Era Dourada
1 Prólogo
Dias atuais.
No Santuário.
O sol brilhava resplandecente, anunciando mais um verão de calor e sol para a Grécia. Em um dia como esse, é natural que os jovens estivessem passeando por alguma praia ou praça, para aliviarem da alta temperatura.
Mas...
"Isso é algum castigo?"-resmungou Seiya olhando a paisagem da janela.-"Tá um dia lindo lá fora e nós aqui. Trabalhando!"
"Seiya coloque essa caixa naquele canto."-ordenou Shiryu mal humorado.
"Isso não é justo!"-lamuriou-se Pégasus.-"Como fomos parar na faxina na Biblioteca do Santuário?"
"Deixe-me lembra-lo."-falou Hyoga jogando um livro em Seiya.-"Você se ofereceu para o trabalho para impressionar Saori e nos meteu nessa!"
"Não que eu esteja reclamando."-comentou Shun olhando um pergaminho e sentiu os olhares mortais de Shiryu e Hyoga.-"Mas hoje não é um bom dia pra faxina."
"Olha, quando a Saori veio a mim dizendo que precisava urgentemente de pessoas fortes."-falou Seiya jogando a vassoura longe e sentando em uma poltrona confortável.-"Não achei que era isso. Juro!"
"O que está fazendo?"-indagou Hyoga.
"Dormindo."-respondeu Seiya.-"O que ach..."
Não completou a frase, alguém havia puxado a cadeira com o pé, fazendo Pégasus cair de costas no chão, numa queda dolorosa.
"Típico de você, Seiya. Sempre distraído e caindo como um patinho em qualquer armadilha da Saori."-zombou Ikki.
"IKKI!"-Seiya levantou-se com muita raiva.-"Que idéia é essa?"
"Que você nasceu para se ferrar."-respondeu.-"Anda, Shun. Não vai ficar aqui neste dia tão quente. Vamos à praia."
"Mas..."-Shun parecia indeciso.-"Tá bem."
"Ah, não! Vocês não vão me deixar aqui sozinho com estes entulhos!"-reclamou mostrando as pilhas de livros e pergaminhos.
"Por que não?"-Hyoga começou a andar para a saída.-"A garota que você quer impressionar é sua."
"Shiryu..."-Seiya olhou para o melhor amigo.
"Prefiro dar uma volta com a Shun-Rei."-colocando a caixa que carregava no chão.
"Vocês são um bando de amigos da onça!"-berrou Seiya socando uma parede de raiva e por conseqüência causa uma enorme rachadura nesta.-"Ihhh..."
A parede começa a ceder, fazendo Seiya saltar para trás e evitando ser atingindo pelos escombros. Um grande buraco ficou no lugar da parede.
"Ops."
"Que barulho foi esse?"-Shion perguntou, entrando naquele momento e vendo os estragos.-"Que? Quem fez isso?"
Todos apontaram para Seiya.
"Eu não tenho culpa desta parede estar tão velha assim!"-colocou as mãos no bolso.
"Ora...isso é interessante."-falou Shion ignorando os resmungos de Seiya.-"Uma Câmara escondida."
"Tem razão."-Shiryu aventurou-se a entrar na sala recém descoberta.-"Tem pergaminhos aqui."
Os quatro cavaleiros de bronze e o Mestre do Santuário entraram na câmara também, admirando o que ali estava. Eram centenas de pergaminhos, talvez milhares, colocados com cuidado nas estantes.
Shion pegou um deles e o examinou, Seiya tentou olhar por sobre o ombro do Mestre.
"Não é grego."-comentou o cavaleiro de Pégasus.
"É Lemuriano."-respondeu.-"Pela deusa! Que achado maravilhoso!"
"O que são estes pergaminhos, mestre Shion?"-Shun perguntou curioso.
"São os registros dos primeiros anos do Santuário. As primeiras batalhas, os primeiros cavaleiros! Julgávamos perdidos!"-dizia entusiasmado.
"Isso significa que ninguém está nervoso pela parede?"-Seiya perguntou sorrindo.
"Seiya. Isto é um achado valiosíssimo!"-dizia Shion saindo da Câmara rapidamente.-"Precisamos contar a deusa Atena!"
Uma hora mais tarde, estavam reunidos no salão do Templo de Atena, os cavaleiros de bronze, de ouro e a deusa. Ela olhava os manuscritos com alegria.
"Saori. Esses pergaminhos falam as origens do Santuário?"-o Cavaleiro de Pégasus perguntou, louco para saber o conteúdo escrito neles.
"Sim. Como bem sabem, o Santuário tem mais de dois mil anos de existência. Registrar os acontecimentos daquela época era um hábito que o primeiro Grande Mestre possuía."-respondeu a deusa.
"Consegue ler?"-perguntou Milo curioso.
"Bem pouco."-e ofereceu o pergaminho a Shion.-"Poderia ler, por favor?"
"Certamente."-Shion pegou o pergaminho, mas o guardou e pegou outro.-"Talvez seja melhor começar a narrativa do...principio."
Todos os presentes concordaram e Shion começou a ler:
Continente de Lemúria. Em um pequeno vilarejo próximo ao mar...
Mais de Dois Mil anos atrás...
"Tarek!"-uma jovem de longos cabelos lilases procurava com insistência, entrando pelos fundos da humilde casa.-"Tarek!"
"Oi, jovem Alissa!"-um senhor de idade avançada apareceu.-"Procura meu neto?"
"Senhor Sillus."-a jovem o cumprimenta com respeito.-"Seu neto não apareceu para consertar o telhado da minha casa como havia prometido."
"Apenas por isso procura Tarek?"-Alissa fica ruborizada.-"Você sabe onde ele está quando esquece do mundo."
Alissa corre até uma campina próxima, viu um pastor cuidando de suas ovelhas e numa colina próxima, embaixo de uma frondosa árvore, estava aquele a quem procurava. Deitado, observando as nuvens e o pensamento longe.
"TAREK!"
O jovem de cabelos vermelhos e longos, olha assustado para a garota que se aproximava furiosa.
"A-Alissa?"
"Não se esqueceu de nada?"-perguntou com as mãos na cintura.
"Hum..."-Tarek cerrou os olhos dourados e fez ar pensativo.-"Não me lembro. Era importante?"
"Tarek!"-pelo ar indignado dela, deveria ser, concluiu o rapaz.-"Com esta ar distraído não é a toa que te chamam de Tarek Sonhador!"
"Desculpe, Alissa. Perdi a noção do tempo."
"E o que você andou fazendo que o fizesse perder a noção do tempo?"
"Ajudei meu avô nas forjas."-começou a enumerar seus afazeres. -"E saí para caçar com a Níniam."
"Caçar? Você não fez nada."-uma garota de cabelos loiros e olhos violetas joga seu aljava com flechas e o arco no chão e sentou-se ao lado de Tarek.-"Você é uma negação para os esportes, irmão."
"E você deveria ser mais delicada, Níniam."-retrucou Alissa com ar de superioridade.
"Pra que? Pra ser taxada de inútil e que só serviria para pôr filhos no mundo? Você já faz bem esse papel, Alissa."-alfinetou de volta.
"Tarek! Vai deixar sua irmã falar assim comigo?"
"Mas, você começou..."-Tarek respondeu e encolheu-se diante do olhar ameaçador da garota, depois seu olhar se desviou para uma nuvem de poeira.-"O que é aquilo?"
Níniam ergueu-se com o arco numa mão e a aljava em outra.
"Parecem soldados. E vão para a vila."
Os três jovens se apressaram a chegar na vila o mais rápido possível e encontraram um grupo de soldados, matando a sede de seus cavalos no poço principal, observando as pessoas. Não eram lemurianos, não tinham os traços características de seu povo, e sim expressões rudes. Tinham o emblema de algum reino desconhecido para eles. O mais elegante entre eles estava montado em um corcel branco, e com um homem alto, forte e de pele negra ao seu lado, com os grilhões de escravo.
Um dos anciões da vila aproximou-se com cuidado e dirigiu-se ao o que seria o líder. Um homem corpulento e de rosto marcado por cicatrizes.
"Bem vindos à nossa vila. Irão ficar muito tempo aqui?"
"Por que velho? Quer nos expulsar?"-o homem o agarrou pela gola.
Níniam fez menção de reagir, mas Tarek não deixou.
"Solte o homem, Andraus."-ordenou um homem de cabelos brancos e que aparentava ter mais de quarenta anos, e foi obedecido prontamente.-"Eu sou Lucius Cassius, um emissário de Roma. Nosso navio desviou-se da rota devido a uma tempestade e estamos sem provisões. Por isso, vamos pegar o que precisamos e partiremos rumo à Africa."
Com um gesto de Lucius, os soldados e outros que os acompanhavam, começaram a pegar o que podiam de alimentos e água potável.
"Vão nos roubar, isso sim!"-Níniam grita indignada.
"Ora...que bela imagem."-diz Lucius.-"Levem-na. Preciso de diversão."
"Não ouse encostar em minha irmã!"
"Matem o fedelho e queimem as casas por ousarem dizer não à Roma."
Os soldados iam atacar Tarek com suas armas, os outros aldeões recuaram amedrontados, o jovem lemuriano achou que morreria ali, mas uma muralha de cor de ébano se colocou entre ele e os soldados.
"Senhor, não faça isso."-pediu o homem.
"Quer dar ordens a mim que sou seu senhor, Ananse?"-havia cólera nos olhos de Lucius.
"Não, meu senhor. Mas não é sabido que o grande imperador de Roma deseja firmar laços de amizade com os reis deste continente?"-Ananse não demonstrou medo ou receio diante das armas.-"Atacar esta gente não iria enfurecer os reis e com isso desagradar nosso imperador?"
Lucius ponderou e com um gesto chamou seus homens.
"Vamos."-depois se virou para o chamado Andraus.-"Castigue Ananse por sua ousadia. Cem chibatadas."
"Sim."-o homem sorriu com maldade, puxando Ananse pela corrente.
"Tarek, não podemos..."-Níniam estava aflita pelo destino do escravo.
"Infelizmente não podemos fazer nada."-respondeu o ruivo penalizado.
Naquela noite, em sua casa, Tarek e Níniam olhavam para o jantar preparado por seu avô, que consistia em legumes, frutas, um pão e queijo, e não tinham fome alguma ao se lembrarem dos acontecimentos daquela tarde.
"Não podiam fazer nada."-falou o idoso.
"Não é justo!"-a garota resmungou.-"Quem eles pensam que são para fazer essas maldades?"
"Infelizmente o mundo está cheio de pessoas ruins, filha."-disse o idoso.-"Tivemos sorte, talvez a vila estivesse em chamas agora."
"Os deuses não deveriam permitir isso."-suspirou a menina.-"Aquele escravo...pode ter sido castigado ou morto por nossa causa."
"Os deuses não ligam para nós."-respondeu Tarek erguendo-se da mesa e saindo para o quintal, a menina ia atrás do irmão, mas um gesto de seu avô a impediu.
Lá fora, Tarek observava as estrelas e sentou-se num tronco de árvore que havia sido talhado por ele para ser um banco.
"Os deuses não deveriam permitir que tanta maldade tomasse conta do mundo."
"Concordo com você, Tarek."
O rapaz olhou ao redor, procurando a dona da voz e não viu ninguém. Avistou uma coruja branca sobre um galho de árvore e coçou a cabeça.
"Agora estou ouvindo coisas."-murmurou.-"Agora não me chamarão apenas de Sonhador e sim Louco."
"Não há nada de mal em sonhar."-desta vez ele olhou na direção da coruja, que alçou vôo e pousou no ombro de uma jovem mulher.-"O que seria deste mundo sem os sonhadores?"
Tarek ficou fascinado por ela. Tinha uma beleza que jamais ousou imaginar alguém possuir, os cabelos castanhos claros caiam como ondas pelas costas dela e possuía olhos azuis que transmitiam uma serenidade e sabedoria impressionantes. Ela trajava uma armadura que parecia ser feita de ouro e uma aura de pura bondade a envolvia.
"Q-quem é você?"-indagou apontando o dedo para ela.
"Eu sou Atena."
"A...a deusa da Sabedoria!"-Tarek deu um passo para trás e perdeu o equilíbrio, caindo sentado.-"O que quer comigo?"
"Preciso de sua ajuda, Tarek. Você é o meu escolhido."
Continua...
Notas finais
o/ Em comemoração aos mais de 20 anos de CDZ!
Obrigada por lerem!
Fale com o autor