Era Uma Vez, Na Idade Média
51 Capítulo 51 - Família
Notas iniciais
BECKETT
Descemos as escadarias que davam para a torre, assim que chegamos ao salão, vimos os meninos em volta do corpo do pequeno Sammy. Me aproximei, me ajoelhando ao seu lado. Ajeitei suas mãos sobre o peito, parecia que estava apenas dormindo.
— Como eu disse, você é o meu herói. E estará para sempre em meu coração. – me abaixei para depositar um beijo em sua face, me levantando em seguida. — Ele parece tão tranquilo, foi muito corajoso o que fez. – abracei Castle, me permitindo prantear o garoto.
— Ele foi o único sobrevivente da sua família, no ataque a sua vila, ele perdeu o pai, a mãe e mais dois irmãozinhos. Quero acreditar que ele os reencontrou e ficará bem. – me abraçou com mais força e beijou o alto da minha cabeça.
— Também espero. – me desfazendo do calor do seu abraço, tinha que tomar algumas providências. – Espo, como nós estamos?
— Assim que a notícia da morte de Bracken se espalhou, seus homens se renderam, alguns conseguiram fugir mas, não acho que trarão grandes problemas. Tivemos poucas baixas, se contar que nosso pessoal era em menor número, o castelo não teve grandes avarias, em poucas semanas, tudo estará em ordem. E, assim que a bandeira branca foi levantada, enviei uma mensagem a Gates, logo todos estarão aqui. – Espo tinha um corte no supercílio, mas ele e Ryan, pareciam bem.
— Está tudo terminado então. Já cuidar desse corte Javi e, Ryan, você poderia providenciar os cuidados necessários para o Sammy? – ele assentiu e se retirou apressado. — E, alguém sabe onde está meu pai?
— Ele disse que precisaria de alguns minutos mas, logo retornaria. – Espo falou antes de sair, deixando Castle, eu e alguns poucos soldados no salão destruído.
— Não acredito que conseguimos, Castle. Nossas chances não eram as melhores e, mesmo assim, conseguimos. – me aproximei, colocando a mão sobre a bochecha avermelhada, provavelmente, foi causado por um soco. Ele fez uma pequena careta. — Dói?
— Um pouquinho, mas vou sobreviver. E, em momento algum, eu deixei de acreditar que você conseguiria, claro que eu fiquei louco quando olhei em volta e não vi nem você e nem o Bracken, nesse momento eu tive medo de te perder. – ele se aproximou um pouco mais para um beijo. Fomos interrompidos com um pigarrear de garganta.
— Desculpe interromper mas, acho que temos muito o que conversar. – o Rei estava diante deles.
— Pai, eu... nós... Bem, eu senti muito a sua falta. – e pulei em seu pescoço, para um abraço forte. Ele estava magro e aparentava fraqueza mas, ainda era o meu pai.
— Katie, como senti sua falta. Eu sabia que conseguiria. Eu não sei como dizer isso mas, a sua mãe... – ele perdeu a voz, lágrimas vieram aos seus olhos, parecia tão frágil.
— Eu sei, pai. Eu vi tudo... – minha voz também ficou embargada com a lembrança. — Eu estava na passagem, queria ajudá-los. E então, depois da mamãe... Eu só consegui correr e correr, o mais rápido que eu pude. – sentia vergonha por ter fugido, o deixando sofrer por todo esse tempo.
— Fez bem, querida. Se tivesse ficado, nenhum de nós estaria vivo agora. Ele só me manteve vivo todo esse tempo, porque desejava te matar na minha frente. – eu sabia que ele tinha razão mas, vê-lo tão fragilizado, não melhorava a minha culpa.
— Eu sei disso pai, eu quase não consegui, só pensava em ficar o mais longe possível do castelo e, se não fosse pelo Castle, eu não estaria viva e, muito menos organizaria esse ataque. Ele sempre esteve comigo, desde o princípio. – falar dele sempre me fazia sorrir, mesmo que não fosse adequado.
— Senhor Castle. O que faz da vida rapaz, não me parece ser um nobre. — meu pai estava dando uma de Rei. Acho que não será uma boa conversa.
— Sou caçador, Majestade. Moro em uma cabana ao norte daqui, em uma vila chamada North Yard. – Castle se mantinha com a cabeça abaixada, enquanto fazia uma mesura, ajoelhado no chão.
— Hummm. Por serviços prestados, o senhor receberá uma boa recompensa e, poderá ter uma boa vida em sua vila. – meu pai deu as costas para ele e, Rick me olhou assustado. Eu sabia que teríamos problemas.
— Não, pai. O Rick ficará aqui, comigo. Eu o amo. – meu pai se virou bruscamente, estava com raiva, não tinha mais o olhar doce de antes.
— Não, Katie. Ele não vai, você mesma ouviu, ele é um camponês, não tem direito nem de lhe dirigir a palavra, muito menos de tocá-la. Céus, filha. Você é a Princesa e, agora que tudo isso acabou, deve assumir suas responsabilidades, o tempo de beijar rapazes na floresta acabou. – ele não podia fazer isso, ele podia ser meu pai e, o Rei mas, não era o dono da minha vida.
— E quem disse que nós SÓ nos BEIJAMOS!!! – ao ver o olhar do meu pai, percebi que tinha ido longe demais.
— Katherine!!! Vocês não.... Como pode fazer isso? – e tomado pela ira, se virou para Castle. — GUARDAS!!! PRENDAM ESSE HOMEM! – o quê? Não, ele não podia fazer isso.
— Pai, eu... – ele só sinalizou com a mão para que me calasse, não queria olhar para mim.
— Já chega, Katherine. Já fez estragos o suficiente por hoje. – ele esqueceu que eu acabei de salvar a vida dele e de todo o Reino? — Levem-no para o calabouço, faremos seu julgamento pela manhã. – dois guardas se posicionaram ao lado de Castle e começaram a arrastá-lo para fora.
— KATE!! BECKETT!! KATE!! – ele gritava mas, meu pai me impediu de ir até ele.
— Beckett? É melhor nem perguntar. – ele já ia se retirando, quando uma voz conhecida, se fez ouvir pelo salão.
— Soltem o garoto! – Hunt se aproximou de nós, com o braço em uma tipoia.
— Hunt! Meu velho amigo, não sabia que estava lutando. – meu pai olhou o amigo e, depois para Castle. — Pelo que vejo, você sabia desses dois?
— Eu não sabia que amar tinha se tornado crime, Majestade. Se é isso, começo a temer ter lutado do lado errado. – Hunt se aproximou, ajoelhando diante de nós.
— Amar não é crime mas, ele é um camponês e.... – sussurrando, para que mais ninguém ouvisse. — Ele deflorou minha filha, a Princesa. Sabe que isso é um crime capital.
— Mas ele não é só um camponês, ele é.... – eles estavam cochichando e eu não ouvia direito o que diziam.
— Pai, por favor, me escuta. – precisava tentar mais uma vez, ou Rick seria enforcado.
— Chega, Katherine, depois nós convers…. – foi quando ele olhou para mim e viu a espada. – dê-me esta espada aqui. – lhe entreguei a espada e, ele a examinou cuidadosamente. — Essa espada é sua, Hunt. Eu mesmo lhe dei. Você a entregou a minha filha? – ele ergueu os olhos da espada e fitou o amigo.
— Não, Majestade. Richard deu a ela. – e olhou para o filho.
— E por que um camponês teria sua espada? – meu pai estava tentando entender o que estava acontecendo.
— Porque eu a deixei de herança para o meu filho. Majestade, quero que conheça meu filho: Richard Alexander Castelian. – com a mão boa, apontava para Castle.
— Seu filho? Mas, todos o chamam de Castle? – ele olhava de Hunt para Castle e, de Castle para mim.
— É uma coisa dos dois, assim como ele a chama de Beckett. Mas, como pode ver, Richard não é só um camponês, como ele é meu filho, é um Lord como eu. O primeiro na linhagem dos Castelian. Então, acho que essa prisão não será necessária. – meu pai sinalizou para os guardas e, eles o soltaram.
— Venha até aqui, rapaz. – Castle se aproximou devagar. — Se ajoelhe. – e ele o fez. Então meu pai levantou a espada e, a colocou sobre o ombro direito dele. — Primeiro me responda, filho. Você realmente ama a minha filha?
— Com todo o meu coração, eu morreria por ela e, não consigo imaginar viver a vida sem ela, Majestade. Tudo o que eu desejo, é fazê-la feliz. – meu pai olhou mais uma vez para o Hunt, que fez um sinal afirmativo com a cabeça.
— Nesse caso, Richard Alexander Castelian, você jura diante de mim e de Deus, proteger as mulheres e os fracos? Defender a justiça contra a injustiça e o mal? E a amar sua terra natal? – a cada pergunta, a espada estava ora no ombro direito, ora no ombro esquerdo.
— Sim, Vossa Majestade. Eu juro. – ele mantinha a cabeça baixa o tempo todo.
— Eu o nomeio, Sir Richard Castelian… — ele parou por um momento, acho que Hunt cochichava algo. — Oh, claro. Sir Richard Castle, Lord do Reino de Silésia. – todos os presentes, aplaudiram a ordenação.
— Obrigado, Majestade. Será que eu poderia me aproximar? – com a permissão de meu pai, ele cochichou algo em seu ouvido. Ao terminar, meu pai sinalizou afirmativamente e Castle veio a meu encontro.
— Castle, me desculpe, eu.... – então ele se ajoelhou e colocou a mão no bolso, puxando uma aliança.
— Katherine Houghton Beckett...
— Godwinson. – meu pai o corrigiu.
— Oh, desculpe. É a força do hábito. Katherine Houghton Godwinson, você aceitaria se casar comigo? – ele segurou minha mão e, me mostrava aquela aliança.
— Oh Meu Deus!! Sim, sim, eu aceito me casar com você, Sir Richard Alexander Castle, meu cavaleiro de armadura brilhante. – ele colocou a aliança no meu dedo e, quando eu ia beijá-lo, ele parou e olhou para meu pai. Que deu permissão e, não nos fizemos de rogados.
Todos vieram nos cumprimentar, finalmente viveríamos nosso conto de fadas.
— Só tem mais uma coisa, quero me casar o mais rápido possível, assim que limparmos toda essa bagunça. O que acha? – ainda estava com os braços em torno do seu pescoço.
— Tão rápido? Não quer planejar tudo com calma? Minha mãe e a Alexis só chegarão em uma semana e, aposto que ficariam encantadas de te ajudar com os preparativos. – estava com tantas saudades das ruivas.
— Até poderia esperar mas, acho que meu pai iria surtar se visse minha barriga aparecendo na cerimônia. Sabe que para todos os efeitos, nós nunca... – sabia que tinha entendido o recado, quando um sorriso maior que seu rosto, surgiu.
— Kate, você tem certeza? Um filho? – sorria tanto quanto ele.
— Descobri a pouco tempo mas, sim, eu tenho certeza. – ele me girou em seus braços. — Só temos que contar para meu pai. – o sorriso desapareceu do seu rosto.
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