Era Uma Vez, Na Idade Média
19 Capítulo 19 - Surpresas
Notas iniciais
CASTLE
Castle estava ali mais uma vez encarando aquele velho baú. O que será que tinha nele? Por que seu pai o deixou? Por que só abri-lo em caso de estar em perigo? São muitas questões e nenhuma resposta. Seria mais prático se abrisse logo de uma vez mas, não tinha coragem para isso. E se fosse que nem a caixa de pandora, ou a arca da aliança? Era melhor não arriscar. Ainda não estava em perigo mas, em breve, com certeza ficaria e então essa seria a hora de saber a verdade. Balançando a cabeça, como se esse gesto o fizesse esquecer as dúvidas, levantou-se e foi fazer o café. Daqui a pouco, poderia ver mais um sorriso da Beckett, e só de pensar nisso, seu coração se enchia de alegria.
–- Bom dia, Beckett – lhe entregou a caneca com um grande sorriso.
–- Bom dia e obrigada – ela sorriu. –- Tão feliz logo cedo. Alguma novidade?
–- Não, nada de especial. Só dormi bem esta noite, acho que finalmente estou me acostumando com a cama. – céus, como é que ela faz isso, só um sorriso e eu fico todo bobo.
–- Sorte sua, porque a minha continua muito desconfortável e.... – foi interrompida por uma agitação mais à frente.
–- O que será que está acontecendo? – perguntei indo em direção ao aglomerado de pessoas.
–- Acho que... é a Gates! Ela chegou, Castle. E Ryan veio com ela. O que será que tem na carroça?
–- Panquecas? – Beckett revirou os olhos, mas eu tinha que perguntar. –- Ora, se for panquecas, estou com o dia ganho.
–- Gates, Ryan... Que bom que vieram. – ela deu um abraço em cada um. –- A Jenny não veio?
–- Eu pedi para ela ficar na casa de alguns parentes, não queria que ela viesse. Não é seguro. – Ryan me disse tristonho.
–- Eu entendo. Sei que é o melhor para vocês. – Kate passava carinhosamente a mão nas costas de Ryan para confortá-lo.
–- Gates, sabia que não aguentaria de tantas saudades de mim. – dei um grande abraço nela. –- O que trouxe para nós? Não me diga que é panquecas? Se for, eu vou te amar para sempre.
–- Graças à Deus então, Sr. Castle, que não são panquecas. Olhe o Senhor mesmo. – decepcionado, fui até a carroça e puxei a lona que a cobria.
Olhei para Beckett e vi seus olhos brilhando. Não podia acreditar no que via. A carroça estava lotada de espadas, armaduras, machados, arcos e flechas. Tudo reluzia, todo o armamento era novo.
–- Uau. Gates, como conseguiu tudo isso? – Kate não conseguia acreditar no que via, e eu muito menos.
–- Ora, Kate. Eu pensei que, para termos uma chance nessa guerra, seriam necessárias muitas armas. Então conversei com umas pessoas aqui, entrei em contato com outras ali e voilá. Se precisar de quaisquer outras coisas, pode falar comigo. – Gates sorria, triunfante.
–- Claro que sim, quando disse que a Senhora poderia cuidar da logística, não achei que levaria tão à sério! Sou muito grata. – Beckett segurou as mãos da jovem senhora entre as suas.
–- Kate, se quiser me agradecer, então ganhe essa guerra logo. Assim eu terei minha vida de volta e talvez, até poderei expulsar o Senhor Castle da minha taberna. – Gates olhou para mim e entortou um pouco a boca.
–- Ei! Eu só perguntei se eram panquecas, seria a pergunta mais óbvia. – comecei a ajudar a descarregar a carroça junto com Espo e outros.
–- Chegou em boa hora, partiremos em três dias e precisávamos disso. A viagem até o castelo dura muitos dias e, com esse contingente, o tempo será maior ainda. Provavelmente encontraremos muitas pessoas que irão se juntar a nós pelo caminho, além dos pequenos grupos de extermínio de Bracken, então é bom estarmos preparados.
–- Espo... Ryan... Por favor, organizem isso aqui e montem um esquema para distribuição. – só de pensar que falta pouco, me dá um frio na barriga.
Beckett conversava com Gates, provavelmente acertando os últimos detalhes, ali estavam duas mulheres extraordinariamente fortes. No comando dessas duas, não há como não ganharmos essa luta. Kate pediu a Gates para, além da logística, para ajudá-la com as estratégias de guerra. O marido dela tinha lutado em outras guerras e ela sempre gostou de discutir esses assuntos com ele. Acabou, ao longo dos anos, adquirindo uma certa experiência, por isso se ofereceu para nós na taberna.
–- Olá Gates. A Sra. bem que poderia fazer umas panquecas. Como despedida, já estou morrendo de saudades do sabor divino delas. — não custava nada tentar.
–- Sr. Castle, sabe muito bem que eu não estou aqui para isso. – sua cara não era das melhores. –- Mas, em consideração à todas as outras pessoas que eu gosto daqui, posso fazer um pequeno agrado. – sem nem pensar, eu abracei a mulher. –- Se continuar me abraçando, Sr. Castle, retiro totalmente minha oferta.
–- Claro, por favor me desculpe, só fiquei emocionado. – me afastei, simulando que enxugava uma lágrima.
–- Nossa, Castle. Você tem mesmo uma fascinação por panquecas, hein? – Kate fingia estar irritada.
–- É a mesma que você tem pelo meu café. – ela revirou os olhos.
De repente, escuto alguém chamando pelo meu nome desesperadamente. Parece ser.... minha mãe? Estico o máximo que posso para conseguir olhar por cima da multidão, então vejo os cabelos vermelhos se aproximando. Vou de encontro à ela.
–- Richard... Richard...! – minha mãe se aproxima sem fôlego e amparada por Lanie.
–- Ela chegou aqui desesperada perguntando por você, parece que é urgente. – Lanie se apressou em dizer.
–- Diga mãe, aconteceu alguma coisa? O que faz aqui? – começava a ficar angustiado, mas ela ainda tinha dificuldades para falar.
–- Lanie, por favor, traga um copo d’água para ela. – imediatamente Lanie desapareceu. Retornou em seguida com um copo d’água e ofereceu a minha mãe que, o tomou em um único gole. Ela tremia.
–- Pronto, respire devagar. – e ela o fez. –- Agora me diga, o que foi que aconteceu para a senhora vir até aqui?
–- Richard, levaram a Alexis! – senti meu sangue gelar.
–- Levaram a Alexis, como assim levaram ela? Para onde? – já estava desesperado.
–- Não sei para onde a levaram, estávamos fazendo umas compras na cidade, então um homem com capuz apareceu e a agarrou, tentei lutar com ele mas, ele me derrubou e eu bati a cabeça. Não pude fazer nada. Por favor me desculpe. – Martha estava desolada.
–- Não foi culpa sua mãe. Tenho certeza que deu o seu melhor. A culpa é minha, não deveria tê-la deixado, jamais. – a abracei, eu não podia acreditar. Por que?
–- Richard, a culpa não é sua. – ela se afastou do abraço para me olhar nos olhos.
–- Eu não sei, e se eu...
–- Sem ‘se’. Não se torture com os ‘se’. O único culpado aqui, foi quem a pegou. – eu via a dor que ela estava sentindo.
Nesse momento, Beckett e Gates conseguem abrir caminho na multidão e se aproximam.
–- Martha? Castle? O que houve? – Kate estava muito preocupada.
–- Levaram ela Kate. – meus olhos estavam marejados.
–- Levaram ela? Ela quem, Castle?
–- Minha menininha. – agora as lágrimas corriam livremente pelo meu rosto. –- Levaram a Alexis.
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