Equinocio
6 Alertas....
Notas iniciais
Esse capitulo vai pra todas as meninas lindas que mandaram seus inspiradores comentários e pras duas fofas (Camila Moroli e Andreza souza)por terem favoritado a historia! Valew meninas obrigado pelo apoio e por lerem a historia!!!
P.S: quanto aos fantasminhas, façam o favor de comentar é a unica forma de me falar em que preciso melhorar! Ate mais
Olá! Faz um tempinho desde que nos falamos pela última vez, não é mesmo? Bem, se não me engano, contei a você a triste história do fim do romance de Amélia Longfield e Joseph Straubs, certo?
Vamos nos esquecer de Amee por um instante e nos focar em outra Longfield.
Allie. Você se lembra de como terminamos, não é?
Bem, vamos voltar. Exatamente para o que aconteceu depois...
Allie estava dormindo em sua confortável mesinha. Talvez não tão confortável mesinha de estudos. Então despertou com o barulho de algo que arranhava a vidraça de sua janela.
Os sons eram como garras arranhando um objeto qualquer, e não demorou muito para que Allie entrasse em pânico.
Ela estava à beira de um ataque de nervos, com medo de tudo, vendo perigos e inimigos em todas as partes. Tudo a assustava, tudo a fazia tremer e temer. Tinha a sensação de ser vigiada e por diversas vezes viu vultos que apareciam e desapareciam com a mesma rapidez. E tudo só piorou com a morte, ou melhor dizendo, o assassinato de seu professor de anatomia humana, e também com a chegada de seu mais novo professor. O que substituiria o professor Mackenzie.
Ele era completamente maluco!
Jurava que conhecia Allie e sua família. Já a havia ameaçado de morte! Como é que alguém assim poderia ser professor? Ou melhor, como é que alguém assim não estava preso em um manicômio? Ele jurava que iria se vingar de Allie e ela continuava sem entender o porquê.
Eu sempre lhe conto as cenas que mais me chamam a atenção e me divertem.
Essa é uma delas:
Allie estava saindo da sala de informática da ala sul do campus e simplesmente esbarrou em um muro. Bom, a sensação foi essa, embora ela tenha esbarrado em John.
Culpa do “destino”?
Talvez. Eu acho que não.
Ele a arrastara pelo braço até um canto mais escondido e novamente a ameaçou.
Dessa vez ele realmente a irritou. Algo que era quase impossível.
Ela o chamou de coisas muito engraçadas. Pelo menos para mim. John não gostou nada.
Ela o chamou de louco psicótico, disse até que ele deveria estar com a doença da vaca louca!
Eu me diverti muito vendo essa cena.
Não me lembro de ter visto uma cena tão engraçada desde a primeira vez que assisti aos três patetas. Allie estava em pânico com as ameaças de John, mas ela era bem parecida com um cão que quando se sente acuado, ataca seu agressor na esperança de ter alguma chance de se defender.
Ela não teve a reação mais sensata que poderia. Pelo menos não naquele momento.
Allie foi até a reitoria da faculdade para fazer uma reclamação direta. Caso você esteja estranhando o fato de ela ter tal liberdade, eu lhe explico. O reitor a tinha em alto grau de consideração, devido as suas origens. Tanto a mãe quanto a irmã de Allie tinham feito faculdade de medicina em Harvard, e ambas tinham sido as melhores alunas de sua turma. O próprio reitor a recebeu naquela tarde.
Aconteceu assim:
– Senhorita longfield! A que devo a honra de tê-la em uma reunião? – disse o velho, olhando para Allie e verificando o quanto ela era diferente de sua mãe e de sua irmã.
– Bem, senhor Harper, eu tenho algo sério a lhe dizer e vou direto ao ponto. – Allie se preparou para contar a ele a sua historia. Desde a chegada de John, ela não tinha contado nada a ninguém. Essa seria a primeira vez.
– Tudo bem. Então, sem mais demoras, me diga o que a traz aqui, jovem.
– Eu tenho uma denúncia a fazer ao senhor. – Allie tomou fôlego e coragem para prosseguir. – É sobre o novo professor de anatomia humana.
– O Sr Morrison? – questionou o velho, arqueando a sobrancelha grossa e branca que fazia a garota lembrar-se de uma lagarta que vira no museu de ciências de silent Hill.
– Sim. Ele tem me feito ameaças...
– Que tipo de ameaças?
– Ameaças contra minha moral... Contra a minha integridade física e eu realmente vou levar essas ameaças a sério, senhor. Aquele homem me assusta.
– Me diga quais foram as exatas palavras, minha jovem.
Allie encarou o velho com um de seus olhares estranhos, os quais podiam ter vários significados, e o significado daquele era “tá maluco, seu velho louco?”. Allie achou que somente o que dissera já seria o suficiente para ver o professor de anatomia humana bem longe de Harvard e, no entanto, o reitor queria saber quais as exatas palavras que John usara para ameaçá-la? Tudo bem, então.
– Ele deve sofrer de algum tipo de esquizofrenia ilusória, porque ele jura que me conhece e que vai se vingar do que eu lhe fiz, mas acontece que eu não o conheço! Ele disse que eu sou a espécie mais podre de ser humano que ele já viu, mas que eu irei pagar por meus “atos”. Eu simplesmente não sei o que fazer!
– Tem certeza de que você não conhece o senhor Morrison de algum lugar?
– Mas é claro que tenho! Eu nunca o havia visto até dois dias atrás!
– Você realmente parece preocupada, Allie. Está certa de que tudo não passa de um engano?
– É claro que estou! Ou o senhor acha que eu viria até aqui falar tudo isto se não tivesse certeza? Eu não sou louca!
– Acalme-se, senhorita Longfield! Eu tomarei providências, tudo vai ficar bem. Agora, se me der licença, eu tenho uma reunião com os patrocinadores do time de futebol em dez minutos.
– Tudo bem – falou Allie, saindo da sala.
Olhe, não sei dizer se Allie era muito inteligente ou muito burra. Afinal, o que a garota tinha em mente? É claro que o reitor conversaria com o Sr Morrison e que, assim, as coisas só se complicariam para o lado de Allie.
Pensando bem, eu não sei o que faria no lugar dela. Ela não tinha muito o que fazer. Talvez eu fizesse o mesmo...
Resumindo; o acontecido foi o seguinte: o Sr. Harper (o reitor velho com a sobrancelha que lembrava a uma taturana) conversou com John e o substituto simplesmente desmentiu tudo o que Allie havia dito, afirmando que a garota andava dispersa em suas aulas, que apresentava mal comportamento e que, por diversas vezes, já tinha feito coisas apenas para chamar a atenção do restante da turma.
No fim, o velho acreditou em John e Allie saiu da história como a garota problemática que sofria com a morte da mãe e que fazia de tudo para chamar a atenção.
No dia seguinte, na aula de anatomia humana, Allie surpreendeu-se ao ver que John ainda era seu professor de anatomia, mas desta vez ele não a ameaçara, ele sequer olhou para Allie durante a aula.
Allie não sabia se sentia alívio ou se entrava em pânico! Ele com certeza estaria tramando algo...
Vamos voltar à parte presente...
Allie que estava dormindo em sua não tão confortável mesinha de estudos, e acordou assustada com o barulho de algo que arranhava a sua janela.
Explicando melhor, ela estava dormindo ali porque estava exausta e mais uma vez pegara no sono enquanto estudava para um prova importante.
Allie se levantou assustada da cadeira e foi olhar a janela. Ultimamente tudo a assustava. Quando puxou a cortina, viu que se tratava apenas de um dos galhos da macieira que ficava em frente à janela de seu quarto.
O susto veio quando olhou para baixo e viu ao pé da macieira, o vulto que a olhava fixamente. Ela não podia ver o rosto de quem estava lá embaixo, mas sabia exatamente de quem se tratava.
John.
Ela abriu a janela e o vento que entrou no quarto fez com que a moça sentisse calafrios e também fez com que qualquer objeto leve o suficiente, dançasse com o vento. Desesperada, gritou:
– O que você quer John? Me deixe em paz! – Seu grito estridente cortou o ar.
Foi quando, de repente, uma mão pousou em seu ombro direito, fazendo com que Allie pulasse e deixasse que um daqueles gritos que vocês humanos classificam como “de arrepiar os cabelos”, escapasse de sua garganta.
– Tá maluca, Allie?! São duas e meia da manha e você aí gritando para o nada? O que está acontecendo com você? – disse Amber, sua companheira de dormitório, que por sinal já estava de volta.
– Olhe!– disse Allie, puxando a amiga e fazendo com que a moça olhasse pela janela. – Está vendo? Ele não para de me perseguir!
– Tá doida, Allie? Não tem nada lá fora! Só aquele gato feio...
Allie se enfiou na frente da amiga e quando olhou para baixo, viu que o vulto que instantes atrás a observava, agora não estava mais lá. Apenas um gato a encarava.
Um gato preto, com uma de suas orelhas arrancadas quase que por inteiro e com uma cicatriz que atravessava seu focinho, dando ao gato um aspecto doentio e desfigurado.
Os humanos têm muitas manias e medos engraçados, como por exemplo, medo de gatos...
Algo totalmente desnecessário. São apenas animais! Não criaturas malignas, mas esse medo todo teve início em um tempo distante, mais precisamente na caça às bruxas em Salém.
Eu nãotenho humor para contar cada parte desta história agora. Vamos deixar os detalhes mais para frente, quando eles realmente forem importantes e indispensáveis.
A cena a seguir aconteceu na manhã seguinte ao incidente com o gato.
Amber já estava de volta às aulas e estava empolgada com John, o novo professor de anatomia.
Allie e a garota sentaram-se em seus lugares no balcão, onde sempre se sentavam, e a sala ainda estava vazia.
John entrou na sala e simplesmente fuzilou Allie. Ela sabia o motivo. Ele era completamente louco! Simples assim.
– Allie, acho que ele ainda está chateado por você ter reclamado na reitoria...
– Ele que se dane! Você não sabe sequer da metade da história e já sai por aí, achando que eu estou errada...
– Ei, amiga, acalme-se. Eu não disse que você está errada! Só disse que ele parece chateado, você viu como ele te olhou? Com cara de quem anda por aí com uma arma, maluco para atirar em você – disse Amber, entre risos.
– Não duvido nada. Você viu a briga que ele se envolveu no primeiro dia? Aposto que ele é dependente químico. Ou, no mínimo, é retardado o suficiente para tomar chá de cogumelo – completou Allie, rindo da cara de Amber. Ela sabia que a amiga detestava esse tipo de brincadeira. A própria já havia ficado desacordada por três dias no hospital central por ter provado o tão famoso chá de cogumelo.
– Agora eu entendi! – falou Amber, com cara de deboche.
– Entendeu o quê? – perguntou Allie.
– Simples. Tá rolando uma tensão sexual! Você se sente atraída por ele, ele se sente atraído por você, mas nenhum dos dois quer assumir. – Amber concluiu a última parte de seu discurso alto demais.
– É o quê?
– Ah, amiga, eu acho essa relação professor/aluno tão sexy!
– Você andou tomando aquele chá de novo? É o que está parecendo! Não tem tensão nenhuma! Ele nem faz meu tipo...
– Me desculpe, Allie, mas desde quando um cara louro, alto, forte, atraente, com um par de olhos azuis, e sem mencionar uma bunda magnífica, não faz seu tipo?
– Você tomou o chá! Só pode ter sido isso...
– Silêncio! – pediu John, ao ver que a sala já estava cheia. – Na aula de hoje veremos o conceito estrutural do córtex cerebral. É muito simples, abram sua conta do H.P.M.G, Harvard Page Medichal group, direto no módulo 4, por favor.
E assim teve início a aula do dia.
FIM DA AULA ÀS 11:25 – primeiro intervalo matutino.
Enquanto todos se retiravam da sala, Allie notou que John a perseguia com os olhos, como um gato que persegue uma barata (mais uma comparação medíocre). Ela logo se apressou para sair daquele lugar.
Este intervalo seria de uma hora e meia, já que era o intervalo para o almoço, então Allie teria tempo para ir até seu dormitório e colocar uma roupa mais fresca, já que fazia frio quando saiu pela manhã, obrigando-a a usar um cardigã de lã egípcia.
O percurso do prédio onde tinha as primeiras aulas do dia até o prédio onde ficava seu dormitório, era de cerca de duzentos metros. Distância essa que Allie percorria todos os dias e por isso conhecia cada um dos caminhos possíveis.
Allie entrou no prédio pela segunda entrada lateral. Esse era mais um dos prédios recém-reformados de Harvard, e tinha um toque que Allie classificava como “pitoresco”. Por fora era revestido de pedras rústicas e contava com pequenos pedaços de quartzo roxo, também conhecido no Himalaia como pedra da lua, que dava a estrutura uma aparência feminina, mesmo que rústica.
O quarto de Allie era no terceiro andar e o prédio não contava com elevadores, o que significava que Allie teria que subir de escada.
Tudo bem. Afinal, ela tinha tempo.
Allie subiu as escadas tranquilamente, mas algo estava estranho. Onde estavam todas as outras garotas?
O prédio estava estranhamente quieto.
Allie andava paranoica, ela mesma já tinha reconhecido que não estava em seu normal.
Abriu a porta de seu quarto cautelosamente. Tinha medo de ter visitas indesejadas esperando por ela.
Olhou pelo quarto. Estava tudo em seu devido lugar. Ela não ficou tranquila até ter terminado de vistoriar o local por completo. É, pelo visto, o quarto estava vazio. Da mesma forma que fora deixado por ela.
Allie foi até seu guarda-roupa e separou um vestido qualquer. Um desses sem muitos detalhes, porém bem femininos. Allie olhou para o relógio e concluiu que daria tempo de tomar banho.
Olhe, eu acho que todos vocês estão acostumados aos típicos mocinhos de cinema. Heroicos e valorosos, cobertos de hombridade, e totalmente confiantes no poder do bem.
Deixe-me ser claro com vocês.
Esse tipo de coisa não existe! Ninguém é cem por cento. É claro que existem pessoas boas. Pessoas corajosas e pessoas com caráter inquestionável, mas ninguém tem todas as qualidades. O que quero dizer é que vocês, humanos, esperam coisas demais de outras pessoas. Coisas que vocês mesmos não podem oferecer...
Você deve estar pensando: “O que você está querendo dizer, Sr. Destino?”
Humanos idiotas!
Eu só quero dizer que vocês não devem nunca esperar nada! De ninguém! Desta forma o que vier será lucro.
Sendo assim, não espere que os personagens desta história lhes agradem ou supram sua carência.
Voltando à narrativa.
Allie saiu de seu banheiro trajando apenas um sutiã sem alças de cor azul. Ela estava distraída, pois antes de entrar no banho tinha ligado o rádio. No momento, a música que tocava era agitada e dançante, o que fez com que a moça se animasse e perdesse totalmente a noção do que estava a sua volta.
Eu acho que você já sabe quem estava espiando Allie. Ela deveria ao menos desconfiar.
John estava no dormitório, encostado em um dos criados mudos de Amber. Ele olhava a criatura indefesa a sua frente com um olhar especulador. Como ela ainda não havia se dado conta de sua presença? Ou esse seria apenas mais um truque de Allie? Ela ainda devia estar tentando convencê-lo de que não se lembrava de nada? No mínimo, ela achava que ele ainda era o mesmo tolo de sempre.
John pigarreou, chamando a atenção da moça.
Quando Allie virou-se de frente para John, o choque foi tão grande que fez com que Allie berrasse tão alto quanto era possível para alguém de pouco mais de um e setenta.
– Olá, Allie! É bom vê-la novamente...
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