Era Uma Vez... #paralisada
20 Capitulo 19 – Toc-Toc! Adivinha quem é?
Notas iniciais
Capitulo 19 – Toc-Toc! Adivinha quem é?
TRAILER: https://youtu.be/v_0QqQEl75E
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— O que faz aqui?
Rosalie se assustou deixando a cesta cheia de ervas cair.
Ben Bennet se apressou para ajuda-la.
— Desculpe não quis assusta-la.
— Não foi nada. – ela se levantou já com a cesta.
— Olá Rose! – Isabella saldou e ela a cumprimentou com um aceno — Qual é o cavalo, Ben?
— O da ultima baia, notei que esta mancando. – Isabella sem rodeios foi até o lugar – O que faz aqui? Quase não sai daquela cozinha. – disse simpático.
Rose sorriu.
— Eu estava passando, fui colher algumas ervas e meu irmão pediu que eu ficasse para te avisar que o chamado da natureza foi forte.
Bennet riu.
— Eu falei para ele não comer aquelas amoras.
— Amoras é? – ela disse pensando analogamente com o amor.
Mas apesar de ser uma romântica incorrigível e ter seu grande amor platônico, Rose temia pela vida do irmão. Ele estava se arriscando por algo que estava claramente impossível de acontecer.
— Rose, por acaso tem menta em sua cesta? – Isabella perguntou retornando.
— Não, mas poderia ir colher para a senhorita em cinco minutos.
— Não, me diga onde é que eu vou, não quero te atrapalhar, Margot de mataria se eu atrasasse o almoço.
Rose riu.
— Não se preocupe. – colocou a cesta em cima da mesa – Volto em um instante.
Rose saiu antes que Isabella negasse novamente. Estava feliz em ajudar a hospede tão querida de sua senhora Lady Alice. Entrou na campina em direção as hortaliças, se tinha uma coisa que Rosalie adoraria, seria ser livre para correr e rodopiar naquela campina. Mas seus dias se se resumiam na cozinha, amassando massas, batendo ovos, cortando carnes, fazendo queijos. Seus instantes de alegrias se baseavam quando Margot a indicava, entre todas as funcionárias da cozinha, para que fosse colher ervas.
Juntou felizmente as folhas de menta. Dois punhados provavelmente seria o suficiente.
Voltava ainda saltitante quando o viu. O capitão surgiu como uma miragem diante de seus olhos. Rosalie se escondeu por detrás de uma arvore para poder admira-lo melhor. Ele parecia os príncipes dos contos de fadas que sua adorável mãe era acostumada ler para ela e que quando adoeceu, Rose passou os seus últimos dias retribuindo a generosidade. Alto, forte, destemido e muito bonito. Ele trajava a capa de caça que caia muito bem por seus ombros largos. O capitão sorriu, daquela maneira única, as duas covinhas sobressaíram e os olhos fecharam um pouquinho. Suspirou. Ele jamais sorriria para ela daquela maneira, ele, por toda a vida em que veio a Devonshire, sequer notou sua existência. Nem quando ela, uma tola completa, escorregou na lama bem de cara no chão e ele a ajudou a se levantar. Nem para rir dela, ele se lembrou de seu nome.
Finalmente Rosalie descobriu para onde ele ia e para quem sorria. A Senhorita Swan tinha um sorriso no rosto e mantinha as mãos na cintura. Ela o aguardava na lateral do estabulo.
O Capitão caminhava para um destino no qual não poderia ir junto, jamais. Ele ia em direção a uma mulher que não era ela e que também não era capaz de ser, ainda mais com seus vinte anos de idade, quase marginalizada naquela sociedade em que mulheres acima desta idade eram consideradas solteironas indesejadas, deixando apenas uma única opção: Se casar por obrigação e não por amor.
Os dois sorriram. Ela disse algo o que fez sorrir. E então ele disse algo que a fez se entristecer. Isabella Swan se importava tão pouco com o que pensavam dela, que talvez fosse isso que o atraia até ela, apesar de quase todos saber dos sussurros da idade, dos hábitos tão selvagens e da fala tão provinciana, Isabella ainda o tinha, o tinha apesar de não ter sequer uma memória de quem era. Rosalie apertou as folhas de menta em sua mão, esmagando algumas e sentido o cheiro da essência. Isabella parecia agora decepcionada com o que ele dizia.
Rose não soube dizer o porque resolveu se esgueirar pelas arvores e se aproximar. Mas queria muito saber o que eles diziam um paro o outro.
— ... e venha comigo. – ele disse
— E isso seria certo? – Isabella rebateu – Capitão, sabemos que..
— Case-se comigo. – ele segurou as mãos dela e Rosalie se encolheu como se sentisse dor – Eu sei que se opõe terrivelmente a ideia do casamento, mas te garanto que jamais a farei se sentir como essas mulheres sem voz. Senhorita Swan, o que me cativou foi sua língua afiada, como eu poderia pedir que mude quem tu és?
Isabella suspirou.
— Está jogando sujo comigo. Tentando fazer me sentir mal por sua partida. Sabemos que eu não tenho nada a te oferecer, a qualquer momento posso – ela hesitou e seu tom de voz ficou mais baixo – posso simplesmente desaparecer. – suspirou — Posso partir.
— Não precisaria partir se decidisse ficar, comigo.
— Pensei que queria me ajudar a voltar para casa.
— Não necessariamente, aqui poderia ser sua casa.
Ela suspirou mais um vez e Rosalie começou a sentir seu estomago doer.
— Então não necessariamente superamos o fato de eu não poderia ser capaz de te amar. – aquilo foi um golpe na face de Rosalie, ele queria uma mulher que não o amava? Enquanto ela, Rosalie Lilian White o amava desesperadamente, profundamente, incansavelmente?
— Porque ama outro, ou porque pensa que não merece ser amada?
Ela engoliu seco e deu um leve soco no peito dele.
— Você é um ótimo jogador, mas não é bem assim como pensa.
O capitão riu.
— Senhorita Swan, apenas quero que saiba que eu estarei te esperando até o momento em que eu tenha certeza que não irá precisar de mim. Você tem em mim um amigo, um protetor, um lar.
Rosalie pensou em se afastar diante daquele silencio e troca de olhares tão únicos e secretos que pareciam que iriam esmagar a sua insignificância. Então Isabella o abraçou. Ele escondeu o rosto no vão de pescoço dela e contornou os braços em volta de sua cintura.
Aquele momento era tão íntimo que Rosalie corou e se afastou o mais rápido que pode. Se escondeu atrás de um carvalho; ofegante, deixou que as lagrimas escapassem. Não poderia odiar Isabella Swan por ser amada por ele, mas não conseguia evitar o rancor e a raiva que afluía em seu peito em direção a mulher que mais parecia perdida do que qualquer outra coisa. Também não poderia detesta-la por não ser capaz de retribuir o amor dele, mas não era tão nobre ao ponto de ignorar tudo o que ouviu e tudo o que sabia. Rose não era uma santa, uma tola ou ignorante, ela nunca mais poderia olhar a senhorita Swan nos olhos e esconder a magoa e o desprezo que possuía por ela agora.
Rosalie sentia seu coração se partir em mil.
— Rose! – se virou para Ben Bennett – O que aconteceu? Você esta chorando?
Rose queria limpar as lagrimas com as mãos, mas elas estavam ocupadas com menta.
Enfurecida e magoada, entregou as folhas para o cavalariço e correu em direção a sua cesta. Em quanto corria e ignorava os chamados preocupados de Bennett, sentia o papel que havia recebido há alguns dias e estava escondido no espartilho, pinicar sua pele.
Agarrada a sua cesta, voltava as pressas para a cozinha. Uma decisão tão importante já tomada talvez pelos motivos errados.
— O que há com você, garota? – disse a cozinheira Paddinton – Demorou bem mais do que necessário, estamos sem tempo para as suas fantasias.
— Desculpe. – murmurou. Lavou as mãos e começou a descascar as batatas.
— Não. – disse a cozinheira – Não. Saia dai, por sua expressão não esta com condições de cozinhar absolutamente nada. Vá atrás de Margot no escritório dela e peça que te arrume algo que não seja destruir meu almoço.
Rosalie largou as batatas e a faca. Limpou as mãos no avental e se sentindo um camundongo foi em busca de Margot. Deu duas batidas fracas na porta, esperando que não fosse ouvida ou ignorada para por fim se esconder em seu quarto que dividia com Popy.
— Entre. – disse a voz de dentro. Abriu a porta um tanto resignada – Rose, algum problema com o almoço.
Negou com a cabeça, já não conseguia esconder que estava desmoronando. Margot logo percebeu.
— O que houve, entre, feche a porta.
Foi o que Rosalie fez e então caiu no choro.
— Oh, querida, o que aconteceu? – Margot a sentou e se ajoelhou ao seu lado.
Pela misericórdia do bom Deus, tantas coisa haviam acontecido em sua vida e ela tinha se mantido tão forte. Sua mãe, Bethany, vencida pela febre. Seu pai, Edgar, se entregou a uma pneumonia por desgosto no ano seguinte. Seu irmão, Jasper, sem quase juízo algum arriscando o pescoço e o pouco que tinham. Ela abandonando sonhos para tentar manter com o sobrou das memorias de sua família.
— Não posso mais ficar em Devonshire. – disse chorosa — Tenho medo de abandonar meu irmão aqui, Jasper é tão impulsivo, que me preocupo com as loucuras que possa fazer sem mim para colocar juízo em sua cabeça, mas sinto que já não posso mais ficar.
Era uma verdade dolorosa. Devonshire não era mais um lar, era uma sepultura. E de repente, ser pega por essa realidade, que seus sonhos de menina jamais poderiam se concretizar, que seu amor era fraco e inútil, havia a fragmentado.
O amor não era o suficiente, finalmente havia entendido. Seu amor não manteve seus pais vivos. Seu amor no era capaz de livrar o irmão da própria insanidade. Seu amor não era nada para o capitão.
— Céus querida o que aconteceu para que fique neste estado. – insistiu Margot.
— Já amou, senhorita Margot? – perguntou olhando em seus olhos.
Margot então entendeu uma parte dos fatos. Sempre soube da paixão de Rosalie pelo Capitão McCartney desde quando ela era uma garotinha de 15 anos que foi socorrida por ele quando escorregou em uma poça de lama e ficou parecendo um suíno. Santo Deus, como aquilo ainda podia perdurar por tantos anos?
— Querida, o Capitão...
— Nunca irá olhar para uma ajudante de cozinha, eu sei. – fungou – Não sou estúpida. E também nunca deixará de ser amigo do Duque. Isto significa que eu, nunca estarei livre de sua presença. E eu já não tenho muitas expectativas de um futuro aqui.
— Partir não seria muito drástico? E partiria para onde? – Margot limpou algumas lagrimas de seu rosto – Ben Bennett tem intenções muito honradas com você, e seu irmão ficaria muito feliz de ter um amigo como cunhado. As vezes alguns presentes para nossa vida não veem embrulhados da maneira que almejamos.
Rose negou e o rosto tornou a se encher de lagrimas. Calmamente retirou o papel do espartilho. Era uma carta de seu tio Antony Foster, ele era irmão mais novo de sua mãe e morava em Londres. Estava fazendo uma boa carreira como contador. Tinha conseguido algumas amizades importantes e com isso, um emprego mais decente para ela.
— Meu tio Tony me enviou esta carta. Disse que eu fosse o mais rápido possível para Londres – Margot pegou a carta – ele conseguiu um emprego para mim. – Margot desviou os olhos da carta para ela – Dama de companhia da filha do General Von Trap. Disse que Georgiana é uma boa moça e que eu estaria com ela por onde quer que fosse.
Margot voltou a ler a carta, ela dizia muito mais que isso. Que ali Rose tinha a chance de crescer e muito provável encontrar um casamento muito bom, aprimorar seus conhecimentos, conhecer lugares nunca antes imaginado por qualquer um que tivesse nascido, crescido e estivesse fadado a morrer em Devonshire.
— Querida, isso é maravilhoso. – voltou afagar o rosto dela, agora finalmente entendendo as decepções de Rosalie. Não era apenas um coração partido, era um coração desiludido com a família, a vida e o amor. – Então não pense nisso como uma fuga, mas como um ato de liberdade. Seu tio foi muito atencioso e sortudo em te encontrar este emprego.
— Apenas me preocupo com Jasper, sabe como ele vive no mundo da lua.
— Jasper é homem. Ele irá se estabelecer em algum momento. E sei que o fato de serem gêmeos e terem essa amizade que poucos irmãos possuem a faz se sentir mal por deixa-lo. Sempre estiveram juntos não é mesmo? – Rosalie assentiu – Antes até mesmo de nascer. Mas uma coisa é certa querida, existem momentos que é necessário cortar o laço e voar.
Rosalie de repente se sentia mais segura e tranquila. Margot tinha essa estranha capacidade. Mas ainda assim a ferida estava aberta e sangrando.
— Esta me dizendo para ir?
Margot sorriu diante da inocência adorável de Rose.
— Estou dizendo que já deveria estar lá. Vamos, levante. – foi o que Rose fez – Agora limpe suas lagrimas, vá para o seu quarto, tome um banho, tranquilize-se. – suspirou – Irei organizar isto sim? Falarei com Duque, com seu irmão, com Albert. Apenas se preocupe em fazer as malas. Pedirei para um dos lacaios irem ao vilarejo enviar o telegrama ao seu tio. – Margot sorriu – Você morará em Londres, assim como sempre foi o sonho de sua mãe.
∞
O Duque entrou em sua biblioteca tentando se convencer de que não precisava de uma dose de Bourbon.
Mas o grande erro era, tinham ficado demais no bosque em uma caçada que não terminaria em absolutamente em nada. Tinham se dado o trabalho de acender uma fogueira. Tinha se permitido a ser induzido por Robert a compartilhar aquele maldito run fortíssimo de seu cantil, como costumavam fazer quando tinham seus vinte anos.
Ele deveria saber que, quando isso acontece, se esta condenado a absorver informações desnecessárias, a perceber detalhes antes não notados, a compartilhar assuntos proibidos.
Se não tivesse se sentado naquela roda, ele não teria sem embriagado lentamente com o run. Não teria observado Robert esticar as suas pernas, rir e então dizer.
— Notei algo no baile. – tomou um gole – A Senhorita Swan realmente é uma mulher diferente.
Ele, Willien e Emmett rolaram os olhos para tal constatação óbvia. Mas Edward não queria entrar no assunto Isabella Swan, não hoje, não depois de fazer tão pouco tempo que se enfrentaram naquela maldita manha e ela disse “E o que eu deveria fazer então? Bordar? Pintar? Praticar voltas no salão para saber como sensualizar a minha silhueta e ao mesmo tempo parecer inocente?” Aquela junção de palavras sensualizar a minha silhueta, estava o atormentando, assim como o olhar que ela lançou para ele quando analisou seu corpo no vestido. Parecia que ela sabia demais sobre aquele assunto, parecia que ela queria choca-lo, constrange-lo, ou então, incita-lo a cometer uma loucura.
— Falo sério – continuou Robert diante do desdém dos amigos – Todas as mulheres, digo todas, estavam repletas de joias. Anéis, brincos, pulseira, colares. Pareciam arvores de natal, com tantos adereços. Refletindo a sua riqueza e sua nobreza, realçando a beleza de sua pouca pele que a decência as permite mostrar. – suspirou tomando mais um gole e então passando o cantil para o capitão – Mas a senhorita Swan, sequer usava um broche. E te digo, não se incomodou com isso. Ela estava nua de joias, e ainda assim brilhou por toda a noite. Ninguém sentiu falta de saber qual seria o nível de sua fortuna e status, e ainda arrisco dizer, ela estava estonteante. Tão corajosa e acessível. – suspirou – Santo Deus, essa mulher não parecer ser deste mundo. Não parece ter medo de nada. Tão intrigante.
— Não é verdade – rompeu Peter pegando o cantil do Capitão, Edward assistiu os olhos do amigo refletir as chamas da fogueira – ela tem medo.
— Como pode saber? – insistiu Robert – As vezes penso que eu sou capaz de corar e me acovardar mil vezes mais que ela. – Edward riu junto com os outros. Para Robert ter dito aquilo em voz alta, significava que ele estava bebendo do cantil um pouco antes de decidir compartilhar o conteúdo.
— Ela me disse. Ela me disse que tem medo. Eu já suspeitava que ela era boa em mascarar, mas então, naqueles segundos que deixou escapar, eu vi. – Peter bebeu – Ela esta apavorada por não saber como voltar para casa, se vai voltar ou se vai se recordar de como fazer isso. – bebeu de novo.
E veio aquele silencio. E então a sobriedade o pegou de jeito. Olhou para o capitão que agora fitava o fogo sério como se aquela informação significasse algo muito mais do que apenas conversa de bêbados. Assim como significava para ele.
Robert soltou seu alivio em se livrar do Conde. Peter e Emmett riram, mas não Edward que para disfarçar pegou o cantil e levou a boca.
Ele estava finalmente sóbrio, como se não tivesse bebido do run. Porque ele agora estava ciente do detalhe que Isabella Swan não tinha joias para se exibir, consecutivamente, que ela era a própria joia brilhante naquela escuridão do mundo. E então o que apagou seu humor o deixando negro; ela tinha medo. Por nenhum momento ele imaginou isso, mas Willien havia aberto seus olhos, ela estava apavorada.
Se rendeu o Bourbon. Colocou no copo uma dose generosa. Aquilo era algo para se preocupar da maneira que ele se preocupava? Era certo que ele não tinha sido um bom anfitrião a princípio, mas atualmente, ele tinha cuidado dela como uma pessoa decente faria. Ela não precisava temer. Ou precisava? Ele no lugar dela seria capaz de dormir?
Não. Não seria. E não pensou menos de meio milésimo de segundo para saber.
Que coisa irritante de sentir. Essa empatia que finalmente o colocava no lugar dela. Ele gostava da absurda Isabella Swan, se não, não teria...
Olhou para a lareira e caminhou até ela puxando a alavanca que abriu o cômodo escondido nas estantes de livros. Era como um compartimento secreto. Seu cofre. Ali tinha todas as atas e anotações do ducado. Dinheiro, documentos, contratos, cheques, algumas joias.
Foi direto para a gaveta especifica. Robert não sabia de toda a verdade, Isabella Swan tinha joias, mas simplesmente não usava por alguns motivos. O único que ele tinha conhecimento até o momento, era porque ela havia empenhorado e perdido ao menos uma delas.
Então Edward fez aquela concessão a ele mesmo.
Ele gostava de Isabella Swan o suficiente para ter comprado o bracelete que ela perdeu para a loja de penhores.
Se tinha algo que jamais esqueceria era a visão que teve bem naquela biblioteca. A jovem de vestidos até o joelho, mostrando as pernas brancas demais para seu gosto, de rosto e unhas pintadas como uma cortesã, usando um anel, um par de brincos e um bracelete dignos de uma lady com uma elegante coleção de joias de familia. Molhada até os ossos como uma mendiga e com a língua mais afiada que uma adaga de um ladrão.
Sorriu e retirou o bracelete do embrulho. Alisou com o polegar. Gostaria de devolver isto a ela, mas não tinha maneira alguma de fazer isso sem assumir que apesar de tudo, gostava dela.
Não gostava dela como alguém que queria manter para sempre ali perto dele e de sua irmã, mas como alguém, que tinha conquistado sua empatia e que não queria que nenhum mal lhe ocorresse. Sendo assim, acreditava, que ela estava muito desapontada com a perda de seu bem precioso e adoraria ajuda-la recuperar.
Mas não havia como fazer isto no momento, sem passar a impressão errada de que ele se importava demais.
Devolveu o bracelete ao embrulho e então a gaveta. Fechou seu cofre e notou que já tinha esvaziado o copo. Então Albert apareceu anunciando que o banho estava pronto.
O Duque tomou um banho um pouco mais demorado que o normal. Para tirar o cheiro de suor da cavalgada e caçada, o odor barato que aquele run deixava na pele e principalmente, para ver se conseguia limpar a convidada de Alice de sua cabeça.
Era esse o problema do run, ele impregnava pensamentos que até então eram supostamente fáceis de esquecer.
Mas começou a ficar satisfeito quando outros tópicos invadiram a sua mente. Apesar de não gostar da ideia do amigo Capitão viajar sozinho depois da noticia do grupo de assaltantes que estava colocando o terror nas estradas, ele sabia que Emmett tinha completa capacidade de cuidar de si mesmo, e o quanto mais adiasse a lidar com Alice e Aurora dando os chiliques com a viagem surpresa, antecipada e as pressas a Bath, seria melhor.
Alice com uma semana para se acostumar com a novidade, se tornaria uma pessoa adoravelmente tragável. Assim como Aurora para o pobre Robert.
Já vestido, Edward se fitava no espelho, Albert entregava a ele um pente para ajeitar os cabelos.
— Amanhã posso aparar a sua barba se deseja, mi Lorde.
Edward suspirou, ele gostava de sua barba um pouco mal feita, isso o lembrava os tempos que passou no mar e não tinha que se preocupar com a aparência tão impecável.
— Tudo bem. – Murmurou. Tudo bem por Alice, para agradar essa sociedade, tudo bem, porque não tinha como fugir mais. Estava preso.
Duas batidas na porta, Albert foi atender.
— Mi Lorde, Governanta Margot.
— Entre, Margot.
A mulher entrou sem mais cerimonias.
— Teria um tempinho para falar-nos, mi Lorde.
Ele rosnou.
— Não me chame de mi lorde, por Deus, você limpou minha bunda.
Margot riu. Albert rolou os olhos.
— Irei me retirar, mi lorde, precisa de alguma coisa? – a expressão do mordomo era pura diversão.
— Desapareça Albert. – disse irritado com uma mescla de diversão pelo mordomo o alfinetar.
Ele não se sentia mais mal por Albert o chamar assim, tinha insistido para que ele não fizesse, mas Albert não aceitou. Continuou o chamando, tanto que ele se acostumou. Entretanto, Margot fazer uma reverencia para ele e o chamar como um cretino mimado, era demais para ele.
— Parece que esta de bom humor. – disse a governanta se aproximando e ajeitando o nó do lenço.
— Pareço? – perguntou escondendo o sorriso. – Não tenho motivos para estar.
— Nem o que andou bebendo poderia causar essa alegria genuína?
Ele sorriu.
— Talvez.
Margot ainda com aquela expressão desconfiada se afastou.
— Sempre tive medo quando você e Robert se juntavam. Aquele menino é terrível.
— É sobre isso que quer falar.
— Não. – Margot alisou o vestido – Quero falar sobre Rosalie Lilian White.
— Filha dos póstumos senhor e senhora White. A antiga professora de etiquetas de Alice e nosso mais talentoso jardineiro.
— E irmã gêmea do seu cocheiro substituto, Jasper White.
Edward suspirou e se sentou na poltrona próxima a lareira e logo fez um gesto para Margot se sentar na outra. Ela caminhou lentamente até o local.
— A senhorita White não me parece alguém que causaria problemas.
— E não é. – confirmou Margot se sentando – E na verdade, ela recebeu uma abençoada oportunidade de seu tio, Antony Foster, para morar e Londres e ser dama de companhia da ultima filha solteira do general Von Trap.
— Senhorita Georgiana. – murmurou Edward se lembrando do que o aguardava esta temporada.
— Voce é um adorável conhecedor dos fatos, Duque. – debochou Margot e ele sorriu.
— Apenas um bom frequentador da alta sociedade e conhecedor das pessoas que me cercam.
— Isso é bom.
— A senhorita White deve ir. É uma maravilhosa oportunidade viver na corte.
— Era o sonho de sua mãe, Bethany, que a filha pudesse voltar ao lugar onde nasceu.
— No que precisa de mim? – Edward foi direto ao ponto.
— Ela precisa partir as pressas e eu precisarei em breve de uma substituta para a Senhora Paddinton, a cozinheira. O fato é, que eu gostaria de dar a ela todos os recursos possíveis. Fiz uma carta de recomendação e penso que seria de extremo valor que...
— Eu fizesse uma também. – Edward completou – Farei. E dê a ela um salário bônus para que não fique desprotegida. O Capitão parte em dois dias para Londres, ela irá com ele.
Por todos os anos em que Edward conhecia Margot, nunca tinha a visto ficar pálida ou chocada daquela maneira.
— Eu disse algo errado? – Edward questionou diante do silencio da governanta.
— Não, é que – ela piscou atordoada – Não sei se seria de bom tom que Rosalie viajasse a sós com o Capitão.
— Capitão é o tipo de homem que eu entregaria a vida de Alice em mãos, Margot. Ele jamais faria algo para ofende-la ou por sua honra em questão.
— Eu sei, mas...
— Entendo sua preocupação – ele se levantou e foi até a cômoda pegar seu relógio de bolso – Mas não há maneira mais segura de viajar para qualquer lugar, do escoltada pelo próprio capitão da guarda. Ou prefere que ela vá de carruagem pública?
Margot assentiu. Parecia lutar conta o um sentimento protetor que Edward nunca havia visto por ninguém, nem por ele ou Alice.
— Tem razão. A única coisa que temo, é que Rosalie é muito tímida e não sei como receberia a noticia que teria que dividir a cabine da carruagem com um homem desconhecido. Mesmo sendo o capitão.
Edward sorriu.
— Traga-a amanhã para o chá da tarde na biblioteca. A entregarei a carta de recomendação. E afastaremos esta sombra.
Margot se levantou.
— Sinto em te contrariar, mas para mim, nasceu para ser um Duque, — ela sorriu terna — tem um coração muito bom.
Edward riu. Mas a governanta que esperava um pouco de deboche e irritação disfarçada, encontrou um fio de tristeza nos olhos. Ele não parecia estar contente em ouvir aquilo.
— Talvez não seja todos que pensam assim.
O Duque respondeu se lembrando do veredicto que havia feito aquela manha, que neste instante parecia tão longe. Ele havia posto uma família na rua, sem qualquer perspectiva. Tentou se convencer de que o que estava fazendo pela filha do jardineiro não era para tentar suprir o que não pode fazer pela família Fliztman.
— É melhor descer para o jantar, acredito que já tomei muito do seu tempo.
Edward estendeu o braço para a governanta que aceitou ser guiada por ele até o hall de entrada onde se separaram.
Na sala de piano o capitão e a senhorita Swan estavam sentados muito próximos, pareciam compartilhar segredos.
— Boa noite. – saudou apenas pela crescente necessidade de acabar com qualquer que fosse o motivo que os mantinha tão próximos. Isabella se limitou a acenar com a cabeça.
— Se sente bem? – perguntou Emmett se levantando – Minha mente esta um pouco embaralhada. – confessou o amigo chegando mais perto e abaixando o tom.
Edward concluiu que era por isso que o capitão se esqueceu de mantar a distancia devida da Senhorita Swan.
— Um pouco afetado. – murmurou de volta.
Isabella finalmente se sentia um pouco deslocada. Edward não soube porque se sentiu bem com isso.
Mas havia percebido que aquela semana que se passou, Emmett e a convidada de sua irmã, estavam distantes um do outro como se possuíssem alguma doença contagiosa. Havia ocorrido algo, era um fato, mas não era o suficiente para mantê-los longe por tanto tempo. Aparentemente, haviam superado o desentendimento.
Aurora não desceu para o jantar. Receberam o recado de que estava indisposta. Para Robert era apenas um teatro devido a viagem a Bath, Alice tentava negar. Edward notou Willien imergir em um silencio sepulcral.
O Duque finalmente desistiu de lutar contra aquela sensação ruim no peito ao ver que sim, o capitão e a Senhorita Swan haviam feito as pazes. E por mais que era o anfitrião, finalmente estava entre amigos; por isso se despediu, dispensou o Bourbon e o charuto e subiu para os seus aposentos.
Nunca mais voltaria a tomar o run. E isso era uma promessa.
∞
O relógio badalou meia noite. Isabella estava exausta. O dia tinha sido cheio e peculiar.
Desde ao alvorecer e até o anoitecer, ela não teve sossego.
Os Fliztman, a briga com o Duque, a partida do Conde, sua boca grande deixando escapar seus segredos a Peter Willien, finalmente um plano para voltar para casa, sua amizade reestabelecida com o Capitão, o surpreendente mau humor de Bennett.
Mas nada superava ao que tinha descoberto sobre si mesma.
Seria possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Ela poderia estar apaixonada pelo capitão e pelo duque?
Case-se comigo. Ele tinha pedido mais uma vez. E dessa vez não quis fugir. Não quando em seguida ele disse: Você tem em mim um amigo, um protetor, um lar.
Ela tinha muito mais ali do que em qualquer outro lugar no tempo e no espaço. O que o Capitão oferecia, era muito mais do que ela imaginou. Seu coração batia forte como nunca antes. Ela poderia tê-lo beijado, ah, como poderia.
Porque aquele sentimento de que já não estava mais sozinha a inundou por completo. Principalmente quando os braços fortes e seguros a envolveu pela cintura e o cheiro dele de pinho e inverno preencheu seus pulmões.
Mas vinha a dúvida. Amor ou gratidão?
Era isso que destruía seu castelo ilusório de cartas. Seria possível amar duas pessoas, ou ela estava enganando a si mesma quando pensava amar um dos dois? Ou ela realmente era mesmo capaz de amar?
Suspirou e se jogou na cama encarando o teto.
Santo Deus, ela estava ficando mole. Estava se derretendo. O coração de pedra se partindo.
Mas aquela certeza de que Emmett poderia cuidar dela, e que ela poderia ama-lo... se esvairia no instante que seus olhos encontravam com os do Duque.
Ele tinha algo no jeito de andar, de permanecer imóvel, de mover os olhos inspecionando dentro da alma dela, que afugentava toda a leveza que Emmett trazia para seu interior. Edward Cullen instigava a tempestade, o fogo, a tormenta. Seu peito se aquecia em fúria, desejo... paixão.
Não, aquilo não podia ser verdade. O Duque era intragável a maior parte do tempo. Eles se suportavam como podiam, e o fato dela estar apaixonada pela ideia de atormenta-lo não justificava toda aquela confusão em seu interior.
E paixão não era algo divino. Era perigoso e incontrolável.
Assim como a própria Isabella. Trincou os dentes ao perceber isso. Só alguém com aquela mesma fúria poderia doma-la. Não queria assumir isso, mas Emmett não seria capaz de segurar suas rédeas. Agora o Duque... ele não desviaria o olhar e muito menos sairia da frente case a ideia de atropela-lo viesse a cabeça, ele, provavelmente a agarraria pelos cabelos e a faria calar a maldita boca. Como fazia. Não tinham chegado a parte dele agarrar seus cabelos, mas já tinha feito com que calasse a boca algumas vezes e até mesmo se arrependesse das porcarias que tinha dito.
— Mas porque diabos eu estou pensando nisso? – rosnou para o vazio. E então se sentou.
Não importava quem seria capaz de cuidar dela, ou doma-la. A verdade era que Isabella Swan era capaz de cuidar de si mesma, e não precisava de homem algum para faze-la se sentir protegida. E sim, ela iria embarcar em um daqueles navios para os EUA, então para que gastar o tempo com aquele tipo de pensamento?
Se levantou indo apagar a velas, uma raiva silenciosa correndo por suas veias, quando sentiu a magia a chamar. Se virou para a gaveta da prateleira. As pontas dos seus dedos formigaram.
Abriu a gaveta e o livro estava ali. Intocado.
Isabella pegou o livro com certo receio, fazia um tempo que não o lia mais. Tinha ficado entediada com a ausência de sinais. Mas agora, ele parecia até estar morno.
Isabella abriu, e tinha uma nova nota da tia.
02 de Setembro de 1792
Querida Bella, o vento tem várias formas. Acredito que saiba diferenciar uma brisa de um tornado. Como faz parte da sua natureza, pode descobrir qual deles traz uma tempestade.
Não queria testar a sua paciência e sanidade como tenho feito, mas de que outra maneira poderia explicar que o amor tem também suas várias formas? Não conseguirá de uma brisa uma tempestade, assim como não conseguira de um tornado a calmaria.
Cuidado com seus próprios jogos mentais. Eles podem te enganar facilmente. Porque, de onde viemos, o mundo é maior e temos a ilusão de que a felicidade se esconde em seus extremos. Espero que não se demore em perceber que, a felicidade é simplória, não se precisa ir muito longe para encontrá-la. Muitas vezes está ao seu lado.
Toc-toc! Advinha quem é?
O amor chegou, minha doce sobrinha.
E ele pode partir antes mesmo que imagina.
Com amor,
Titia Nora.
P.S: Mas penso eu que para encontrar o amor, precisará reencontrar a si mesma.
Isabella arfou. Imediatamente sua cabeça virou um emaranhado de nós. A única pessoa que partia, era o Capitão.
— Isso não pode ser literal. – murmurou.
Folheou o livro em busca de alguma coisa que pudesse ter a mais, entretanto a única coisa que encontrou era algo que havia esquecido.
Existem três versões de você, a que você é, a que as pessoas veem e a que nem mesmo você conhece e volte meia te surpreende quando aparece.
Ela seria brisa ou tornado?
Que pergunta idiota. Ela era brisa, tornado e tempestade.
Ela era tudo, exceto, calmaria.
E o amor que precisava não era civilizado, era selvagem.
Olhou para seu reflexo no espelho.
Mas penso eu que para encontrar o amor, precisará reencontrar a si mesma.
De fato que teria. Essa Isabella não era a mesma que vivia no Haras. Isabella Swan precisava voltar a ser selvagem.
Era liberdade o que ela queria.
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TRAILER: https://youtu.be/v_0QqQEl75E
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