Notas iniciais
Ai, ai, ai... So avisando que esse é o inicio do fim de Benfia, então segurem os seus forninhos!

Ele virou-se para vê-la descer as escadas. Linda em seu vestido branco, os cabelos soltos e o verde dos olhos mais vivos do que nunca. Não se lembrava de já tê-la visto tão bonita ou de ter sentido tanto desejo de estar com ela. Ou mesmo tão feliz em saber que ela estava lá. O que havia nela? Qual era o problema dele? Não existiam respostas, apenas perguntas e somente um nome: Sofia... A garota mais fútil, invejosa e adorável que ele já conheceu e por quem jamais teve tanto interesse. Foram anos sem pensar assim sobre ela, mas ultimamente aquela feiticeira havia tomado muito espaço na sua vida, mente, e mesmo que jamais admitisse, em seu coração. Mas não era ele quem seu olhar procurava, não era ele, pois ela não o queria. Só lhe interessava a si mesma e ele sabia que Sofia não amava ninguém. E isso o entristeceu, por mais tolo que pudesse ser sentir-se mal por isso, porque por um instante ele quis que fosse ele quem ela amasse. Por orgulho, para provar algo ou apenas para descobrir algo. Alguma coisa que ele ainda não identificou, mas que permanecia escondido sob suas opiniões.

– Ela até parece um anjo. – Falou Anita com um sorriso cínico.

A voz da garota o fez retornar dos seus devaneios. Ele precisava urgentemente de ajuda psicológica, terapia ou qualquer outro método para apagar Sofia da sua cabeça.

– Mas ela não é... – Rebateu Serguei, seco.

– Não, não é... Minha irmã é apenas humana, assim como todos nós. E embora eu deteste admitir, é linda e maravilhosa quando não está destilando veneno. Se pelo menos ela não me odiasse tanto, talvez fossemos amigas.

– Acredita mesmo que ela te odeie?

– Bom, nunca tive nenhuma prova de que ela me ame. Então... Por eliminação, acho que sim.

– X –

– Hum... Tá gostosa, hein?

– Nossa Sidney, que comentário criativo. Pensou nele sozinho? – Debochou Sofia parando ao lado do amigo.

Vagou o olhar a procura de Ben, mas não o viu. Surpreendeu-se ao ver Anita e Serguei dançando juntos e bufou baixinho sem saber o motivo.

– Foi mal! Esqueci que você não entende o sentido do que eu digo.

– Engano seu, eu compreendo perfeitamente. – Falou ainda olhando a irmã e o amigo dançarem.

Será que ela não podia ficar um pouco mais distante, pensou com raiva. O que era irônico já que ela própria pretendia ficar bem próxima de Benjamim, o namorado de Anita.

– Não parece.

– Bem, acontece que eu prefiro um ‘você está linda’ do que ‘cê tá gostosa’. Soa bem menos tosco e é muito mais apropriado para mim!

– Quer dizer que falar ‘você é a nora que mamãe pediu a Deus’ fica melhor para você? – Brincou ele. Sofia revirou os olhos e voltou a vagar o olhar pela sala.

– Levou um perdido de alguém?

– Não... To só procurando a Flaviana. Você a viu?

– Se por sua amiga você quer dizer a garota desesperada pendurada no braço do ‘playba’ do Martin: sim eu vi. Olha ela ali... – Sidney inclinou a cabeça indicando o local afastado onde Flaviana e Martin estavam.

Pelo o que pode presenciar, ‘exercitar’ a paciência era a ultima coisa que sua amiga pensava no momento, lamentou-se Sofia.

– Adoraria ficar e ouvir mais cantadas toscas e sem criatividade, mas eu tenho que salvar minha amiga de pagar o maior mico esta noite. Foi mal!

– Vai lá, tudo bem.

Sofia lançou um olhar agradecido ao amigo e deu um meio abraço nele antes de marchar até Flaviana.

– Hum... Martin, Flaviana... Sobre o que estão conversando? – Indagou ignorando a expressão surpresa da outra garota. Pouco importava a Sofia o desconforto da amiga, o que fazia era para o seu bem. – Eu acho que ouvi alguém dizer que a Micaela tá te procurando... – Completou com um sorriso forçado.

– E daí? Ela pode muito bem esperar eu e o Martin terminamos a nossa conversa! – Disparou Flaviana irritada com a intromissão.

Ela estava há quase meia hora na cola de Martin esperando uma abertura para atacar e consolar o rapaz da decepção que teve com a ainda namorada Micaela, mas Sofia estava estragando tudo. Tudo bem que ela havia prometido a loira não fazer nada, mas Martin era tão lindo e ela o adorava tanto que pedir para ficar longe dele era o mesmo que excluí-la da lista Vip da semana de moda de Nova York: inaceitável!

– Aposto como vocês terão todo o tempo do mundo para conversar depois, mas agora eu preciso realmente da minha amiga. – Sofia puxou Flaviana pelo braço e a arrastou para longe sobre gritinhos de protesto.

– Sofia, o que você pensa que tá fazendo? – Exclamou Flaviana com a voz aguda.

– O que é que você pensa que tá fazendo?! Eu não falei para não ficar dando mole pra ele?

– Falou, mas ele parecia tão sozinho... – Sussurrou a morena voltando a olhar para Martin. – Foi mais forte que eu!

– Sozinho ou não, forte ou não, a senhorita está terminantemente proibida de chegar a dois metros daquele cara. E se for para me certificar disso, vou te deixar na ‘cola’ de alguém de confiança.

– Não vai colocar o Pedro atrás de mim, vai?

– Não, vou fazer melhor! – Ela voltou a puxar a garota indo ao encontro de Sidney. – Por essa noite, vocês vão fazer companhia um ao outro!

– E eu posso saber pelo menos que crime eu cometi pra ser condenado a isso? – Indagou Sidney com cara de poucos amigos fitando Flaviana de cima a baixo e recebendo um olhar mortal da garota.

– Não, não pode e nem tem direito a apelação. Condeno os dois a se aguentarem por essa noite. E ai de quem pensar em me desobedecer, hein? Por que vocês não aproveitam o clima e vão dançar? – Sugeriu a loira impaciente.

– Nem morta! – Exclamou Flaviana de braços cruzados.

– Nem arrastado! – Confirmou Sidney.

– Mais nenhuma palavra! Vão: agora! – Ordenou Sofia muito intimidadora.

Flaviana e Sidney se fitaram por alguns segundos antes de cederem e irem relutantes para o centro da sala. Sofia sorriu satisfeita quando eles começaram a interagir e dançar mesmo que afastados. Inclinou a cabeça de leve, feliz por conseguir raciocinar quando tudo o que queria era falar com Ben. Havia escutado o conselho de Otávio e ido a festa e já que podia ficar tranquila com Flaviana e Sidney, iria atrás de Benjamim para saber qual sua decisão. Não podia adiar mais, teria que ser aquela noite. A primeira de muitas que ainda estavam por vim. Quem sabe até poderiam ficar juntos como sempre sonhou. Nunca fantasiou sobre sua primeira vez nem nada, tinha consciência de como seria, mas sabia, sentia que queria que fosse com Ben.

Encontrou-o recostado na parede, fora da cozinha, o semblante perdido. Ele pareceu surpreso ao vê-la na sua frente.

– Se escondendo? – Indagou o fitando intensamente.

– Pensando.

– Sobre nós?

– Sobre muitas coisas.

– Sério? Legal saber que você tem outras prioridades! – Falou com raiva, dando as costas a ele. – Vou procurar alguém que esteja mais interessado em mim do que em qualquer outra coisa.

– Espera! – Pediu Ben segurando a mão de Sofia antes que ela se afastasse. – Me desculpa, eu não quis te magoar.

– Não magoou. – Negou desviando o olhar. – Além do que, só vim te chamar para dançar. Mas foi uma péssima ideia, daria a impressão errada sobre nós dois.

– Não me importo com impressões. Eu adoraria dançar com você.

– Tem certeza? Tem muita gente lá na sala, inclusive a Anita.

– Eu sei.

– Isso quer dizer que já se decidiu?

– Isso quer dizer que eu quero dançar com você. – Falou desviando-se da pergunta dela.

Para Ben, ainda era cedo, precisava falar com Anita primeiro. Mas por hora, adoraria dançar com Sofia.

– Sendo assim... – Ela enlaçou os dedos nos da mão que a segurava e com um sorriso radiante caminhou com ele até a sala. – Significa muito pra mim. Obrigada.

– Pra mim também. – Sussurrou em seu ouvido quando pararam perto dos outros casais que dançavam.

A música que antes era animada mudou para uma mais lenta. Sofia esperou que Ben tomasse a iniciativa, e agindo como o esperado, ele a enlaçou pela cintura enquanto ela pôs os braços em volta do seu pescoço. Devagar, começaram a dançar ao ritmo da canção. Não viam mais nada, apenas um ao outro.

There's always something in the way. There's always something getting through. But it's not me… It's you.

– Queria poder te beijar.

– Eu também, mas não é um bom lugar.

– Por causa das testemunhas? – Brincou Sofia arrancando um sorriso dele.

– Você é bem esperta!

– Pra uma loira? – Indagou sarcástica. – Tenho muitas outras qualidades que podem te agradar.

– Verdade?

– Uhum... Talvez mostre algumas hoje. Pode ser o seu dia de sorte, Ben.

Sometimes ignorance rings true. But hope is not in what I know. Not in me it's in you. It's all I know.

– Você falou com a Anita? Foi ela quem nos viu?

– Não para as duas perguntas. Não sei se foi confusão minha, mas acho que não havia ninguém no corredor.

– E quanto a Anita? – Insistiu Sofia com um leve tom de apreensão.

– Eu estou tentando achar um bom momento.

– E quando vai ser um bom momento? Antes ou depois de vocês casarem? Será que não vê que prolongar isso só vai fazer mal a todos nós? Ben, você não pode adiar essa conversa.

I find peace when. I'm confused. I find hope when I let down. Not in me, me in you. It's in you.

– Sinceramente, eu sei que você está certa, mas não gosto de pensar na sua irmã sofrendo por nossa causa. Ela não merece o que vamos fazer!

– Ela vai superar! Um dia, ela vai ter que entender que é a nossa história, nosso amor. A Anita vai encontrar alguém que a ame de coração, por completo.

– Eu me sinto horrível! Ela sempre foi incrível comigo.

– Eu não estou feliz, mas não posso fazer nada. Eu não vou abrir mão de você por causa dela e nem de ninguém. Espero que você faça o mesmo em relação a mim.

I hope to lose myself for good. I hope to find it in the end. Not in me, me. In you. It's all I know… In you.

– X –

– Eles estão apenas dançando, Anita.

– Mesmo? Nossa, nem tinha notado! – Falou com os olhos marejados fitando Sofia e seu namorado dançando entrosados na sala da sua casa.

Sentia uma dor no peito diante da cena que a fazia desejar encontrar um lugar solitário onde pudesse dar vazão às lágrimas sem demonstrar o quanto tinha sido estúpida ao acreditar que ela e o ‘Príncipe’ viviam um conto de fadas. Sofia havia conseguido afinal, o tinha roubado dela e partido seu coração. A sua irmã, a quem ela sempre pôs em primeiro lugar, sempre protegeu a apunhalava pelas costas. E Ben... Ela o amou sempre, mas ele não foi capaz do mesmo. Foi mentira, tudo o que ela sonhou desde o inicio não passou de sonhos idiotas sobre amor à primeira vista, companheirismo e sentimentos mais fortes que tudo.

Ele nunca a olhou como fitava sua irmã caçula. Ele nunca a segurou nos braços da forma como segurava Sofia enquanto eles dançavam. Ele nunca a amou. E ela, burra, nunca quis entender isso.

– Por favor, fica calma. Existe uma explicação para o que tá acontecendo. – Serguei abraçou Anita, irritado por Ben e Sofia estarem juntos. – Existe uma explicação. – Repetiu, mas Anita pareceu não escutá-lo.

– Eu devia ter escutado você, a Júlia... A Sofia me alertou que isso ia acontecer, mas eu não quis acreditar, porque eu realmente imaginei que ela apenas estava jogando com o Ben. Confiei que ele me amava, mas olhe só para eles... – Ela fitou mais uma vez o casal e sentiu a garganta apertar com a angústia. – Quem diria que não existe um sentimento ali?

– Você está se deixando levar por suposições! Tenta raciocinar, por favor!

– O que eu vejo não é suposição, é um fato concreto. Ela conseguiu! Disse que não faria nada, mas deve ter armado todo o tempo para tê-lo onde queria... Com ela. – Murmurou com um gosto ruim na boca. – Desculpa Serguei, mas eu tenho que sair daqui. Eu não quero que minha mãe me veja assim e nem estragar a festa da Julinha. Mas eu também não posso mais presenciar essa cena!

Desvencilhando-se do ruivo, ela deixou a cozinha e saiu em disparada para a escada esbarrando em um e outro convidado durante o percurso. Com os olhos nublados pelas lágrimas, subiu rapidamente os degraus.

– O que aconteceu com a Anita?

– Aquilo! – Ele indicou com a cabeça o que havia feito tanto mal a sua amiga.

Júlia olhou incrédula para Ben e Sofia sentindo-se impotente em ajudar Anita.

– Então, ela realmente alcançou o seu objetivo. – Falou com pesar. – Eu vou procurar a minha amiga.

Serguei quis seguir Júlia e com ela consolar Anita, mas foi impelido por uma força estranha a ir até Sofia e Ben. Estava com raiva e confuso, não apenas pela amiga, mas por ele mesmo.

– X –

There's always something in the way. There's always something getting through. But it's not me… It's you.

– A Anita saiu chateada comigo.

– Por que nos viu juntos? Pra alguém tão boa, ela não se garante nem um pouco. – Falou Sofia ácida. Ben a olhou repreensor e soltou-a imediatamente.

– Eu sei exatamente o que você pensa sobre ela, mas não precisa depreciar tanto a Anita! Ela é uma garota legal, não merece o que nós vamos fazer!

– Ok, perdoe-me a sinceridade! Por que não aproveita e vai logo abrir o jogo com ela, hein? Acho que o que ela acabou de ver foi uma bela introdução do drama que está por vir!

Angustiado, Ben abandonou Sofia e seguiu pela mesma direção que a namorada. Ele tinha protelado aquele momento, mas teria que lidar com as consequências das suas escolhas. E seu coração havia escolhido Sofia.

– X –

“Não se magoe.”

As palavras de Otávio atingiram Sofia como um mau presságio. Era a tempestade sobre a qual ela o havia alertado, e ao ver Ben se afastar se perguntou qual o tamanho do risco de ela acabar sozinha na chuva.

Balançou a cabeça para espantar o pensamento ruim. Era bobagem, palavras ditas ao acaso e que nada significavam. Era a sua vez, a sua chance de ser feliz, e ela não permitiria que nada a desviasse da única coisa que lhe interessava. Nem mesmo o ruivo que vinha em sua direção.

– Quer dançar?

– Foi mal, mas... Eu acho que a festa já deu o que tinha que dá.

– Sendo assim, mais um motivo para você ter essa ultima dança.

Ignorando o protesto que se formava na garganta de Sofia, Serguei pegou a mão da loira entrelaçando os seus dedos com os dela, levando-a mais para o centro da sala.

– Serguei, sério... É um erro. Você não quer fazer isso.

Ele não precisava mais fingir. Logo tudo estaria acabado e nunca mais Serguei falaria com ela ou mesmo a olharia. E por algum motivo inexplicável, isso a deixava triste.

– Você não sabe o que eu quero. – Rebateu calmo, segurando-a pela cintura.

– Não sou burra, sei exatamente quais os seus motivos para estar aqui comigo.

– O único motivo que eu preciso é você. Então, por favor, não vamos estragar o momento. Temos todo o tempo do mundo para discordar, mas agora, só dança comigo.

– X –

– Se existisse um premio para a pessoa mais idiota do mundo, eu ganharia, Júlia. É tudo culpa minha!

– Não fica assim, Anita. – Tentou intervir Júlia enquanto a amiga chorava copiosamente jogada sobre a cama.

– Como se meu mundo desabou na minha cabeça e a pessoa a quem eu devo agradecer é minha irmã? – Perguntou Anita em desespero. – Eu perdi! Perdi meu namorado, meus sonhos, meu coração... Não existe uma forma de anestesiar isso. Só a morte... Se eu morresse, talvez não doesse tanto.

– Não fala isso nem de brincadeira, Anita! – Repreendeu Júlia angustiada pelas palavras dramáticas da amiga.

Anita agarrou ainda mais forte o travesseiro sem conseguir conter o sentimento mórbido que se apoderava dela. Afinal, do que valia sua vida sem o seu grande amor? Júlia podia considerar exagero o que ela dizia, mas era apenas no que pensava. Ela tinha certeza que ver Ben e Sofia juntos era pior do que a morte.

– Não me importa mais nada... – Ela fungou o rosto vermelho. – Se ele não ficar comigo, eu não sei do que eu sou capaz! Eu juro que acabo com tudo! Eu juro!

Julia preferiu silenciar diante ao que acabou de ouvir. Ela tinha confiança que quando a amiga estivesse mais calma e conseguisse raciocinar direito, veria que o fim do namoro não seria o fim do mundo. Havia outros caras no mundo e Anita era uma garota repleta de qualidades, o único que sairia perdendo nessa história era Benjamim.

Perdida em seus pensamentos, ela demorou a notar que o seu celular avisava sobre o recebimento de uma mensagem. Supondo ser a mãe, ela olhou o visor do aparelho e estranhou ver somente um link. Clicando no endereço virtual, surpreendeu-se com um vídeo cujo teor ela sabia muito bem qual era.

– Antes de tomar alguma decisão eu acho melhor te mostrar isso, amiga.

Notas finais
Tijoladas, elogios... é só comentar! Beijos! Ps: musica 'you' de switchfoot!