Era Uma Vez, Na Idade Média
2 Capítulo 2 - Inimigo Intimo
Notas iniciais
PRINCESA KATE
Dez anos depois:
Agora a princesa Katherine Houghton Godwinson, ou simplesmente Princesa Kate, era uma mulher extraordinária, no auge dos seus 21 anos possuía habilidades muito além do que se espera de alguém em sua posição. Havia aprendido, além da esgrima, arco e flecha, luta corporal e cavalgava como uma verdadeira amazona. Estaria extremamente feliz se não fosse a mãe, Rainha Johanna, intimá-la para encontrar um noivo. – Você já passou da idade ideal – dizia ela. E nenhum argumento do mundo seria suficiente para convencer a mãe.
E então lá estava ela, disposta ao lado direito de seu pai, Rei James, observando mais um grande baile, promovido em sua homenagem, no intuito de encontrar este bendito noivo.
Foi quando sentiu... Aquele calafrio em sua nuca, daqueles que você sente quando tem certeza de que está sendo observado, sentiu todos os pelos do seu corpo se arrepiarem e ela sabia... sabia que ele estava ali, só observando, devorando-a. Tinha medo de se virar e encarar aqueles olhos sombrios. Sempre que os via, sentia como se a mais profunda escuridão a engolisse, sua intuição não podia estar errada, esse homem possuía uma maldade tão intensa que, provavelmente, assustaria o mais valente dos cavaleiros do reino.
Ainda não conseguia entender o porquê de seu pai tê-lo contratado para capitão da sua guarda pessoal. Ela o desprezava, desde o primeiro instante em que se conheceram.
Cerca de um ano antes:
–- Querida! – chamou o Rei. – Venha até aqui, quero que conheça alguém.
–- Olá papai. – dirigindo-se ao Rei com um belo sorriso, até que ela se deu conta de seu austero acompanhante que emanava uma energia muito diferente, então seu sorriso desapareceu.
–- Este é meu novo capitão, Sir....
–- Mordred Bosworth Gorsedd, ao seu dispor – ele se inclinava em reverência, mas sem tirar os olhos dela.
Era a primeira vez que ela sentiu o calafrio, ele a olhava de uma maneira assustadora, sentia que ele a despia com o olhar. Ao pensar nisso, sentiu ânsia e vergonha. Tentando se cobrir discretamente, apenas respondeu: -- Prazer – fazendo reverência em resposta.
–- Papai, peço permissão para me retirar, estava indo me encontrar com a mamãe para terminarmos os preparativos para o jantar – ela só queria sair o mais rápido possível dali.
–- Claro querida, aproveite e avise a sua mãe que teremos um convidado hoje à noite – falou dando palmadinhas amigáveis nas costas daquele homem.
–- Sim senhor, eu a avisarei – saindo apressadamente ainda pensou. – Esse, com certeza, será um jantar daqueles.
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MORDRED
Mordred pensou que nunca vira mulher mais bela que aquela... com aquele corpo escultural e olhos tão assustados, ela tinha que ser dele, ela querendo ou não. E com esses pensamentos ele sorriu sem nem perceber.
Desde o jantar daquela noite, ele tentou conquistá-la. A perseguia, sabia de todos os seus passos naquele castelo, sua posição permitia. Invadia seu quarto à noite para observá-la dormir, a olhava de longe em suas atividades esperando que ficasse sozinha. Quando isso acontecia, a abordava tentando cortejá-la. Mas ela sempre o afastava, dizia o quanto o detestava e isso estava começando a deixá-lo irritado.
E lá estava ela, linda ao lado do pai, em mais um daqueles bailes de sua mãe, em busca de um perdedor qualquer. Não haveria necessidade desses bailes se ela dissesse sim. O desejo o consumia, ela se tornou o seu único objetivo. Ainda possuiria aquela mulher, e se ela não o queria por bem, então ele a teria por mal. Mas ainda não era hora, ele ainda tinha que se sujeitar a seguir ordens daquele velho estúpido, por hora, enquanto o seu plano ainda não estava perfeito.
Quando tudo estivesse pronto, além da Princesa, ele também teria todo o Reino para si, se tornaria Rei e, então, todos aqueles que o desdenharam iriam pagar.
Anos atrás:
Ele havia sido humilhado, chutado e maltratado. Não tinha culpa de ser o que era, um bastardo. Seu pai era um cavaleiro respeitado no Reino, tinha tido um caso rápido com sua mãe, que era uma jovem muito bonita na época, e desse caso ele veio ao mundo. Seu pai se negou a assumir a criança e sua mãe teve sua honra manchada pelo homem que amava. Ela se entregou por amor e, agora, todos a chamavam de prostituta ou coisa pior.
Teve uma infância difícil, o pequeno Nathan, sua mãe fez o que pôde para mantê-lo, lavou roupa, vendia quinquilharias, costurava, qualquer coisa que pagasse o pão. Mas ele sempre seria o bastardo, filho da desfrutável. Apanhava quase que diariamente, as pessoas cuspiam nele, faziam-no tropeçar de cara na lama e diziam que era ali que porcos deveriam viver, e riam. Suas risadas doíam profundamente, o magoava. Mas com o tempo, a mágoa começou a se tornar ódio, e o ódio começou a se tornar cada vez mais sombrio, jurou acabar com todos que os humilharam.
Fugiu de casa após a morte da mãe que teve pneumonia e, com outro nome, conseguiu trabalho como aprendiz de cavaleiro, mas não qualquer um, o mais respeitado do Reino, Sir Nathaniel Bracken McCrory, seu pai. Trabalhou duro, ficou cada vez mais forte, se tornou o melhor. Então aos 16 anos, começou sua vingança. Um dia quando seu “respeitado pai” estava totalmente embriagado, pegou a adaga que ele mesmo tinha lhe dado e o apunhalou pelas costas. E enquanto o cavaleiro sentia a vida se esvair do seu corpo, Mordred o olhou dentro dos seus olhos e o saudou: -- Olá papai, sentiu saudades? O quê? Não me reconhece? Vou ajudá-lo. Me chamo Nathaniel Willian Bracken, em sua homenagem. E com os olhos arregalados, Sir Nathaniel deixou este mundo. Mordred ficou ali, por alguns minutos, observando o corpo sem vida e o olhar de terror de seu “pai”, então sentiu algo que nunca tinha sentido antes: Prazer. O mais puro e intenso prazer da Vingança.
E então, com o corpo do pai ali, apodrecendo, ele começou a arquitetar o seu plano de vingança mais terrível.
Dias Atuais:
O plano estava indo muito bem, conseguira a posição de capitão da guarda pessoal do Rei. Tivera que mexer uns pauzinho e matar a concorrência mas o mais importante é que conseguira. Agora faltava muito pouco.
Então ela apareceu. E o que parecia estar cada vez mais perto, ficava mais e mais distante a cada dia. E ele pensava, de que adianta ser um Rei sem sua Rainha. Ele a queria,
a desejava. Sonhava todas as noites que a possuía com ferocidade, ela lutava mas não importava, assim era melhor, mostrava quem mandava, quem era o mais forte. Quem sabe assim, ele não conseguia amansar essa gata selvagem. E todas as noites, os sonhos se repetiam, mais pervertidos e violentos do que os anteriores. Por enquanto eram apenas sonhos, mas em breve, se tornariam realidade.
E com esses pensamentos, ele a observava mais uma vez em seu memorável baile. – Só mais um pouco e você será minha.
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