Era Uma Outra Vez...

26 Dor de cabeça!


Notas iniciais
Chegou a hora de saber como a noitada da Sofia repercutiu no Grajaú! Algo me diz que ela terá uma grande dor de cabeça... Literalmente! Valeu pelas reviews, participação... Vamos ao cap!

– Acorda Sofia!

– O quê? Só dez minutos mãe... – Sofia gemeu sentindo a cabeça latejar em decorrência ao vinho que havia bebido na noite anterior. De olhos fechados, ela puxou o lençol para cobrir a cabeça.

– Sorry, mas eu sou muito nova para ser tua mãe! – Falou Flaviana puxando as cobertas da amiga – Adivinha quem tá na coluna social?

– Não sei, um ficante seu?

– Não sua boba, é você!

Sofia sentou-se imediatamente na cama e quase arrancando o tablet das mãos de Flaviana, leu com certo espanto e encantamento a manchete do famoso site de fofoca: “Será que o playboy mais cobiçado do Rio de Janeiro foi fisgado?” acompanhada de uma foto em destaque deles capturada no exato momento em que Otávio abaixou a cabeça para lhe dizer alguma coisa. Ele parecia rir de algo que ela disse enquanto o olhava de forma intensa, mas não pelo motivo que estipulava a matéria. Além daquelas, havia muitas outras, desde a sua chegada até o momento em que entraram no restaurante.

– Isso é maravilhoso! – Exclamou Flaviana com o entusiasmo de uma criança que acabava de ganhar o tão sonhado presente de natal. Sofia foi mais contida na sua observação.

– São algumas fotos e uma especulação, não quer dizer nada.

– Ai, para de ser estraga prazeres! Não importa se é verdade ou não, o importante é que três das nossas antigas amigas me ligaram te convidando para sabe-se lá o quê.

– Todas muito interessadas no meu suposto relacionamento, né? Ah... A falsidade! – Debochou enojada com o fato de como uma foto fazia diferença para algumas pessoas.

– E daí? Você sabe em quem confiar, o resto se resolve depois. Agora temos que ir para o colégio... E como eu não sou boba, pedi para meu priminho te dar uma carona!

– Você não dá ponto sem nó, né Flaviana? – Reclamou Sofia jogando um travesseiro na amiga. Voltando a olhar novamente para o tablet, uma duvida lhe ocorreu – E se alguém descobrir que é mentira? E se alguém que a gente conhece saber que seu primo é... Bem, que ele e eu nunca seriamos um casal?

– Impossível! O Otávio é muito, muito discreto mesmo, e se ele mesmo não tivesse me contado jamais suspeitaria que ele fosse gay... Ele me disse que ninguém mais sabia e que era um segredo.

– Entendo... Deve ser difícil para ele viver fingindo. Pelo menos, ele pode contar com você.

– Com você também! Por isso, nada de ‘mimimi’, tá? A única pessoa para quem eu o apresentei foi o Serguei, quando a gente ainda ficava, mas não falei nada para ele sobre o Tavinho. Fique tranquila, ninguém descobrirá nada!

– Se você está dizendo... – Falou passando a mão na têmpora sentido a dor de cabeça chegar com força.

– O que vai querer de café da manhã?

– Não muita coisa... Iogurte natural e granola, uma salada de frutas com linhaça, um chá de hortelã e uma cartela de aspirina.

– Está com dor de cabeça? – Questionou Flaviana ao se aproximar da amiga, notando a dificuldade dela em manter os olhos abertos – Você sabe que isso sempre acontece quando bebe!

– Ou quando estou muito nervosa.

– Olha, deita e descansa mais um pouco. Eu trago teu café aqui e as aspirinas.

– Hum... Posso me acostumar com esse tratamento cinco estrelas! – Debochou Sofia deitando novamente e pensando sem querer que no Grajaú ela não seria cuidada assim.

– X –

– Me passa o suco!

– Mãe, tem maçã?

– Aqui seu pão, Anita! – Falou Vera atordoada e feliz com a confusão que era um simples café da manhã em sua casa.

Por mais exaustivo que fosse essa rotina, ela não mudaria nada, adorava ver os filhos e os enteados reunidos na mesa como a grande família que eram. Olhando ternamente para eles, Vera viu que nem tudo estava como sempre: faltava Sofia. O lugar que ela ocupava todas as manhãs estava vazio e ela não deixava de sentir que faltava uma parte muito importante do dia. Ouvir o som do salto dela ao descer à escada, o mau humor logo pela manhã, as discussões com Giovanna... Não havia passado nem 24 horas desde que ela foi para a casa de Caetano e Vera não via a hora de tê-la de volta morando no casarão.

– EU NÃO ACREDITO! – Gritou Giovanna descendo correndo as escadas.

– O que foi que aconteceu? – Questionou Anita preocupada.

– Olha isso... – Ela entregou o Notebook a Anita – Era por isso que ela estava tão empenhada em ir para Barra! – Acusou com desdém – Tá vendo Vera? O que a Sofia queria era se livrar da gente!

– Do que você está falando, Giovanna?

– Disso mãe... – Anita mostrou à mãe as fotos da irmã em um famoso restaurante.

– Pelo visto, aquela patricinha nojenta conseguiu o que queria: pegar um cara rico!

– Giovanna! – Repreendeu Pedro.

– Eu falei alguma mentira?

– O que é toda essa confusão? – Questionou Ben chegando à sala.

Giovanna o fitou triunfante, bem ou mal, ela estava satisfeita por mais uma vez poder provar que Sofia não passava de uma garota nojentinha e interesseira. Apesar de não querer vê-la conseguir o que queria, estava aliviada por isso a distanciar ainda mais do seu irmão. Não queria nem pensar que Ben pudesse ainda guardar algum sentimento por aquela cobra, mas se fosse verdade, a decepção se encarregaria de apagar a lembrança de Sofia do seu coração.

– X –

– Desculpa por isso... A Flaviana não sabe a hora de parar.

– Não se preocupe, docinho, é um prazer te ver novamente.

– Vou fingir que acredito... – Sussurrou Sofia o fitando por trás dos óculos escuros. Sua cabeça ainda doía, mas não tanto quanto mais cedo.

– Ai, você é muito cética... – Acusou Otávio com um sorrisinho – Tudo bem, confesso! Não foi só o pedido da Flaviana que me fez acordar tão cedo. Eu sei que não viveria em paz até descobrir a verdade e minha dermatologista me mataria se eu aparecesse com alguma ruga!

– E o que foi então?

– A curiosidade! Eu precisava ver a sua irmã, porque, meu amor, ela tem que ser toda essa maravilha que você disse para esse tal de Ben ter preferido ela.

Sofia deu um sorriso torto enquanto Otávio estacionava o seu Porsche em frente ao seu colégio chamando a atenção da maior parte dos alunos que chegavam. Diferente dela, ele estava completamente desperto, lindo e animado, o que a irritava profundamente já que ele havia bebido o triplo que ela e não sofria por causa disso.

– Você está péssima! – Informou-a pela décima vez desde que ele a buscou no apartamento de Flaviana que, muito conveniente, tinha ido com a própria motorista.

– Se eu não sentisse dor só de abrir os olhos, já teria batido com a sua cabeça no painel desse carro só para você parar de repetir isso!

– Uau, estamos de TPM!

– Eu não to de TPM! – Esbravejou sentindo uma fisgada na cabeça.

– Certo... Mas me diga, qual delas é a Anita?

Ela olhou em direção aos alunos que chegavam ao colégio e logo encontrou a irmã de mão dada com Benjamim. Com um suspiro, ela indicou com a cabeça o local onde eles estavam.

– É aquela ali de mãos dadas com o namorado.

– Aquela de short mínimo? – Perguntou espantado. Sofia assentiu – Será que ela não conhece o significado da expressão ‘sexy, sem ser vulgar’? Não que eu ache que as mulheres devam cobrir-se com burcas, mas eu consigo ver o útero daquela garota! – Brincou Otávio arrancando risos de Sofia.

– Ai, não precisa exagerar! Você precisava ver antes, ela se vestia como uma senhora de sessenta anos. Eu bem que ajudaria, mas nem todo o meu conhecimento de moda daria um jeito na minha irmãzinha.

– De idosa para piranha foi quase um pulo, hein?

– Na verdade, foi uma briga... – Sofia relembrou a primeira grande briga que elas tiveram, meses antes. Anita havia a acusado de se ‘vender’ barato, mas não fez muito diferente já que assediava Ben na ‘cara dura’ sempre que possível – Ela descobriu que eu tava apaixonada pelo Ben e a gente saiu no tapa... Eu disse que ela era acabada, feia, mal cuidada, apenas verdades. Depois disso, ela apareceu assim com quase nenhuma roupa, um novo corte de cabelo, mas ainda é a mesma sonsa de sempre. Acha que eu não presto, mas nunca culpou o Ben pelo o que aconteceu.

– Talvez admitir que ele também errasse seria aceitar o ponto final do namoro.

– E ela nunca faria isso... – Concluiu com um suspiro. Ajeitando os óculos escuros para proteger os olhos da claridade, ela abriu a porta do carro – Desculpa, mas eu tenho que entrar. Talvez pudéssemos nos ver, sei lá, te pago um cupcake.

– Acho que não... Eu tenho um voo marcado para daqui algumas horas e nem tão cedo eu volto para o país. Evitar meus pais é a única maneira de não explodir.

– Bom... Já que é assim, até qualquer dia. – Sofia beijou a bochecha de Otávio e saiu do carro em seguida. Ele fez o mesmo.

– Mas antes... – Ele segurou sua mão e a fitou intensamente – Não se assuste, docinho! – Murmurou antes de depositar um beijo leve em seus lábios. Sofia piscou algumas vezes em surpresa, mas não se afastou. Quando acabou, ela deu uma risada.

– Você é mesmo gay? – Sussurrou para que só ele a ouvisse. Otávio riu, dando outro selinho nela.

– Tenho! Caso contrário, você estaria até agora na minha cama! – Falou contra sua boca – Não tenha medo, Sofia, o cara certo não vai ligar para nenhum dos defeitos que o cara errado viu em você.

E deixando a garota muda, ele entrou no carro e partiu. Sofia sentiu certa tristeza por saber que nem tão cedo o veria novamente, mas ficou feliz pelo tempo que haviam passado juntos. Otávio era mesmo um cara incrível, pena que fosse gay. Com um sorriso bobo ela caminhou para dentro do colégio.

– X –

– Quem diria, hein? Parece que você ainda não tem chances com ela! – Desdenhou Flaviana aproximando-se de Sidney que acabava de ver Sofia ser beijada por um cara que ele não conhecia – O nome dele é Otávio Miranda, meu primo. O tipo de cara que é perfeito para a Sofia... Se você tinha alguma esperança de ficar com ela, parece que esses beijos foram a ultima pá de cal na cova do seu coraçãozinho, né? – Completou aos risos.

– Posso saber por que tanto interesse em saber se eu ainda gosto da Sofia? – Questionou Sidney imperturbável – Nunca pensei que qualquer coisa sobre mim te interessasse!

– Não interessa!

– Então, o que é que você tá fazendo aqui perdendo seu tempo comigo?

– Eu, eu... – Flaviana perdeu a fala e bufou irritada – Tem razão: você não merece que eu me digne ate a falar com você! – Esbravejou recebendo em resposta um sorriso de canto de boca de Sidney.

– Se apegue a isso e da próxima vez não cruze o meu caminho. – Falou ele calmamente seguindo em direção à sala de aula.

– X –

– Uma água sem gás, por favor! – Pediu Sofia recostando-se no balcão e baixando a cabeça que parecia que ia rachar de tanta dor.

A enxaqueca não havia dado trégua, e apesar dos comprimidos terem cessado a dor momentaneamente, ela tinha voltado com toda força. Dar um simples passo era como bater com um martelo na cabeça. Por um bom tempo, ela não tomaria uma gota de álcool, decidiu. Pelo menos, ela não teria mais aulas e poderia ir para casa, se jogar na sua cama e dormir por horas a fio. Flaviana com certeza iria matá-la por demorar tanto, pensou, quando olhou de relance para a cantina vazia.

– Aqui está – Informou o atendente da cantina.

– Valeu! – Murmurou com um sorrisinho sem graça por atrasar o fechamento do local. Ela pegou a bolsa e tirou mais uma aspirina que engoliu junto com a água.

– Está tendo um dia ruim, Sofia?

Uma voz sarcástica surgiu as suas costas e a fez revirar os olhos. Lentamente, ela virou-se para ficar frente a frente com Serguei. Ela o fitou com raiva por detrás dos óculos escuros.

– Até você aparecer? Não! – Murmurou com frieza.

– Hum... Interessante. Pelo o que andei ouvindo você tinha motivos para estar muito feliz, a não ser, é claro, por um detalhe.

– Ai, Serguei ‘cê’ é tão chato que mesmo que eu quisesse ficar aqui ouvindo as tuas bobagens, não to com tempo nem paciência para isso. Vamos fazer o seguinte: eu vou por esse lado e você por aquele, combinado? – Disse com ironia dando dois passos em direção a saída – Não foi bom te ver, um beijo!

– Eu acho melhor você não ir embora... – Falou em tom de ameaça – Exceto que você queira que eu conte que o seu ‘romancezinho’ não passa de uma farsa.

Sofia parou por um momento duvidando do que tinha acabado de ouvir. Voltando-se para Serguei novamente, ela o fitou sem dizer nada a espera que ele prosseguisse. Ele estava blefando, não estava? Perguntou-se enquanto o via sorrir sem humor. Foram alguns segundos de silêncio tenso, até que ele falasse.

– Apesar do showzinho lá na entrada e das fotos, você e eu sabemos que nada daquilo é verdade.

– Serguei, querido, só uma dica: cuidado com a quantidade de formol que ‘cê’ coloca nos produtos do salão, porque é visível que ele esta afetando o seu cérebro! De que verdade você está falando?

– Só uma em especial... – O ruivo venceu a distancia entre eles e ficou frente a frente com Sofia. Com um brilho divertido nos olhos, ele inclinou o rosto ate o dela e sussurrou-lhe ao ouvido – A verdade que o seu novo namorado é gay.

– Isso é... É um absurdo! – Protestou dando um passo para trás – Você não tem o direito de inventar calunias, difamar ou... Isso pode lhe render um processo! Você vai ter que vender aquele salãozinho de subúrbio e ainda não vai ser suficiente para pagar a indenização por essa mentira!

– Não me diga!

– Eu não acredito como você desceu baixo, Serguei!

– Eu? E você?! – Questionou com raiva – Quão barato você se vendeu? Aceitar sair com um cara gay só para aparecer na mídia e posar de garota que namora um cara rico é baixo demais até para você!

– Você não sabe do que está falando! Não faz ideia, não deveria se meter nessa história! – A voz de Sofia falou pela lembrança da frase que Anita uma vez lhe disse ‘Você se vendeu barato’. Ela não tinha se vendido, não era nada do que ele imaginava, e ainda assim lá estava ela sendo acusada mais uma vez de pensar somente nas aparências – Fique fora disso! – Advertiu-o mais uma vez sentindo as lágrimas queimarem nos olhos. Ela não estava bem, nem física ou emocionalmente, não precisava de ninguém lhe apontando o dedo e falando coisas sobre as quais não sabia.

– Não dessa vez! Você não se importou de armar para mim, por que eu tenho que ser legal com você?

– Você não entende... – Sofia quis argumentar.

– AH, eu entendo tudo perfeitamente!

– Não!... Ai, droga!

Sofia levou uma das mãos até a cabeça ao sentir uma dor imensa. Ela já tinha tido enxaquecas terríveis antes, mas nada tão ruim quanto o que estava acontecendo agora. Todo o corpo estava dolorido e ela mal conseguia se mover sem sofrer por isso. O seu dia que já não tinha começado bem estava cada vez pior, e o nervosismo só havia piorado a sua situação. Pensar em Otávio sendo desmascarado, em Flaviana e a culpa que ela sentiria, além de como aquela informação atingiria a sua própria vida... Ela até já podia ver as pessoas a olhando torto, a acusando de ser uma vaca mentirosa e interesseira. Era demais para a sua sanidade mental de. Com esforço, sofia sentou-se numa cadeira próxima e tirou os óculos que usava.

– Você tá bem? – Perguntou Serguei realmente preocupado com o estado de Sofia. Ela parecia estar com dor, os olhos estavam vermelhos e algumas lágrimas escorriam pelo rosto pálido. Por mais difícil que fosse para ele acreditar nela, Serguei sabia que ninguém fingiria com tanta veracidade estar passando mal – Se isso for uma brincadeira...

– Não é... – Gemeu – A minha cabeça... – Choramingou pondo o rosto entre as mãos.

– X –

– Sofia, Sofia... Sofia Toledo!

Flaviana andava de um lado para o outro a espera de Sofia que segundo o que disse, compraria uma água e elas voltariam para a Barra em seguida. Mas já se passava quase meia hora desde que ela foi e a não ser que Sofia esteja esperando engarrafarem a água, ela já deveria ter retornado. Cansada de esperar, a garota deu instruções a motorista para aguardar enquanto ela ia procurar por pela a amiga. Ao passar pelo corredor, deu de cara com a ultima pessoa que queria ver em qualquer momento da sua vida.

– Eu mereço! – Bufou irritada.

– Bom te ver também! – Debochou Sidney ao passar por ela em direção a saída do colégio.

– Espera! – Chamou Flaviana antes que ele se afastasse demais – Você viu a Sofia? – Perguntou, por fim. Ela não queria a ajuda de Sidney, mas não tinha outra escolha. E já que ele vivia em função da loira e a perseguia por todos os lugares, certamente saberia onde ela se meteu.

– Se eu a vi? Pensei que todo mundo já tivesse ido embora.

– Ela não é todo mundo, e sumiu.

– Sumiu como?

– Sumindo, UÉ! – Falou dando de ombros – Ela disse que ia comprar uma água na cantina e não voltou.

– Flaviana... Você, já pensou na possibilidade dela ainda estar na cantina? – Indagou com uma das sobrancelhas arqueadas. Flaviana sentiu-se tremendamente estúpida e deu-lhe as costas andando em disparada – Hey, espera aí!

Sidney correu atrás da garota que lhe lançou um olhar atravessado quando ele chegou ao seu lado. Calados, eles andaram apressados até a cantina onde encontraram Sofia sentada numa cadeira chorando e Serguei abaixado a sua frente segurando suas mãos.

– O QUE VOCÊ FEZ COM ELA?!

Notas finais
Hahahaha! Serguei terá muito que explicar! Tadinha da Sofia, gente, ser acusada desse jeito sem ao menos ter chance de defesa! E como poderia? Hum... Sugestões, elogios, criticas é só dizer! Beijos e vamos ao próximo!