Notas iniciais
Oi! Hoje consegui me organizar para postar o capítulo novo. Esse ficou particularmente grande, pois praticamente todos os personagens centrais precisavam ter o seu momento. Tem drama, tem possíveis descobertas, tem conflito... e como não poderia faltar: tem momentos amorzinho também! Ps: Mais uma vez agradeço o a participação de todos! ♥ Sem mais demora, vamos ao cap!

— Ei, não tem graça! Abram a porta!

Sofia praticamente chutou a madeira mais vezes do que pôde contar, mas tudo continuava silencioso no casarão. Nem um sinal de Vera, Pedro ou qualquer outro morador. Ela não sabia como acabou presa... talvez fosse uma brincadeira idiota de Giovana ou Vitor. Quem quer que fosse o responsável, ele iria pagar quando ela enfim conseguisse sair do quarto. Pensando rápido, ela procurou pelo celular, mas não encontrou o aparelho. Voltou à porta e bateu ainda mais forte. Sofia já começava a se desesperar quando finalmente o quarto foi aberto. Para seu alívio, Serguei a tinha encontrado.

— Ah... graças a Deus!

Ela correu para o namorado, mas parou quando viu que ele não estava sozinho. Anita estava ao lado do ruivo, de mais dadas com ele. Sofia viu a irmã sussurrar algo ao ouvido do seu namorado que sorriu, fitando-a com desdém. Então, foi a vez de Anita sorrir antes de trancá-la mais uma vez.

— Esperem! Serguei! Me tira daqui! – Ela bateu, chutou, mas ele não voltou. Sofia começou a chorar transtornada sem saber o que poderia ter feito para Serguei abandoná-la daquela forma. – Por favor.... SERGUEI!

O grito angustiado ecoou pelo quarto quando Sofia finalmente despertou. Seu coração batia tão rápido que ela sentia uma dor física no peito. Levou a mão ao coração tentando se acalmar enquanto revivia as emoções que se espalhavam por sua mente. entender que foi um sonho. Serguei... indo embora enquanto ela implorava. Tinha tão nítido, mas olhando em volta Sofia notou que ainda estava em seu quarto, na Barra, bem longe do Grajaú. Ela se encolheu na cama, ainda abalada pelo sonho assustador e que lhe trouxe lágrimas reais aos seus olhos.

— Sofia? — A voz sonolenta de Bernadete a chamou pela porta fechada. – Você está bem?

— Eu... sim. — Ela murmurou tentando controlar a voz agitada.

— Eu tô bem.

— Tem certeza? Eu ouvi um grito.

— Não foi nada... eu não quis te acordar. – A garota sentou-se olhando para o despertador na mesa de cabeceira. Ainda era de madrugada e ela mal tinha dormido duas horas. – Foi só um sonho.

Um sonho que ela esperava nunca mais ter.

— Bom... acho que estava mais pra pesadelo, né?

— Que seja...

— Ou seria consciência pesada? – Questionou Bernadete com uma pontada de sarcasmo.

Sofia simplesmente ignorou a mulher e esperou que ela fosse embora. Bernadete e a garota nunca se deram bem e foi com alivio que ouviu ela se afastar pelo corredor. Passado o susto, ela deitou novamente na cama. Pensando racionalmente, tudo não passou de um sonho ruim e ela não tinha motivos para se martirizar sobre o que aconteceu. Não é como se fosse verdade, certo? Mas então por que ela se sentia tão magoada? sussurrou uma voz em sua cabeça. Sem uma resposta, Sofia só conseguiu voltar a dormir quando o dia estava claro.

— X —

As coisas estavam cada vez mais complicadas, pensou Sidney deixando o skate de lado. Sem muito jeito, puxou a manga da camisa e analisou o machucado no braço. Apesar de ter sido uma queda e tanto, felizmente o membro continuava inteiro e ele não precisaria correr para a emergência. Dando a manhã por encerrada, ele pegou sua cochila e deixou a pista. Estava com o ego ferido. Era a terceira vez que ele se machucava em dois dias. Não deliberadamente, é claro, mas não conseguia manter o foco enquanto praticava até mesmo as manobras simples.

O retorno do pai ao mundo dos vivos estava realmente mexendo com Sidney. Cláudio tinha praticamente brotado do inferno e aparecido na porta do quarto do rapaz como se quase seis anos não tivessem se passado desde a última vez em que se viram. Sidney quase gargalhou na cara do homem quando ele o chamou de filho, mas então, ao invés disso, ele fez a única coisa que poderia fazer naquele momento: bateu a porta na cara de pai e Maura sem se importar com os apelos de ambos. Ele já estava de saco cheio daquela história. Sidney não ficaria mais entre a disputa egoísta dos pais para decidir qual dos dois tinha razão.

Se Cláudio queria limpar a consciência que o fizesse em outro lugar e não o envolvesse. Era tarde demais para esperar que o rapaz quisesse ouvir a triste história de como ele deu no pé sem olhar para trás.
Quando Sidney finalmente chegou em casa, ele estava cansado e suado, tudo o que ele queria era um banho. Subiu as escadas rapidamente e foi direto para o seu quarto. De forma displicente, ele abriu a porta... Foi quando ele a viu.

— Oi... – Flaviana o fitou sem jeito como se procurasse palavras para dizer. – Sua mãe estava de saída, mas disse que eu podia subir.

“O que ela está fazendo aqui?” indagou-se Sidney encarando com frieza a figura parada do meio da confusão que era seu quarto. Ele sorriu torto ao concluir que ela destoava de tudo ali, arrumada demais e sempre com aquele ar de superioridade que só alguém muito rico e mimado poderia ter. Eles poderiam ter dividido o espaço por quase dois dias, mas foi lógico que a escolha mais óbvia foi Flaviana ir embora quando eles sabiam que seus mundos eram diferentes demais. Mesmo que ele tenha se sentido solitário quando percebeu que ela não estava mais na sua casa quando acordou.

Sidney recordou a decepção que sentiu, embora não tenha existido nenhuma razão para aquela emoção, além do fato de terem sido forçados à estarem juntos. E ainda assim ele se sentiu traído pela atitude dela, mas já não deveria se importar com isso, pois eles não deviam nada um ao outro. Sidney passou os últimos dois meses tentando se convencer disso.

— X —

O Serguei me contou que você passou mal ontem.
Anita fechou os olhos, respirando o ar fresco. O tempo estava agradável, então ela aceitou o convite de Júlia para uma volta. Mais uma vez ela tinha acordado enjoada e já começava a se preocupar, principalmente, depois de quase perder os sentidos quando se despedia de Serguei na noite passada. A princípio, a garota acreditou ser um problema passageiro devido ao estresse, mas lembrou-se que a menstruação estava atrasada há algum tempo. Ainda assim, ela não queria se preocupar. A possibilidade de que estivesse grávida era pequena e certamente ela não seria azarada ao ponto de engravidar do cara que nunca sentiu nada por ela... além, é claro, de admiração.

— Eu fiquei um pouco tonta... – Despistou Anita, não querendo alarmar Júlia. Guardaria aquela informação pra si até que tivesse certeza. – Ontem, eu passei quase o dia todo trabalhando e não comi.

— Amiga, não pode! Você tem que se alimentar direito. – Repreendeu a morena.

Em sua opinião, Anita estava realmente pálida e com aspecto doente, mas acreditava que agora que ela começava a retomar sua vida, as coisas melhorariam. Ela ficou feliz quando ligou para Serguei e ele comentou que tinha conversado com Anita e se entenderam, mas logo preocupou-se com o quase desmaio da garota. Por sorte, Serguei estava com ela para auxiliá-la.

— Eu sei... prometo que vou me cuidar.

— Bom.

As duas pararam de caminhar e sentaram-se num banco próximo. Como era sábado, o parque já tinha um número considerável de visitantes.

— Eu fiquei feliz em saber que você procurou o Serguei.

— Sim, eu pensei muito. Não é justo o que eu fiz com ele, você sabe?... Por causa da Sofia.

— Eles parecem bem... – Confidenciou Júlia. – O Serguei me disse que hoje tem um jantar com o seu pai e a Bernadete.

Ele também me disse... – Anita suspirou tentando pôr em palavras o que sentia. – Ainda é estranho lidar com essa nova configuração... meu melhor amigo namorando a minha irmã má.

— Eu também fiquei meio sem jeito no início, mas a Sofia tem se mostrado... diferente.

— Você acha que essa mudança é real?

— Eu acredito que sim... – Júlia deu de ombros, sem querer se aprofundar no assunto. – Eu prefiro pensar que todos nós merecemos uma segunda chance. E até então, ela não fez nada que prejudicasse o nosso amigo.

— Ele tá realmente apaixonado por ela.

— Sim.

— No fundo, eu gostaria que não fosse assim. – Anita fitou a amiga com o semblante triste. Nesse momento, não queria que Serguei fosse nada além do que seu amigo. – É egoísmo, eu sei, mas preferia lidar com o Serguei sem a sombra da minha irmã. Ela me faz lembrar constantemente do... Ben.

— Anita, não funciona assim... é a vida dele.

— Você tem razão... Eu só tenho que me acostumar com a ideia primeiro.

Inconscientemente, Anita levou a mão à barriga ainda plana. Não queria pensar em quanto sua situação pioraria caso a suspeita da gravidez se confirmasse... seria mais uma decepção para Vera e Ronaldo. E um tipo de laço que ela preferia não ter mais com Benjamim.

— X —

O toque insistente do celular despertou Sofia. Desorientada, ela tateou até finalmente alcançar o objeto, atendendo-o sem prestar atenção em quem ligava. A noite insone tinha a derrubado até a tarde.

— Alô? – Murmurou com a voz rouca de sono.

— Sweetie? Pela deusa, que voz é essa?

Ela escutou o Otávio rir encolhendo-se um pouco mais na cama.

— Eu tive uma noite ruim.

— Hum... será saudades de dormir seu ruivo?

Sofia fez uma careta sabendo que "dormir" não era exatamente o que o amigo queria dizer, mas resolveu ignorar, embora fosse obrigada a admitir que ela e Serguei tiveram poucas oportunidades de estarem juntos daquela "forma" não estava com vontade de compartilhar a informação com Otávio. Seria o pesadelo da noite anterior fruto da sua frustração?

— Bom, liguei para saber o que você decidiu após a nossa conversa.

— Eu acho que você tem razão. – Ela suspirou, sentindo-se na cama. – Não posso confiar que posso lidar com o Ben sozinha, mas me preocupa que o ele e o Serguei acabem brigando por minha causa.

— Sofia, você não é culpada pela espécie masculina ainda acreditar que precisa demonstrar seu poder através da violência.

— Não é tão simples... o clima lá em casa já tá tenso o suficiente.

— Na minha opinião, você precisa relaxar um pouco todo esse estresse. – Aconselhou Otávio, perspicaz. – Por que você não passa a noite aqui no meu apartamento? Eu preciso ir à São Paulo essa noite, você vai ter um terreno neutro para conversar com o Serguei.

A loira ponderou a sugestão do amigo. Talvez fosse bom ter um tempo a sós com o namorado, longe dos conflitos que a estavam estressando.

— Você é incrível, sabia?

— Conte-me uma novidade, sweetie.

— X —

Flaviana esperou até que Sidney falasse alguma coisa que quebrasse a tensão entre eles. Ao invés disso, ela o viu fechar a porta calmamente e jogar a mochila e o skate de lado. “Maldito skate!” pensou com um sorriso ao lembrar do tombo que tinha levado e como após isso eles acabaram na cama.

— Você voltou.

Voltando ao presente, Flaviana encarou Sidney. Ele a olhava diretamente, mas seu semblante não deixava transparecer nenhuma emoção. No fundo, ela esperava que a reação dele fosse diferente, mas entendia que pela forma como foi embora ela não podia esperar mais muito mais do que isso.

— Eu voltei ontem... – Ela levantou o rosto se armando de coragem. Precisava ter certeza do que ele sentia. – Eu quis vir aqui me explicar... você sabe, por ter ido embora. Eu realmente sinto muito, mas não tive outra opção.

"Londres é distante demais do Grajaú".

Sidney não verbalizou o pensamento. Estava irritado com a facilidade com que ela ia e voltava, mexendo com seus sentidos. Ela parecia tão sincera, mas ele sabia que era tudo mentira. Sidney deveria mandá-la embora, mas se viu caminhando até a garota. Flaviana o fitou, a respiração irregular, entreabrindo os lábios para falar, mas tendo seus pensamentos e palavras sufocadas quando ele a beijou.

Então, como uma emoção que veio do nada, ela soube que tinha verdadeiramente se apaixonado por ele. Entre todos os caras do mundo, sem nenhum motivo ou razão, ela estava apaixonada pelo ogro do colégio apenas porque seu coração quis assim. Com essa certeza, ela mal percebeu quando o beijo se tornou exigente, fazendo-a se agarrar ao rapaz e entregando-se sem receios. Flaviana queria rir e chorar ao mesmo tempo, de felicidade, de saudade... Por finalmente ter voltado para aquele momento. Não estava mais com medo do futuro. Seus pais não seriam um problema se Sidney estivesse ao seu lado.

As roupas foram tiradas com pressa. Flaviana deu um gritinho de surpresa quando Sidney a fez tombar sobre a cama e ficou por cima dela. Ele a olhou nos olhos e naquele instante ela sentiu alegria por não precisarem dizer nada. "Está tudo bem agora", ela pensou puxando o rapaz para mais um beijo. Sidney correspondeu com avidez e não demorou muito até que os corpos estivessem unidos de maneira íntima. Ela o ouviu sussurrar coisas incompreensíveis enquanto gemia seu nome. Quando eles atingiram o clímax, quase ao mesmo tempo, Flaviana desejou silenciosamente que Sidney sentisse o mesmo que ela.

— Seu braço... — Deitada sobre o loiro, ela notou o machucado no antebraço dele. – Como você se machucou?

Vagando o olhar, viu pequenos hematomas no ombro esquerdo e na perna. Ela ergueu a cabeça, fitando-o com curiosidade.

— Não foi nada. – Respondeu Sidney, a voz distante. – É melhor você ir embora agora.

De supetão, ele se desvencilhou da garota e saiu da cama fazendo questão de não a olhar diretamente. Se olhasse, ele teria visto o choque no rosto de Flaviana que logo foi substituído pela confusão.

— O quê? Ir embora...

— Você sabe o caminho. – Interrompeu-a.

Fingindo tranquilidade, Sidney pegou uma toalha e passou pelos quadris. Então, sem olhar nem uma vez para ela deixou o quarto em direção ao banheiro.

A água fria caiu pelo corpo do rapaz, mas não foi suficiente para apagar o toque de Flaviana. Irritado, Sidney socou a parede pela estupidez que tinha cometido. Não devia tê-la tocado, em primeiro lugar. Flaviana era um problema grande demais, confusão demais e só estava se divertindo ao envolver-se com um vagabundo que nem ele. A mãe esnobe dela ia ter um ataque do coração se soubesse que a filhinha tinha pulado na cama dele.

Após o banho, ele voltou para o quarto certo de que ela já teria ido embora, mas contrariando suas expectativas Flaviana ainda estava lá. Por sorte, ela teve o bom senso de se vestir. Então ele notou que os olhos dela estavam vermelhos como se tivesse chorado. Mas devia ser algum tipo de mal entendido, ela não tinha motivos para se recriminar ou culpá-lo.

— Eu sei que você me mandou embora, mas eu precisava falar uma última coisa. – Ela o encarou, tão corajosa, fazendo Sidney sorrir torto. – Talvez eu tenha entendido mal as coisas e acabamos... – Flaviana desviou o olhar, corando. – Dessa forma.

— Nós transamos. – Falou ele dando de ombros. – Foi só sexo.

Flaviana engoliu em seco o descaso com que Sidney se referia ao que aconteceu. Após o choque inicial, ela correu para vestir a roupa e ir embora antes que ele voltasse e a visse chorando, mas uma necessidade masoquista a fez ficar só para ouvi-lo depreciar o que tinha acontecido.

— Bom, sendo assim... acho que não preciso continuar aqui.

"Ele já te mandou embora, estúpida!"

A voz da consciência a fez se apressar em pegar sua bolsa e ir em direção a porta. Ela estava a um fio de desabar e precisava fugir o quanto antes. Mas Sidney não estava preocupado com seus sentimentos quando a interceptou antes de sair, a segundo pelo braço.

— Sempre que quiser se divertir um pouco, você pode vir me ver.

— Nunca! – Sibilou a garota entredentes.

— Nunca? – Sidney arqueou uma sobrancelha passeando o olhar pelo corpo de Flaviana, que tremeu sob o escrutínio. – Se você se sente melhor pensando assim.

— Idiota! – Ela tentou se desvencilhar, mas ele a prendeu ainda mais ao próprio corpo. – Você é nojento!

Sidney riu pelo insulto e a beijou com possessividade. Flaviana lutou contra ele, empurrando e socando no peito até que por impulso mordeu os lábios dele. Sidney se afastou rindo, soltando-a imediatamente. Foi a gota d'água para Flaviana que sentindo o sangue ferver deu um tapa na cara de deboche com a qual ele a olhava. Assustada com a própria reação, ela saiu do quarto e praticamente correu pelas escadas.

Foi um erro ter ido até ali. O que ela esperava?
Sidney a seguiu, embora não estivesse irritado. Ele mereceu o tapa pelas coisas que disse. Não queria, mas precisava magoá-la. Preocupado, quase a viu tropeçar nos últimos degraus.

— Flaviana, espera! Fica calma.

Vai pro inferno, babaca! – Gritou enquanto sentia os olhos arderam com lágrimas. Ela ouviu os passos dele vindo logo atrás. – Odeio você!

Sem demora, ela abriu a porta se deparando com um homem prestes a tocar a campainha.

— Eu... – As palavras escaparam da sua mente. Ela sabia que Sidney estava logo atrás dela. – Desculpe.

— Ah... Olá. — Falou o homem sorrindo para ela. Ele olhou por sobre o ombro de Flaviana e viu Sidney. – Oi, filho. É a sua amiga?

— Ela não é nada minha. – Respondeu de forma ríspida. – E ela já está de saída.

Flaviana respirou fundo sem tentando não se abater. Era mais do que ela podia perdoar depois de toda a grosseria de hoje. Era óbvio que aqueles dias dos quais ela se lembrava aconteceram apenas em sua cabeça e nada do que acreditou era real. Ela devia ter enlouquecido por imaginar que Sidney não era um ogro estúpido que a odiava, mesmo que fosse capaz de transar com ela.

"Foi só sexo".

— Com licença.

Flaviana tentou segurar as lágrimas diante do homem que a olhava com curiosidade, mas falhou. Na verdade, sentia-se miserável demais para dissimular. Sem mais nada a dizer, ela saiu pela porta prometendo a si mesma nunca mais se enganar sobre alguém daquela forma.

— X —

Serguei olhou o relógio de pulso conferindo as horas. Por sorte, não estava atrasado para o jantar. Sofia o alertou que Caetano prezava a pontualidade e ele não queria começar com o pé esquerdo com o sogro. Dando uma última olhada para se certificar que estava tudo certo com o salão, o ruivo trancou o lugar e seguiu para a calçada para esperar o Uber. O carro estava há alguns minutos de distância, quando ele avistou Ben atravessar a rua e vir em sua direção. "Péssima hora para problemas", pensou Serguei aguardando o ex príncipe se aproximar.

— Vai à algum lugar? — Indagou Ben sorrindo torto para o ruivo e olhando-o dos pés à cabeça. – Parece importante.

— Na verdade, é sim. Tenho um jantar na casa da minha namorada.

O ruivo deu ênfase ao na palavra minha o que não passou despercebido por Ben. Embora detestasse o ar de bom moço de Serguei, não estava ali para brigar. Após refletir bastante, percebeu que precisava mudar sua estratégia para atrair Sofia novamente. Ele devia lembrá-la dos motivos pelos quais se apaixonaram, mas apesar disso não perderia a chance de irritar o namoradinho dela. Sofia podia brincar por enquanto, mas voltaria para ele quando se entediasse.

— Ela vai te apresentar para o pai dela? – Ben pôs as mãos nos bolsos da calça e se inclinou um pouco para frente. Tentava aparentar casualidade. – Ela realmente está levando essa relação à sério.

— Não apenas ela.

— Claro

— Por que não diz logo o que veio dizer? – Indagou Serguei perdendo a pouca paciência que tinha sempre que estava perto de Benjamim. – Você não está realmente interessado no meu namoro, está?

— Você tem razão... – Ben fez uma pausa, antes de sorrir ironicamente. – Ontem, eu e a Sofia conversamos... e tenho que te alertar que mesmo que você acredite que ganhou essa disputa, no seu lugar, eu não estaria tão certo disso.

Era óbvio que a intenção de Ben era provocá-lo. Serguei não sabia exatamente o que ele pretendia, mas também não iria jogar aquele jogo. Benjamim não era confiável e ele não seria idiota de dar ouvidos a qualquer bobagem dita por ele.

— Certo, você está dizendo que ela tem ainda está apaixonada por você?

O riso de Serguei quase fez Ben avançar contra ele, mas o ex príncipe se controlou a tempo. Ele tinha um objetivo e iria alcançá-lo. Sofia iria ser sua, custe o que custar.

— Bom, pela nossa antiga... amizade... eu quis te prevenir. Eu vou jogar limpo, Serguei. Então, você não vai poder me acusar de agir pelas suas costas. A não ser é claro que você esteja com medo da concorrência.... – Desafiou-o Ben.

— Medo de você?

— Medo de perdê-la para mim.

— Ben, Ben... Isso só seria uma possibilidade se a Sofia sentisse algo além de desprezo, certo? Mas se pensar que tem alguma chance te faz sentir melhor... — Serguei deu de ombros, dando pouca importância às intenções de Benjamim. Não valia a pena se desgastar por algo impossível de acontecer. – Nada do que você faça ou diga vai me fazer duvidar do que a Sofia sente por mim. Você pode tentar, mas as coisas não vão acabar bem para você.

— Isso é uma ameaça?

— Apenas um aviso.

O carro que Serguei esperava chegou naquele momento e ele deu a conversa por encerrada, mas não antes de alertar Ben uma última vez.

— Fique longe dela e não precisaremos irmos mais longe do que já fomos.

Dito isso, o ruivo entrou no Uber que se a afastou. Ben observou-o ir embora, o desafio brilhando em seus olhos.

— Veremos.

— X —

— Sofia! Seu pai e Bernadete estão esperando você.

— Já vou!

Sofia ouviu Soraya se afastar pelo corredor e deu uma última olhada no espelho. A maquiagem rápida estava perfeita, o cabelo preso num rabo de cavalo destacava os brincos que Serguei lhe deu de presente para como "presente de aniversário atrasado". Era a primeira vez que o usava e de alguma maneira o acessório trazia segurança.

Embora Serguei já estivesse a caminho, ela tentava manter a calma, pois sentia-se ansiosa. Esperava que o pai não implicasse com seu namoro e que aceitasse Serguei como alguém muito importante para ela. Com um sorriso, ela já alcançava a porta para deixar o quarto quando escutou a notificação de uma nova mensagem. Ela pegou o celular pensando ser algum recado de Serguei.

— Número desconhecido. – Murmurou ao abrir a mensagem.

"Problemas no paraíso?" ✔✔

Então, Sofia viu na tela do aparelho algo que a vez vacilar por um instante. Sentou-se na cama e fitou a foto de Serguei com Anita nos braços, os rostos muito próximos. Duas pessoas compartilhando um momento de intimidade, pensou com um nó na garganta.

— Sofia, o Serguei chegou! – Gritou Bernadete da sala.

Engolindo o orgulho, ela largou o celular é saiu do quarto rapidamente. Não devia deixar que o veneno daquela foto se infiltrasse em seu coração. Confiava em Serguei e sabia que ele nunca a trairia daquela forma. Quem quer que tenha mandado a maldita foto tinha como objetivo que eles desentendessem... Mas quem? Por quê?

O palpite mais óbvio seria Ben, mas não parecia uma tática habitual dele. De qualquer maneira, deixaria essa história em suspenso por enquanto. De uma coisa ela estava certa: iria descobrir quem foi e por que essa pessoa queria machucá-la.

— Ela está aqui! – Falou Caetano quando a ela chegou na sala.

Bernadete estava ao lado do pai, sorrindo para o convidado. Serguei a olhou de modo cúmplice que do ela se aproximou.

— Então, por que não nos sentamos? – Sofia se aproximou de Serguei e beijou-o no rosto. – Oi.

— Você tá linda. — Sussurrou o ruivo no ouvido dela.

Ela sorriu quando ele segurou a sua mão dele e os guiou até o sofá. Aos poucos, ela esqueceu a tensão e embarcou numa interação animada com os presentes. Após o gelo inicial ser quebrado, a conversa prosseguiu sem maiores problemas. Caetano até tentou parecer um pai ameaçador, mas rapidamente desviou a atenção para assuntos em geral. Sofia ficou mais alegre com o passar do tempo orgulhosa por Serguei responder sem nenhuma dúvida aos questionamentos do pai, chegando até mesmo a fazê-lo rir.

— É tão bom ter você aqui, Serguei. — Disse Bernadete durante o jantar, chamando a atenção para si. — Foi uma surpresa e tanto quando soubemos do namoro de vocês.

— Imagino o porquê... – Sussurrou, Sofia irônica.

— Bom, eu e ela nunca fomos próximos até um tempo atrás.

— Sim, claro. Lembro até de existir certa hostilidade entre vocês, se não me engano.

— Isso é passado. – Percebendo o desconforto de Sofia, Serguei tentou mudar de assunto. — A Sofia me falou que o senhor está trabalhando em parceria com chineses.

— Ai... nada de falar de negócios. – Interrompeu novamente Bernadete. – Hoje estamos aqui para um momento em família. Você e Anita foram amigos por tanto tempo, mas nunca tivemos uma oportunidade como essa antes. Na verdade, sempre achei que você e a Anita combinavam muito. — Comentou a mulher ignorando a irritação da enteada. – Não é, Caetano?

— Eu não saberia dizer, minhas filhas nunca me escutaram nesses assuntos – Falou o homem, dando de ombros. – Mas tenho total confiança nas escolhas delas.

Após aquele momento, o jantar pareceu durar uma eternidade para Sofia. A todo momento, a madrasta fazia questão de trazer Anita para a conversa, fingindo não notar o desconforto de Serguei e a chateação dela. Apesar de desconfortável, Serguei procurou estender o assunto para outros temas enquanto Sofia dava apenas respostas monossilábicas.

Se fosse em qualquer outro dia, ela teria respondido as alfinetadas de Bernadete à altura, mas hoje não tinha estômago para lidar com a mulher. Não depois de ver aquela foto que, assim como a madrasta, agora parecia zombar dela. Quando o jantar finalmente acabou, ela se sentia exausta e com o humor péssimo. O que era para ter sido um momento agradável, tornou-se um martírio que continuou mesmo após o pai se recolher com a esposa para o quarto. Sozinha na sala com Serguei, foi difícil para Sofia disfarçar o mal humor.

— Eu não via a hora dela calar a boca! – Queixou-se nervosa passando a mão na fronte. – Era só Anita, Anita, Anita... que inferno! Aposto como ela fez de propósito!

— Amor, não precisa se irritar por causa disso.

— Não? Para você é fácil falar.

Não querendo que a namorada ficasse ainda mais nervosa, Serguei a puxou para os braços e a beijou calando um protesto que se formava na garganta da garota.

— Tem uma ruga aqui! – Ele beijou-a na testa desfazendo o ponto de tensão e a sentiu relaxar um pouco. – Você é a minha namorada. Minha linda e brava namorada que eu amo.

Dessa vez, o ruivo a beijou no pescoço fazendo-a gemer e esquecer a raiva. Ele tinha razão e ela não deveria dar tanta importância ao veneno de Bernadete, mas como ela já havia admitido pra si mesma, sentia-se insegura em relação à Serguei e Anita. No fundo, Sofia temia que a irmã exercesse influência suficiente sobre o namorado e que isso acabasse afastando-os futuramente. Anita tinha todos os motivos para querer prejudicá-la depois de como ela agiu com Ben no passado... E afinal, um dia Serguei já foi apaixonado por sua irmã mais velha.

— Você sabe que eu também te amo. – Afastando os pensamentos ruins, ela passou os braços em volta do pescoço do namorado. – Muito.

— Isso é bom.

Serguei voltou a beijá-la.

— Sinto sua falta. – Ofegou Sofia tomando ar. – Muita falta.

— Amor, eu tô aqui... Pelo menos, até seu pai vir me colocar para fora por estar agarrando a filha dele. – Brincou.

— Eu sei... – Ela sentiu o rosto corar. – Mas sinto falta de ficar abraçada com você... de dormir com você.

Serguei abriu um largo sorriso ao ouvir aquelas palavras. Somente a sua temperamental e doce namorada poderia fazê-lo sentir-se como um cara de sorte por ela olhá-lo como o olhava agora, tão sincera e determinada.

— Tenho uma proposta para você.

Ele não fazia ideia do que poderia ser, mas se dane o bom senso. Ele já não aceitou há muito tempo que iria até o inferno se ela quisesse?

Notas finais
Será esse sonho da Sofia um presságio do que está por vir? SidAna entre tapas e beijos... literalmente! Sim, eu amo drama! Hahaha! Mas não fiquem com raiva, tudo tem concerto. Vixi... bebê Benita? Que azar da Anita... Otávio ♥ Ben... Ben! Por Deus, que cara chato! Serguei Rei! Eu acho que a Sofia é a verdadeira ~princesa~ dessa história com uma madrasta dessas! SerFia ♥ Comentem, critiquem, elogiem... Tô aqui de olho! Ate segunda! ^-^