Era Uma Vez, Na Idade Média
24 Capítulo 24 - Fantasmas
Notas iniciais
CASTLE
Os dias foram passando. Com a Beckett em recuperação, os planos de começar a viagem, foram adiados. Mas se dependesse dela, iria assim mesmo. Sorte que a Lanie é mais sensata e conseguiu convencê-la de ficar até estar totalmente inteira. Mas Kate é a mulher mais teimosa que já conheci na vida e, isso me deixa louco. Fui levar o seu café e não a encontrei. Ao invés de ficar em repouso, deve ter ido treinar esgrima, mesmo com dor.
–- Katherine Beckett, muito bonito né, a senhorita deveria estar de repouso. E você também Will, sabe que ela não está totalmente recuperada. – cruzei meus braços em sinal de reprovação.
–- Ela foi insistente, não pude fazer nada. – Will falava com cara de culpado, enquanto levantava os dois braços em sinal de rendição.
–- Lógico que podia, era só recusar veementemente e....
–- Castle, você não tem o direito de se intrometer assim na minha vida. É o meu corpo e, eu sei quais são meus limites. – ela fazia aquela ruguinha entre os olhos quando saiu da arena e veio em minha direção.
–- Mas Beckett, você sempre vai além dos seus limites. Se eu não te impedir, você vai acabar se matando.
–- Castle. Já disse, é meu corpo, MEU! E quem é você para me dizer o que eu devo ou não fazer? – quem sou eu? Ora, eu sou o homem que te ama mais que tudo. Que mulher teimosa, as vezes tenho vontade de lhe dar umas palmadas.
–- Quem eu sou? Sou seu parceiro e....
–- E mais o que? – ela olhava bem dentro dos meus olhos, seus lindos olhos verdes tinham o brilho da raiva e, deixava ela ainda mais linda. Por um instante, quase me rendi e confessei o que sentia por ela mas, não colocaria tudo a perder agora.
–- ... e seu amigo. Me preocupo com você e se não consegue ver o que é melhor pra si, eu tenho a obrigação de dizer. Eu só quero que você fique bem. – segurei sua mão e apertei levemente, como quem pedia desculpas, mas sem perder o contato visual.
–- Tudo bem, Castle. Mas ficar sem fazer nada já está me enlouquecendo. – ela já tinha mudado o tom de voz, parecia mais uma criança perdida.
–- Não se preocupe, se seguir as recomendações da Lanie, voltará a ativa mais rápido do que pensa, aí sim poderá dar uma surra em todos esses caras com uma mão nas costas. – e ela sorriu. Era tudo o que eu desejava neste momento.
~ ¤ ~
BECKETT
Depois da conversa de Castle, comecei a seguir direitinho as recomendações da Lanie, sobre minha saúde é claro, precisava de tempo para resolver o que faria sobre Castle. Precisava ficar boa, tinha uma caçada para fazer, Madoxx não iria sair impune assim. Por ter sequestrado Alexis e, principalmente, a flecha que me acertou, era direcionada à Castle. Ele poderia tentar novamente e, eu não iria permitir.
Saí a procura de Castle. Ao entrar em sua barraca, lá estava ele, encarando aquele velho baú.
–- Ei, Castle. Está tudo bem. – ele se assustou, estava tão distraído que não tinha percebido minha presença.
–- Oi, Beckett. Precisando de algo? – saindo do seu devaneio.
–- Nada, na verdade, precisava conversar um pouco para distrair. Você e a Lanie me proibiram de fazer outras atividades então, estou entediada. – me sentei ao lado dele e olhei para o baú também. –- Quer falar sobre isso? – apontei para o misterioso objeto.
–- Não, ... quer dizer, você não precisa ficar aqui me ouvindo falar sobre coisas que não são importantes para você. – ele estava meio sem graça.
–- Mas é importante para você, então se torna importante para mim também. Saiba que estarei aqui para o que precisar, sempre. – pelo menos esse era o meu desejo mas, a realidade era diferente.
–- Bem, antes de sair da cabana, quando fui me despedir da minha mãe, ela me disse para trazer esse velho baú. Era do meu pai. – ele parecia com raiva, ao mesmo tempo, que também parecia magoado.
–- Você nunca havia mencionado seu pai antes, você o conheceu? – tentava não ser invasiva demais.
–- Não. Na verdade, não sei nada sobre ele. Tudo que sei é que, minha mãe se apaixonou por um jovem e tiveram uma noite maravilhosa. Na manhã seguinte, ele já havia partido. Quando ela descobriu a gravidez, única coisa que sabia do meu pai era um nome. Sobrenome, na verdade... Castelian.
–- E ele nunca entrou em contato?
–- Eu achava que não, mas esse baú prova o contrário. Um dia entregaram este baú para minha mãe com instruções. Que eu só o abrisse se minha vida corresse perigo. Por isso minha mãe pediu que o trouxesse, com certeza, em algum momento, minha vida correrá perigo. – ele colocou as mãos atrás da cabeça e a abaixou em direção ao próprio colo.
–- Não consigo nem imaginar como foi difícil para vocês. – passava a mão em suas costas, na tentativa de confortá-lo.
–- Quando minha mãe descobriu sobre mim, seus pais a expulsaram de casa. Era uma mãe solteira, uma vergonha para a família, ninguém iria aceitar. Então, ela pegou seus parcos pertences e acabou se mudando para cá, preferiu morar na cabana, que é longe da cidade, para evitar olhares maldosos. Para todos que perguntavam, dizia que era viúva. E assim nós sobrevivemos.
–- Nossa, Castle. Eu sinto muito. – olhava para seus lábios e por um instante eu quis prová-los.
–- Por favor, não sinta. Todos nós temos uma história e, essa é a minha. Ou parte dela, já que aquele baú ali. – sinalizava com a cabeça. – Me diz que existe uma parte da minha vida que eu desconheço totalmente, e será revelado assim que eu tomar coragem. – eu também queria ter coragem. Tudo estava confuso, achei melhor focar no baú.
–- Eu desconfiei que tinha algo errado. Você, com sua curiosidade infinita, ainda não ter aberto esse baú? Pensei que não viveria para ver esse dia. – abri um sorriso reconfortante, queria que ele se sentisse seguro.
–- Eu sei, nem eu pensei que viveria para ver esse dia. Mas estou com medo, ou melhor, estou apavorado com o que pode haver ali dentro. – seu olhar dizia que era verdade, estava totalmente apavorado, como se abrir o baú, fosse comparável à caixa de Pandora.
–- Vamos fazer o seguinte. Assim que estiver preparado. Você me procura e, vamos abrir esse baú juntos. E se tiver um bicho papão aí dentro, pode deixar que eu te protejo. Combinado? – e após uma pequena pausa. –- Se estiver tudo bem para você, é claro.
–- Kate Beckett, está se oferecendo para ser minha grande salvadora? – fazia um ar debochado.
–- Mas é claro! Só porque você está parecendo um donzelo indefeso. – ele riu abertamente. Estava mais calmo agora.
–- Não confiaria em mais ninguém para essa missão. Me sinto seguro ao seu lado. – segurou minha mão com carinho. Gesto que fez com que meu coração se aquecesse.
–- Assim como eu me sinto segura ao seu lado. Agora vamos deixar os fantasmas do passado aí sozinhos e, que tal um café. Eu pago.
–- Há há, sabe que o café daqui, do acampamento, é de graça, né?
–- Eu sei. Por isso eu disse que pagava. – já havia me levantado e, me dirigia a entrada da barraca.
–- Beckett? Está fazendo uma piada? Agora assim, o céu vai desabar!
–- Estou sim, mas não se acostume, Castle. Só faço isso em situações especiais. Agora chega de moleza e vamos logo tomar esse café.
~ ¤ ~
Fale com o autor