Era Dourada

5 Capítulo 4: O Campeão


Notas iniciais
Nota: Os personagens originais foram criados pelos membros do Fórum/site Pandora's Box.
Betado por Ziegfried-aenslaed

Tarek estava boquiaberto. Ele havia presenciado a incrível ação de Arcturus que com uma série de golpes rápidos, desarmou um dos soldados e utilizando a lança deste derrubou mais dois. O jovem romano, que aparentava ser uma pessoa muito calma, era um habilidoso lutador.

-O que tanto temem?-o chefe dos guardas estava irritado com a hesitação de seus soldados.-São apenas dois garotos!

Incentivados pelas ordens de seu líder, os soldados investem contra Arcturus com brados de guerra, mas este os derruba facilmente, para a surpresa e medo dos que ainda permaneciam em pé.

-Nós somos soldados treinados! Como pode um moleque imberbe nos derrotar assim?-diziam entre si.

-Idiotas!-vociferou o líder dos guardas e então ele recuou para dar passagem de um guerreiro.

O homem era alto, forte, calvo e com o corpo cheio de cicatrizes provocadas por inúmeras batalhas.

- Osorkon! Mate os intrusos!

-Arcturus...-Tarek olhou para o amigo, meio apreensivo.

-Fique onde está, Tarek.

O gigante Osorkon empunhava um machado de guerra enorme, e deu um sorriso maligno, olhando para Arcturus como se ele fosse um inseto. E avançou de repente contra o jovem romano. O machado gigante foi na direção de Arcturus, levantando uma nuvem de areia. Os soldados riram certos da vitória, Tarek olhava assustado para a cena. O gigante estava certo de que acertara seu alvo, mas olhou incrédulo quando percebeu que ele não se encontrava ali.

Então, Orsokon olhou para cima, a tempo de ver Arcturus caindo sobre ele, com a lança em riste, e este quebrá-la em sua cabeça, com uma força acima do normal. Neste momento, Tarek percebeu algo que o assombrou ainda mais. Uma áurea dourada envolveu Arcturus por um breve instante. Era uma luz que parecia com o esplendor do sol quando este se escondia no horizonte.

Enquanto observava, diante do espanto de todos, o gigante Orsokon cair nocauteado pelo golpe de Arcturus, Tarek finalmente percebeu o que acontecia.

Arcturus era um dos guerreiros escolhidos por Atena. Agora compreendia tudo. Sophia ao pousar no ombro do romano havia lhe mostrado que ele era um dos escolhidos da deusa da justiça.

A deusa, mesmo sem poder agir pessoalmente, havia lhe guiado até ele.

-Então.-dizia Arcturus fitando o líder.-Vamos dialogar. Onde estamos?

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Em outro ponto do planeta... Precisamente no local hoje chamado China.

Um corvo plano por um campo de batalha, cheio de corpos de soldados vitimados por uma guerra contra um inimigo sem igual. A criatura alada vai na direção de um acampamento, pousando no galho de uma árvore e grasna para chamar a atenção para ele.

-Ah, retornou.-um homem de olhos vermelhos e cabelos ruivos e longos, trajando uma armadura negra e escarlate sorri e estende a mão, chamando a ave.-Venha.

A ave obedece ao chamado e recebe, satisfeita pelo pedaço de carne crua oferecida pelo ruivo, para saciar sua fome, e este acaricia a cabeça da ave.

-Que notícias me trazes de casa?

A ave começa a grasnar como se conversasse com o homem, que escuta a tudo com atenção.

-Minha querida irmãzinha... Ela me impressiona a cada momento.-ele sorri.

-Quer que eu a impeça, senhor?-uma voz chama a atenção do homem, que fita de relance o jovem de cabelos longos, escuros e lisos, trajando uma armadura de guerra chinesa, que se aproximava.

-Akuma... Já descansou? Não quero que o capitão do meu exército fique cansado demais antes de partimos para outra província. Qin anseia pela vitória sobre seus inimigos.-ele riu.-Como é fácil manipular estes homens com egos inflamados a agirem em meu nome. E darem início a guerras memoráveis!

-Sim. Foi apenas mais uma batalha, senhor.-o capitão responde.-A ambição de Qin ainda irá gerar muitas batalhas, aos quais irão te dar satisfação, meu senhor.

-Quero que vá para a Grécia e aguarde minhas ordens. Quando necessário, irá agir em meu nome... Para impedir que minha linda irmã crie este exército!

-Sim, senhor.

-Tenho a impressão de que eles poderão me incomodar futuramente.-ele olhou para a paisagem fúnebre.-Sinto que batalhas virão e isso me deixa ansioso! Conto com você, Akuma... Para matar Atena no momento certo!

-Conte comigo, meu senhor Ares.

O jovem chinês se ajoelha em respeito ao deus e quando este se afasta, ele se ergue. Os olhos cor de mel, incomuns em seu país, miravam o céu e olhou curiosa e percebeu que uma constelação brilhava intensamente, de maneira incomum.

Já ouviu os sábios astrônomos se referirem a ela pelo nome que os ocidentais a batizaram. Sagitário... E estranhamente, sentia-se revigorado ao contemplar tais estrelas... Como se fizessem parte dele.

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Shion parou de ler e todos olharam para Seiya.

-Que? Tô quieto!-defendeu-se.

-Não vai me interromper?-Shion surpreso.

-Não.

-Hmmm...-o mestre olha para ele desconfiado.-Então está bem, vou continuar...

-Espera um momento!-pediu Aiolos.-Está querendo me dizer que o primeiro a usar a armadura de Sagitário servia a Ares?

-Eu não sei. Mas posso ter traduzido errado os manuscritos. Lembre-se que muitas passagens estão em línguas já mortas.-respondeu Shion.

-Mas um servo de Ares?

-Não tire conclusões. Talvez esta pessoa não seja quem você imagina.-comentou Shura.

-Os pergaminhos falam dos primeiros cavaleiros. Por que citariam este Akuma se ele não fizesse parte deles?

-Aonde já ouvi falar sobre esse Akuma...-Dohko parecia querer lembrar de algo importante.-Meu mestre falou dele...mas, o que era mesmo?

-Vou continuar...-suspirou Shion.

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Níniam se sentia mais forte e segura a ponto de sair do seu abrigo e explorar o local onde estava. Lembrando-se das recomendações do misterioso Alessandros, a lemuriana procurou sempre se manter oculta na vegetação e evitar que a vissem.

- Feácea...-Níniam estava entre rochedos numa praia, que lhe proporcionavam uma boa visão do local.-Acho que ouvi falar deste lugar.

Ela ficou pensativa, lembrando das histórias de aventuras que o avô lhe contava quando era jovem e singrava os mares em navios mercantes. Ele havia lhe falado de ilhas habitadas por ninfas e feiticeiras, bem como por monstros lendários. E também sobre uma ilha, habitada por exímios guerreiros, onde estrangeiros não eram bem vindos e os que entravam ali sem um salvo conduto de seus líderes, eram sumariamente executados... Feácea.

-Acho que estou com sérios problemas.-murmurou.

Não seria fácil ocultar-se entre os habitantes da ilha devido a sua ascendência. Afinal, os lemurianos eram conhecidos e invejados pela sua longevidade, bem como eram facilmente reconhecidos pelas marcas em suas testas.

Quem a visse, logo a reconheceriam como estrangeira.

Agora entendia a preocupação de seu salvador misterioso. Olhou ao redor, imaginando onde ele estaria. Decerto haveria alguma vila próxima, onde ele residiria. Seu olhar pousou sobre o mar e seu coração sentiu-se aflito ao pensar no que teria acontecido ao seu irmão. Será que estaria bem? A embarcação teria resistido à tempestade?

-Tarek... Onde você está?

Impaciente, ansiosa para encontrar um meio de ir atrás de seu irmão, Níniam abandona seu esconderijo e começa a caminhar pela orla da praia, na esperança de encontrar um barco ou algo parecido.

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Em outro lugar.

-Como ousa, seu estrangeiro imundo, a me dar ordens e exigir alguma coisa?-o líder dos soldados ainda praguejava, mesmo após ver todos os seus soldados caídos e vencidos por Arcturus, que parecia nada cansado com o exercício.

-Onde aprendeu a lutar assim?-Tarek perguntou espantado.

-Sempre quis servir a Legião.-respondeu o romano.-Meu pai preferiu que eu seguisse seus passos como mercador. Mas isso não me impediu de encontrar um professor que me ensinasse a arte da luta.

-Arcturus, preciso te perguntar uma coisa!

-Hm? Agora não Tarek.-o romano empunhava a lança quebrada, olhando o líder que estava nervoso.

-Eu vou...-ele empunhou um gládio.

-Chega!-uma voz autoritária ordenou.-Não está vendo que ele é superior a você, Novak?

Os três olharam para a pessoa que chegava, e Novak estremeceu.

-Senhor.-curvou-se em respeito diante de um homem de idade avançada e longas barbas, acompanhado por um séquito de aldeões.-Não precisa se envolver nisso senhor. Eu cuido dos estrangeiros.

-Não seja tolo Novak. O rapaz é um habilidoso guerreiro.-o ancião fitou Arcturus e Tarek.-Sou o líder da cidade, e quem são vocês?

-Sou Arcturus, de Roma. E este é meu amigo Tarek da Lemúria.

-Bem vindos a Feácea.- disse o idoso.-Mas pelas leis de meus ancestrais, ditadas pelo próprio Poseidon, os estrangeiros não são bem vindos e devem ser mortos.

-Não gosto desta lei.-murmurou Tarek ao amigo.

-Mas nosso povo admira e respeita um guerreiro de valor.-ele começou a alisar a longa barba.-E suas habilidades nos impressionaram. Derrotou os soldados, sem tirar a vida de nenhum deles. Se derrotar nosso campeão em um combate até a morte, deixaremos você e seu amigo viverem.

-Queremos meios de voltar para as nossas casas.-disse Arcturus.

-Pois bem. Se vencer a luta, ajudaremos vocês a retornarem a seus lares. Se for derrotado, lógico que será morto... E seu amigo da Lemúria também.

-O que acha?-Arcturus sussurra para Tarek.

-Parece que não temos muita escolha.-preocupado.-Não quero que a responsabilidade sobre a minha vida caia sobre seus ombros amigo.

-Sei que posso derrotar o tal campeão, Tarek. Meu mestre sempre me dizia que eu era o mais forte e habilidoso de seus alunos... E ele foi o mestre de dezenas de guerreiros!

-Amigo... Eu acredito que você seja forte sim!-tocou o ombro do romano.-Diria, um escolhido dos deuses.

-Como?

-Longa história.

-Pode me contar enquanto vamos com eles enfrentar o tal campeão.-disse Arcturus e depois ele voltou-se para os feáces.-Aceito lutar por nossas vidas!

-Excelente.-disse o ancião, satisfeito.-Chamem Alessandros!

-Hahahahahahahahaha! Agora irá encontrar seu fim, romano.-disse o soldado, rindo.-Ninguém é mais forte que Alessandros! Ele jamais foi derrotado!

Uma gargalhada vindo do soldado que ainda estava em pé faz com que tanto Arcturus quanto Tarek tivessem um mau pressentimento.

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Próximo a uma humilde casa de pescadores.

Bastaram poucos golpes do machado para que a velha árvore tombasse, e Alessandros olhar satisfeito para o resultado final de um dia de trabalho. Logo, seus pais teriam madeira o suficiente para passarem muitas semanas sem preocupar-se com a falta desta.

Os olhos castanhos, moldurados por uma espessa monocelha, fitavam o horizonte. E seus pensamentos o levaram a jovem que colocou em sua proteção. Precisava decidir o que fazer com ela, antes que saibam sobre a mesma.

"- Obrigada por salvar minha vida, Alessandros."

A imagem e o sorriso dela não saiam de sua cabeça.

-Alessandros!-ouviu a voz do pai que se aproximava devagar, fazendo-o despertar de seus devaneios.

O pai havia se aproximado dos quarenta anos e mantinha muito do vigor de sua juventude. Os cabelos eram claros, e seu rosto começava a mostrar as marcas do tempo e do trabalho de sol a sol ao qual realiza no mar.

-Está muito tempo trabalhando ao sol. Até corado está! Cuidado para não ficar doente.

-Ah, não é nada, pai.-desconversou.-Sabe que dificilmente fico doente.

-Eu sei. Tem uma saúde invejável!-o homem sorriu e sentou-se sobre o tronco da recém derrubada árvore.-Sua mãe está curiosa. Encontrou um alforje com comida e o vestido que ela não usa mais.-notou o embaraço do filho.-Há algo que queira me contar?

-Não.

-Nem pelo vestido filho, mas o colar de contas que estava com ele fez sua mãe pensar em muitas coisas. Ele é feminino demais para que você o use.-olhou para o filho, que se ocupava em cortar outra árvore.-Filho. Você sempre foi forte, e conseguiu ganhar o respeito de todos com isso. Apesar de os deuses terem te dado uma aparência diferente das demais pessoas.

De fato, Alessandros nasceu com apenas três dedos em cada mão, os indicadores, polegares e mínimos, fora chamado de aberração pela parteira e de acordo com os costumes locais, sugeriu que a criança fosse abandonada na floresta para morrer. Mas o amor de seus pais falou mais alto e eles não o fizeram.

Cresceu com o estigma de monstro, e os pais se afastaram da cidade e procuraram residir próximo ao mar. Alessandros passou a treinar com o pai, um soldado que abandonou as armas para se tornar pescador e cuidar da família. Logo se destacou sobre os demais jovens da sua idade, vencendo a todos em um torneio com apenas treze anos.

Aos quinze anos perdeu a mão esquerda em um confronto contra um exército invasor, o que lhe conferiu respeito entre os guerreiros de seu povo, e recebeu a alcunha de campeão ao matar o líder invasor logo em seguida.

Os mais jovens e crianças o admiravam por suas histórias de bravura em combate. Jamais fora derrotado, seja em torneios ou batalhas até a morte. Mas mesmo assim, as mulheres tinham repúdio de sua aparência. Lógico que os cabelos cor de mel, longos e desgrenhados ajudavam a ter a fama de ser um homem terrível. Em seu povo, apesar de seus feitos, ainda era considerado uma aberração.

Logo, para manter-se longe dos olhares preferiu passar mais tempo no mar como pescador do que na terra. Se não fosse por isso, certamente Níniam teria se afogado no mar naquela tempestade no dia anterior.

Tal pensamento o fez estremecer.

-Alguma donzela tem chamado sua atenção?

-O que?-engasgou.-Olhe para mim, pai. Acha que alguma donzela iria querer me ter como marido?

-Uma que enxergue além das aparências.-ele sorriu.- Sempre houve algo na qual nos preocupamos com você. Temíamos partir para o outro mundo e você ficasse só. Principalmente porque você parecia não se importar com isso até... Agora.

-Eu ia dar a comida e o vestido a alguém que estaria precisando.

-Ela é de família muito humilde? Nós também somos! Pescadores não possuem muita chance de acumular riquezas.-sorriu.-E o colar?

-Eu...-engoliu em seco.-Achei que ela o apreciaria.

-Certamente ela irá.-ele levantou-se.-Posso contar isso a sua mãe? Ela irá me encher de perguntas.

-Pai. Não. Ninguém pode saber sobre ela!-disse com certa apreensão que fez seu pai desconfiar.

-Algo errado?

-Ela...-parou de falar ao ver um cavaleiro se aproximar da casa apressado.-Depois contarei tudo ao senhor.

-O ancião da cidade chama Alessandros, o campeão!-dizia o mensageiro, ofegante para a senhora que saia da casa. Era jovem ainda, de traços belos e marcantes, e os longos cabelos negros presos por uma trança, fitavam o soldado com uma expressão nada amigável.

-Meu filho se aproxima.-disse-lhe sem esconder o desprezo.

Ela odiava esta gente hipócrita que a tratavam mal por ser de outra terra, por desprezarem seu filho por sua aparência e que somente se lembravam dele quando algum perigo os espreitava.

-Diga o que o ancião deseja!-ordenou Alessandros, apoiando o machado no ombro.

-Que lute por Feácea.-respondeu o mensageiro.-Venha comigo!

O rapaz deu uma olhada nos pais, depositou o machado em um canto, apoiando o cabo na parede e começou a caminhar na direção da cidade, ignorando o mensageiro, deixando-o para trás.

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Na arena da cidade.

-Não gosto de arenas.-resmungou Tarek, observando o povo que havia se reunido para assistir ao duelo de morte.

-Não aprecio muito também.-olhando ao redor.-Ainda mais se terei que matar.

-Tem certeza disso, Arcturus?-fitando o amigo.-Está estranho desde que contei sobre minha missão.

-E você acredita que eu seja um dos guerreiros de Minerva...Atena?

-Sophia se aproximou de você assim que o viu. Eu tive uma confirmação hoje!

-A "áurea dourada".-sorriu descrente.-Confesso que senti meu corpo mais vigoroso naquele instante, mas era a emoção natural de uma luta.

-Cada um dos guerreiros de Atena tem uma força em seu interior esperando o momento de despertar. Tenho que levá-los até a deusa, na cidade que lhe foi consagrada. Lá, a deusa os espera.

-Então. Teremos que sobreviver a isso.-fitou um portão feito de grade de ferro, que se erguia.

O povo ovacionou quando perceberam isso. Gritava e louvavam o nome de seu campeão, chegando a ser ensurdecedora a voz da coletividade.

-ALESSANDROS! ALESSANDROS!

-Começo a ficar preocupado.-comenta Tarek.-Como deve ser este tal Alessandros?

-Já vamos descobrir.

Das sombras que ocultavam o interior da pequena arena, saia um homem de aparência aterradora, munido de uma espada em sua mão direita. À esquerda, era um toco onde havia uma espécie de protetor de metal. Arcturus fitou o homem diante dele e estreitou o olhar.

-LUTEM!

Ordenou o ancião, jogando aos pés de Arcturus uma outra espada, e neste momento, Alessandros avançou em fúria para cima dos dois.

Continua...