Era Uma Vez, Na Idade Média

6 Capítulo 6 - Um Novo Amanhecer


Notas iniciais
Olá. Estão todos bem? Agora o pior já passou (por enquanto). Queria agradecer a Alana Graham e a Aline por sempre comentarem. Aos leitores fantasmas, também agradeço por estarem acompanhando. E me desculpem qualquer coisa. Sei que a introdução da estória ficou longa, mas como se passa na Idade Média, tenho que adaptar muita coisa. Sem mais delongas e eis o próximo capítulo... Beijocas.

KATE

Tentava lembrar como exatamente tinha saído do castelo. Conhecia todos aqueles túneis como a palma de sua mão, então presumia que tinha seguido as galerias subterrâneas que tinham saída para a floresta.

Agora estava sozinha, sua mãe fora brutalmente assassinada e a dor era como ferro quente em sua carne. Só de lembrar as lágrimas queimavam em seus olhos. Não tinha ideia de como continuar, um exército inteiro estava a sua procura sob o comando de um maluco sádico. Não tinha suprimentos, ou conhecimento para sobreviver na floresta. Nunca esteve só em toda a sua vida, era uma princesa, sempre tinha alguém para cuidá-la.

Creio que a palavra chave aqui seria “ERA”, não era mais princesa, não possuía mais criados, não tinha mais a mãe. Agora tinha que ser forte, o pai fez uma promessa em seu nome e, com toda o ódio que sentia por aquele... iria cumprir, com certeza iria, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.

Vejamos, o que temos? Um vestido de festa totalmente destruído, diga-se de passagem; Uma espada bem ruinzinha, para variar; Umas frutinhas que estavam no bolso do vestido, colocados ali se acaso desse fome à noite e ... o anel preferido da minha mãe – pensar na mãe a fez sentir um vazio por dentro. -- Bom, parece que esse inventário foi bem precário. Primeiro, tenho que achar água, depois colher algumas frutas e começar a andar. Tenho que ficar o mais longe possível do castelo.

Já tem dias que estou andando, não sei dizer quantos. Fico fora das estradas principais, colho frutinhas quando encontro algumas e paro para beber água quando possível. Sigo sempre para o Norte, sei que tem um vilarejo lá bem afastado de tudo, seu nome é North Yard se não me engano. Só não tenho certeza se chegarei lá. Sinto-me cada vez mais fraca, são dias a base de frutinhas silvestres e água, além do fato de não dormir direito e andar o dia inteiro. Quase não vejo mais o caminho, a visão começou a escurecer e então... Tudo se apaga.

~ ¤ ~

RICHARD

Richard estava fazendo sua ronda diária, verificando as armadilhas e se tivesse sorte, teriam carne para o jantar. Após passar o dia trabalhando, faltavam apenas duas armadilhas. A féria do dia tinha sido de duas lebres e um esquilo. Foi um dia bom, quem sabe não encontraria uma surpresa nas outras duas que faltavam.

Estava tão contente com a sua sorte do dia, que distraído, acabou tropeçando e caindo um belo tombo. Sorte que não tinha ninguém por perto, pois dava para o ouvir praguejando por um quilometro de distância.

–- Mas que porcaria, no que foi que eu tropecei? – devagar subiu o caminho que acabara de passar rolando e quando olha mais atentamente, para de repente. – Por um instante achei que fosse azar, mas acho que minha sorte mudou – abriu um sorriso largo, que deixava seus profundos olhos azuis pequenininhos.

Se aproximando com cuidado, examinou a linda moça que estava desmaiada no meio da mata. Era a mulher mais linda que já tinha visto na vida, e sentiu seu coração bater como nunca havia sentido antes. Observou que seu vestido estava sujo e rasgado, mas o tecido parecia ser de ótima qualidade, quando foi pegá-la no colo para levá-la para casa, ouviu um barulho seco, como se tivesse caído algo. Olhou com mais atenção e viu uma espada. – Essa mulher é cheia de mistérios, o que será que ela faz nesse fim do mundo e com uma espada?

Com uma facilidade impressionante, ele a levou para seu casebre que ficava a margem da floresta. Chegando a porta e ele chama: -- Mãe, Alexis... Venham aqui por favor e rápido. Rapidamente aparecem à porta, uma senhora beirando o cinquenta, ruiva e com belos olhos azuis sendo seguida por uma pequena cópia da mesma mas, com cerca de sete anos.

–- Oh Richard, eu pedi para você trazer o jantar e não alguém para jantar – Martha olhava pra moça que o filho acabara de colocar na cama de palha.

–- Há, há, engraçadinha. Eu a encontrei desmaiada no meio da floresta e se estiver interessada, aqui está – disse pegando as lebres e o esquilo da mochila.

–- Pai? O senhor encontrou essa moça na floresta? Ela é tão bonita – Alexis olhava a mulher com curiosidade.

–- Isso mesmo abóbora – Richard beijou o alto da cabeça da filha. -- Agora, acho que o melhor a fazer é deixá-la descansar. Mas acho que ela precisa de um banho também, quem se candidata? – levantando a mão rapidamente e com um grande sorriso. Sorriso que desapareceu com o tapa que levou da mãe.

–- Richard, não tem vergonha não, olha sua filha aí. Pode deixar que eu mesma faço uma higiene nela e troco suas roupas. Agora saiam daqui os dois – Martha fazia sinal com as mãos para que eles saíssem.

Richard saiu do casebre com o mesmo olhar de curiosidade da filha. De onde diabos esta mulher saiu? Alexis quando olhou para o pai, riu do biquinho que ele fazia.

~ ¤ ~

KATE

Ela sentia o corpo inteiro doer, parecia que tinha sido atropelada por uma cavalaria inteira. Se espreguiçou por um longo período e só depois abriu os olhos. Onde é que ela estava? Olhou ao redor e viu que estava em um casebre bem simples, faria outras perguntas, mas sentiu o cheiro de algo que parecia ser delicioso. Se levantou e foi direto para o caldeirão fumegante na lareira. Sem pensar, pegou uma pequena cuia e o encheu com aquele caldo quente e suculento.

Era uma sopa rala, com uns parcos legumes mas era a refeição mais deliciosa que já tinha provado na vida.

Quando ela já se sentia satisfeita, a porta se abre e adentra na casa um homem muito bonito, tinha cabelos castanhos claros, bem cortados, olhos azuis tão profundos, que era como se mergulhasse neles tudo emoldurado em um corpo forte e esbelto. Ele tinha um arco e flechas em uma das mãos, na outra segurava um par de lebres selvagens. Balançando-as na minha frente diz:

–- O jantar, apesar de que não ser mais necessário – apontando para a tigela suja.

E então ele sorriu, acho que nesse momento meu coração falhou uma batida. Sua voz era tão suave, me fazia sentir tão segura que me esqueci que estava sendo caçada. E quando ele se virou para guardar o arco, perdi o ar. Meu Deus, que bumbum era esse?

Se controla Kate, você nem sabe quem é esse homem lindo. Eu disse lindo, não, eu quis dizer solícito, isso, esse homem solícito. Acho que ele percebeu o que eu pensava, porque quando eu olhei para ele, estava me encarando.

–- Sabia que você tem olhos lindos? E também fica adorável com essa ruguinha entre as sobrancelhas – ele olhava diretamente para mim.

–- Bem... Eu... Digo... – droga Kate, diz alguma coisa. -- Hum... hã..., onde eu estou? E quem é você? – disse tentando parecer o mais sério possível.

–- Bom, você está na minha casa, que fica uns cinco quilômetros da cidade de North Yard e eu me chamo Richard Alexander Castelian. Moro com minha mãe Martha e minha filha Alexis. Encontrei você desmaiada na floresta e achei melhor trazê-la para cá. E antes que pergunte, foi minha mãe que trocou você.

Somente depois do comentário que eu percebi a troca de roupas.

–- Obrigada – provavelmente estava toda vermelha. Porque ele me olhava com um sorriso bobo no rosto.

–- Desculpe perguntar mas, você é....?

Me sobressaltei, e agora? Eu não podia dizer meu nome, se ele não soubesse não seria perigoso para ele e a família. Pensa Kate... Ele ainda me olhava em expectativa... Pensa Kate. Olhei ao redor e vi uns equipamentos para cavalos, então eu lembrei da filha de um dos funcionários do meu pai. Seu nome era Rebecka, mas todos à chamavam de Becks. Isso, então eu disse:

–- Beck...ett, me chamo Kate Beckett – estava prendendo a respiração.

–- Beckett! – estava olhando para cima, com o olhar pensativo. -- Bonito nome, combina com você – e sorriu me estendendo a mão. -- Muito prazer em conhecê-la, senhorita Kate Beckett.

–- Seu nome também não é ruim, Sr. Castle... digo, Castelian..., me desculpe. – quase tive uma síncope, como consegui errar o nome do homem?

–- Mas Castle é bom também. Se quiser me chamar assim, eu não me importo. – e o sorriso dele foi tão espontâneo que o deixou com os olhos pequenininhos.

Apertamos nossas mãos sorrindo um para o outro. Sentia que esse foi o melhor aperto de mãos que já tive. O que mais esse homem interessante me faria descobrir?

~ ¤ ~

Notas finais
Não é um cavaleiro em armadura brilhante (ainda), mas é um charme. Nos vemos em breve em: O Passado não te Esquece. Beijocas e até lá.