Era Uma Vez
1 I - Olá, mundo real
Notas iniciais
Deitada em minha cama, em meus sonhos, viajo por lugares reais e irreais neste mundo o qual chamamos de ‘real’. Para mim, o mundo real é o que eu vejo em meus sonhos, este o qual vivo é um eterno pesadelo... Mas para entrar neste mundo eu costumo passar por um ritual.
São 22hrs de sexta-feira, uma noite com uma leve chuva batendo na janela, poderei dormir rápido esta noite na companhia destas suaves gotas. Sigo assim para meu banho diário, no qual lavo o meu cabelo, meu corpo e minha alma no som da chuva lá fora. Já seca vou ao meu quarto e coloco meu leve pijama de ursos. O que á de errado em usar um pijama de ursos tendo 18 anos? Exato, eu gosto de ursos, somente isso. E ainda durmo com um, e o nome dele é Teddy (sim, esse urso existe e sim, eu sou um gênio para nomes).
— Boa noite pai. Boa noite mãe. – suavemente cumprimento-os fechando a porta do meu quarto, posso ouvir uma resposta longe, talvez no quarto deles, talvez na sala, mas ali eu já estava entrando em meu mundo.
Deitada em minha cama, coberta em um casulo de cobertas, talvez uma cápsula protegendo meus pés de todo e qualquer bicho que possa tentar os puxar, e os braços presos ao meu peito, sentindo meu coração ainda bater até tudo se apagar e em um profundo buraco cósmico entrar.
Um homem pequeno com uma cartola na cabeça e face deverás louco passava por mim caindo nesse buraco ‘sem fim’, logo atrás fora um coelho de terno olhando para um relógio de bolso.
- Já sei, vou terminar no ‘País das Maravilhas’. – deduzi, porem fora uma dedução errada.
Maças, pássaros cantarolando, e um espelho passavam pelo buraco, logo vinham anões que podia contar.
— Um, dois, três, quatro... Onde estão os outros?
Três porcos de coletes de cores diferentes passavam. Oh não, onde eu estou indo?
PUFF
Ai cair me dei por conta que estava usando um vestido curto preto de mangas bufantes chegando próximo ao meu cotovelo, era realmente um leve vestido, por baixo dele tinha uma segunda pele marrom, não deixando meu corpo esfriar de maneira alguma, que para não aparecer o fim desta uma fita preta com um fino risco vermelho no pescoço e luvas de punhos soltos mas bem presa aos dedos negra como o vestido.
- Tanto lugar para cair... Caio em uma floresta...
Sim, uma clareira de floresta de abria para mim, assim levantei-me aos poucos pude reparar duas coisas: a primeira era meu cabelo trançado com fitas vermelhas, a segunda que eu estava descalço. Uma coisa eu sei: não é agradável andar sem sapatos em meio a raízes, folhas secas e qualquer outra coisa não visível.
Com passos lentos e calmos, encostando a mão a cada árvore de passava próxima procurei por sinais de ‘vidas’ ou algo do tipo. Pude assim avistar fumaça, e como diria vovó “Onde á fumaça, á comida”, ou algo do gênero. Segui por este caminho mesmo no qual vi uma “casa”, se é que pode chamar uma árvore enorme com uma porta no tronco de casa.
- Er... U-hum. Tem alguém aqui? – pigarreei antes de falar, nunca se sabe quando vou precisar gritar.
Nada, como ‘esperado’. Não mesmo, eu esperava sei lá... Um goblim,uma fada, se muito um anão. Aquela porta era incrivelmente pequena, e o mais incrível era eu conseguir abrir e passar por ela normalmente, sem nada mudar de tamanho. Ai vem a tristeza de ter menos que um metro e meio.
- Vou perguntar de novo: Tem alguém aqui? – já dentro da ‘casa’, não custa ser persistente. Percebi o tremer de velas acesas dentro do lugar e sombras grandes de formarem. Engraçado que o rabo torcido aparecia perfeitamente.
- E-Eu n-na-na-nã-ão sou um po-po-po-porco muito saboroso sabe... Ma-ma-mas... – interrompi-o.
- Olha aqui Gaguinho, não gosto de carne suína. Antes que apareça Pernalonga e o Patolino aqui, só me fala se tem ou não um par de sapatos para calçar aqui. Não to afim de sair de Cinderela caçando meu sapato por ai e ainda ficar pra limpar casa de ninguém.
- N-na-na-nã-não tem s-se-senhori-ita, e-eu t-tenho cascos. – respondeu hesitante.
- Hm... E aquele caldeirão? – apontei a uma panela no fogo, cheirava batatas com maça, o que não é um cheiro bom. – Fazendo o jantar ou se preparando para ser servido? – sorri para o tal Gaguinho.
- Okay! – gritou o porco, o que não sabia que gritava, nem que falava, muito menos parava de gaguejar. – O-o par d-de s-sa-s-sapatos que procura esta e-e-em...
- Se você falar “Em outro castelo”, te jogo naquela panela, encho de cebola e ainda tampo! – gritei com o bicho.
- Em outra parte da floresta! – medroso se jogou para baixo da mesa. Foi engraçado ver o rabinho torcido tremer.
Sai do local rindo, olhei novamente para o céu em busca de uma resposta para onde ir. Seria mesmo meu objetivo achar um par de sapatos? Vi a fumaça vinda de outra parte da floresta, senti-me tentada a ir rapidamente, porem segui um caminho que dava para a parte mais densa da floresta. Na qual logo na entrada já me deparo uma figura, um esqueleto jogado ao chão trajando um vestido como o que uso, porém essa tinha uma capa com capuz vermelho e uma cesta de piquenique aparentemente recheada. Sinto que descobri minha estória.
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