Era Uma Vez Um Conto De Fadas
46 Provocations
Notas iniciais
“Então me ame como só você faz.”
Love me like you do – Ellie Golding
Capitulo 46 — Provocations
POV Annabeth
Tommy me arrastou imediatamente pelas escadas. Ele me empurrou chuveiro adentro, exigindo que eu deixasse a depressão da noite anterior ir pelo ralo, dizendo em seguida que arrumaria algo para eu vestir.
Em cerca de quinze minutos já estava saindo do banho, com uma toalha no cabelo e outra enrolada no corpo.
Fui ate meu quarto, e quando comecei a me vestir, ouvi a campainha tocar.
–Tommy pode atender pra mim?- gritei.
–Claro docinho! — ouvi a resposta.
Peguei um short jeans no armário, e vesti a camisa do Fall Out Boys de Tommy que estava em cima da cama.
Desci as escadas correndo, descalça, e mal havia chegado ao térreo e já fui gritando:
–Tommy quem está na porta?
Assim que entrei no hall da sala meu sangue congelou e meu coração falhou.
Percy estava parado em frente a minha porta.
{•••}
Encarei-o chocada, perplexa demais para falar sequer oi.
Tommy alternava o olhar de forma rápida entre mim e Percy, até que finalmente pigarreou chamando minha atenção.
–Annie quem é esse? — ele perguntou, mesmo sabendo a resposta.
–Percy. — disse baixinho. — Esse é o Percy.
–Ah. O próprio. Prazer, eu sou o Tommas.
Ele estendeu a mão de forma cordial.
–Percy. — ele respondeu de forma rude. — Anni... Annabeth eu posso falar com você?
–P-pode, eu acho. Entra. — disse tomando o lugar de Tommy e puxando a porta.
– Docinho, qualquer coisa, se precisar estou no seu quarto.
–Claro.
Em seguida ele sumiu escada a cima.
Guiei Percy ate a sala, em silêncio. A ultima pessoa que eu esperaria aparecer na minha porta seria ele.
– Sente-se fique à vontade. — disse um pouco mais confiante.
–Obrigado.
–Então, sobre o que você quer falar?
–Ah. Thalia pediu pra eu vir falar com você. – ele disse encarando meus olhos pela primeira vez desde que chegou.
Admito que minha esperança morreu ali, pois lá no fundo eu esperava que ele estivesse ali pra dizer que ainda me amava e que queria esquecer o passado pra seguirmos em frente.
Reparei que estava em silêncio por tempo mais que suficiente pra pensar em uma resposta, então respondi a primeira coisa que me veio a cabeça.
– O que ela pediu?
–Como somos os padrinhos principais, temos de ensaiar separado do restante dos casais, então temos de ir ao jantar uma hora mais cedo para ensaiarmos a cerimônia.
–Tudo bem. Terei de reorganizar algumas coisas e...
–Hey linda. — Tommy disse me abraçando. — O que houve?
–Parece que nosso passeio será adiado. — disse me virando pra ele.
–Porque? — ele murchou instantaneamente.
–Parece que tenho deveres como madrinha.
–Ah claro. Você é madrinha da franjinha. Ta tudo bem meu anjo, podemos sair outro dia. Nova York não sairá do lugar. — ele sorriu fraco.
Notei que Percy aumentou a carranca, ao mesmo tempo em que arqueou uma sobrancelha, talvez por ele ter usado o termo "franjinha" para se referir a Thalia. Tive vontade de rir. Se ele ao menos soubesse que eles dois já eram praticamente unha e cutícula entenderia que o apelido já havia se tornado carinhoso.
Sorri pra Tommy agradecendo com os olhos e tornei a me virar para Percy.
–Então que horas tenho que estar no jantar?
–Creio que se ele começa as oito, você tenha que estar lá as sete, já que como eu disse temos que estar lá uma hora mais cedo. — ele deferiu de forma rude.
–Ok, obrigada pela gentileza em me mostrar o óbvio. — fui ácida em resposta.
Tudo bem, o jogo tinha começado.
–Tudo bem, tudo para ajudar os menos desprovidos de percepção e inteligência.
Ah ele não tinha dito aquilo.
Percy se virou e no mesmo instante avancei um passo em direção a ele, com a mãos (e unhas) prontas para esgana-lo, porem meu pseudo-namorado –gay foi mais rápido e me agarrou pela cintura se colocando em minha frente.
–Bom já que esta de saída, vou abrir a porta pra você, tudo bem Annie? — Tommy tentou me acalmar dando ênfase no tudo bem.
–Tudo maravilhoso. — disse de punhos cerrados e respirando rápido tentando me acalmar.
Como eu queria socar aquele maldito cretino!
Ele me chamou de burra! De burra! Logo eu que sempre fui a primeira da classe, modéstia a parte!
–Vamos então Percy? Acho que não esta a fim de causar a terceira guerra mundial não é mesmo?
Ele disse a ultima parte baixo, para que apenas Percy ouvisse, mas como estava irritada minha audição ficou uns 90% melhor e eu consegui ouvir.
Em resposta aquele cretino apenas bufou e seguiu em direção à porta.
Eles sumiram pelo hall da porta e eu subi as escadas batendo os pés.
Quando cheguei ao andar de cima escancarei a porta do meu quarto com toda a minha força.
Andei alguns segundos de um lado pro outro resmungando mil xingamentos, todos direcionados a Percy, ate que peguei uma almofada, me sentando na cama.
Enfiei a cara na almofada e soltei o meu grito mais alto de raiva ate quase não ter mais voz.
Quando me senti um pouco mais calma, tirei a almofada do rosto e encontrei Tommy parado no batente da porta me olhando com uma das sobrancelhas arqueadas.
– Que foi? Ate parece que nunca me viu irritada.
–Já vi sim. — ele disse calmo e algo no tom da sua voz me irritou um pouco mais.
–Você viu o que aquele cretino disse? Eu estava tentando ser legal, porque sabe ele é meu ex e estávamos numa saia justa sem tamanho, e aquele idiota ordinário me chama de burra como se eu fosse apenas uma loira peituda sem conteúdo! — despejei frustrada
–Mas você é uma loira peituda. — ele debochou.
O lancei meu olhar de fúria mais mortal e ele apenas riu.
– Concorde com ele e eu te coloco pra fora! Ele é um babaca, idiota! Cretino! Filho da mãe! Argh! — disse socando a almofada do meu colo.
–São muitos adjetivos a uma pessoa só.
Grunhi em resposta sentindo meu rosto esquentar. Eram raras as vezes que eu soltava uma corrente de palavrões assim.
–E você sabe exatamente o porque do que ele disse ter te irritado tanto.
–Ouse dizer que é amor e eu soco você ao invés da almofada.
–Já te disse que sou ousadia pura? Pois então, É AMOR! — ele gritou.
–Não diga isso! — tampei os ouvidos como uma criança.
Tommy agarrou meus braços tentando me fazer tirar as mãos dos ouvidos, mas foi em vão, pois eu não queria ouvir o que eu já sabia. Eu o amava, disso eu não tinha duvidas.
–Annabeth pare com isso! Você esta sendo infantil!
–Não vou ouvir! — continuei me debatendo, ainda com as mãos nos ouvidos.
–Ah vai sim! Você já tem quase 20 anos garota, você tem que agir de forma madura!
–Pois eu ainda estou bem verde! — disse mostrando a língua.
–Nossa. -ele revirou os olhos e parou de me atacar por um segundo.
Por um segundo.
Logo em seguida ele deixou de ser a bicha boazinha e sentou em cima de mim, segurando meus braços em cima da cabeça e me fazendo ouvir.
–VOCÊ. O. AMA! — ele gritou
–EU SEI! — gritei de volta, com os olhos cheios d'água. Um pouco pela raiva e outro pela tristeza.
– Pelo menos admitiu. — ele disse ofegante, notando em seguida que eu estava chorando. -Annie o que... Ai meu deus você esta chorando! Bebê, desculpa eu não queria te fazer chorar! — ele disse saindo de cima de mim e me puxando pro seu colo.
–A culpa não é sua. — disse chorando mais ainda.
–Ai deuses eu sou um monstro! — ele disse olhando pra cima. — Um monstro lindo e homossexual, mas ainda sim um monstro!
Não aguentei e comecei a rir.
–Garota você é muito bipolar sabia?! Deuses! Quase me matou de remorso! Não faça mais isso com o titio Tommy sua besha maldosa!
Ri mais ainda.
–Ai deus o que eu fiz pra merecer a melhor besha do mundo como melhor amigo ?
–Olha eu não sei, mas meu palpite é que você foi uma ótima garota naquele natal!
Eu ri mais uma vez lembrando o dia em que conheci a bicha mais iluminada que eu poderia querer na minha vida.
Flash back on
Era praticamente véspera de natal, o primeiro que eu passaria em São Francisco, e todos na faculdade estavam correndo de um lado para o outro com a semana de provas finais antes do recesso de inverno. Eu já tinha entregado a maioria dos meus trabalhos adiantados e feito grande parte das provas do meu curso, porem graças a meu novo estagio eu havia esquecido um dos trabalhos mais importantes do meu semestre. O maldito trabalho de desenho plano.
Por isso naquela manha de 23 de dezembro eu estava com a maior cara de sono na biblioteca da faculdade. Acordei com tanto sono naquele dia e mal me arrumei. Apenas vesti um moletom, uma calca jeans e calcei um tênis confortável, alem de ter feito apenas um coque frouxo e estar usando meus óculos. Fui me esgueirando pelas mesas e estantes da biblioteca com uma bela pilha de livros nos braços e me sentei em uma mesa bem afastada, enfiei os fones de ouvido, a fim de me concentrar e terminar aquela porcaria de trabalho logo, quando comecei a me sentir observada. Corri os olhos pelo local e por fim meus olhos alcançaram o moreno de olhos azuis que me observava da mesa mais a frente, absolutamente interessado em mim.
Senti minhas bochechas corarem, mas ignorei e voltei minha atenção para o notebook novamente.
cerca de 1 hora e meia depois eu finalizei o trabalho dando graças a Deus por tê-lo terminado antes do meio dia. Tudo que eu mais queria era ir pra casa e terminar minhas malas, já que estava de partida para Nova York em algumas horas passar o natal com meus pais.
Quando estava guardando meus materiais, pronta pra ir pra casa o menino se aproximou da mesa.
Droga! Justo hoje que eu estava vestida como a Bethy a feia?
O menino parou na frente da minha mesa e me deu um sorriso simpático.
–Oi! Você é da turma de desenho plano do senhor Whiteside, não é?
–Sou sim. — disse meio nervosa.
–Sabia, reconheceria a loirinha com cara de boneca de longe. — ele sorriu novamente.
Sorri envergonhada e murmurei um “obrigada”.
– Então posso te fazer uma pergunta?
–Pode.
–Você conseguiu fazer esse trabalhão h-o-r-r-e-n-d-o?
O olhei por alguns segundos, meio atônita.
–Sim. — respondi por fim.
–Se não fosse abuso, você poderia me ajudar? Estou em maus lençóis aqui!
Ok, ele era gay.
Admito que fiquei morrendo de vontade de rir.
Eu pensei que ele estava dando em cima de mim!
–Posso claro. Senta aqui. — disse sincera.
–Obrigada! Você salvou meu semestre, linda!
Eu ri e começamos a fazer o trabalho.
Dessa vez como eu já tinha feito o meu, terminamos o dele em cerca de meia hora. Porém o papo fluiu e descobri que ele se chamava Tommas Cazaletti, que estava um semestre a minha frente, que tinha 19 anos e que era completamente gay.
Conversamos ate a bibliotecária nos mandar fazer silencio, e foi quando decidimos ir pra cafeteria da faculdade. Perdi a noção do tempo ate que ele disse: -Nossa já esta escurecendo.
–O que? — olhei no relógio e constatei que eram 5 horas da tarde. O meu voo saia às 6:30. Pra chegar ao aeroporto levava meia hora, e eu ainda não tinha nem terminado as malas.
– Ai meu deus! Estou atrasada!
– O que? Pra que?
–Vou pra Nova York hoje passar o natal com meus pais e meu voo sai em uma hora e meia. — disse apressada.
–Meu deus. — ele disse se apressando. — Toma pega a chave do meu carro e vai ligando-o que eu pago a conta e te dou uma carona.
Decidi não contestar e apenas obedeci.
Cheguei ao estacionamento e apertei o botão do alarme que anunciou um lindo New Beatle azul escuro.
Larguei minha bolsa no banco de trás e em seguida Tommy apareceu correndo.
–Vamos lá ! — ele disse entrando e ligando o carro, pra em seguida sair cantando pneu.
Em media pra chegar ao meu apartamento levava cerca de 15 minutos, porem ele conseguiu fazer o trajeto em oito.
Subi correndo com Tommy na minha cola. Mal entrei em casa e já corri pro quarto terminar as malas.
Só joguei o que faltava lá dentro de qualquer jeito e troquei de roupa.
Vesti uma blusa preta justa de cashmere uma jeans também preta, um Cardigan de creme e minhas botas de salto alto. Soltei os cabelos, passei um gloss e sai do quarto pegando minha bolsa, meus documentos como passaporte e habilitação, alem do meu livro de cabeceira e meus fones de ouvido.
Sai do quarto arrastando a minha mala e Tommy me olhou dos pés a cabeça.
–Uau docinho, como fez pra se transformar na Jessica Alba em cinco minutos?
– Quando se mora em NY você aprende a fazer as coisas com pressa.
Ele riu e pegou minha mala.
–Deixa que eu leve. Pra isso meu lado hetero ainda serve.
Eu ri e vesti a manta e as luvas pretas.
–Bom vamos indo? Temos -ele olhou no celular — menos meia hora pra chegarmos ao aeroporto, antes que você se atrase, porque hoje e praticamente véspera de natal e o aeroporto deve estar um inferno.
Depois que saímos do meu apartamento ele revelou seu lado velozes e furiosos e correu ate chegarmos ao aeroporto 20 minutos depois.
Ele estacionou o carro de qualquer jeito e saiu as pressas comigo, rumo ao balcão de check in, que como esperado estava lotado. Aguardamos o que me pareceram horas até sermos atendidos.
Fiz o check in e quando estávamos chegando a sala de embarque ouvi os alto-falantes
Voo 994 rumo a Nova York, ultima chamada de embarque.
Corri pelo aeroporto como uma louca e quando a moça já estava fechando o portão eu cheguei.
–Espera! — gritei.
A moça parou o que estava fazendo e me olhou com uma cara de reprovação, em seguida, meio contrariada, pegou meu cartão de embarque e carimbou.
–Boa viagem. — ela disse a contragosto.
Tommy me olhou incrédulo.
–Olha aqui queridinha... — ele disse indo pra cima da garota.
–Tommy — chamei, em vão. Ele estava pronto pra fazer um barraco. — Tommy!
Ele continuava a argumentar como o mau humor dela não era minha culpa, enquanto a moça continuava a se desculpar falsamente.
–BESHA! — gritei
Finalmente a atenção dos dois se voltou pra mim.
–Esqueça isso. Venha me dar tchau! Só volto depois do ano novo! — disse carrancuda.
Ele ignorou a moça e me abraçou dizendo que ia morrer de saudades, já que tinha se divertido mais comigo em uma tarde do que em seis meses de faculdade com todos os outros amigos dele.
Eu apenas ri e disse o mesmo.
Ele me desejou boas festas e me deixou ir.
Antes de eu embarcar ele fez um sinal para a garota como se dissesse que “estava de olho” e eu ri de sua atitude, sabendo que tinha ganhado naquele Natal um amigo pra vida toda.
Fale com o autor