Era Uma Vez, Na Idade Média
16 Capítulo 16 - Incentivo
Notas iniciais
BECKETT
Kate acordou cedo, o barulho matinal do acampamento começava antes do amanhecer, se revirou por uns minutos no catre improvisado, seu corpo inteiro doía. Viajar em uma carroça num terreno tão acidentado, não fora uma grande ideia mas, com aquele baú enorme de Castle, não tinham muitas opções. Chegaram tarde na noite anterior, praticamente, apenas as sentinelas estavam acordadas. Decidiram se recolher e tentar descansar pois, no dia seguinte teriam muito trabalho.
Ela se levantou, fez sua higiene e foi se arrumar, colocou novamente suas calças, teria que arranjar mais algumas, botas, uma camisa, também de Castle e por último pegou uma espada e saiu da barraca, sendo recepcionada por uma cheirosa caneca de café, sorriu.
–- Bom dia, alteza. Dormiu bem. – Castle parecia que nem tinha sentido o cansaço da viagem.
–- De novo me chamando de alteza, Castle. Já disse que meu nome é Beckett. – como ele pode ser tão teimoso.
–- Não diga isso para mim, diga para eles – Castle apontava aquela imensidão de pessoas, curvadas em reverência. Quase cuspi todo o meu café.
–- Oh Meu Deus, tinha me esquecido desta parte. – estava totalmente incrédula. -- E agora Castle, o que eu faço?
–- Esse é o seu povo Kate. Dê a eles o que eles desejam. Esperança! – Castle me estendeu a mão me ajudando a subir na carroça dele, improvisando um pequeno palco. Olho para aquela multidão, respiro fundo e buscando em meu íntimo toda confiança que eu possuo, começo a dizer com firmeza na voz:
–- Atenção, povo de Silésia. Por favor, levantem-se. – todos se levantaram e permaneceram em silêncio, aguardando o pronunciamento. -- Meu nome é Katherine Houghton Godwinson, mas a maioria de vocês me conhece por Princesa Kate. Esse é um título que não existe mais, porque assim como vocês, tive minha casa roubada, minha mãe foi assassinada e meu pai se tornou um prisioneiro. Também tive que fugir, abandonar a vida que sempre conheci... – ouvia-se o murmúrio das pessoas ali, concordando comigo. –- Caminhei sem rumo, com fome e sede, com medo e sem esperança... Eu tive sorte. Encontrei pessoas que acreditaram em mim, – olhei para Castle em agradecimento. -- Que me fizeram perceber que ninguém tem o direito de me tirar a esperança. Porque nos dias de hoje é fácil nos sentirmos sem esperanças, são dias sombrios, dias em que nós vamos nos sentir sozinhos.
–- Mas são nesses dias que precisamos de mais esperança. Não importa o quanto queiram nos afundar... ou nos destruir. Devem me prometer que, sempre terão esperança. Vão mantê-la viva. Precisamos ser maiores que nosso sofrimento.
–- Eu preciso que vocês se tornem a esperança. Todos precisamos disso. Para que cada um leve parte do outro, em tudo que fizermos daqui por diante. Para nos lembrar de quem somos e por quem lutamos (1).
–- Eu não irei desistir e espero que vocês também não desistam. – todos começavam a se animar, a acreditar e, com isso comecei a clamar mais alto, com mais confiança.
–- Porque, quando não puder correr, você rasteja. E se não puder rastejar... se não puder mais fazer isso... Você encontra alguém que o carregue (2). E é isso que a união de todos nós significa, que se ficarmos juntos, ficaremos mais fortes. E se teremos que lutar, lutaremos até o fim. Buscando a vitória que nos trará novamente a paz, retomando novamente esta terra que sempre chamamos de lar.
–- Agora sou uma de vocês, lutando para recuperar o que é nosso. Eu não desistirei até encontrar justiça para cada um de vocês, de lhes entregar novamente os seus lares. – todos já gritavam exaltados.
–- Meu nome é Kate Beckett e, não irei descansar até dar um belo chute na bunda daquele bastardo do Bracken... — retiro a espada da bainha e ergo-a o mais alto que posso. -- E quem está comigo? – sorrio ao ver todo o acampamento bradar bem alto em afirmativa. –- Eu estarei com vocês também, sempre. — Orgulhosa de mim mesma, volto minha atenção para o Castle bem a tempo de ouvi-lo dizer.
–- Isso foi tão... sexy! – reviro meus olhos e começo a descer da carroça. Por que ele tem que ser tão... ele! Tanta coisa importante acontecendo e ele desviando o foco assim. Então por vingança, decido provocá-lo, me aproximo e com a boca bem próxima ao seu ouvido, sussurro:
–- Você não tem ideia. – mordo o lábio inferior e me retiro em seguida, deixando Castle com cara de bobo.
(1). Adaptação do discurso de Gwen Stacy – O Espetacular Homem Aranha 2
(2). Citação do Capitão Malcolm Reynolds — Firefly – Episódio S01 x E12.
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CASTLE
Essa mulher ainda me mata, Castle pensa antes de segui-la até onde se encontram Lanie e Espo.
–- Bom dia para vocês dois. – ele os cumprimentam com um grande sorriso.
–- Ei menino-caçador, depois desse discurso incrível da minha amiga aqui, não é só um bom dia mas, um maravilhoso dia, não acha?
–- Em primeiro lugar é Homem-caçador, HOMEM. E em segundo, Beckett é uma mulher extraordinária, não esperaria menos dela. – ao olhar para Kate, ela estava corada, tão linda.
–- O que é isso Castle, provavelmente ainda estava inspirada depois da nossa conversa de ontem de manhã. – e ela sorriu, com certeza essa mulher ainda me mata.
–- Então, como poderemos começar? – eu queria iniciar os trabalhos.
–- Estava pensando em organizar melhor o acampamento. Fazer uma área só para as famílias, separando dos soldados. – Kate disse.
–- Colocar áreas de treinamento como, esgrima, luta corpo a corpo e tiros de arco e flecha. Temos que organizar uma área para as refeições, atendimento médico e armamento. – Castle completou.
–- Além do centro de comando e uma área para tratamento dos animais. – Kate.
–- É uma ótima ideia, então temos que saber quais são as profissões dessas pessoas e se elas têm habilidades específicas. – Castle.
–- Marceneiros cuidarão das construções, ferreiros fabricarão os armamentos, etc. – Kate.
–- Enquanto organizamos nossos arqueiros, esgrimistas e se alguém tem experiência em estratégias de guerra. – Castle.
Lanie e Espo olharam um para outro e depois para nós.
–- Vocês ensaiam isso quando não estamos olhando? – Espo perguntou?
–- O quê? – eu e Kate dissemos juntos.
–- Isso? – agora era Lanie.
–- Isso, o que? – falamos juntos novamente.
–- Vocês me assustam com esse negócio de compartilhar pensamentos, mas é uma gracinha.
–- Que isso Lanie, foi só coincidência. – eu tentei explicar.
–- Coincidências acontecem de vez em quando, vocês fazem isso o tempo todo. – Espo falou apontando para nós.
–- Não fazemos não! – em sincronia novamente.
–- Fizeram de novo. Acho melhor começarmos a trabalhar ou vou começar a enlouquecer com vocês dois. – Lanie disse virando as costas em seguida.
Kate olhou para mim e depois de revirar os olhos também saiu.
–- Castle, vamos. Precisamos dar uma olhada no acampamento para conseguir organizar tudo. – imediatamente sai atrás dela.
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