Era apenas meu meio irmão.

6 Conversas & Confissões.


Fui para casa com Fábio e ao chegar lá paramos na piscina para conversar um pouco.

– Fábio, você não precisa fazer isso, é sério.

– Isso o quê? — Ele me perguntou confuso

– Me defender e levar bronca por minha culpa.

– Eu gosto de você. Não me importo nem um pouco com isso. — Ele sorriu.

– Só que eu me importo, sua mãe se importa e principalmente o meu pai. — Disse eu.

– E se eu te disser que nada disso importa? — Ele se aproximou de mim. — Vai me bater ou sair correndo igual as menininhas de filmes assustadas e com medo. — Disse rindo enquanto colocava a mão em minha cintura e me aproximava mais dele.

– Fábio você sabe que isso é errado. — Afastei meu rosto um pouco do dele.

– E quem são eles pra nos dizer o que é certo ou errado Karol? Sabe o que realmente é certo? É que estou gostando de você pelo que você é e não pelo o que simboliza ou tem.

– Olha eu não sei Fábio... — Disse me soltando dele e me virando para entrar na sala.

– Baixinha, espera. — Ele me segurou pelo braço.

– O q... — Não deu tempo nem de terminar de falar, Fário apenas me virou pra ele novamente e me beijou como se fosse um garoto normal de quinze anos e não meu meio irmão. Talvez ele estivesse certo e o mundo ao nosso redor não importasse. A cada beijo ou toque dele eu me sentia diferente, seja apaixonada ou amada. Eu podia ver e sentir que ele me amava de verdade e quem sabe eu não estaria gostando dele realmente? Deixei ser levada apenas por aquele momento, então coloquei as mãos na nuca dele e fui acariciando enquanto ele fazia o mesmo em minha cintura. Eu não sabia se Fábio era o certo ou errado pra mim, só sabia que pelo menos o que eu estava sentindo era real e gostei disso. Foi nesse exato momento em que a empregada apareceu na porta da sala, a abriu e viu toda aquela cena no corredor.

– Olha Karina, não é nada disso que você... — Fábio dizia meio sem jeito se perdendo nas palavras, como se fosse um garoto de oito anos que fez bagunça onde não devia. Confesso que foi meio engraçado.

– Eu não vi nada. — Ela sorriu e piscou pra gente, entrando em casa como se estivesse tudo normal. Nós rimos.

– Não foi engraçado tá legal? Quando eu tinha meus dezesseis anos e aprontava ela corria pra minha mãe e eu acabava sempre de castigo. — Ele sorriu.

– Então quer dizer que o Fábio ficou com medo de ficar de castigo de novo? — Ri.

– Vai pensando que foi isso. — Ele me pegou no colo rindo e foi pro quarto.

– Quem te deu essa liberdade? — Perguntei rindo.

– Eu me dei. — Nós dois rimos mais ainda e ficamos bagunçando na cama como se tivéssemos dez anos. Não bastou nem cinco minutos de paz pro meu pai chegar e conversar mais um vez com o Fábio. Os dois foram pro corredor e eu pude ouvir a gritaria do quarto.

– Você está se tornando insuportável garoto! — Ele gritou.

– Sempre fui. Será que você nunca percebeu isso? — Fábio riu do meu pai.

– Você sempre foi assim com as outras meninas. Melhor dizendo, vagabundas que transavam no seu quarto dia e noite. Mas, olha se você encostar um dedo na minha filha... — Meu pai foi interrompido.

– Se eu encostar o dedo nela o quê?

– EU ARREBENTO A SUA CARA. — Meu pai já estava gritando bem alto.

– Como se você se importasse o suficiente com ela pra fazer isso. — Após Fábio retrucar meu pai pegou ele pelo pescoço e já ia bater, até que eu me meti na frente.

– CHEGA! — Gritei.

– Saia da minha frente!

– E se eu não sair? Vai me bater? Porque se for eu ligo pra minha mãe agora e mando ela vir me buscar.

– Ligar pra sua mãe? — Meu pai começou a rir. — Ela nem ao menos se importa com você, te jogou aqui como se fosse cachorro e mandou eu cuidar.

– Não fala assim da minha mãe.

– Me diga, quantas vezes ela te ligou enquanto você está aqui? NENHUMA. — Ele gritou.

– Antes ter uma mãe que me abandona, do que um pai que nem ao menos cuida de mim estando bem na frente dele. — Sai dali e fui pro quarto do Fábio. A discussão finalmente parou e logo ele estava ali, olhando pra mim.

– O que foi? — Acabei soltando um sorriso. A cara dele estava bem engraçada.

– Temos aqui uma bad girl? — Nós rimos.

– Nada haver. — Sorri.

– Sei. — Ele se deitou ao meu lado sorrindo e acariciou meus cabelos. — Estou vendo que mudou muito desde o primeiro dia que chegou aqui.

– Não tem nada haver com isso.

– Com o que?

– Esquece isso Fábio.

– Quero saber. — Nós rimos.

– Tudo bem. Tem haver com o nosso beijo, pronto falei. Havia alguma coisa de especial nele e não sei de que forma mas, ele me deu força pra fazer o que fiz. Foi isso. — Disse com um pouco de vergonha.

– Interessante — Fábio riu.

– Para. — Fiquei vermelha.

– É que você é tão bonitinha assim.- Ele sorriu.

– Sabe o que foi bonitinho? Ver você se borrando de medo de todos descobrirem do beijo. — Cai na gargalhada.

– Ah é assim? Vamos fazer guerra então? — Ele sentou comigo na cama e começou a me beijar novamente.

– Olha que se continuar assim, eu não durmo mais com você a noite em? — Falei dando selinhos nele.

– Por quê? Tá com medo de ser estuprada é? Olha que eu sou perigoso a noite. — Ele ficou em cima de mim.

– Uhum, isso mesmo. — Respondi rindo.

– Ahh sem graça, queria ver o medo em seus olhos. — Ele saiu e se sentou novamente.

– Se fizer isso de verdade, você consegue. — Sorri pra ele.

– Interessante.

– Ops, falei. Olha Fábio não inventa. — Saimos correndo pelo quarto rindo e segui correndo até o banheiro.

– Sai dai Karol, eu me rendo.

– Mentira, mentira. — Ri mais ainda.

– Fábio, onde já se viu?! Deixa a menina. — Outra empregada falou e ele sossegou o facho. Foi ai que eu sai e nós finalmente fomos dormir em paz.