela quer?
– Karolzinha. sabe o que que é? É que eu preciso de você na empresa de moda. Faltou uma modelo hoje e teremos provas de roupa.
– Eu modelo? — Comecei a rir. — Você só pode estar de brincadeira comigo. Já parou pra olhar meu tamanho?
– Mas você é magrinha Karol, colabora.
– Pra você estar me chamando é porque está sem opções de pessoas naquela empresa. Odeia bastante gene ein madrasta.
– Vai colaborar ou não? — Ela perguntou.
– Fábio você tem o número da ?
– Tenho sim. — Ele discou do celular dele e me deu.
– Alô amiga? Sou eu a Karol, irmã do Fábio. É que estão precisando de modelo hoje lá e eu não posso ir porque tô trabalhando no hospital do meu pai, você que ri no meu lugar?
– Ah, eu vi no instagram dele amiga, dá pra você dar uns pegas legal nele agora né Karol? . É claro que eu vou, amo moda. — Respondeu. Fábio tinha ouvido o que ela disse e começou a rir.
– Você não tem jeito mesmo né! Então faz assim, vem pro mc donalds que a minha madrasta vai estar esperando você aqui.
– Está bom, beijos. — Desligou.
– Estou indo aproveitar a minha hora de almoço. — Me levantei e Fábio veio junto.
– Tchau mãe. — Se despediu e nós fomos ao parque mais próximo, que era meio deserto. Brincamos, tiramos foto e tudo! Foi realmente muito legal. Depois ele me levou pro hospital e meu pai estava com cara feia. A mãe do Fábio devia ter falado alguma coisa pro meu pai. As horas se estenderam até 22:30 quando meu pai, veio falar comigo.
– O seu irmão está vindo te buscar.
– Você não vai me levar para a casa?
– O que você achou Karoline? Que só porque veio trabalhar aqui tudo mudou? Eu não vou voltar a fazer seus mimos. Você cresceu e quando as pessoas crescem o jeito de tratá-las muda entende? Não vê a sua madrasta com o Fábio?
– Mas eu tenho dezoito anos, diferente dela que tem quatorze e se passar mal não pode nem vir á um médico ainda. — Fábio apareceu na hora. — A Karoline não queria mimos ou capricho, apenas um pai se importasse e que cuidasse dela.
– Quem você pensa que é pra se intrometer na minha vida com ela?
– Sou uma pessoa que conhece mais a sua própia filha do que você. Porque eu cuido dela, diferente de você. — Ele respondeu.
– Moleque mal criado! Olha que eu começo uma discussão digna com você agora mesmo. — Meu pai já se encontrava bravo.
– Não aqui, não na frente dela. Se quiser continuar vamos ser á sós. — Disse pro meu pai. — Agora eu vou levar a Karoline pra casa, porque amanhã ela tem aula. — Fábio pegou a minha mão e foi me levando para á saida do hospital.
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