Era Uma Vez Um Conto De Fadas
39 Decisions
Notas iniciais
Capitulo 39 – Decisions.
“A decisão mais difícil que temos que tomar na vida, é a de vive-la intensamente.”
Autor Desconhecido
POV Annabeth
Estávamos todos em frente ao ginásio jogando conversa fora. O baile já havia terminado fazia pelo menos uma hora, mas a noite estava agradável e muito estrelada.
Percy estava me abraçando por trás e estávamos encostados no carro dele enquanto ele e Nico discutiam fervorosamente sobre algum jogo de basquete.
Thalia e eu apenas observávamos a conversa deles, quando notei seu olhar distante.
–Thalia, vamos ao banheiro comigo? – Chamei, torcendo pra que ela apenas me seguisse sem protestos.
–Vamos. – ela disse levemente distraída.
Seguimos pelos corredores da escola e logo que entramos no banheiro ela se apoiou na bancada.
–Pode ir falando. – cruzei meus braços e parei em frente a ela.
–O que?
–Thalia eu te conheço. Alguma coisa aconteceu. Pode começar a falar.
–Eu... Eu acho que vou terminar com o Nico.
–O que?! Por quê? Ele te fez alguma coisa?
–Não Annabeth, pelo contrário, ele tem sido maravilhoso.
–Então eu não entendi o porquê de você querer largar ele.
–É justamente por isso. Eu acho que vou pra Los Angeles, estudar cinema, e ele vai ficar aqui, mas eu não consigo dizer pra ele que vou embora. – ela disse com lágrimas nos olhos.
Senti minha própria garganta apertar.
–Ei, você ama ele não é mesmo?
–Muito. – ela soltou baixinho.
–E ele também te ama Thalia. Com o tempo ele pode pedir transferência pra lá, ou você pra cá, mas terminar não é a única solução. Na verdade nem sei se é uma solução. O que você tem que fazer agora é tomar coragem e contar pra ele. Sei que juntos vocês vão achar uma solução.
Ela sorriu, fraquinho e me abraçou.
–Muito obrigada Annie.
–Bom, agora vamos disfarçar essa carinha de choro e vamos voltar pra lá certo? Os meninos devem estar atrás da gente.
–Claro. Vamos sim.
–Ei. – puxei o braço dela antes de sairmos. — Esqueça essa ideia de terminar com o Nico tudo bem? Odiaria ter de ver vocês dois separados.
–Já esqueci. – ela sorriu. – Sabe, você devia ouvir seus próprios conselhos.
–Como assim?
–Você sabe do que estou falando. E sabe que o que acabou de me dizer é mais do que certo para você também.
–Eu sei Thalia. O pior é que eu sei. – disse suspirando.
{...}
Ficamos cerca de mais 20 minutos em frente à escola. Quando voltamos Nico claramente notou a cara de Thalia e perguntou o que havia acontecido.
–Problemas femininos. – eu disse abraçada a Percy.
–Como assim? – Nico insistiu.
–Cara não pergunta. Quando ela responder “problemas femininos” você fica quieto e aceita. – disse Percy em tom de alerta.
Thalia e eu caímos na gargalhada e Nico fechou a cara.
Em seguida eles foram embora e restamos apenas eu e Percy no estacionamento.
–Vamos? – sussurrou em meu ouvido.
–Vamos sim.
Até metade do caminho pra casa foi tudo silencioso, porém assim que paramos em um sinal vermelho as coisas começaram a “esquentar” pois ele pousou calmamente a mão em minha coxa.
Segui os olhos da mão dele até seus olhos. Ele sustentou meu olhar com certa malicia estampada em seu rosto.
Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo e um calor subiu desde a mão dele até meu rosto.
Apenas sorri e desviei o olhar para a rua, porém ainda podia sentir seu toque.
Quando estacionamos em frente a casa dele, me debrucei e dei-lhe um beijo que logo foi se intensificando.
Por fim nos separamos ofegantes.
–Annie... Meus pais viajaram mais uma vez, você não quer entrar um pouco?
–Eu não sei se é uma boa ideia...
–Tudo bem. – ele disse meio decepcionado.
Descemos do carro e paramos em frente a entrada da garagem da casa.
Calmamente ele me beijou e eu estava a caminho da minha porta quando algo passou pela minha cabeça.
Porque não?
Eu não tinha duvidas de que amava-o e de que queria isso com ele. E alem do mais não era como se eu nunca tivesse o feito. Não me orgulho de com quem foi, mas na época eu ainda acreditava que ele era o perfeito modelo de príncipe encantado.
Girei nos calcanhares e obsevei Percy chegar à soleira de sua casa.
–Percy. – chamei alto suficiente pra ele ouvir.
–Sim. – ele virou-se pra mim.
–Acho que não tem problema eu entrar só um pouquinho.
O sorriso dele se alargou e eu o segui para dentro da casa.
{...}
Acordei com alguns raios de sol entrando pela fresta das cortinas. Encarei o local onde estava e notei que não estava no meu quarto.
Me mexi na cama e senti braços fortes rodearem minha cintura e por um momento fiquei apreensiva, porem quando observei o dono dos braços as lembranças foram voltando aos poucos.
Eu estava na casa de Percy. Eu havia dormido lá, e tinha tido umas das melhores noites da minha vida.
E no atual momento eu “vestia” apenas o lençol azul da cama do Percy.
Senti minhas bochechas corarem e me mexi meio desconfortável.
Com muito cuidado para não acordar Percy, retirei seus braços da minha cintura e busquei pelo quarto a camisa que ele usou na noite anterior.
Depois de vesti-la fui até o banheiro a fim de dar um jeito nos meus cachos. Fitei meu rosto no espelho e com as mãos úmidas tentei remover um pouco da maquiagem que havia escorrido.
Passei os dedos pelos meus cabelos tentando doma-los e os prendi em um coque frouxo.
Sai do banheiro e encarei Percy dormindo calmamente e sorri involuntariamente.
Notei em cima da escrivaninha o bloco que ele usou para falar comigo pela janela. Em cima da mesa havia alguns papeis e livros, a carta com nossas notas e finalmente a carta da Universidade de Nova York. A peguei com cuidado e sorri ao saber que ele havia sido aceito.
Coloquei a carta onde havia pegado, e então, no lixo ao lado da mesa avistei outro envelope.
O peguei com calma e analisei de onde era. Eu sabia que não era certo ficar mexendo nas coisas dele sem sua permissão, mas a minha curiosidade falou mais alto.
A cada palavra daquela carta meu coração se enchia de orgulho dele.
Percy havia sido aceito na faculdade de Londres para cursar Biologia Marinha.
–Mas então, porque a carta esta no lixo? Ele não pode ter...- disse baixinho.
Senti o coração apertar ao constatar que Percy havia desistido da faculdade dos seus sonhos pra poder ficar em Nova York.
Senti meu estomago revirar e sai do quarto.
{...}
Cheguei a cozinha e peguei um copo d’água, me apoiando na bancada pra pensar.
Eu não podia pedir pra ele ficar. Seria egoísta. Não quando a ideia de ir pra São Francisco ainda rondava minha mente.
Senti os olhos marejarem e respirei fundo.
Eu sabia o que tinha que fazer, só não tinha coragem de faze-lo agora.
–Ué já está acordada? – Percy disse me abraçando por trás.
–Acordei e senti sede. – sorri fraco.
–E então? Pronta pra formatura? – ele disse me virando.
–Mais ou menos. Não quero ser adulta. – brinquei.
–Você ? A garota mais responsável da turma não querendo ser adulta? É piada?
–Não ué.
Ele riu e me beijou.
–Acho melhor eu ir pra casa. Meu pai e Anna devem estar surtados atrás de mim porque eu não dormi em casa.
–Acho melhor mesmo. Não quero que seu pai me enterre vivo.
–Credo, ele não é cruel assim! – eu ri. – Mas é capaz que ele mande te prender por sequestro.
–Não é sequestro quando a vitima ama o sequestrador.
–Engraçadinho. – disse mostrando-lhe a língua.
Ele me beijou mais uma vez e saiu da cozinha me guiando pela mão.
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