Era Uma Vez Um Conto De Fadas
40 Novas decisões e novos começos
Notas iniciais
Capitulo 40 – Novas decisões e Novos começos.
“As emoções às vezes pregam peças em nós, testemunhas vão lhe confirmar, eu nunca quis te magoar...”
Sala de Jantar – Scracho.
POV Annabeth
Eu sentia todos os músculos do meu corpo tensos. Meu estomago se revirava e eu suava frio.
Estava sentada junto com os outros formandos da minha classe, enquanto a diretora discursava sobre o ano e sobre os novos caminhos que iríamos trilhar.
A ordem dos alunos era feita pelos nossos sobrenomes, isso me deu certa tranquilidade, já que pelo menos não seria umas das primeiras.
Olhei na direção de Percy e me senti mais uma vez triste. Não queria fazer aquilo, mas precisaria.
Desviei a atenção antes que ele percebesse que eu o estava observando e foquei-me na fala da diretora.
Ao fim do seu discurso, ela chamou as oradoras da turma, que reconheci do Jornal. A turma havia feito uma ótima escolha, pois as duas escreviam textos maravilhosos.
Logo após elas terminarem, nossa conselheira tomou posse do microfone.
–Agora chamemos os formandos.
Um a um ela foi chamando os alunos, até que por fim chamou meu nome.
–Annabeth Chase.
Respirei fundo e segui para o lado do palco onde tinha uma escada.
Subi cada degrau com muito cuidado. Já tinha visto vídeos de pessoas que caiam na escada e passavam a maior vergonha.
Fui cumprimentando todos os meus professores e por ultimo a diretora me abraçou e me entregou meu diploma.
Olhei pra plateia em busca dos meus pais e encontrei minha família inteira de pé aplaudindo.
Senti um imenso orgulho de mim mesma e sai do palco sorrindo confiante.
Ao fim da chamada todos começamos a ficar de pé e ao sinal de nossa conselheira todos jogamos os chapéus pra cima.
Agora era oficial, eu era uma adulta. E a partir de agora tinha que seguir meu caminho, deixando pra trás uma das pessoas mais importantes da minha vida.
Depois da formatura todos nós fomos jantar em uma lanchonete no centro.
Sentamos em uma mesa no fundo e a conversa estava animada. Em meio as risadas parei pra pensar que há um ano eu jamais imaginaria que estaria me formando em Nova York com pessoas diferente das minhas amigas.
Senti uma melancolia me alcançar, mas logo a voz de Thalia me trouxe de volta.
–E então já sabem suas faculdades?
–SIM! – Silena foi a primeira a se manifestar. – Moda na Columbia e Charles vai comigo, ele vai fazer engenharia Mecânica.
–E por falar nele onde ele esta? – perguntou Nico.
–Ele teve que jantar com os pais.
–Ah sim.
–E você Thalia? Vai fazer o que? – Silena perguntou.
–Vou fazer Cinema também na Columbia. – ela me olhou sorrindo.
Engoli o bolo na minha garganta e sorri de volta.
–Eu vou pra Columbia também. – Nico se intrometeu. – Vou cursar Jornalismo. – E você Annie?
Respirei fundo ponderando se falava ou não, mas a hora era essa, eu não podia mais adiar.
Baixei a cabeça com receio da reação de Percy e finalmente disse.
–Vou cursar Arquitetura. Na Universidade de São Francisco.
{...}
Uma semana já havia se passado desde a formatura e eu estava com a passagem marcada pra dali dois dias.
Dentro de dois dias eu me mudaria novamente para a minha cidade. Meus pais me ajudaram a alugar um apartamento perto da faculdade e eu o dividiria com Clarisse.
Minhas coisas já estavam quase todas empacotadas, porem não tive coragem de mexer no painel de fotos acima da minha mesa.
Ainda doía pensar no que eu estava deixando pra trás.
Naquele dia, depois que contei que iria pra Universidade de São Francisco, a expressão de Percy mudou. Ainda me lembrava das palavras que ele usara.
Flash Back On.
–Vou cursar Arquitetura. Na Universidade de São Francisco.- eu disse firme.
Só deus sabia como aquela decisão estava acabando comigo. Eu havia sido aceita também na Columbia como todos, a carta havia chegado no dia anterior pela tarde, quando cheguei do salão de beleza e estava decidida a ficar e fazer faculdade por ali, junto com os meus amigos, mas quando li aquela carta na lixeira de Percy, não pude deixar de pensar que uma das razões que o estavam impedindo era eu. E eu odiaria saber que fui uma pedra no caminho do sonho dele.
Naquela manhã , na casa dele, decidi que logo após a formatura eu terminaria com nosso namoro e o deixaria livre pra seguir o sonho dele.
–O que? – Percy disse, seu sorriso se desfazendo. – Eu achei que você também ia pra Columbia, assim como nós!
–Eu ia, mas vi que não podia deixar de correr atrás do meu sonho. – disse ainda de cabeça baixa, beirando as lágrimas.
O silencio se instalou entre nós por alguns segundos, que Percy ficou me encarando, ate que Silena quebrou-o.
–Thalia, você e Nico podem me dar uma carona pra casa? Estou a pé.
–Claro Si. Vamos meu amor? Acho que esses dois precisam conversar. – Thalia disse me encarando seria.
–Vamos. A gente se fala galera. – Nico disse.
–Até mais Annie. Eu te ligo depois. – Silena seguiu Thalia e Nico pra fora do restaurante.
Continuei de cabeça baixa, evitando olhar pra percy, porque sabia que se o fizesse desabaria a chorar.
–Quando ia me contar? – ele perguntou frio.
–Eu tentei te contar que tinha sido aceita no dia em que saímos pra jantar. – disse engolindo as lágrimas. – mas você me pegou de surpresa e eu acabei não contando.
–E ai decidiu que ia me contar quando já estivesse morando lá é isso? – suas palavras eram como facas.
–Não, eu só não sabia como dizer...
–Que tal “ei meu amor, eu vou fazer faculdade em outra cidade tudo bem? Vou deixar você aqui e vou viver meu sonho.E a propósito, estou te dando um pé na bunda okay?”
–Não fale assim, não estou te abandonando.
–Jura? Porque me parece exatamente isso.
–Percy eu... Me desculpe tá legal? Eu não achei o momento certo pra te contar!
–E quando ia ser Annabeth?!
–EU NÃO SEI POXA! – aumentei o tom de voz. As lágrimas já escorriam desenfreadas.
–Sabe de tudo que eu desisti por você? Porque eu amo você caramba!
Senti meu estomago revirar ao pensar na carta,mas isso apenas me deu mais força pra continuar.
–Eu não pedi pra desistir de nada por mim. – disse ferina sem encara-lo nos olhos.
Percy abriu a boca diversas vezes pra falar, mas ele apenas me encarava com incredulidade.
–Tudo bem. Se você quer assim, tudo bem. Vá em frente siga seu sonho. Seja uma grande arquiteta em São Francisco. Só me faça um favor. – ele disse com a voz alterada. – Esqueça que um dia já disse que te amo, porque eu com certeza vou esquecer. Aliás, vou esquecer que um dia eu te conheci!
Logo em seguida ele saiu do restaurante me deixando sozinha, com uma dor que eu imaginava não ser capaz de suportar.
Flash Back Off.
Desde que ele deixara a lanchonete não o tinha visto mais em lugar nenhum. A janela do quarto dele agora se mantinha com as persianas sempre fechadas.
Perguntei algumas vezes pra Thalia se Percy tinha falado com Nico, mas ela sempre me dizia que ele ainda estava em silencio.
Mais tarde naquele dia quando Silena me ligou eu comecei a chorar muito, tanto que não me fiz entender no telefone, porém em cinco minutos ela já estava a minha porta. Ela passou o resto da noite comigo e acabei pegando no sono no colo dela, ainda chorando.
Os dias foram passando e ela e Thalia, as únicas a saber da verdade ate o momento, ficaram tentando me animar a todo custo, sem muito sucesso.
Terminei de fazer minha mala e peguei uma caixa e guardei tudo que havia ganhado de Percy, assim como nossas fotos e nossos bilhetinhos alem de outras coisas.
Algumas lágrimas mais caíram, e eu as deixei caírem livres. Apesar de triste, com o coração dolorido e tudo o mais, eu estava com a sensação de que tinha feito a coisa certa.
Porem o que eu prometi a ele naquele dia, eu não poderia cumprir. Eu jamais me esqueceria de quanto eu o amava.
{...}
Na noite anterior a minha viagem Thalia me ligou, me convidando pra Jantar com ela e com Silena.
Aceitei na hora, apesar de não estar muito no clima de sair.
Fomos a um restaurante italiano que Silena sugeriu e ficamos apenas conversando e fazendo planos para o futuro. De repente, elas trocaram um olhar receoso e foi Thalia quem falou.
–Annie, o Percy ligou pro Nico.
–Ah é. – disse tentando não parecer desesperada. – e o que ele disse?
Thalia respirou fundo antes de continuar.
–Ele aceitou a bolsa em Londres. Ele viaja depois de amanhã.
–Ah. – foi o que consegui pronunciar, a mesma sensação de quando ele saiu da lanchonete tomando conta de mim. – Que bom que ele também vai atrás do sonho dele. Espero que ele seja muito feliz.
Dei um gole no meu refrigerante pra disfarçar a dor que estava sentindo. Mas afinal, eu escolhi isso não é mesmo?
As duas não falaram mais nada e também não tocaram mais no nome dele, e agradeci mentalmente a elas por isso.
Na manhã seguinte eu levantei cedo, afinal não faria diferença já que não dormira absolutamente nada.
Meu voo estava marcado pras nove da manhã e todo o pessoal ficou de me levar ao aeroporto pra uma despedida.
Desci as escadas com minha bolsa e minha mala que ainda faltava. O restante das minhas coisas meus pais já tinham mandado.
Minha família já estava na sala me esperando e assim que entrei no cômodo Bob e Matthew correram na minha direção.
–Annie, fizemos isso pra você.
Eles me entregaram um desenho grande, onde todos nós estávamos juntos no gramado da frente de nossa antiga casa.
–É pra você lembrar sempre da gente. – eles sorriram, alguns dentes faltando.
Me abaixei pra ficar na mesma altura que eles e os abracei.
–Ei, eu ainda vou voltar em todos os feriados pra ver vocês seus pestinhas, mas mesmo assim eu amei o desenho meninos.
–Coloca na sua sala quando você for uma grande arquiteta! – Matthew disse com os olhinhos brilhando.
–Claro! Ia ser irado! – Bob completou. eles deram um toque e eu ri da reação deles.
–Tudo bem então, mas só se me prometerem continuar me enviando desenhos lindos assim todos os meses.
–Pode deixar! – os dois disseram em uníssono.
–Bom, então vamos gente? Ou a Annie vai perder o voo. – Papai chamou.,
–Vamos sim. – eu disse, saindo abraçada aos meus dois irmãos.
~~
Já no aeroporto, todos os meus amigos estavam aguardando comigo enquanto o horário do meu voo não chegava.
Todos procuraram me dar “orientações” e ficaram de quando pudessem irem me visitar.
Silena fungava a toda hora, como se eu fosse para o abate.
–Silena eu sei que é triste ficar sem a Annie e tudo o mais, mas ela só esta indo pra faculdade, ela não esta indo pro Iraque lutar nas forças de frente.
Todos riram e Silena mostrou a língua pra Thalia.
De repente uma voz feminina soou pelo local.
–Passageiros do voo 749 com destino a São Francisco, ultima chamada para o embarque.
–Bom chegou a hora galera.
Me despedi de cada um deles, me demorando mais na minha família. Por fim Silena e Thalia me guiaram até o portão de embarque, abraçadas comigo.
–Quero que saibam que eu amo vocês. Muito.
–Nos também Annie. Mande noticias sempre que puder, por favor.
–Vocês também. E quando puderem vão me ver!
–Claro. – as duas disseram em uníssono.
–vou sentir saudades. – disse abraçando as duas.
Olhei em volta uma ultima vez. Não sei o que estava esperando, mas uma pontinha de mim queria que ele estivesse ali, me apoiando.
No meio da multidão, pensei ter visto um rosto conhecido, mas eu sabia que era apenas minha imaginação, me pregando peças.
Acenei pra minha família e segui pelo corredor de embarque rumo a uma nova vida, sem quem eu mais queria presente nela.
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