Era Uma Vez, Na Idade Média
40 Capítulo 40 - O Novo Lar
Notas iniciais
BECKETT
Após dois longos dias de caminhada, finalmente chegamos ao local que será o nosso novo lar, por enquanto. Deixei Castle terminando de arrumar nossa barraca e fui em direção ao novo centro de comando, vamos começar a armar estratégias de ataque.
— Capitã, Hunt e Montgomery. Sei que acabamos de chegar mas, gostaria de saber se, já temos algo definido para um primeiro ataque. – quanto mais rápido isso fosse resolvido, mais rápido voltaríamos para casa.
— Olá, Beckett. Ainda não temos nada desse porte. O que temos são números, por enquanto e, não são nada animadores. – Gates me olhava, como se eu tivesse a solução.
— É verdade mas, acho que isso não irá te impedir, não é. – Hunt tinha um meio sorriso nos lábios, acho que era da mesma opinião dela.
— Com certeza, não. Mas, o que esses números nos dizem? Porque é tão desanimador? – comecei a olhar com atenção a papelada de Gates e, pela indicação do mapa, agora somos vizinhos de Bracken.
— Que não temos contingente suficiente para um primeiro ataque. Se queremos ganhar essa guerra, teremos que trabalhar duro e pensar em um perfeito ataque único. – Montgomery sabia o que dizia e, eu confiava nele.
— Isto está parecendo mais um ataque suicida. Mas, não é impossível. – olhei para todos os presentes, estava confiante que, juntos encontraríamos uma saída.
— Você é uma mocinha muito corajosa, me lembra muito o seu pai. – Roy colocou a mão em meu ombro, tentando me passar conforto, ele confiava em minha decisão e, não poderia decepcioná-lo. Não queria decepcionar a mim mesma ou, a Castle.
— Obrigada, senhor. Suas palavras valem muito para mim. – coloquei minha mão sobre a sua, em agradecimento.
— É só a verdade, nada mais. – e sorriu abertamente, fazendo com que eu o retribuísse com outro sorriso sincero.
— Bom, podemos começar com a nossa própria segurança. Estamos próximos ao castelo e precisaremos de sentinelas vinte e quatro horas por dia. Não quero morrer durante o sono. – Hunt tinha razão, no momento não precisamos de estratégias de ataque e sim de defesa, estamos no quintal dele.
— É uma ideia excelente. Começamos por aí, depois nós trabalhamos nas estratégias de ataque. – Gates já começou a analisar os mapas e marcar os locais onde deverão ficar os guardas.
— Para mim está ótimo, já é um começo. Agora se me dão licença, vou terminar de me estabelecer e amanhã, continuamos. Boa noite e até amanhã. – foi uma conversa rápida mas, sinto que não teremos dificuldades de encontrarmos uma saída e logo.
— Boa Noite, Beckett. – responderam em uníssono.
~ ¤ ~
CASTLE
Mas que droga, parece que quanto mais eu fujo, mais esse baú me persegue.
— Castle, está tudo bem? – Kate se aproximou correndo, provavelmente, quando ouviu meu urro de dor.
— Eu estou bem, foi esse baú idiota que caiu no meu pé quando eu tentava trazê-lo para dentro. – massageava o pé, na tentativa de aplacar a dor mas, parecia ser em vão.
— Ai meu Deus! O que você está tentando fazer. Se matar? Sabe que essa coisa é pesada. Devia ter chamado um dos meninos para te ajudar. – ela estava brava, só não sei por que. Quem se machucou aqui fui eu.
— Calma, Kate. Você não tem dó de mim? Estou ferido. – olhei para ela com cara de cachorro pidão e voltei meu olhar para meu pé machucado.
— Eu devia era te desejar bem feito mas, estou preocupada, você quer que eu chame a Lanie? Precisamos saber se não quebrou alguma coisa, além do seu orgulho, é claro. – ela se abaixou e começou a tirar minha bota com cuidado mas, ainda assim, não pude impedir a careta de dor.
— Com cuidado, amor. Está doendo muito, ai.... ai.... ai.... – conseguiu tirar a bota e, agora a dor que eu sentia, dobrou de intensidade.
— Homens!! Por que são sempre tão dramáticos. Você fez a burrada, Castle. Agora aguente as consequências. – tirou minha meia e no peito do meu pé, tinha um hematoma bem feio.
— Nossa! O que foi que eu fiz de tão errado assim? – tive a impressão que a raiva que ela sentia, não era de mim.
Ela levantou o rosto, olhando para mim, soltou um longo suspiro e, sentando-se ao meu lado, segurou minha mão. O calor das suas mãos, fez com que, por um instante, eu quase não sentisse mais dor.
— Desculpe, amor. Não é de você que estou com raiva, talvez um pouquinho, pois essa sua estupidez, poderia ter causado um acidente mais sério. Acabei de voltar do centro de comando e, nossas chances não parecem ser as melhores. – ela parecia derrotada, com o cansaço da viagem e a aflição do que nos aguardava.
— Kate, sei que não será fácil, mas não desista. – apertei um pouco mais sua mão.
— Eu não estou desistindo, só.... só sinto que será difícil. Acho que tenho que descansar, amanhã será outro dia e, poderemos ver algo que ainda não pensamos. – ela se levanta e quando tento ir atrás dela, sinto a dor percorrer meu corpo e solto um gemido.
— Ai, ai. Me esqueci disso. – sento novamente e Kate vem até mim.
— Espere aqui, eu vou chamar a Lanie. – ela já ia saindo, quando a impedi.
— Não precisa, já está tarde. Ela deve estar tão cansada quanto nós dois. Só me ajude a ir para a cama. – me levantei e, com apenas uma perna, comecei a saltar em direção ao quarto.
— Tem certeza? Você está com muita dor. – Kate passou o meu braço pelo seu pescoço e me ajudou a ir para a cama.
— Não se preocupe, amor. Amanhã veremos isso com mais cuidado. – e quem sabe, consigo um pouco de coragem para abrir essa porcaria de baú.
Nos preparamos para dormir e Kate ajeitou cuidadosamente meu pé em cima de alguns travesseiros. Tomara que não tenha sido nada grave, me machucar nesse momento, não seria a melhor opção. Eu não poderia lutar e ela me mandaria para casa. É melhor dormir, amanhã estarei melhor, pelo menos é o que eu espero.
–x-
Não existe coisa pior do que, ao acordar, a primeira sensação que se sente, é a dor. Olhei para meu pé e vi um hematoma roxo escuro, quase preto. Ao tentar mexer os dedos, não consegui segurar e acabei gemendo com a dor, acordando a Kate.
— Castle! Ai meu Deus, vou chamar a Lanie. – pulou da cama e menos de dois minutos, desaparecia pela porta.
— Vamos ver o que o menino caçador aprontou agora. – Lanie entrou acompanhada da Kate.
Me examinou com cuidado mas, mesmo assim, a dor era excruciante. Tanto Kate, quanto eu, estávamos apreensivos com o que poderia ter acontecido.
— Prontinho, menino caçador. Você não quebrou nada e a dor, é resultado da pancada mesmo. Vou passar algo para aplacar a dor mas, terá que ficar de repouso nos próximos dias. Por pelo menos cinco dias, não poderá colocar o pé no chão. Fora isso, não terá problemas. – ela imobilizou meu pé com ataduras e Kate sentou-se na beira da cama.
— Ainda bem que não foi nada grave, dessa vez. Tenha mais cuidado, amor. Não sei se conseguiria continuar sem você. – ela ficava tão linda assim, preocupada com o meu bem estar.
— Sem problemas, vou seguir as recomendações da Lanie e, em breve, poderei dançar com você novamente. – beijei sua mão que estava entrelaçada na minha.
— Vou deixar os pombinhos a sós, mas lembre-se, sem esforço nos próximos dias e, vocês sabem do que eu estou falando. – olhamos um para o outro e coramos com a insinuação. — Pedirei ao marceneiro para fazer umas muletas para você, assim terá um pouco de liberdade para se locomover. – Lanie nos mandou beijinhos e saiu em seguida.
— Já que está bem, vou fazer um café para você e, depois tenho que ir conversar com Gates e Hunt. Precisamos pensar em alguma estratégia de combate. – ela depositou um beijo em minha testa e foi fazer o café. Retornou alguns minutos depois e me ofereceu uma das canecas.
— Hummm, seu café está cada vez melhor. Acho que esse era um talento que todos desconheciam.
— Pode ser mas, com certeza é questão de treino, nada além disso. Agora, eu tenho que ir, amor. Tem certeza que ficará bem? – ela estava relutante, ou tinha medo de me deixar sozinho ou, receava que eu terminasse de me matar se ficasse sozinho.
— Não se preocupe comigo, não pode parar tudo por minha estupidez. Ficarei bem, quando voltar estarei bem aqui, onde você me deixou. Juro não fazer mais nenhuma besteira. – ela me deu um beijo de despedida.
— Volto em poucas horas, sentirei saudades.
Agora que eu estava praticamente inválido, teria tempo de sobra para acertar as contas com aquele baú assassino.
~ ¤ ~
Fale com o autor