Era Uma Vez Um Conto De Fadas
42 Secrets
Notas iniciais
Capitulo 42 – Secrets.
“O amor que um dia eu senti por você ainda está aqui, ele apenas esta guardado para o dia em que eu puder dividir ele com você de novo...”
Uma Aprendiz De Escritora.
POV Percy.
Londres.
–Lizzy, precisamos conversar. – disse suspirando.
–O que houve meu amor? — a ruiva pareceu preocupada.
–Eu... Eu quero terminar. Nós não estamos mais dando certo...
–O que? Porque? Eu achei que estivéssemos bem!
– Eu... Eu estou voltando pra Nova York. E não quero te deixar presa aqui.
–Eu não sei o que falar. Percy você sabe que eu gosto muito de você! – ela disse encarando o chão.
–Eu sei Lizzy, mas eu não posso mais. Aqui não é o meu lugar. Preciso voltar.
Eu havia conhecido Lizzy no primeiro ano de faculdade em Londres. Ela logo de cara me encantou com seu jeito. Porém demorei muito tempo para me abrir para um relacionamento. Eu ainda estava magoado e não queria sentir aquilo outra vez, mas a garota era insistente e me fez perceber a mulher por de trás dos óculos, e foi então que tudo começou. Ela ao poucos foi me ajudando a guardar no fundo de mim o amor que eu sentia por Annabeth, mas apesar de todos os seus esforços ele continuou lá, vivo, só esperando o dia em que eu pudesse liberta-lo novamente – dia esse que eu sabia que jamais chegaria. – Ela havia ido para São Francisco e não tinha passagem de volta. Pelo que Nico havia me contado, ela agora tinha residência fixa lá e não tinha pretensão de voltar.
–Por favor Percy, eu posso te esperar... Posso tentar transferência pra lá...
–Lizzy, eu te adoro, e só deus sabe o bem que você me faz. – ela deu um pequenos sorriso, que fez suas maçãs do rosto salientes levantarem um pouco os óculos. – Mas eu tenho que voltar. Sozinho. Eu não posso mais te dar o que você quer, eu sei que você vai encontrar alguém bem melhor que eu, por favor não quero que fique magoada comigo, mas eu preciso que entenda...
–Tu-Tudo bem. – ela disse meio trêmula. – Eu não entendo, mas aceito. Não posso prendê-lo aqui. Mas quero que saiba que se um dia decidir voltar vou estar aqui.
–Saiba que será a primeira a ficar sabendo se um dia eu voltar. – tentei parecer confiante.
–Tudo bem. – ela me abraçou e se levantou pegando o casaco na guarda da cadeira.- Acho melhor eu ir nessa. A gente se vê um dia.
A pequena garota ruiva saiu da cafeteria e eu a observei até ela virar a esquina.
Depois que sua silhueta desapareceu, fiquei algum tempo encarando meu copo de café e uma lembrança me invadiu, sem pedir licença.
Flash Back On.
Depois que sai da lanchonete, pus na cabeça que tinha que esquecê-la.
Andei pelas ruas até chegar a minha casa, sem nem perceber. Por dias as palavras dela rondaram minha mente e eu dava sempre um jeito de sair em horários em que sabia que não cruzaria com ela na rua, além de manter minha janela sempre fechada para não ter de vê-la.
Algumas noites, em meus sonhos ela vinha e pedia para eu entende-la, mas eu sempre acordava com a mesma pergunta em minha mente:
“Como eu entenderia se a garota que eu amava estava indo pra longe de mim?”
Em uma tarde eu estava sentado na minha cama vendo algumas fotos que tínhamos tirado. Encarei a lixeira ao lado da minha escrivaninha, a fim de tomar coragem de coloca-las no lixo.
Avistei o envelope que eu recebera da faculdade de Londres, ele ainda estava lá, e naquele momento me pareceu ser a melhor escapatória.
Sem nem pensar duas vezes disquei o numero da faculdade impresso no envelope e em poucos minutos já estava acertando tudo com a reitoria.
Meu voo sairia no próximo dia 24 às 15:00 da tarde.
Alguns dias depois, combinei de tomar um café com Nico para lhe dar a noticia, e no meio do assunto ela surgiu.
–Nico... Você sabe se... Se Annabeth já viajou?
Ele levantou o olhar do prato para me encarar.
–Não, ela ainda não viajou. O voo dela parte amanhã as 09:00 da manhã.
–Ah. – disse, uma parte de mim um tanto aliviada. – espero que ela seja feliz e que consiga realizar seu sonho.
Depois disso não falamos mais no nome dela, e até que agradeço Nico por isso.
Na manhã seguinte levantei cedo e tomei minha decisão. Eu a veria mais uma vez, que fosse.
Troquei de roupa, peguei um boné, as chaves do carro e sai sem nem ao menos comer alguma coisa.
Cheguei ao aeroporto faltando quinze minutos pras nove horas e fui direto ao balcão de informações para saber em que portão ela embarcaria.
Consegui a informação e fui em direção ao portão. Quando estava a caminho ouvi uma voz feminina ecoar pelo aeroporto:
Passageiros do voo 749 com destino a São Francisco, ultima chamada para o embarque.
Apressei o passo, a fim de chegar mais rápido e vê-la uma ultima vez. Finalmente avistei o pequeno grupo de pessoas rodeando a baixinha loira.
Estava tão linda quanto eu me lembrava, e por um momento cogitei a ideia de engolir o orgulho e ir até lá para dizer-lhe o quanto eu a amava e que esperava por ela o tempo que fosse, mas voltei pra realidade assim que vi o sorriso no rosto dela. Eu não poderia destruir isso.
Parei ao lado de um quiosque de souvenirs e a observei de longe, enquanto abraçada a Silena e Thalia ela seguiu ate a entrada do corredor de embarque.
Ela olhou em volta e abaixei a cabeça deixando o boné cobrir meu rosto.
Quando levantei a cabeça para olha-la novamente, ela já havia entrado no corredor.
Enquanto eu observava ela ir, pude sentir parte de mim indo junto.
Flash back off
Desde aquele dia eu não a vi mais. Apenas fiquei sabendo algumas noticias, dos e-mails que trocava com Nico.
Falar dela ainda doía e com certeza, mesmo com o passar dos anos, eu ainda me lembraria dela.
Nos últimos 2 anos não tem um dia em que eu não tenha pensado nela e em como estaria a minha vida agora, se ainda estivéssemos juntos. E mesmo longe eu continuei a querer compartilhar com ela todas as minhas conquistas como quando tive meu projeto de pesquisa semestral escolhido como o melhor do ano por uma revista londrina.
Porém os dias continuaram passando como se ela tivesse existido só na minha cabeça.
{...}
–Sim mãe, meu vôo chega amanhã ás três da tarde. – disse no telefone.
–Que bom meu filho, eu estou com tanta saudade! – a voz a minha mãe respondeu animada. – E a sua namorada, a ruivinha, vêm junto?
Mais uma vez ela falou naquele tom de descontentamento. Minha mãe nunca escondeu que não gostava de Lizzy.
–Não mãe – eu suspirei. – Nós terminamos.
–Jura? – ela exclamou animada. – Ah que pena meu filho.
Eu ri de sua péssima atuação.
–Você podia pelo menos fingir que esta triste pelo nosso termino? – fingi estar bravo.
–Desculpa meu anjo, mas você sabe que eu detestava aquela garota. Entojadinha.
Quase pude ver a careta dela.
–Mãe!
–Tá, não está mais aqui quem criticou a namorada entojada do filho. Ou melhor, a ex-namorada, graças a deus.
–MÃE!!
–Okay! Parei. Espero você amanhã no aeroporto meu amor. Tenho que ir, o jantar no forno vai queimar. Um beijo.
Desliguei o telefone e terminei de fechar a mala. Minha mudança já havia sido despachada para o meu novo apartamento, ao qual minha mãe e Thalia haviam escolhido no mesmo prédio que o dela e de Nico.
Suspirei uma ultima vez ao olhar pela janela do meu antigo apartamento, a Londres que eu estava deixando pra trás.
–É vou voltar pra onde eu nunca deveria ter saído.
{...}
POV Annabeth.
Encarei Thalia por alguns segundos sem saber o que responder. Durante dois anos eu evitei falar no nome de Percy. Toda vez que eu mencionava ele, uma tristeza me atingia e lembranças invadiam minha mente sem pedir licença e me levavam a um estado nada legal.
Por isso todos que me conheciam bem e sabiam da historia toda, evitavam falar sobre ele.
A primeira vez que isso aconteceu, foi logo que Tommy se mudou para o meu apartamento.
Naquela manhã eu e ele engatamos em uma faxina pra poder trazer a mudança dele pra cá. Já estávamos quase no fim da arrumação quando ele decidiu fuçar no meu armário.
As únicas lembranças que eu matinha dele eu guardava em um pequeno baú no fundo do guarda roupas. Lá dentro tinham algumas fotos, CDs, bilhetes e o corsaje que ele me dera na formatura.
Tommy achou o baú e me perguntou o que tinha dentro. Na hora toda a cor do meu rosto fugiu.
Respondi rápido que eram lembranças de um passado que eu queria esquecer, mas Tommy sempre foi o que se pode chamar de “bicha curiosa” e insistiu no assunto.
Em seguida ele puxou uma foto e perguntou quem era o bonitão, e logo depois de ler a dedicatória atrás da foto, completou que alem de bonitão ele era um verdadeiro Romeu.
Foi então que minhas forças acabaram e eu desandei a chorar.
Assim que ele viu o quanto aquele assunto me fazia mal e como ele tinha ido longe de mais ele correu pra me amparar, e ficou cerca de uma hora me aninhando e dizendo que tudo ia ficar bem.
Foi naquela noite que eu vi o quanto Tommy era carinhoso e o quanto ele tinha uma alma sensível.
Depois disso ele jurou que ia me fazer reaprender a curtir os “bofes” e me fez vestir o vestido mais curto do meu guarda roupas, calçar o salto mais alto e sair para a balada.
O que definitivamente não acabou bem, já que tomei um belo porre de tequila.
Durante um ano nossas rotinas de fim de semana eram sair e ir para algum barzinho curtir, até que eu conheci o Pietro, um estudante de advocacia, de lindos olhos cor de mel.
Namoramos por cerca de seis meses até que entramos no consenso de continuarmos apenas amigos.
Depois dele, não namorei mais ninguém, pelo simples fato de comparar todos a Percy.
Então, decidi me dedicar integralmente ao meu estágio e ao meu curso, porém Tommy insistia que eu precisava arranjar um namorado.
Percebi que estava tempo demais encarando Thalia que ainda esperava uma resposta.
–Annie você esta bem? Você ficou pálida de repente.
–Claro, tá tudo bem, só fiquei surpresa. Mas porque decidiu me contar isso?
–Bom, eu tenho outra coisa pra te contar. – Ela fitou com um olhar culpado.
–Que foi? Eu vou ser madrinha? Ai meu deus você esta grávida? Como assim, ai deus não que não seja bom, mas é cedo e... – desandei a tagarelar.
–Annabeth, cala a boca e me deixa terminar.
–Tá. – disse envergonhada. – Desculpa. Continua o que você estava falando.
–Bom, eu não estou grávida, mas quero que seja minha madrinha.
–Oi? Quer dizer... Você o e Nico vão casar?!? Ai meu deus isso é tão bom quanto um bebê!
–Sim. Vamos nos casar em Maio, e quero que seja minha madrinha de casamento.
–Claro Thalia! – eu disse abraçando-a.
Foi então que eu ouvi um “ufa” de Thalia.
–Porque ufa? – arqueei uma sobrancelha.
–É que você sabe, o Nico também queria escolher, então o padrinho ficou por conta dele, e... deuses como vou dizer isso...
–Thalia, desembucha. – disse mal humorada.
–Okay. – ela deu um longo suspiro antes de continuar. — Nico escolheu Percy como seu padrinho.
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