Era Uma Vez Um Conto De Fadas
51 Deixe ir
Notas iniciais
Se você ama alguém, deixe-o ir.
Se ele voltar, é seu. Se não, nunca foi.
Richard Bach
Capitulo 51 — Deixe ir
Quando sai do apartamento de Nico, só passei em casa para pegar as chaves do carro e a carteira.
Dirigi pelas ruas lotadas de NY até chegar ao shopping Urban Oasis.
Entrei no enorme lugar e segui até a Starbucks para esperar Annabeth.
Assim que me sentei em uma mesa, uma garota morena veio me atender.
—Posso ajudar? – ela perguntou sorridente.
—Pode. Quero um café expresso, por favor.
—Claro. Já trago seu pedido.
Logo em seguida, ela saiu.
Depois que meu café chegou, fiquei dando pequenos goles na bebida a fim de me distrair da ansiedade que estava sentindo.
Toda vez que a porta do local se abria eu senti meu coração acelerar.
Esperei por cerca de 20 minutos até que a baixinha de cabelos loiros atravessou as portas do café.
Ela correu o lugar com os olhos, certamente buscando o rosto que viera encontrar.
Seu olhar cruzou o meu e ela franziu o cenho.
Annabeth seguiu me encarando por mais alguns segundos, quando pareceu se dar conta do que estava acontecendo.
A garota fechou a cara no mesmo instante e se virou para sair do lugar.
Levantei correndo e agarrei seu braço.
Ela me olhou com uma expressão homicida.
—Me solta. – ela rosnou.
—5 minutos. Por favor. – implorei.
—Não tenho nada pra falar com você. – ela bufou.
—Então só me escuta. Se ainda achar que não tem nada pra me dizer quando eu terminar, juro que nunca mais te procuro.
Ela respirou fundo ponderando.
—5 minutos. Nem um minuto a mais. – ela disse semicerrando os olhos.
[...]
POV Annabeth
Eu realmente não queria ouvir o que Percy tinha a dizer, mas acabei aceitando.
Segui com ele até a mesa e uma moça se aproximou.
—Boa tarde. – ela disse simpática. – vai querer algo pra beber?
—Quero um cappuccino, por favor.- disse sorrindo de volta.
—Já trago pra você. – ela afirmou e se afastou da mesa.
Reassumi a carranca.
—Pode começar. Está perdendo tempo. –exigi.
—Certo. – ele disse nervoso. – Gostaria de começar com uma pergunta.
—Faça. – bufei.
—O que eu fiz pra te deixar tão irritada? Sei que não pode ser só vergonha...
O olhei irritada. Sentia vontade de estrangular ele por ser tão cínico.
—Não sou surda sabia? – disse ríspida.
Percy me encarou confuso.
—Não entendi...
—Sei que já se passaram dois anos, e que a vida segue, mas não posso ser só uma transa de uma noite depois de tudo que passamos! É muita babaquice! – disse quase gritando.
Ele me olhou surpreso.
—De onde tirou isso?
—Não sou surda sabia! – repeti. – eu ouvi você dizer naquela manhã!
Ele me encarou, sério.
Esperei até que dissesse algo, porém o silêncio persistiu.
—e mais! – acrescentei. – Dizer que sentiu minha falta só pra garantir uma foda chega a ser cruel!
Baixei os olhos, para esconder as lágrimas.
—Só disse aquilo para não parecer magoado... Ou você acha que toda essa situação é fácil pra mim? A primeira vez que te vejo em dois anos e você está com um modelo de revista rindo e saltitando por ai!
O encarei confusa.
—e depois você aparece no meio do ensaio, toda linda com ele a tira colo. Eu já tinha me convencido de que nossa história tinha acabado, até que você aparece na minha porta só de langerie.
—Pijama. – o corrigi envergonhada. –estava de pijama, não langerie.
—Tanto faz Annabeth! O fato é que isso é brincar com a minha cabeça. Isso também é crueldade!
Nunca tinha pensado em nenhuma das minhas decisões, antigas ou recentes como algo cruel. Não sou hipócrita a ponto de pensar que não o fiz sofrer, mas sempre achei que minhas decisões eram o melhor pra nós dois.
Percy encarava seu copo de café como se fosse algo fascinante.
Ótimo, além de estar sofrendo com toda a situação em si, agora ainda me sentia um monstro cruel.
—Sabia que não devia ter vindo. – murmurei baixinho.
—Você não sabia que eu estaria aqui. – ele disse magoado.
—Não quis dizer a cafeteria. – disse me levantando.
No mesmo instante a garçonete chegou com meu cappuccino.
—Aqui está. – ela disse sorrindo. Quando notou minha expressão, seu sorriso sumiu. – Algum problema?
—Nenhum. – suspirei. – quanto devo?
—Cinco dólares.
Coloquei uma nota de dez dólares em cima da mesa, agradeci e sai da cafeteria.
Meu coração zunia em meus ouvidos e meu peito doía.
Tommy me esperava em uma saída próxima ao estacionamento.
—e então? O bonitão e estava em pânico ou... – sua fala morreu quando viu minhas lágrimas.
—Annabeth, o que houve?- ele perguntou preocupado.
—Não era Nico que estava na cafeteria. – solucei.
Ele compreendeu na hora de quem eu falava.
—Vocês brigaram?
—Não exatamente. – meu choro começava a chamar a atenção de algumas pessoas. – apenas me tire daqui.
Meu melhor amigo apenas concordou com a cabeça e me puxou pela mão.
[...]
Assim que entramos no carro um silêncio desconfortável se instalou entre nós.
Durante alguns minutos o único som no carro eram meus soluços incansáveis.
Quando já me sentia calma o suficiente para falar, quebrei o silêncio.
—quero ir pra casa.
—é isso que estamos tentando fazer, mas o transito não deixa. – ele debochou.
—Não, quero dizer nossa casa em São Francisco.
—Mas e o casamento da Thalia? – Tommy perguntou triste.
—Não consigo Tommy. Só não dá. – deixei mais umas lágrimas rolarem.
Ele suspirou.
—Tudo bem. Vou tentar remarcar nossas passagens, afinal não há lugar como nosso lar
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