“Tudo bem não estar bem,

Às vezes, é difícil seguir seu coração.”

Who you are – Jessie J

Capitulo 57 – Who you are

O silêncio dela estava me matando.

Sentia cada vez mais dificuldade para respirar e uma súbita vontade de chorar despontava.

—Thalia, por favor... Só me responda.

Ouvi alguns barulhos ao fundo e então a ligação ficou muda.

Ela tinha desligado.

Joguei o aparelho longe.

A vontade de chorar deixou de ser só vontade.

Quando dei por mim, soluçava igual a uma criança.

Isso não era justo.

Thalia não me disse que eu era o pai, mas alguma coisa me dizia que essa era a verdade.

A coisa toda piorou uns noventa por cento quando constatei que o motivo de não me contarem da bebe era simplesmente por que ela não me queria por perto.

Chorei mais ainda.

Ela não podia fazer isso comigo.

[...]

POV ANNABETH.

Estávamos todos na sala, atacando os cupcakes e outros salgadinhos que tinham sobrado da festa, quando o telefone de Thalia tocou.

Ela verificou o aparelho, franziu a testa e pediu licença, em seguida se trancou no banheiro.

Fiquei curiosa. Quem podia ser?

Não dei muita bola e voltei a devorar a fatia de bolo na minha mão.

Alguns minutos mais tarde, ouvi a porta do banheiro se abrir e decidi ir atrás da minha melhor amiga para ver se estava tudo bem.

Quando entrei no corredor, Thalia estava encostada na porta, segurando o aparelho contra o peito, de olhos fechados.

Cheguei mais perto e notei que ela respirava fora de compasso.

Comecei a me preocupar.

—Thalia? — chamei baixinho.

Ela abriu os olhos, e notei que eles estavam cheios de lágrimas.

Congelei no lugar.

—O que houve? — perguntei preocupada.

Ela deixou um soluço escapar.

—Ele sabe Annie.

—Ele quem? — perguntei assustada. — Sabe o que?

—Percy sabe que é o pai da Bianca!

Senti meu coração falhar uma batida.

Levei a mão instintivamente ao peito.

—Como assim?

Eu precisava me sentar.

Minha melhor amiga me puxou pela mão até meu quarto e fechou a porta.

Me sentei na cama e encarei o chão.

—Ele me ligou Annie. Pediu pra eu ser sincera com ele e então perguntou se ele era o pai do seu bebê.

Minha filha se revirou na barriga.

Botei a mão sob ela, tentando me acalmar.

—E o que você disse? — perguntei quase sem voz.

—Eu... Eu entrei em pânico! — ela gaguejou. — Eu desliguei o telefone sem responder.

Engoli em seco.

—Annie, desculpa! Eu queria ter negado, mas não reajo bem com pressão! Fiquei com medo de mentir mal e ele sacar!

—Tudo bem. — disse pegando a mão dela.

Estava gelada como pedras de gelo.

—Não é sua culpa Thalia. — disse baixinho. — Eu não devia ter mentido.

Senti meus próprios olhos se encherem de lágrimas.

—Você pensou na Bia, Annie. Ninguém pode te culpar por pensar no melhor pra sua filha.

—Eu fui egoísta. — deixei um soluço escapar. — No fundo me sentia tão magoada pela nossa história que não quis esse drama pra minha pequena. Eu só queria que ela crescesse sem se sentir dividida como eu me senti desde que me mudei!

As minhas lágrimas caiam copiosamente, e as de Thalia igualmente.

Ela me abraçou com dificuldade, devido à barriga.

—Escuta. — ela disse depois de um tempo em que estávamos abraçadas. — A decisão que você tomar, vou estar do seu lado. Minto até que fui eu que te engravidei se quiser! — soltei uma risadinha por entre as lágrimas. — Mas tenho pensado muito ultimamente. Acho que Percy será um ótimo pai. Sei que ele é louco por você. E se souber que a Bianca é filha dele, vai ser tão louco por ela quanto.

Suspirei.

Algo dentro de mim já dizia há tempos que eu estava roubando a chance de ele ser um pai incrível.

—Eu sei. Acho que preciso contar a ele.

Mordi a bochecha com força e Thalia deu um sorriso.

—Não queria contar por telefone, mas não posso viajar.

Olhei para o chão.

—Então acho que ele terá que vir até aqui. — ela disse sorrindo.

[...]

POV PERCY.

Eu ainda chorava, com a cabeça entre os joelhos.

Nunca tinha chorado desse jeito, nem quando Annabeth me deixou, anos atrás, mas não podia evitar.

Estava quase ligando de novo para implorar para Thalia me contar, quando o telefone tocou.

Senti uma pontada de esperança, que pudesse ser ela me ligando de volta, mas para surpresa do meu coração o nome que apareceu na tela não foi o de Thalia e sim o de Annabeth.

Peguei o aparelho rápido e atendi.

—Alô? — disse com a voz rouca, devido ao choro.

—Oi. — ela disse baixinho.

E depois disso os dois ficaram em silêncio.

Fiquei extasiado ao ouvir sua voz. Queria dizer tanta coisa, perguntar tanta coisa, mas não sabia como começar. De repente senti medo de que ela estivesse me ligando para mandar que eu parasse de insistir e que a bebe não era minha.

Ela tomou a frente.

—Você está bem?

Suspirei.

—Estou... E você?

Quis perguntar do neném, mas não queria estragar tudo.

Era quase um milagre ela estar me ligando.

—Estou bem. — ela disse depois de um tempo.

Mais uns segundos de silêncio antecederam a próxima fala dela.

—Percy, nós precisamos conversar. — ela disse nervosa. — Mas não quero que seja por telefone. Queria te encontrar, mas não posso viajar...

Eu imaginei que não. Ela já estava no oitavo mês de gestação, não era seguro viajar.

—Então — ela continuou. — Queria saber se você não poderia viajar até aqui.

Senti o peito inflar.

Eu sabia exatamente o que ela queria me dizer.

Eu era pai!

Uma voz na minha cabeça me repreendeu. E se ela só quisesse que eu as deixasse em paz?

Me senti enjoado diante desse pensamento.

—Percy? — ela chamou. — Ainda está aí?

—Estou! — disse rápido. — E claro que posso viajar até aí.

Ela ficou em silêncio mais uma vez.

—Certo. — ela disse depois de um tempo. — Pode me avisar por mensagem quando virá?

Eu já estava planejando comprar a passagem assim que desligasse o telefone.

—Posso. — respondi atônito.

—Tudo bem. — ela suspirou. — Te aviso onde podemos nos encontrar. Até mais.

—Até mais.

Ela desligou o telefone e meu peito pareceu preenchido pela primeira vez em muito tempo.

[...]

Assim que desliguei o telefone, corri para o site da companhia aérea atrás de passagens para São Francisco.

Dessa vez a sorte resolveu sorrir pra mim e consegui um voo às 8h da manhã.

Efetuei a compra e passei para o site de hotéis, fazendo uma reserva no primeiro hotel vago que encontrei. Reservei apenas uma noite, por que parte de mim achava que eu voltaria para casa, sem filhos ou Annabeth.

Ignorei meus pensamentos e corri para o meu quarto arrumar minhas coisas.

Arrumei uma mochila que eu achava suficiente e decidi tentar dormir. Em poucas horas teria que levantar cedo para ir até o aeroporto.

Olhei o meu quarto e pensei no meu apartamento. Se tudo desse certo, meus planos eram não voltar.

Se Annabeth me dissesse que a pequena bebê que ela carregava era minha eu não seria mais capaz de sair de perto das duas. Me mudaria sem pensar duas vezes.

Com o pensamento na minha suposta filha e se ela teria meus olhos, acabei adormecendo.

[...]

POV ANNABETH

Desliguei o telefone me sentindo nervosa.

Eu não tinha ideia da reação de Percy quando eu lhe contasse que ele era o pai da Bianca.

Mal havia desligado o telefone, Thommy apareceu no meu quarto, preocupado com nosso sumiço.

Quando contamos o que tinha acontecido e informei da minha recente decisão, ele fechou a cara.

—Acho esse cara imaturo demais pra ser pai. — ele resmungou. – Acho que você perdeu o juízo.

Eu sabia que na verdade Thommy estava com ciúmes, então não fiquei chateada com suas palavras.

Nos últimos oito meses ele fez o papel de pai da minha bebê e a ideia que isso não seria mais verdade o deixava magoado.

—Você sabe que sempre será um pai para a Bia, não sabe? Não importa quem seja o pai biológico dela.

Ele me olhou meio triste, mas sorriu.

—Eu sei. — ele falou colocando a mão na minha barriga. — Mas não tem ninguém que ame tanto essa garotinha quanto eu.

Eu lhe dei um sorriso triste.

—E ela vai amar o pai de coração dela!

Ele sorriu pra mim e me deu um beijo na testa.

[...]

Apesar de ter concordado com a ideia, Thommy não deixou de odiá-la.

Meus pais já tinham ido embora quando voltamos a sala e Nico estava sentado no sofá, passando os canais na tv.

Quando nos aproximamos dele e contamos o que estava acontecendo ele não segurou o sorriso.

—Eu sabia baixinha! Acredite em mim, o cara vai ser um pai e tanto!

Me senti subitamente animada com a ideia, mas meu melhor amigo fechou mais a cara.

Pelo menos minha filha parecia feliz com a notícia, pois pulava sem parar.

Uma hora mais tarde, meu celular apitou com uma mensagem recém-chegada.

Percy tinha conseguido um voo saindo de NY às oito da manhã, especificamente 5hs da manhã aqui.

A viagem duraria 5 horas e com a diferença de fuso horário ele chegaria a São Francisco por volta das 10hs da manhã, no horário local.

Ainda dava tempo para um café.

Mandei o endereço de um café perto do meu apartamento para ele por mensagem e depois que ele me mandou um ok me senti subitamente exausta.

—Pessoal, vou me deitar. É muita coisa pra um dia só.

Todos me desejaram boa noite e fui para o meu quarto.

Mais tarde, enquanto tentava pegar no sono, decidi conversar com Bianca.

—Ei bebê, está acordada?

A neném se mexeu, como se respondesse que sim.

Eu sorri antes de falar com ela novamente.

—Amanhã você vai conhecer seu pai. Ele é um cara muito legal e acho que vai gostar de saber de você.

A bebê mexeu mais uma vez.

—Sabe, eu estava pensando... Será que você vai ter os olhos dele? Sempre amei os olhos do seu pai...

Comecei a imaginar como seria minha pequena e quais traços nossos ela teria.

Quando idealizei meu pequeno serzinho, loira de olhos verdes, o sono me dominou.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Cambio, desligo!