Era Uma Outra Vez...
24 Jamais prometa?
Notas iniciais
– Valeu por tá comigo.
– Não precisa agradecer, né boba? Quer que eu entre com você?
– Não... Eu só vou pegar as malas e adeus Grajaú! Finalmente... – Sussurrou Sofia com uma voz estranha.
– Finalmente... – Concordou Flaviana ao ver a amiga deixar o carro e seguir para o casarão.
Ao entrar em casa, Sofia não viu mais ninguém, concluindo que nenhum parente tinha interesse em ao menos despedir-se dela. “Ótimo!” Pensou enquanto subia as escadas com pressa. Já no quarto, ela pegou as duas malas, mas não saiu imediatamente. Ficou um tempo olhando para o local, os móveis, lembrando-se do que já tinha passado ali. Esquecendo-se da decisão de sair o mais rápido possível, ela foi ate a cama onde se jogou e fechou os olhos para evitar as lágrimas. Nem mesmo sua mãe estava lá para dar um tchau. Sofia não queria pensar no que isso significava, não queria ter a certeza que tanto fazia para Vera ela estar aqui ou do outro lado do mundo.
– Posso falar com você?
Sofia sentou-se na cama assim que ouviu a voz do padrasto vindo da porta que ela deixou aberta.
– Não era para você estar no Embaixada a essa hora?
– Era... – Concordou se aproximando da menina – Mas aproveitando que o Antônio vai trabalhar lá como garçom, eu vim dar uma força a sua mãe. Hoje é um dia muito difícil para ela, a sua partida mexeu muito com a Vera.
– Não é como se eu fosse morar do outro lado do mundo, Ronaldo.
– Do outro lado do mundo ou ali na esquina, não importa, você sabe que não faz diferença para uma mãe. Qualquer distância vai ser distância demais para se estar longe de um filho... Eu vivi isso com o Benjamim.
– Eu... Onde ela tá? – Perguntou não querendo não dar o braço a torcer – Cheguei e não vi ninguém.
– Ela está lá embaixo tentando animar o seu irmão. Ele também não queria que você fosse.
– Ele é único que vai sentir minha falta, já que foi minha própria mãe que me mandou embora.
– Não foi bem assim, Sofia... – Quis argumentar Ronaldo, mas ela não lhe deu ouvidos.
– Eu sei exatamente como foi. Não se preocupe, eu sei que não sou bem vinda e já que é adeus mesmo, é melhor eu sair o quanto antes para poupar todos da minha presença.
Sofia deixou a cama e foi em direção as malas. Ronaldo a fitou, derrotado. A menina sempre foi muito complicada e por mais que ele tentasse compreendê-la, não via como. Sofia tinha tudo o que uma pessoa precisava para ser feliz, mas agia como se nada fosse suficiente.
– Eu sei que você acha que eu fui mimada demais e que sabe muitas coisas sobre mim, mas não sabe. O erro da maioria das pessoas é pensar que sabe mais sobre as outras do que elas mesmas.
– Eu nunca pensei assim sobre você.
– Consciente ou não, você pensou sim. – Sofia fitou o padrasto nos olhos – Você apenas é educado demais para dizer em voz alta. Mas assim como a Giovanna, o Vitor, a Anita e a torcida do Flamengo, você acha que o meu problema é o excesso de mimo. Acha que meus pais passaram a mão demais na minha cabeça e fecha, os olhos para tudo o que eu faço. E sabe? Eu concordo. Talvez a condescendência deles tenha me permitido fazer coisas que não são certas como, por exemplo, estragar o seu casamento, mas eu não me arrependo.
– Era um dia importante para sua mãe! – Afirmou sem recriminá-la por suas palavras.
– O dia que essa família seria oficialmente uma só, mas nunca seria a minha... Sabe o que é ver seus pais se separarem? – Questionou num fio de voz – Sabe o que é ver toda a sua família, a família que você sempre conheceu, se desfazer e do nada acabar sendo jogada entre pessoas que não gostam de você? Eu não tenho nada contra você, Ronaldo, mas isso não significa que eu não prefira ver meus pais juntos. Eu sempre vou querer a minha família de volta. Se for egoísmo da minha parte, não importa, é o que eu sinto.
– Nunca foi minha intenção te obrigar a nada, Sofia, só que você precisa entender que eu amo a sua mãe e ela também me ama. Você acha justo nós abrirmos mão disso?
– Não... – Concordou com um suspiro – Não é justo, mas cada pessoa tem a sua própria noção de justiça. E a sua pode ser diferente da minha, mas isso não significa que você ou eu estejamos errados. Eu sei que você ama minha mãe, sei também que ela nunca foi tão feliz quanto é quando está do seu lado... Ela merece toda a felicidade do mundo, só que parece que isso não chega até mim. Talvez um dia eu aceite, talvez não. Eu só peço para que... – Sofia respirou fundo pondo as mãos nos bolsos da calça jeans – Você nunca, nunca permita que eu estrague o que vocês têm. E olha que eu vou tentar, mas uma pequena parte de mim sempre vai querer que vocês fiquem juntos, por ela.
– Obrigado.
– Bom, espero que o que eu te disse permaneça somente entre nós. Eu não quero ninguém pensando que eu amoleci ou coisa do tipo.
– Você amolecer? Difícil até de se pensar! – Brincou Ronaldo recebendo um sorriso sem graça da enteada. Talvez Sofia não fosse tão complicada assim – Seu pai vem te buscar a que horas?
– Ele não vem. Eu liguei avisando que não precisava, não quero confusão, e o seu Caetano adora uma. A Flaviana tá me esperando no carro, eu vou com ela.
– Quer ajuda com as malas?
– Estava esperando só você perguntar. Não nasci para fazer trabalhos braçais, você sabe.
– X –
– Isso não é justo.
– Eu sei, também não queria que ela fosse, mas é o melhor.
– Melhor pra quem? – Questionou Pedro com os olhos rasos d’água. Ele não queria que Sofia fosse embora e não sabia como convencer a mãe a voltar atrás na decisão de mandar a garota para a casa do pai.
– Pedrinho, por favor, tenta entender... – Falou Anita querendo acalmar o irmão. Não pensou que Vera chegaria a medidas tão extremas com Sofia, mas dada toda a situação, não podia culpá-la.
– A única coisa que eu entendo é que vocês a estão tratando como um problema e acham que se ela estiver longe, ele vai se resolver, mas não vai. Isso é tudo tão ilógico, mandá-la para longe quando deviam insistir para que ela fique perto.
– Você é só uma criança, filho, no futuro vai me dar razão.
– A Vera está certa, Pedro. – Opinou Ben ainda atordoado com a partida de Sofia. Ele sabia que aconteceria, mas não imaginou que ficaria tão perturbado.
– Você também não entende, Ben. É muito fácil esconder os erros, o difícil deve ser conviver com a certeza de que deveria ter feito diferente.
Benjamim fitou o irmão, desconfiado, sobre o significado das suas palavras, mas ao invés de falar mais alguma coisa, ele preferiu se calar. Quando escutaram o som de passos descendo a escada, ele se voltou em direção ao local e viu o pai carregando duas grandes malas, logo atrás dele vinha Sofia.
– Uau, isso tudo é para mim? – Debochou Sofia ao ver a ‘comitiva’ de despedida formada por Anita, Vitor, Pedro, Giovanna, Luciana, Vera e Ben.
– A gente só queria ter certeza que você fora dessa casa é pra valer. – Disse Giovanna com um brilho triunfante no olhar.
– Eu preferia tá no treino, mas o seu Ronaldo me obrigou a tá aqui... – Falou Vitor contrariado por não está no treino de vôlei.
– Aí, molecada, vamos ser mais gentis, né? A Sofia é uma peste, mas no fundo, no fundo, ela é uma mina firmeza. – Luciana foi até a sobrinha e a abraçou contra a vontade da menina – Se liga nos esquemas, hein loirinha? Se por acaso lá na Barra tiver algum grã-fino interessado em produtos importados, faz favor de me indicar. Preciso descolar ‘um’ para as minhas necessidades.
– Nós sabemos bem quais são suas ‘necessidades’, Luciana. – Ironizou Ronaldo.
– Manda um beijo pro papai e pra Bernadete, Sofia. – Pediu Anita abraçando a irmã.
– E você, Pedro, não vai me dar um abraço? – Perguntou a loira emocionada. O menino correu até ela e a abraçou forte – Te ligo todos os dias, mando SMS, torpedo, te vejo na escola, e prometo vim te visitar.
– Ainda é pouco! – Sussurrou deixando algumas lágrimas caírem.
– Eu também acho, mas eu preciso ficar um tempo longe. – Falou ao pé do ouvido do irmão para que só ele a ouvisse. Após, soltarem-se, o menino balançou a cabeça em concordância.
– Você vai ficar na casa do seu pai, mas as regras são as mesmas daqui: Não de sair sem permissão, chegar as 23h00min e não descuidar da escola.
– Tudo bem, mãe! Eu já sei disso tudo, eu vou andar na linha.
Vera abraçou a filha cogitando por um momento a voltar atrás na decisão de mandá-la morar com o pai. Sofia era o seu ponto fraco, sempre foi, não podia suportar a ideia dela infeliz, mas era como a menina se sentia. Ela não podia por suas vontades acima das dela, e se sua filha queria morar na Barra, só restava-lhe aceitar.
– Tchau, mãe.
– Eu amo você. Se cuida.
Sofia beijou a mãe na bochecha e seguiu para a saída. Quando chegava ao portão ouviu Benjamim chamá-la.
– Algum problema?
– Não... É só que eu não me despedi.
– Eu não esperava por isso, sinceramente. Bom, tchau.
– Espera, Sofia... – Pediu Ben segurando-a pela mão – Você quer mesmo fazer isso?
– Claro! Morar na Barra sempre foi meu maior desejo até eu... – “Te conhecer” – Conseguir... Agora só me resta aproveitar. Piscina, mar, shopping, tudo o que eu quiser fazer na hora que eu quiser fazer sem ninguém no pé enchendo a minha paciência.
– Uma vida de futilidades. – Falou com desdém.
– Uma vida que eu escolhi. Olha, o que você quer? Por acaso veio aqui me dizer que vai sentir saudades?
“Diga que sim.”
– Não dá para sentir falta daquilo que nos faz mal.
Sofia engoliu em seco a mágoa que sentiu e sem mais o que dizer, foi em direção ao carro de Flaviana, deixando Ben para trás. Enquanto a motorista colocava suas malas no bagageiro, ela fitou o lugar onde ele estava anteriormente e, como previu, Ben já tinha desaparecido. Ele nunca ficaria tempo suficiente para dizer o que ela queria ouvir ou não mais... Não depois de todas as coisas ruins que já escutou sair da boca dele. E na maior parte das vezes, tudo sempre fora verdade. Mas ela não queria verdades, mentiras ou sonhos perfeitos de como o amor acontece, ela quis tantas coisas, e agora via que não teria nenhuma. Após alguns minutos, já acomodada no confortável carro, Sofia se distanciava do casarão e quanto mais longe ela ficava, mais sentia que sua vida mudaria para sempre. Uma nova fase estava se iniciando, novas escolhas e outros caminhos surgiriam a sua frente. Ela estava novamente no controle das suas emoções.
– X –
– Onde você se meteu, hein? Te procurei por todo o colégio e nada de você!
– Desculpa, Júlia, eu tive que sair correndo para vir aqui para o salão. Ficar preso na orientação com a Raissa e com a irmã Carmem quase me fez perder duas clientes.
– Como assim preso? Por quê? – Perguntou Júlia confusa. Serguei deu de ombros.
– Advinha só... – Falou sarcástico.
– Não me diga que foi por causa daquela garota!
– Isso mesmo, Sofia. Ela simplesmente achou que seria engraçado eu ser expulso e armou para mim.
– Mas como ela fez isso?
Serguei ponderou dizer a verdade, mas preferiu ficar quieto e omitir o que tinha acontecido. Não para proteger Sofia, mas não queria ver Júlia indo tirar satisfações com a garota, tampouco queria que Anita soubesse que ele havia beijado a sua irmã. Sofia era um assunto seu e somente ele se encarregaria de resolvê-lo.
– Não importa, Jujuba. Fica tranquila, apesar da insistência da irmã Carmem, eu me safei e a Sofia não perde por esperar.
– Você vai falar para a Anita o que ela fez?
– Não... E queria te pedir para não contar nada também. Eu e ela já não estamos num clima muito bom para envolver mais problemas.
– Você quem sabe...
– X –
– Então, por que fez tanta questão de eu vir dormir aqui, Flaviana? Eu ainda tenho que organizar minhas roupas, me sentir dona absoluta do meu quarto e respirar bem fundo o delicioso ar da Barra!
– Você vai ter muito tempo para fazer tudo isso, mas hoje você vai jantar simplesmente no melhor restaurante do Rio! – Informou Flaviana dando palminhas com as mãos, tamanha era a sua excitação para a realização do seu plano.
Durante o dia, sem Sofia saber, ela tinha organizado tudo para que sua amiga voltasse novamente ao topo social. E para que isso acontecesse nada melhor do que sair para jantar com um dos caras mais gato, rico e badalado que ela conhecia para ser vista e comentada por todos. Apesar da resistência, ela sabia que Sofia lhe agradeceria no futuro. Além de recuperar seu status, ela ainda se livraria do empecilho chamado Sidney. Flaviana teria a prova se aquele tosco era tão bonzinho quanto queria parecer.
– Ah, é? E para onde nós vamos?
– Nós não, você vai. Você vai jantar com Otávio, meu primo lindo, que gentilmente te convidou para sair e passar uma noite muito, muito agradável com ele.
– COMO É QUE É?! – Gritou Sofia surpresa – Como assim ele me convidou?! Eu vi esse seu primo, o quê? Umas duas vezes na vida?... Flaviana, o que foi que você fez? Não, não, o que é que você pretende?
A garota deu um risinho nervoso, e após respirar fundo, informou a amiga de que tinha pedido para o primo levá-la para sair. Nada romântico, apenas como amigos, já que ele era assumidamente gay, pelo menos, para ela. Sofia não disse nada por alguns instantes, apenas fitando a amiga estática com os olhos arregalados, e após o que pareceu para Flaviana ser uma aceitação muda, ela viu a Sofia explodir de raiva.
– Será que tá escrito na minha testa à palavra ‘DESESPERADA’, por que né? – Sofia riu histérica gesticulando com as mãos no ar – Acha que não é um pouco piração demais marcar um encontro para mim com um cara gay?! – Perguntou como se a proposta da amiga fosse o maior absurdo do mundo – Tá me achando com cara de Feliciano, é? Porque se você tá pretendendo achar a cura gay para o seu primo é melhor você ir procura com outra pessoa!
– Não é isso, eu só quero que você seja vista com ele, só! – Tentou encontrar uma maneira de Sofia enxergar que ela apenas queria ajudá-la.
– Tudo bem, eu vou ficar calma até você me dar uma explicação convincente para essa sua ideia maluca... Pode começar, agora!
– Err... Bem, a gente falou mais cedo que você deveria ter motivos positivos para ser falada, lembra?
– Vagamente... – Respondeu Sofia seca.
– Pois bem, eu pensei, pensei e... Lembrei que meu primo tava de passagem pelo Brasil e que ele é sempre muito assediado por onde passa e que talvez se vocês fossem vistos juntos isso poderia te render uns pontos a favor.
– De que forma? – Perguntou mais calma. Flaviana sorriu e pediu para que ela sentasse na cama fazendo o mesmo.
– Ele é bonito, rico...
– Gay... – Afirmou Sofia com uma expressão cínica no rosto.
– Isso é apenas um detalhe, inclusive, é um ótimo detalhe. Você precisa de alguém para ter fazer companhia, ele precisa de uma garota bonita para manter a fama de pegador... Enfim, foi só juntar o útil com o agradável. Você não precisa fazer nada, só sair com ele, por isso o Tavinho é tão perfeito para isso. Ele morre de medo que o pai descubra a orientação sexual dele, e você disse que o Ben era passado... – Flaviana fez uma pequena pausa. Sofia absorveu o que ela disse e recordou-se de Ben e do que ele havia dito... “Não dá para sentir falta daquilo que nos faz mal”. Ela sentiu-se tão pequena diante das palavras dele que por um instante o plano da amiga passou a fazer sentido.– E ainda tem o Sidney!
– Eu já falei que ele é só meu amigo.
– Está aí mais um motivo para você sair com o Tavinho! Assim você vai poder saber se o Sidney é tão desapegado e aceita ser só seu amigo de verdade. Eu desencano, você se diverte... É tudo muito simples, Sofia, vai por mim!
– Tá, vamos cogitar por um momento que eu aceite embarcar nessa ideia... Como é que seria?
– Jantar, algumas risadas e fim. Apenas isso.
– E se meu pai perguntar por mim? Se ele quiser falar comigo?
– Ele sabe que você vai dormir aqui, qualquer coisa eu invento uma desculpa. Cólica, dor de cabeça... Eu sou boa nisso!
– Você pensou em tudo, né? – Acusou a loira enquanto a amiga sorria feliz – OK, eu topo... Só não vejo como isso vai dar certo.
– Vai dar, pode confiar em mim! Agora você precisa arrumar o cabelo, escolher uma roupa! Nossa eu tenho um sapato que ficaria maravilhoso com aquela saia preta... – Flaviana correu para o closet e começou a tirar peças de roupas para Sofia escolher.
Ainda incerta, Sofia deixou a cargo da amiga a escolha do look da noite, exceção essa que só concedia a Flaviana por ter certeza que ela conhecia o seu gosto exigente para se vestir. Enquanto Flaviana era soterrada por roupas, sapatos e acessórios, a loira foi para o banheiro tomar um longo banho. Ela precisava pensar, e enquanto sentia a água escorrer pelo corpo, mais e mais tinha a certeza de que ela precisava esquecer o passado e seguir em frente. Ela passou por um período de muitas mágoas e descobertas, mas já estava mais do que na hora da antiga Sofia, a garota forte e decidida, tomar as rédeas da sua vida novamente. Ela nunca mais permitira alguém chegar tão perto, nunca mais correria o risco de ter o coração novamente partido. Essa era uma promessa feita a si mesma. Ao retornar para o quarto envolta num roupão felpudo, Sofia encontrou Flaviana com um sorriso de orelha a orelha e nas mãos a sua escolha de look ideal para noite.
– Foi difícil, mas aqui está!
Ela entregou a Sofia um vestido preto de renda de mangas cumpridas fechado na frente e com um grande decote em V nas costas. Um par de sapatos Christian Louboutin dourados e como acessório apenas um par de brincos de brilhante em forma de gotas.
– Uau, são lindos! Quando foi que você os comprou? – Sofia foi ate o espelho de corpo inteiro e pôs o vestido em sua frente para ter uma ideia de como ficaria.
– Nessa ultima viagem. Eu os vi e logo imaginei como você ficaria neles.
– Eu? – Questionou Sofia voltando-se para a amiga logo atrás dela – Quer dizer que...
– Eles são seus! E tem mais coisas também, mas isso fica para depois. Já são quase sete e meia e o Tavinho ficou de passar aqui as oito!
Sem perder tempo, Flaviana ajudou a amiga com a maquiagem e o cabelo, tendo Sofia optado por deixá-los presos. Ao fim do processo, a loira estava como ela imaginou: maravilhosa! O vestido tinha se moldado perfeitamente ao corpo esguio e, embora boa parte das costas ficasse a mostra, não era vulgar, isso porque Sofia tinha um ar superior que faria até a mais ínfima peça ficar descente em suas curvas. O cabelo preso dava um ar elegante expondo os brincos que brilhavam tanto quanto os olhos verdes aumentando ainda mais a beleza que ela tinha. Beleza essa que não era apenas física, mas também se estendia a sua personalidade. Sofia não era uma pessoa fácil de gostar, mas quem estava disposto a isso, recebia em troca uma pessoa incrível que, por algum motivo, ela fazia questão de esconder. Analisando-a criticamente, ficava difícil para Flaviana entender como alguém poderia dizer não a garota, a não ser que esse alguém, seja burro, cego e um completo tapado das ideias.
– O Tavinho vai ter que passar a noite toda afastando os caras de você!
– Ah... Não para! Eu sei que estou linda! – Brincou Sofia admirando o seu reflexo. O vestido havia ficado incrível, e tão belo quanto os brincos era o par de sapatos que mais pareciam duas joias enfeitando os seus pés.
– Você é linda e o cara que tiver o seu coração vai ser o cara mais sortudo do mundo!
– Pena que isso nunca vá acontecer... – Afirmou Sofia séria indo até a cama para pegar a pequena bolsa que Flaviana havia separado.
– Por quê? Eu sei que sua experiência com o Ben não foi das melhores, mas isso não quer dizer que você não vá se apaixonar novamente ou que um cara se apaixone por você... – Disse Flaviana com firmeza – Isso tem haver com algo que ele disse? Eu não quis me intrometer, mas vi quando ele veio atrás de você... O que ele queria?
– Nada... Ele só me disse que eu faço mal para ele. E que essa minha vinda para a Barra só evidencia a minha vida fútil, meus defeitos... Como se eu já não soubesse.
– Eu não acredito! Como ele pode ter dito isso?
– Não importa mais, Flaviana... Pelo menos, agora eu sei que não quero mais isso. Eu vou aproveitar minha vida, beijar, curtir, mas não quero correr o risco de ter meu coração partido mais uma vez. Eu já aprendi a minha lição... Nunca mais eu vou gostar tanto de alguém.
– Isso é muito definitivo, Sofia... Muita coisa pode acontecer! Você não sabe o que te espera, não pode se fechar assim. É como dizem: nunca diga nunca.
– Então, eu digo jamais. – Ela caminhou até a porta – Não adianta me convencer do contrário, essa é uma decisão consciente... Eu não espero um final feliz. – Completou antes de deixar o quarto.
Flaviana resolveu calar-se, já que qualquer coisa que ela dissesse seria inútil. Benjamim tinha acusado Sofia de fazer-lhe mal, mas foi ele quem mais mal fez a ela. Por causa dele, sua amiga estava tão quebrada. Enquanto seguia Sofia, ela pensava se acabaria da mesma forma por causa de Martin.
Fale com o autor