Era amor antes mesmo de ser.
2 Amores roubados.
Notas iniciais
– Adele? — Ouvi a voz de Eduardo e uma leve batida na porta. O sol emanava das grandes janelas abertas, meus olhos ardiam e eu me perguntava: Porque havia chorado tanto? Porque? — Adele..? — Chamou de novo.
– Entre. — Disse baixinho e ele abriu a porta, segundos depois adentrou o quarto. — Bom dia, senhorita.
– Bom dia Eduardo.- Eu limpei a gaganta e olhei para a cesta em suas mãos, desconfiada. — Oque é isso?
– Chegou pra você. — Disse e caminhou até mim, eu me sentei na cama e segurei a bonita cesta, que continha um grande urso e alguns chocolates. Tirei o cartão e o li atentamente: Obrigado pelos belos momentos que passamos ontem, fico triste que a noite tenha terminado daquela forma, mas mesmo assim, valeu cada instante. Você é uma mulher incrivel, e eu nunca esquecerei a noite Anterior. Com amor, Anthony. Só quando fui guardar o cartão noitei que ele havia vindo lacrado. Mas, estava aberto.
– Estava aberto. — Eu disse e ergui o bilhete. Ele sorriu de forma sem graça e disse:
– Eu sei. Desculpe,precisava conferir oque era... Segurança, sabe? — Disse, seu tom realmente demonstrava vergonha por ter de fazer aquilo
– Tudo bem. — Disse. — Entendo.
– Er, vou lhe deixar sozinha, bom dia. — Disse e eu acenei com a cabeça. Sua expressão era seria, Fez uma reverencia e saiu do quarto, batendo a porta ao passar. Com toda certeza: Aquela reverencia havia sido para me provocar. Assim que ele saiu, eu me levantei e caminhei até o banheiro, vesti-me com calça jeans e uma blusa rosa setim de alças finas, voltei para a cama e abri a cesta, o urso azul claro era lindo e eu comecei a comer os bombons, liguei a tv mal prestava atenção no que passava, meus pensamentos só queria se ligar em uma pessoa: Eduardo. Mas eles logo foram interrompidos: o ar começou a se fazer necessario, e por mais que eu tentasse respirar, meus pulmões não obedeciam. Minha cabeça do nada começara a doer, pareciam milhares de agulhas ferroando meu cerebro e por mais que eu estivesse com raiva dele, precisei gritar:
– Eduardo!
POV. EDUARDO.
– Droga. — Eu disse ao sair do quarto de Adele e seguir para o escritorio. Eu tinha que mandar um relatorio completo para o Rei Maxon sobre como sua filha estava e como havia sido a semana, mas eu tinha que admitir: Eu não conseguiria prestar atenção. Esmurrei a mesa com força e caminhei até a grande janela que se concentrava ali. Oque diabos essa garota fazia comigo? Perguntei a mim mesmo enquanto encarava a vista com os lábios e punhos cerrados. "Eduardo, você tem 23 anos, é maduro o suficiente para saber que se algo acontecer... " Uma vozinha irritante soou no fundo de minha mente, eu suspirei e sorri com sarcasmo, aquela garotinha não tinha nem um tipo de influencia sobre mim.
– Eduardo! — Ouvi o grito abafado de Adele e sem pensar duas vezes me joguei contra a porta e corri em direção a seu quarto, com a mão na cintura, pronto para pegar a arma, adentrei o quarto dela e notei-a jogada contra o chão, seu rosto tinha um tom de vermelho vivo e seus olhos azuis queimavam na mesma cor, ela claramente tinha dificuldades para respirar, mas mesmo assim, mesmo tão... Mal... Ela estava inacreditavelmente e incrivelmente linda.
– Adele! — Gritei e corri em direção a ela, segurei seus pulsos com firmeza e comecei a falar. — Oque houve com você? Oque está sentindo?
– Ar... — Ela balbuciou e senti que ela amoleceu sob minhas mãos. Droga! Droga! Droga! Envolvi ela em meus braços e rapidamente me levantei do chão, enquanto descia as escadas eu mal respirava, não pelo esforço de carregala — Adele mal pesava 60 kilos — Mas sim pelo medo, medo de perde-la. Mas não só medo do que aconteceria comigo caso ela partisse, mas sim medo de que ela partisse. E por mais que a situação fosse estranha e dolorosa, eu me senti feliz. Feliz por te-la em meus braços, eu esperei isso por meses, esperei ter ela por meses... Eu não podia perde-la, não podia...
– Oque houve?! — Gritou Sebastian quando passei com Adele pela porta de saída, não expliquei, só balbuciei as palavras "Hospital, agora" e segui para as escadas, aquele jato de adrenalina que pulsava em meu corpo não permitiria que eu ficasse dentro de um elevador, a dor em meu peito, a ansiedade por conseguir ir para o hospital, o medo de perde-la, o medo do que aconteceria comigo caso ela morresse, tudo isto, fazia com que minhas pernas se movessem extremamente rapidas pelas escadas que ligavam o 22º andar até o primeiro.
POV. Adele:
– Oque houve...? — Balbuciei ao acordar num quarto claro, Eduardo estava parado encostado na parede de frente para mim, encarava o chão como se tentasse resolver uma questão de matematica mentalmente. -
– Adele... — Disse ao me ver e veio em minha direção. — Eu fui tão idiota...
– Oque aconteceu...? -repeti retomando o ar. -
– Aquelas coisas que você recebeu. Havia veneno naquilo. — Disse e se aproximou da cama, sua expressão era tensa e por mais que ele se esforçasse para permanecer frio e profissional, eu tinha certeza: Havia dor ali.
– Veneno? — demorei certo tempo para entender a seriedade das palavras de Eduardo. — Impossivel....
– O cara com quem você dormiu noite passada lhe mandou uma caixa de bombons envenenada. — Disse e revirou os olhos. — Isto é para aprender a não dormir com qualquer um. — Sua raiva era nitida, e eu quase ri por isto. Eduardo Nietzsche estava com ciumes de mim?
– Ha ha ha! Que graça! Eu não dormi com ele seu imbecil. — Disse com raiva, demorei segundos para entender suas palavras e mais ainda para me sentir ofendida.
– "Obrigado pelos momentos fantasticos da noite anterior" — Ele repetiu as palavras do bilhete com a voz debil e novamente rolou os olhos. — Pelo amor, engane outro.
– Você não tem nada a ver com a minha vida! — Gritei e logo me arrependi, duas enfermeiras entraram no quarto e antes que a porta se fechasse eu pude perceber varios e varios guardas do lado de fora. Guardas do palácio... E eles só viriam para cá, se....
– Filha! — gritou minha mãe segundos depois da porta se fechar. — Você está acordada! Ah meu Deus! — Minha mãe era ruiva assim como eu, tinha os olhos azulados, assim como eu, e tinha um genio forte, assim como eu.
– Calma mamãe. — Disse tentando fazer com que ela se acalmasse, mas isso só serviu para ela correr até mim e me abraçar.
– Eu tenho tanto medo de te perder. — Balbuciou entre lagrimas — Voltará hoje para o palácio.
–Que? Não! — disse e a soltei rapidamente. — Mãe! não!
– Sim. — A voz forte e imponente de meu pai surgiu e logo o vi vindo em minha direção. — Já mandei que a central se disperçasse, já mandei para que levassem todas as suas coisas para Illéa e já mandei cancelar o aluguel do seu apartamento.
– Não quero ir! eu construi uma vida aqui.
– Irá construir outra lá, esta foi a gota d'gua. E aproveitaremos sua volta para fecharmos uma aliança.
– Como? — Minha mãe disse e encarou meu pai pela primeira vez desde que ele adentrou o quarto.
– O Principe Henrrick de Arendelle esta com seu pai em Illéa. Vocês irão se casar.
– NUNCA! — gritei o mais alto que consegui e desviei meus olhos para Eduardo, achei que ele estaria frio, profissional e automatico como sempre, mas me surpreendi com sua expressão mortificada, assim com eu, ele gostava de morar aqui, de ficar longe do palácio.
– Não é uma decisão que cabe a você. — Disse.
– Pai! por favor! — Eu tentei implorar, mas sua expressão dizia que era em vão.
– Você irá se casar, querendo, ou não. — Disse e me encarou.
– Senhor, não acha que é muito cedo para tal? — Eduardo disse e olhou para o chão, eu sabia que meu pai daria a ele uma má resposta, por isto não me surpreendi quando o fez de fato:
– Não se meta onde não é chamado, rapaz. — Disse ele em tom firme e voltou a me encarar. — Terás alta hoje, e iremos para casa.
– Mamãe... — Olhei para minha mãe e ela tentou sorrir, seus olhos estavam preenchidos de água e ela me olhou balançando a cabeça num sinal negativo, nem ela consiguiria dobrar o papai. Meu pai saiu do quarto e fora seguido por minha mãe, e Eduardo veio para perto de mim.
–Sinto muito. — Ele Disse baixinho enquanto desviva o olhar, aquela expressão triste não combinava com ele. — Sinto muito mesmo.
– Eu não quero, não quero isso... — Sussurrei e o no em minha garganta se intensificou.
– Eu não queria que tudo tivesse terminado assim... Se eu tivesse sido mais cuidadoso, mais.... — Eu o interrompi.
– Você não tem culpa. Pare com isto... — Eu me interrompi quando vi seus olhos merejarem. — Você está....
– Não. — disse ele ao levar a mão direita até os olhos e limpar a pequena umidade que se formava ali. Havia quase dois anos que eu convivia o tempo todo com Eduardo, e com o tempo, ele se tornou um grande amigo e depois, depois de não muito tempo, eu descobri estar apaixonada por ele. Agora aqueles grandes olhos azuis-acizentados, estavam vermelhos e sua expressão era de dor, por um momento, passou algo por minha cabeça: Será que ele sentia o mesmo que eu? Não tive tempo de perguntar, ou de argumentar, só tive tempo de olhar para sua expressão uma ultima vez, dali para frente, nós nunca mais nos veriamos, e minha ultima lembrança dele seria aquela expressão de choque e dor, isso partiu meu coração. A enfermeira adentrou o quarto e seguiu até meu leito, eu estava de alta e agora, voltaria para o palácio. Não pude evitar que as lagrimas escorressem por meu rosto, tudo estava acabado. Tudo....
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