Equinócio de Primavera
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura.
Uma brisa suave entrava pela ampla janela do meu quarto naquela noite de primavera. Faltavam poucos minutos para a meia noite quando acordei devido aos raios lunares extremamente luminosos que batiam no meu rosto sem nenhuma cerimônia. Ao meu lado Máscara dormia pesadamente, mas ao julgar por sua postura toda encolhida, pude deduzir que a brisa pudesse ser um pouco fria para ele, portanto, fui até a janela e fechei uma de suas partes. O luar claro incidia sobre todo o santuário e por morar no topo da escadaria das doze casas zodiacais, eu tinha uma visão privilegiada daquele lugar.
Avistei ao longe a escadaria da velha arena, local onde eu e o Mask demos nosso primeiro beijo. Me lembro claramente do calor sufocante que estava fazendo naquela tarde de verão, por isso me dirigi a uma lagoa mais afastada e fui me banhar em suas águas geladas. Estava passando pelo local, o qual eu pensava estar deserto naquele fim de tarde, quando ouvi mais uma das provocações do italiano. Não entendia nada dos termos em italiano que ele me chamava, mas tinha certeza que eram insultos. Entendia menos ainda a necessidade que ele tinha de me insultar quase todas as vezes que me via.
Passei altivo como sempre, ignorando suas provocações, o que o deixou mais irritado. Ele não reagiu bem a essa minha atitude e veio tomar satisfações, puxando-me pelo braço, obrigando-me a encará-lo. Não sei como ele me tirou do sério, mas em algum ponto da nossa conversa, saímos no tapa. Eu poderia enfiar uma rosa piranha naquela boca suja dele e arrancar sua língua se eu quisesse, mas confesso que eu até gostava de ver o italiano perder a cabeça diante da minha atitude de não leva-lo a sério.
Como estávamos brigando enquanto andávamos, ele perdeu o equilíbrio e caiu por cima de mim. Em vez de tentar me imobilizar ou de sair de cima de mim, ele ficou me encarando. Comuniquei-lhe que tinha coisas mais importantes para fazer do que ficar com ele em cima do meu corpo quando senti seus lábios sobre os meus. Quem visse o cavaleiro de câncer tão cruel, tão mal educado e tão irritado jamais pensaria que ele fosse capaz de dar beijos tão suaves. Ficamos nos beijando até o cair da noite, em completo silêncio, mas seus beijos apaixonados, a forma que suas mãos tocava meu corpo e o seu olhar me dizia que por trás daquela implicância dele existia um cavaleiro apaixonado.
Assim que murmurei seu nome, ele se levantou e foi até a direção oposta das doze casas, sem me dizer uma só palavra. Segui meu caminho até o templo de peixes e passei o restante de toda a noite pensando no canceriano. Procurei-o discretamente pelo santuário nos dias seguintes, me culpando por ter gostado tanto de seus beijos e como não o encontrei, tomei isso como um aviso dos céus para que eu ficasse longe de Máscara da Morte. Uma semana depois, senti um cosmo perturbado passando por Aquário e me pus em postura de combate, abandonando-a assim que vi o italiano na minha porta.
Perguntei o que ele queria e ele nada respondeu, vindo novamente provar de meus beijos. Daquela vez, seu beijo era avassalador, urgente. Parte de mim queria sucumbir aquele desejo, mas a outra parte, mais orgulhosa, o empurrou para longe, dizendo que eu não era um objeto que ele procurava para se satisfazer quando ele bem quisesse. Me surpreendi quando ele disse “Ti voglio, stronzo!”. Até mesmo dizendo que gostava de mim ele tinha que me chamar de pedaço de merda.
Mesmo Máscara da morte sendo um louco, mal educado, com nenhum jeito para comunicação e mesmo eu tendo alguns pretendentes mais bem apessoados que ele, decidi lhe dar uma chance e aqui estou eu, 7 anos depois do ocorrido ouvindo seus murmúrios em italiano enquanto ele dorme na minha cama. Aposto que está reclamando de alguma coisa!
Me virei e observei-o dormindo e tive a certeza que Máscara da Morte de câncer era meu lar. Fui até a cama e adormeci quase que instantaneamente, completamente maravilhado pelo amor que sentia por ele.
FIM
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