Era Uma Vez Um Conto De Fadas
44 Airports
Notas iniciais
Capitulo 44 – Airports
“Lembro-me de cada olhar, o seu rosto, seu jeito.”
Two is better than one – Boys Like Girls Feat. Taylor Swift
POV Annabeth
–Anda Tommy*! Já estamos atrasados! E eu não quero perder o voo!
–Já to indo Besha! Deuses que pressa toda é essa?
–Meu amor, você já está a mais de uma hora decidindo qual cardigan usar!
–45 minutos não é uma hora linda, e além do mais é a primeira vez que vou à New York okay? Além de confortável tenho que estar lindo e elegante!
–Ai meu deus. – revirei os olhos de frustração.
–Tudo bem, estou pronto.
–Finalmente! Vamos?
–Vamos. Espera! O que acha de eu por um cachecolzinho?
–TOMMAS!
–Estou brincando docinho, foi só pra ver essa sua carinha de brava. – ele riu.
Cruzei meus braços, irritada.
–Ué vai ficar parada ai? Não estávamos atrasados?
–Você me tira do serio sabia? – bufei carregando minha mala pra fora do quarto.
–Essa é minha meta de vida. – ele piscou pra mim.
{...}
–Você viu o mega hair fajuto daquela garota da frente? – Tommy exclamava indignado. – totalmente desproporcional a cor do cabelo dela!
–Tommy, pare de implicar com o mega hair alheio! – disse pegando minha mala nas esteiras.
–Impossível! Minha natureza não permite que eu veja um absurdo daqueles e fique em silencio!
Revirei os olhos e sorri.
–Okay Patrulheiro Capilar, vamos logo, quero chegar a minha casa o mais rápido possível!
–Seus pais não se importam mesmo de eu estar indo junto? Se houver problema eu posso ficar em um hotel e...
–Nada disso! Não tem problema algum! Porque haveria?
–Você sabe, por eu ser gay. – ele disse culpado.
–Nunca mais repita isso! Desde quando isso é um problema? Meus pais não verão sua opção sexual, e sim o doce de pessoa que é e além do mais você é meu convidado! – disse revoltada.
–Okay então Defensora LGBTS*!
Eu apenas gargalhei, entretanto minha risada foi interrompida.
De repente um arrepio percorreu minha espinha e uma sensação estranha tomou conta de mim. Era como se eu estivesse sendo vigiada.
–Credo. – disse sentindo um calafrio.
–O que houve Annie*?
–Apenas uma sensação ruim. Como se eu estivesse sendo vigiada.
–Estamos num dos maiores aeroportos do mundo, claro que você se sentiria vigiada aqui dentro. – ele sorriu.
–Estou falando serio. – disse olhando pros lados.
–Deixe de bobagem besha! Isso não passa de paranoia sua.
–É, você tem razão, é coisa da minha cabeça.
–Eu sempre tenho razão. – ele disse convencido passando o braço pelos meus ombros.
–Mereço. – disse rindo.
Caminhei abraçada a Tommy até a saída, ainda com a sensação ruim sob meus ombros.
{...}
–Meus pés estão me matando. – disse já dentro do Taxi. – Por que alguém me convenceu a vir de salto.
–Docinho, eu já comentei que altura não é o seu forte?
–Não sou baixinha! – ralhei.
–Tudo bem tampinha, não fique irritada.
–Não sou tampinha! Você que é um arranha-céu!
–Ei eu apenas tenho a quantidade necessária de fermento. – ele disse cruzando os braços.
–Ta bom, essa é nova. – disse bufando.
Depois de cerca de 40 minutos dentro do taxi, finalmente avistei minha casa.
–Chegamos sua besha atrevida.
–Uau lindinha, sua casa é essa mini mansão?
–Não exagera. – disse saindo do carro.
–ANNIE! – dois meninos quase da minha altura vieram correndo na minha direção.
–Matthew? Bob? Como vocês cresceram!
–Ah então esses são os meninos dos desenhos? – Tommy apareceu logo atrás de mim.
Imediatamente senti vontade de rir. Tommy era um gay purpurinado somente quando estava comigo ou com seus amigos da faculdade, fora isso ele era o gay mais discreto do mundo, e passaria por hetero facilmente.
–Sim Tommy, esses são Matthew e Bob, meus irmãos mais novos.
–E ai carinhas? Eu sou Tommy, amigo da Annie. – ele disse apertando a mão dos meus irmãos.
–Você não disse que estava de namorado novo. – Matthew disse ciumento. Enquanto isso bob passou o braço na minha cintura possessivamente.
–Tommy e eu somos apenas amigos meninos. – eu ri. – além do mais ele é completamente gay.
–Uou serio? Mas você não parece gay. – bob disse suavizando a expressão carrancuda.
–Eu me esforço. – ele piscou pros dois.
–Ufa. – Matthew disse. – Achei que teria que dividir minha irmã com o namorado dela, mas que bom que vocês são só amigos! – ele riu.
–Onde estão papai e Anna?
–Papai foi ao mercado e Anna esta lá dentro preparando o jantar.
–Vamos entrar então? – sugeri.
{...}
–O jantar estava maravilhoso, Senhora Chase. – Tommy disse cordial.
–Obrigado querido, mas vamos esquecer a parte do Senhora. Chame-me de você.
Todos já havíamos jantado e estávamos na sala jogando conversa fora.
–Claro Anna.
–Bom, gente, o papo está maravilhoso, mas estamos acabados, vamos subir pra descansar.
–Tudo bem queridos. – Anna deu um beijo na minha testa e abraçou Tommy. – descansem bem. E se precisarem de algo é só chamar.
–Muito obrigada Senhora... Quer dizer, Anna.
Minha madrasta sorriu.
Subimos as escadas juntos e guiei Tommy ate o quarto de hospedes.
–Fiquei a vontade besha, qualquer coisa me chame.
–Okay docinho.
Deixei Tommy se instalando e fui pro meu antigo quarto.
Abri a porta devagar e observei o mesmo, e como estava exatamente como eu havia deixado dois anos atrás. Mirei a janela aberta e pude ver a janela de Percy, agora aberta.
Imediatamente fechei as cortinas, com receio de que ele já estivesse de volta.
Sentei na cama e respirei fundo, esperando o conhecido aperto no peito passar.
–Docinho onde eu encontro toalhas? – Tommy se interrompeu quando me viu. – O que houve Annie?
–Nada. – eu disse forçando um sorriso.
–Você não fica triste por nada. – ele disse incrivelmente serio.
Tommy foi até a janela e abriu as cortinas.
–Essa janela é do quarto dele não é mesmo?
Assenti com a cabeça.
Ele ficou de frente pra mim e estendeu as duas mãos.
–Vem cá, docinho.
Aceitei suas mãos e o abracei com força.
–Não fica triste tudo bem? Mostraremos pra esse garoto naquele casamento que eu ainda posso passar por hetero! E que você não precisa dele!
Comecei a rir da sua ideia e encaixei o meu rosto na curva do pescoço dele.
Tommy me levantou no ar e girou comigo no colo.
Eu gargalhei alto e ele me pôs no chão, dando um beijo na minha testa logo em seguida.
–Vem comigo.
–Aonde vamos? – perguntei ainda rindo.
–Cozinha. Precisamos de brigadeiro e filme água com açúcar!
POV Percy
“É difícil ouvir o seu nome quando faz tanto tempo que eu não te vejo. É como se nós nunca tivéssemos acontecido... Era só uma mentira? Se o que tínhamos foi real, como você pode estar bem?”
Amnesia — 5 Seconds Of Summer
–Senhor... – uma voz me chamava baixinho. – Senhor acorde! Já pousamos em New York.
–Hmmm, só mais cinco minutinhos mãe...- disse sonolento.
Finalmente uma risadinha feminina me despertou por completo. Abri os olhos devagar e dei de cara com uma garota de olhos azuis.
–Onde estou? – disse meio confuso.
Novamente a garota soltou uma risadinha.
–Estamos em New York. O avião acabou de pousar. O senhor devia estar realmente com sono. – ela disse sorrindo amplamente.
–Ah, claro. Avião. – disse recordando-me de onde estava. Eu estava em um avião, voltando de Londres, depois de uma viagem de apenas dois dias, já que graças a um erro da reitoria da faculdade de Londres, tive de voltar buscar meu histórico pessoalmente.
–O senhor tem que desembarcar.
–Ah, sim, verdade. – disse me levantando depressa e pegando minha mochila para sair do avião.
A garota que descobri se chamar Lily graças ao crachá, olhava entre as outras poltronas, provavelmente buscando objetos perdidos.
–Ei, Lily não é mesmo? – a garota retornou o olhar a mim.
–Sim?
–Quanto tempo você demorou pra me acordar?
Ela piscou algumas vezes e por fim sorriu.
–Cerca de 10 minutos.
–Deuses... – murmurei envergonhado. – Mil desculpas.
–Tudo bem, é o meu trabalho.
–Certo. Até mais Lily.
–Até Senhor.
Desci do avião apressado, peguei minha mala nas esteiras e corri para a entrada, porém antes de completar o caminho ouvi uma gargalhada que fez com que tudo congelasse ao meu redor.
Só uma pessoa tinha aquela risada.
Imediatamente meus olhos vasculharam o local atrás da baixinha que eu sabia ser dona daquela risada.
Quando a vi meu coração acelerou. Estava ainda mais bonita do que eu me lembrava.
Ela conversava fervorosamente com um cara alto, que ao que parecia, tinha lhe arrancado a tal gargalhada.
Senti meu estomago afundar, ao constatar que ela realmente havia seguido a vida, e que agora devia estar em um novo relacionamento.
Tudo rodou levemente e meu estomago afundou mais um pouco ao lembrar que em cerca de algumas horas, eu a veria no ensaio do casamento de Thalia e Nico, dos quais seriamos padrinhos. Juntos.
O tal homem ao seu lado passou o braço por seus ombros e senti algo borbulhar dentro de mim.
Eu sabia que isso não era certo. Tudo que tínhamos tinha se acabado há dois anos e nada que eu sentisse agora influenciaria na trajetória dela, já que ela se encontrava tão bem resolvida em sua nova vida.
Fiquei tão absorto em meus pensamentos que acabei os perdendo de vista. Segui meu caminho até a parte de fora do aeroporto e sem dificuldade peguei um taxi dando o endereço da casa da minha mãe, onde estava hospedado temporariamente enquanto meu apartamento não ficava pronto.
Durante a trajetória até lá, fiquei analisando cada detalhe dela em minha mente.
Quando nos vimos pelo ultima vez ela usava o cabelo totalmente cacheado e pouco abaixo dos ombros, porém hoje ela estava com o cabelo comprido, quase na cintura, e ele estava ondulado. Annabeth raramente usava salto alto, a não ser que fossemos em uma festa, mas parece que isso também mudou, já que ela usava botas de salto, deixando-a pelo menos 5 centímetros mais alta.
Perguntei a mim mesmo o que mais ela teria mudado em seu gosto, porém o taxi estacionou em frente a casa dos meus pais.
Paguei o que devia e desci rapidamente, a fim de não ser visto por ninguém.
Entrei em casa sem cerimônia e avistei minha mãe saindo da cozinha vestindo um avental.
–Percy! Que bom que já voltou! Porque não me ligou pra eu ir busca-lo querido?
–Tudo bem mãe, eu peguei um taxi até aqui. Onde está o papai?
–Seu pai ainda não chegou, mas já vou servir o jantar. Está com fome?
–Não muita mãe. Vou subir tomar um banho tudo bem?
–Claro querido fique a vontade.
Subi as escadas e a primeira coisa que fitei quando entrei no quarto foi a janela de Annabeth através da minha.
As cortinas estavam fechadas, porém a luz acesa indicava que tinha alguém lá. E eu sabia muito bem quem era.
Respirei fundo entrei no banheiro, me despindo e entrando no chuveiro. Tomei uma ducha rápida e vesti roupas confortáveis.
–Querido, seu pai chegou! Vou servir o jantar! – ouvi minha mãe gritar do andar de baixo.
Peguei a pasta do meu histórico em cima da cama e a depositei em cima da mesa de escrivaninha.
Quando me virei notei que as cortinas do quarto de Annabeth estavam abertas agora, então observei com mais atenção, até que o mesmo cara que vi com ela no aeroporto entrou no quarto e parou em frente à cama dela. Senti mais uma vez algo borbulhar dentro de mim, porém apenas ignorei.
Alguns minutos se passaram, quando finalmente ele esticou as mãos e ela entrou em foco.
Ela estava descalça, o que a deixava muitos centimetros mais baixa que o homem, e sorri levemente. Ela sempre odiou a própria altura, mas isso era uma das coisas que eu mais amava nela.
Ele a abraçou com entusiasmo, em seguida beijou sua testa protetoralmente e a raiva tomou conta de mim. Cerrei os punhos e respirei fundo diversas vezes, contando ate dez até finalmente me acalmar.
Encarei a cena por mais algum tempo, quando finalmente ele foi em direção à porta, a levando consigo, assim como a parte de mim que pertencia a ela.
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