Equilíbrio

11 Capitulo 11 - Uma Balança Quebrada.


–--- Mãe?

A coisa mais aterrorizante do mundo é sonhar com uma pessoa e acordar com ela te encarando. Minha mãe estava sentada numa poltrona vermelha do meu lado enquanto falava com Ilithya e Raphael, que também arranjaram uma poltrona vermelha de não sei onde.

Aí caiu a ficha. Estava escuro no meu quarto as janelas estavam fechadas. Layla e Vanessa foram tiradas para fora dali e meus professores estavam falando com a minha mãe enquanto eu dormia.

Isso é levemente estranho.

–--- O que está acontecendo aqui?

–--- Elise, Nyx, Feiticeira Branca, sei lá como devo chama-la ---- Raphael revirou os olhos com o comentário de Ilithya ---- Está nos esclarecendo por que ela nós fez de trouxas por 500 anos. Só isso.

Pisquei.

–--- Trouxas ? Tipo, os carinhas do Harry Potter?

Raphael revirou os olhos.

–--- Elise bem que você avisou que ela é meio lerda quando acorda.

Fiquei ofendida. Eu lerda? Pô, eu não sou Percy Jackson.

Lutei com a vontade de voltar á dormir e deixar eles fofocando sobre minha vida ---- Que nesses dias está muito interessante, os deuses deram 24 horas do dia para a vida de cada um e ainda tem gente que faz hora extra na minha. Afinal, ainda não é 1:00 da tarde, ainda é de manhã.

Mas como sou uma pessoa admirável, consegui levantar da cama e arrastar meus pés até eles.

–--- Abram a boca! O que foi? Pretendem me jogar pros leões? Se for isso, a culpa é sua mãe, não tenho culpa de ser lá a Feiticeira que vocês acham que eu sou, foi você que me gerou!

Minha mãe piscou. Abriu a boca e fechou logo depois, acho que se decidiu que eu estava meia zonza, o que de fato era verdade.

–--- O problema não é você. É as balança ---- Raphael esclareceu.

–--- Que balança? Estão me achando gorda?–--- Perguntei.

Minha mãe ficou vermelha. Eu devia estar sendo insuportável.

–--- Filhotinha vai comer seu café da manhã que depois conversamos.

Basicamente foi isso. Me chutaram para fora dali.

Foi só aparecer no refeitório inteiro parou e me encarou. Vish, acho que virei uma celebridade. Fui até a mesa onde se pegavas as refeições. O bom desse lugar é que não tem a velhinha cozinheira distribuindo uma massa pastosa. É uma mesa qualquer em que você fala o que quer comer e aparece lá. É bastante liberal, mas sempre tem um mestre supervisionando tudo para não acontecer ....er... acidentes.

–--- Pizza metade palmito e metade lombo.

Aí apareceu um lindo prato de pizza,

Amo essa mesa.

Fui direto para a mesa em que estava Layla. Pela cara dela ela já sabia da noticia.

–--- Bom, eu sou a reencarnação de uma feiticeira antiga e bláblá. Já devem saber.

Analisei a expressão de cada um na mesa. Mary me encarava bobamente, me senti até mal, eu devia parecer apra ela uma heroína dos seus romances de Sheakspere. Sam, estava admirado, tenho certeza que quando ele pretender aprontar jogar fogo no cabelo de alguém ele vai querer contar com minha ajuda. Damien estava pouco ligando, estava mais interessado em separar o alface da acelga. Vanessa estava me olhando com raiva, provavelmente tomei toda a atenção de todos, e ela não gostava disso. E Alec estava com olheiras fundas e parecia nem se importar se o mundo explodisse.

–--- Damien me contou ---- Layla comentou.

Alec revirou os olhos.

–--- Ele contou para a escola inteira, para falar a verdade.

Respirei fundo e encarei Damien. Ele parecia bastante inofensivo comendo alface enquanto espanava a acelga com o garfo. Cutuquei ele com a colher.

–--- Você é uma gralha fofoqueira.

–--- Na verdade sou da linhagem de falcões.

–--- Não importa, é fofoqueiro.

Damien engasgou com o alface. Sam começou a rir da situação e por um momento pensei que ele iria chegar á cair da cadeira de tanto rir. De repente ele parou de ri e encarou Alec.

–--- Você tá bem? Não riu nem um pouquinho...

Alec não estava com cara de quem está bem. Ele estava com a pele mais pálida do que já é normalmente e tinha olheiras fundas, o que era estranho por que normalmente ele passa metade da sua vida dormindo.

–--- Estou bem --- Ele falou simplesmente.

Vanessa bufou.

–--- Claro que não está. Depois da sala dos patronos você está esquisito. Não quer me contar nada.

–--- Relaxa Nessa ----Falou Damien ---- Vai ver um patrono fraco escolheu ele. Provavelmente um deus menor muito fraco.

Sam começou a rir.

–--- Ou o deus das doninhas furiosas escolheu ele.

Depois dessa fui forçada á rir. Porém Alec sem nos olhou, parecia estar pensando em algo.

–--- Existe um deus das doninhas furiosas? ---- Perguntou Layla.

–--- Sei lá, Layla ---- Falou Damien ---- Existem mais de 200 deuses, um deles tem que representar as doninhas furiosas.

Ri tanto depois disso que quase morri engasgada com a pizza. E ahn, por falar na pizza ela estava maravilhosa, o lombinho estava bem frito e coberto de um queijo perfeito, os palmitos estavam no ponto e cobriam delicadamente a camada de queijo, fora o catupiry nas bordas.

–--- Então qual foi o seu patrono Layla?---- Perguntei.

A pergunta pareceu pegar Layla de surpresa.

–--- Hera.

Sam pareceu estar subitamente interessado.

–--- Hera, a tal que tentou matar Hercules com cobras, depois com o leão de Nemeia, depois com a hidra, depois com o caranguejo...

–--- Sam, pode parar agora, se você listar todas as vezes que Hera tentou matar Hercules você vai ficar até de manhã falando ---- Eu o interrompi.

Ele bufou.

–--- Você é uma sem-graça, Christine.

Revirei os olhos. Só gente irritante nessa mesa.

–--- E você Sam? Deixa eu tentar advinhar... Hermes?

Layla ficou parada me encarando.

–--- Germes?

–--- Não, Hermes, o deus dos mensageiros, das trapaças ---- Olhei feio para Sam ---- Das brincadeiras maldosas principalmente.

Sam tamborilou os dedos sobre a mesa.

–--- Adivinhou.

Sorri maldosamente. Ah, eu sempre tenho razão em tudo... Sou simplesmente maravilhosa.

–--- Agora deixa eu adivinhar... Mary e Vanessa provavelmente Afrodite.... Damien.... Ares, possivelmente.

Vanessa me encarou novamente dessa vez irritada e até levemente surpreendida.

–--- Anda escutando atrás das portas, Christine? ---- Ela perguntou.

–--- Não, não sou você.

Admitam, foi uma excelente patada. A água-viva ruiva calou a boca rapidinho.

–--- Agora quero ver se você é boa mesmo---- Mary falou com os olhos reluzindo curiosidade---- Tente adivinhar qual é o patrono de Alec.

Olhei Alec cuidadosamente. O comentário de Mary pareceu tirar ele dos seus pensamentos. Ele não parecia nem um pouco preocupado com a possibilidade de eu descobrir o seu patrono. Sorriu maliciosamente para mim e se ajeitou na cadeira com uma expressão de pretensiosidade impressionante. Os olhos negros estavam brilhando. Argh, que criatura irritante.

–--- Tente adivinhar, bruxinha.

Cerrei os punhos.

–--- Hum... Ares talvez... Não Ares, não... Se fosse Ares você não estaria preocupado...

A resposta parecia estar bem perto de mim, mas eu não conseguia alcança-la. A resposta estava tão perto, tinha certeza. Eu conseguia me lembrar de algo mas não sabia o que era... Quando eu estava quase lembrando Ilithya apareceu para interromper.

–--- Nyx está chamando todos vocês. Venham.

Felizmente Ilithya, Raphael e mamãe desistiram de usar meu quarto como sala de reuniões, senão eu me sentiria realmente embaraçada por fazer uma reunião no meio de embalagens de cheetos.

Raphael e mitéra( mãe em grego em caracteres do alfabeto latino), estavam sentados numa cadeira conversando baixinho, provavelmente não queriam que nós escutássemos. Como sou uma criatura terrível, puxei uma cadeira para perto deles para ver se eu conseguia escutar alguma coisa.

Infelizmente minha mãe me conhece. Ela e Raphael se afastaram de mim. Provavelmente não queriam que eu escutasse o que eles estavam falando. Eu simplesmente odeio quando tem pessoas falando baixo na intenção de eu não ouvir. Dá a leve impressão que estão falando de eu.

Quando todos nós estávamos sentadinhos como seres educados e obedientes ( Coisa que não somos) minha mãe começou a falar.

–--- Eu sou direta, não vou ficar enrolando aqui na frente. Bom, a Balança do Equilibrio está quebrada. O próstimo e o kakó estão desequilibrados. O Equilíbrio se rompeu.

Todos na sala arfaram ou pareceram assustados. Menos eu e Layla, logicamente já que não entendiamos nem a metade do que se falava.

Levantei a mão para alto como um aluno faz na sala de aula.

–--- Mãe, me explica o que é essa balança. Tenho certeza que não é a balança da farmácia. próstimo e e kakó . São bem e mal em grego, já sei por que já estudei isso. Mas o que o bem e o mal fazem numa falança, tão se pesando para ver quem é mais magro?

–--- Por favor não faça piadas, Chris ---- Minha mãe pediu.

Revirei os olhos.

–--- Você está parecendo Ilithya assim, mãe ---- Reclamei.

Ilithya se aproximou da minha mãe.

–--- Viu, eu falei que ela está insuportável ---- Ela cochichou no ouvido da minha mãe.

–--- Eu escutei.

Ilithya bufou e sentou na sua cadeira.

–--- A Balança do Equilíbrio é um dos meus itens de poder ---- Mitéra balançou os pés nervosamente ---- Ela não apenas simboliza o equilíbrio entre o bem e o mal. Ela o afeta. É um dos itens de poder mais valiosos meus, simboliza toda a minha força e imparcialidade sobre o bem e o mal. Eu não sou considerada uma deusa má, nem boa. Estou entre uma linha tênue sobre o bem e o mal.

–--- Embora tenha uma leve inclinação á ser cruel ---- Raphael murmurou.

–--- Cale a boca! Bom, continuando, eu deixava essa balança guardada em um lugar em que deuses não poderiam entrar, para não influenciarem a balança nas suas guerras. Mas quando você e Trivia voltaram, isso causou um desequilibrio na balança. Até agora não sabemos que lado está mais elevado, o bem ou o mal. Isso pode influenciar os seres humanos, seres de origem divina. Todos. Se o mal estiver mais elevado isso iria causar uma explosão de guerra na terra.

Fiquei parada encarando.

–--- Por que você não vai lá e conserta? ---- perguntei.

Minha mãe bufou.

–--- Deuses não podem entrar lá. Inclusive eu.

–--- Mitéra, sei que você é inteligente, mas o que você fez para você não entrar lá foi uma tremenda burrice.

Ela não me respondeu. Provavelmente me xingaria se não tivesse tanta gente perto.

–--- Então você nos chamou aqui para falar que é o fim do mundo? ---- Alec perguntou irônicamente.

–--- Já mencionei que deuses não podem entrar no Templo do Equilibrio? Então, precisamos que vocês entrem e arrumem a balança ---- Ela respondeu já nervosa.

Pisquei. Isso parecia tão simples para tanto drama.

–--- É só entrar lá e arrumar a balança? ---- Sam perguntou.

Minha mãe revirou os olhos. Pobre iludidos, ela pensou, tenho certeza.

–--- Fora a parte que Trivia vai tentar para-los com tudo que ela tem disponível, o que conta lindos e agradáveis monstrinhos, e que vocês precisam achar as duas adagas para passar entrar o templo e ninguém sabe onde elas estão. Fora isso é fácil.

Todos nós ficamos quietinhos.

–--- Irei dividir em grupos. Mary, Damien e Sam, vocês vão atrás da adaga do próstimo. E Chris, Vanessa, Alec e Layla, vocês vão atrás da adaga do kakó. Fácil e simples.

Por que eu tenho que ir no grupo que está atrás da adaga que simboliza o mal? Injusto. Tenho certeza que ir atrás da adaga que simboliza o bem é mais seguro. Mas com a minha sorte, não. Tenho que ir atrás da do mal.

–---Por que eu tenho que ir? Não sou representante de nada e nem a reencarnação de uma feiticeira poderosa. ---- Layla perguntou.

Minha mãe sorriu.

–---É para evitar que Vanessa, Alec e Chris se matem. Bom, meus queridos, arrumem as malas amanhã vocês irão partir.

Eu só esperava que não fossemos partir para o além.