Era Uma Vez ...

4 Capítulo 4 - Não deixe ele entrar.


Notas iniciais
Então pessoal, depois de muito tempo, resolvi que valeria a pena continuar essa historinha. Por isso, ai está um pequeno capítulo, só para marcar esse aviso.

Espero que continuem gostando, daqui pra frente as coisas só pioram. HAHA

Eu ainda não havia me dado conta do que estava acontecendo, exatamente. Mas tinha certeza de que, se o motorista houvesse piscado no segundo em que entrei pela porta do ônibus, ele nem sequer teria me visto. — Estava correndo rápido feito um raio.

E é claro, me joguei no meu lugar como um trovão. Com muita força e muito barulho, chamando a atenção de meia dúzia de passageiros que ainda restavam ali dentro. Todos que estavam em volta se viraram para me olhar, assustados. Vários olhinhos serrados me observando, com um estranho sentimento contido, o qual eu não conseguia decifrar. — A poltrona em que eu estava sentada ainda não havia parado de ranger quando eles se viraram, e rangia ainda mais com cada mínimo movimento meu.

Mas nada disso importa agora Alissa, pensei eu. Afinal, eu só precisava era fugir daquele botequim de beira de estrada, e tudo voltaria a ficar bem. — Contanto que o Sapo Pervertido ficasse bem, mais bem longe de mim, tudo ficaria na sua mais perfeita ordem.

Foi só então que me dei conta de como cada milímetro do meu corpo estava dolorido, cada músculo se retraindo. Minha respiração estava acelerada como nunca antes, e meu coração parecia prestes a querer pular pela minha garganta a qualquer momento. — Martelava no peito com tanta urgência, que imaginei se um ataque cardíaco teria a mesma velocidade.

Não, definitivamente não se comparava. — Era ainda pior.

Pior porque não era apernas meu coração acelerado, meus músculos atrofiados e a minha respiração ofegante que incomodava, doía de um jeito que eu nunca sentira antes. Uma dor além da que o corpo podia proporcionar. Era uma dor psicológica, além do normal. — Uma dor que existe em uma parte de nós que ninguém pode controlar.

Eu estava morta de medo.

Tão apavorada, que nem sequer sobrava espaço para as lágrimas descerem. Ao invés disso, estava paralisada. Sem reação, como uma estátua. Não conseguia pensar em nada, apenas ficar em silencio, olhando fixamente para as portas do ônibus. — Era como se houvesse algo me amarrando, aprisionando naqueles eternos minutos que nunca se passavam.

Afinal, aquele maldito cobrador não ia fechar elas NUNCA?!

E os longos e intermináveis segundos de tensão não se passavam. Eu não conseguia desviar os olhos das portas, nem virar-me para ver quem estava do lado de fora esperando para atravessa-las. Era frustrante, e fazia com que aquele medo esmagador se apoderasse ainda mais de mim.

Foi então que o cobrador finalmente sentou sua grande e extraordinariamente grande bunda no assento do motorista e, com um apertar de botão, fez com que as malditas portas se fechassem.

Eu estava salva. Ele não podia mais entrar.