Capitulo 54 — Waiting

“Três meses e o tormento

Esse teu sofrimento

Eu também já posso sentir.

Vê se aquieta o coração

Pra quando eu sair daqui”

9 meses – Bárbara Dias

12 semanas e meia

Fazia um mês que tinha descoberto que estava grávida.

Desde o momento em que saímos do consultório médico Tommy se tornou super protetor.

Ele passava horas em sites de maternidade e já tinha comprado todos os livros sobre bebês disponíveis nas livrarias.

Minha barriga ainda não aparecia então podia continuar usando minhas roupas comuns e conseguia guardar segredo. Os únicos que sabiam eram Thommy e minha madrasta.

Em uma noite, lá pela nona semana ela me ligou e insistiu que algo em minha voz estava diferente. Quando dei por mim já tinha contado a ela e implorado segredo.

Apesar do pânico que me bateu no dia que eu soube em nenhum momento pensei em abortar ou algo assim.

Não teria coragem.

Ainda não tinha me acostumado com a ideia e os enjoos matinais eram terríveis, mas em um panorama geral estava tudo muito tranquilo.

Naquela tarde Thommy insistiu em sairmos para comprar coisas para o bebê.

—Mas eu mal saí do terceiro mês. Não podemos esperar eu terminar o terceiro trimestre?

—Não! Sou um padrinho/pai babão e vi uns sapatinhos lindos em uma loja no shopping.

Desde que decidi guardar segredo e ter o bebê sozinha, meu melhor amigo passou a dizer que seria um pai param o meu filho.

Não pedi isso a ele, mas admito que não queria que o pequeno crescesse só com a mãe, então acabei concordando com a ideia de que Tommy o “adotasse”.

—Se quiser — ele disse uma noite. — Dou meu sobrenome a ele.

Me senti emocionada.

—Não precisa Tommy. É pedir muito.

—Não é não. Vou amar essa criança como se fosse meu filho. Você sabe disso.

Não falamos mais do assunto, mas ele se assumiu o papel de pai do meu bebê, indo em todas as consultas e fazendo tudo que podia por nós.

—E então? Podemos ir? — ele chamou minha atenção, me tirando das minhas lembranças.

—Mas nem sabemos se é menino ou menina.

—Eu compro amarelo Annabeth! Agora vamos!

Comecei a rir.

Esse bebê nem tinha nascido ainda e já tinha mais roupas do que eu.

[...]

“Quatro meses

Tempo eu te imploro paciência

Eu vim do céu por causa do amor”

9 meses – Bárbara Dias

15 semanas e meia

Faltando meia semana pra fechar 4 meses Thalia me ligou.

Ainda não tinha contado para ela, com medo de ela não concordar e contar tudo para Percy, mas queria que ela e Nico também fossem os padrinhos do bebê, então teria de contar logo.

Ela foi me contando sobre a vida de casada e como estavam indo as coisas por Nova York.

—Ei Annie. — ela chamou.

—Sim?

—Nico e eu estamos pensando eu ir para aí passar o fim de semana. O que acha?

Fiquei nervosa. Preferia mesmo contar a ela pessoalmente e essa era a oportunidade perfeita.

—Acho ótimo! — disse me animando. — Vamos esperar vocês.

—Então vou reservar as passagens.

[...]

Na sexta-feira, Thommy e eu fomos ao aeroporto buscá-los.

Tomei o cuidado de vestir roupas largas, para não marcar tanto.

Minha barriga não estava grande, e dependendo da roupa que eu usava ainda não dava pra notar que eu estava grávida.

—Porque está escondendo a barriga? Não vai contar a eles?

—Vou, mas não quero chocar chegando com uma barriguinha para buscá-los não é mesmo?

—Certo. Por um momento achei que tinha desistido de contar. Pensei no trabalho que íamos ter para esconder todas as coisas de bebê da casa.

Gargalhei e olhei em volta.

—Nós realmente precisamos parar de comprar coisas para o bebê. A casa já está atulhada.

—Não mesmo. — ele disse. — Se depender de mim, essa criança vai ter o guarda roupa da Kim Kardashian!

Gargalhei mais uma vez.

—Vem! Eles já devem estar chegando. — Thommy me puxou em direção à porta.

Alguns minutos mais tarde, nós chegamos ao aeroporto.

Apesar de não estar pesada ainda, eu me cansava com facilidade, então tivemos que parar algumas vezes até chegar ao portão de desembarque onde Thalia e Nico estavam.

Quando os avistamos eles já estavam com as malas.

—Que saudade que eu estava! — Thalia veio me abraçar!

—Nem faz tanto tempo assim, sua exagerada.

—É faz só... — Thommy contou nos dedos. — 16 semanas? — ele disse se referindo ao meu tempo de gravidez.

O olhei feio.

Thalia nos olhou confusa e Nico não pareceu perceber nada.

—Vem. — disse empurrando minha amiga na frente.

Thommas me olhou falando um "desculpa" silencioso, mas muito pouco genuíno.

[...]

Chegamos ao nosso apartamento e Thommy levou as malas dos dois para o quarto.

—Podem ficar a vontade. Vou a cozinha beber um copo de água.

Na verdade o que eu queria realmente era tomar um antiácido contra a azia, mais um dos efeitos colaterais de se estar grávida.

Enquanto pegava o remédio no armário ouvi uma conversa baixinha dos meus amigos.

—Você notou que ela engordou? — Nico sussurrou.

—Não se atreva a dizer algo sobre isso! Você não tem que reparar se ela engordou!

Reprimi uma risadinha.

Ele continuou.

—Mas você notou que ela engordou né?

—Sim. — Thalia disse sem graça.

Voltei para a sala e os dois me olharam como se tivessem sido pegos.

Thommy se juntou a nós em seguida.

—Bom meus amores, vou terminar o jantar. Aceitam vinho?

—Sim, por favor. — Thalia disse se jogando no sofá.

—Para mim pode ser uma cerveja. — Nico disse.

—Certo. Vinho e cerveja. E para a senhorita? — ele disse se referindo a mim.

Ele estava sendo bem pouco discreto.

—Um refrigerante.

—Hum... Açúcar demais não faz bem ao... — ele parou no meio da frase. — A ninguém. — ele se corrigiu.

—Água então. — travei o maxilar.

Thalia e Nico nos encaravam confusos.

Me sentei em um puf ao lado deles.

—Não está bebendo Annie? — Minha amiga perguntou.

—Não. — sorri sem graça.

Ela não fez mais perguntas e engatamos em outra conversa.

Alguns minutos mais tarde decidi ir a cozinha ver como estava indo o jantar.

—Se me dão licença, vou ver como anda o mestre cuca.

Fui até a cozinha e Thommy já colocava uma forma no forno.

—Hum... Você está fazendo lasanha?

—Sim, a receita da vovó Cazalletti.

—Estou morrendo de fome. — soltei.

—Você está sempre com fome.

—Ei, eu como por dois. Minha fome é em dobro.

Ele riu e me mandou sair da cozinha antes que eu atcasse as panelas.

Voltei para a sala e Thalia estava de pé folheando um livro.

Quando me viu ela arqueou uma sobrancelha.

—Leitura interessante. — ela disse segurando um exemplar de "O que esperar quando se está esperando".

Engoli em seco.

—Não tem nada para me contar?

Seu olhar caiu sobre a minha barriga.

—Na verdade tenho. — suspirei.

—Pode começar. — ela cruzou os braços.

Nico nos olhava assustado.

—Podemos sentar?

—Imagino que precise.

—Gente alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Nico disse confuso.

—Vou explicar. Ou melhor, mostrar.

Levantei a blusa larga e exibi a pequena barriga redonda de quatro meses.

A boca de Thalia se abriu em um perfeito "o".

—Você está... Está... — ela balbuciava.

—Sim. Eu estou grávida de 4 meses.

—16 semanas... — ela disse atordoada.

—Você já estava grávida no nosso casamento? — Nico perguntou incrédulo.

—Não. — Thalia afirmou. — Não estava.

—Isso aí. — baixei a cabeça.

—Você me disse que Thommy era só seu amigo. — ele disse surpreso.

—E é. — eu afirmei.

—Então quem é o pai?

Thalia olhou pra ele irritada.

—Oh! — ele exclamou. — Você engravidou no casamento. Uns dias antes.

As bochechas de Nico ficaram vermelhas.

Minha amiga transferiu seu olhar irritado para mim.

—Porque não me contou antes? Ele já sabe? Quero detalhes Annabeth!

—Não sei. Estava me acostumando com a ideia. Não é fácil descobrir que você vai ser mãe de uma coisinha pequena em nove meses. — suspirei. — e não, ele não sabe. E pretendo manter assim.

Os dois me olharam incrédulos.

—Você precisa contar! O cara vai ser pai, ele tem o direito de saber.

—O que tínhamos acabou. — disse convicta. — Não ia ser nada fácil para esse bebê se ele vivesse em uma ponte aérea! A mãe em São Francisco e o pai em Nova York. Então decidi ter ele sozinha.

— Mas Annabeth, não é justo. Você não o fez sozinha!

Thalia apenas nos olhava, descrente.

—Nico, eu gosto muito de você, mas essa decisão é minha. Eu escolhi ser mãe solteira. E agradeço se mantiver silêncio.

—Mas... — ele tentou argumentar.

—É a decisão dela Nico. — Minha amiga finalmente se manifestou e levantou passando os braços pelos meus ombros. -E nós vamos apoia-la em qualquer decisão.

[...]

Nico passou o resto do fim de semana estranho.

Imaginava que para ele seria difícil manter esse segredo, sendo que Percy e ele eram bem amigos, mas a decisão de contar só cabia a mim.

Percy ficaria melhor sem um bebê.

Depois que contei a eles que estava grávida, os convidei para serem padrinhos da criança.

Minha melhor amiga surtou, dizendo que ia amar ser madrinha e Nico pela primeira vez não me tratou de forma diferenciada.

Ele demonstrou alegria e disse que seria uma honra.

—Aí meu Deus, eu vou fazer todas as fotos do meu afilhado! — ela disse empolgada.

— Mas você mora em Nova York. — disse rindo.

—Não me interessa! Uma vez por mês venho fazer as fotos dele, e além do mais preciso acompanhar o crescimento do nosso amorzinho! — ela se abaixou e abraçou minha barriga.

Gargalhei alto e agradeci a Deus por ter em minha vida pessoas que realmente amariam meu filho.

Também agradeci em silêncio por Thalia não mencionar em nenhum momento que eu precisaria voltar a NY.

E era isso que eu pretendia fazer.

Se dependesse de mim, meu filho e eu nunca mais pisaríamos lá.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Cambio, desligo.